Matrugami Yoga

édip

Continuamos a apresentar os yogas da 4ª casa, cujos efeitos dizem respeito à mãe. No Matrugami yoga  a Lua e Vénus estão em conjunção numa casa kendra  e recebem o aspeto de um planeta maléfico, ao mesmo tempo que um planeta maléfico ocupa a 4ª casa.

Os resultados desta configuração são um dos grandes tabus sexuais universais: a tradição diz que o nativo será culpado de cometer adultério com a sua mãe.

Porém, como nota o Dr. B. V. Raman, esta combinação deve aplicar-se em outros casos também: a Lua representa a mente e a mãe, enquanto Vénus significa paixões sexuais; a aflição de ambos leva a pensamentos depravados, não apenas em relação à mãe  biológica ou madrasta  mas também em relação a outras figuras femininas  cujo estatuo  pelo nativo com a mesma consideração.

Vê-se neste yoga como o significado padrão dos planetas é distorcido de forma negativa (e imoral, no caso presente), pela associação desses planetas com outros cuja natureza é maléfica. Note-se, no entanto que, no caso presente, essa distorção negativa dos significados é vista de acordo com o código moral da sociedade.  Este yoga não apenas refere a possibilidade de relação sexual entre mãe e filho como se refere a ela como «adultério», ou seja, relação ilegítima uma vez que se é, em princípio, casado(a). Ora, atendendo a que a poligamia tem sido um facto comum em muitas outras culturas, cabe perguntar qual seria a interpretação deste yoga caso os pressupostos culturais fossem outros, em que, por ex., é considerado normal  o homem ou a mulher, conforme as culturas, poder escolher diversos parceiros para casar.  No yoga presente está referida a questão do incesto, ou relação consanguínea sexual, que tem sido objeto de tabu ao longo dos tempos na generalidade das culturas, embora tenha sido praticada no mundo antigo por questões políticas. Esta é uma questão que tem interessado os investigadores do comportamento humano, como aconteceu com Freud que, apesar de ter constatado a condenação do incesto em muitas culturas,(à mesma conclusão chegaram  antropólogos como Levy-Strauss que o considerou um tabu universal)  não deixou de o considerar como um desejo inconsciente, (conflito de Édipo/Eletra) muitas vezes  mal resolvido no desenvolvimento da personalidade. E o incesto assombrou tragédias  plasmadas na cultura (Veja-se Rei Édipo, de Sófocles) . O incesto de facto ocorreu  muitas vezes por ex., por razões políticas, ao longo da História da humanidade, embora em tempos recuados.

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