Indra Yoga

jes

Este é um yoga simples, que ocorre quando os regentes da 5ª e  da 11ª casas estão em receção mútua (Parivartana Yoga) isto é, quando cada um está colocado na casa do outro e a Lua está também colocada na 5ª casa, em conjunção, portanto, com o regente da 11ª casa. Esta é a versão do Indra yoga apresentada pelo professor B. V. Raman na obra 300 Hundred important Combinations.

Encontrámos outra versão para este yoga, que diz que o mesmo se forma quando Vénus e Marte estão conjuntos na 3ª casa  e Saturno e Júpiter estão colocados na 9ª casa.

Este yoga é algo paradoxal nos seus efeitos pois indica grande fama, coragem e capacidade para se lançar em aventuras de risco; a pessoa será «um rei  de reis» , a sua fama e popularidade durarão por muito tempo, gozará de todos os prazeres e diversões mas viverá «até aos 36 anos». Assim, abruptamente, o yoga confere poder, riqueza e fama meteóricos, pois a pessoa atingirá os pináculos do sucesso muito cedo na vida, conhecerá a felicidade e, sendo a 5ª casa uma casa de inteligência e de  compreensão, será certamente muito inteligente e criativa. Mas tudo isso se esfumará num ápice, pois este yoga, ao mesmo tempo que confere o mais elevado sucesso, diminui a longevidade.

A comunidade astrológica divide-se quanto a considerar este yoga como auspicioso ou, pelo contrário, nefasto e essa divisão tem a ver com os valores que são mais estimados por cada um. Quanto a nós, concordamos com o filósofo grego Epicuro, quando afirmava que o importante não é a quantidade de anos que se vive, mas a qualidade com que se vive: uma vida muito longa pode ser inteiramente inútil do ponto de vista da felicidade, bem como da aprendizagem das lições de vida, se for desperdiçada pela dependência em relação a todo o tipo de vícios ou pela preguiça de viver realmente situações novas e/ou significativas que permitam a evolução da alma, ao passo que uma outra curta mas vivida ao máximo, tirando partido de todos os talentos pessoais e da capacidade de afirmação da personalidade no mundo, parece valer bem mais a pena. Certamente que a história da Humanidade já viu passar muitos indivíduos centenários que nunca fizeram nada que permitisse ao mundo recordar-se deles  a não ser pelo número de anos que viveram mas alguém pode esquecer por ex., Alexandre o Grande da Macedónia, morto quando jovem? Assim, quem pode julgar com absoluta certeza que este yoga é inauspicioso apenas porque  confere fama, riqueza, poder e felicidade mas num curto espaço de tempo? Se nos oferecessem a possibilidade de  usufruir dos efeitos deste yoga morrendo «até aos 36 anos» ou, em alternativa, viver até aos 100 vegetando mergulhados em problemas ou impossibilitados, por razões de saúde, de apreciar a vida, não hesitaríamos em escolher o primeiro destino. E o (a) leitor(a)?

Uma última nota para referir que este yoga tem uma forte carga kármica, pois a Lua e a 5ª casa referem-se ao «crédito trazido  por ações passadas». Bom ou mau, este é um destino que aparece como «fruto que se colhe por aquilo que se semeou.» E indica, certamente, um padrão específico de aprendizagem nos ciclos de desenvolvimento humano.

Leave a Reply