Como Ler as Cartas Divisionais

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Como dissemos  no artigo anterior sobre as cartas divisionais estas não devem ser  consideradas como independentes mas devem antes ser usadas como complemento da Carta de Nascimento; elas são extensões dessa carta, são uma visão pormenorizada de uma área de vida simbolizada por uma determinada casa do horóscopo.  As vargas divisionais são ferramentas que servem para testar a força dos planetas no horóscopo de nascimento.

Assim, para analisar as cartas divisionais, procedemos do seguinte modo:

a)      Identificamos em primeiro lugar a (s) casa(s) do horóscopo de nascimento que são os principais significadores  do assunto ou área de vida que tentamos esclarecer e os planetas que significam essa área /assunto. Para sabermos isto  de forma imediata podemos consultar a série de artigos «significadores das áreas de vida» para cada  signo Ascendente que temos vindo a publicar.

b)      Escolhemos a carta divisional que representa essa área de vida (tenha em conta a relação das divisionais apresentada no primeiro artigo).

 A primeira coisa a analisar é a posição , na carta divisional, do planeta regente da casa do horóscopo que significa a área de vida estudada como primeiro significador. Em que casa da varga é que ele se encontra? A sua colocação numa das casas maléficas  (6ª, 8ª ou 12ª )é um primeiro fator desfavorável.  E qual a sua posição por signo? Está no próprio signo, debilitado, em Mooltrikona ou exaltado? Por ex., um planeta no próprio signo na divisional e  exaltado na D-1 vê confirmada a sua força.  Os aspetos que recebe, sobretudo os dos outros  planetas significadores da área em estudo, também são muito importantes. As associações entre os significadores da área de vida ou assunto que estamos a estudar dão-nos pistas importantes para a nossa interpretação.  E qual a sua natureza funcional, tanto no horóscopo de nascimento como na varga divisional? Por exemplo, se na D-1 (horóscopo de nascimento)  o planeta é um benéfico funcional mas na varga é um maléfico funcional, os resultados do planeta para esta área de vida podem ser problemáticos, embora estes efeitos  sejam menores do que se o planeta fosse um  maléfico funcional na D-1. Porém, esse impacto é maior se, na carta divisional, influencia o Ascendente ou a 4ª casa .

Analisamos de seguida a colocação por casa e por signo dos outros significadores para esta área, repetindo o processo de análise exemplificado no parágrafo anterior. Anotamos as conclusões. Estão colocados em casas boas ou más? Recebem bons  ou maus aspetos? Qual a sua natureza funcional?

Finalmente, consideramos o  regente do Ascendente da carta divisional e observamos a sua colocação por casa e por signo. Esta análise é muito importante se o Ascendente está ocupado por um signo Mooltrikona. Caso esteja ocupado por um outro signo, a sua importância torna-se  secundária (mas, ainda assim , deve ser  considerada, embora com menos relevo) . Adicionalmente, vemos onde está colocado o regente da casa (da varga divisional) que simboliza a área de vida que estamos a analisar e qual a sua força. Comparativamente, vemos qual a casa que esse planeta ocupa na D-1 e qual o seu estado aí. Esta análise fornece dados adicionais sobre a força do planeta e ajuda-nos a aferir os seus efeitos para produzir resultados.

Agora, como saber quando é que os resultados que interpretamos se concretizarão na vida da pessoa?  Para sabermos isto vemos os períodos principais ou mahadasha  ou os subperíodos dos planetas Significadores , privilegiando os significadores principais, e que podem ser os regentes das casas do horóscopo ou outros planetas significadores (karakas), conforme os casos  e o Ascendente em causa.

Considerações Adicionais

  • Um planeta que esteja fraco na D-1 (debilitado, combusto, aflito por aspeto próximo com um funcional maléfico)  não consegue produzir bons resultados , não importa  a força que tiver nas vargas divisionais. Estas não podem  produzir nada de novo que não esteja implícito no horóscopo de nascimento. Neste caso, os significados gerais e particulares desse planeta sofrem efeitos negativos, sempre que decorre o seu  período dasha/subperíodo ou quando este sofre a  influência exata ou próxima de outros funcionais maléficos por trânsito.
  • Quando Rahu e Ketu estão no Ascendente das cartas divisionais ou quando  o regente da 8ª casa da D-1 está no Ascendente da carta divisional isso  indica problemas relacionados com a área de vida simbolizada pela carta divisional.
  • Quando o regente da casa da D-1 que é principal significador está bem colocado na carta divisional e o  planeta significador  da área  e vida  em estudo está bem colocado na carta divisional, isso permite prever bons resultados para os assuntos da área de vida que estamos a analisar. Quando, pelo contrário, estes elementos estão mal colocados na carta divisional em causa, é de prever problemas na concretização bem sucedida dessa área de vida. A natureza  e significados  gerais dos planetas envolvidos e das casas  dá pistas sobre o tipo de problemas que podem surgir.
  • Os planetas colocados no Ascendente, nas casas kendra e trikona  e os que formam aspetos próximos ou exatos, sobretudo por conjunção, nas cartas divisionais, revelam essa área de vida da pessoa quando estão ativos os seus subperíodos.
  • A presença de Rahu e de  Ketu nas casas kendra e trikona numa determinada carta divisional  limita os bons resultados que a pessoa pode alcançar nessa área de vida.
  • Devemos ter em conta a força dos planetas na D-1 ao interpretar os resultados mostrados pelas cartas divisionais. Os aspetos entre os planetas são igualmente relevantes quando   examinamos as cartas divisionais mas não devem ser analisados trânsitos com referência às cartas divisionais. Apenas a D-1 deve ser considerada para a análise dos trânsitos.
  • Um planeta colocado numa casa maléfica de uma carta divisional  torna o planeta fraco mas menos do que quando está colocado numa casa maléfica da D-1.  Mas essa fraqueza deve ser tida em conta para os assuntos ou área específica representada por essa carta divisional.

 Procederemos à análise de alguns exemplos para ajudar  a compreender melhor estes procedimentos.

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