Glossário Astrológico- Bhavat Bhavam

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Bhavat Bhavam é um conceito da Astrologia Jyotish que está relacionado com o princípio da «correspondência das casas». Consiste em contar, a partir de uma dada casa do horóscopo, o mesmo número de casas que corresponde à distância entre essa casa e o Ascendente. Assim, para a 3ª casa do horóscopo, contamos 3 casas tomando a 3ª casa como  a 1ª e obtemos a 5ª casa como sendo a Bhavat Bhavam da 3ª (é a 3ª da 3ª). Cada bhavat bavam é uma casa secundária que ajuda a compreender os significados e os efeitos de cada casa do horóscopo.  Assim, quando dizemos que a 5ª casa é uma 3ª casa em sentido secundário, mostramos que os significados da 5ª casa ajudam a compreender os significados da 3ª: Esta é uma casa de esforços, motivações, entusiamo e energia para levar a cabo as nossas ações no mundo. Assim, a 3ª casa mostra a energia que conseguimos colocar em ação para nos movermos no mundo; a 5ª casa mostra como exprimimos tudo isso através da nossa criatividade, inteligência, forma pessoal de agir e gosto em experimentar, mostrando os frutos possíveis de todos os esforços começados na 3ª casa: seja um projeto, uma obra artística ou um filho, tudo isso resulta da canalização pessoal da energia que colocamos em movimento na 3º casa.

Cada casa do horóscopo, à exceção da 1ª- O Ascendente- tem uma bhavat  bhavam que a complementa nos seus significados: Deste modo, a bhavat bhavam da 2ª casa é a 3ª; a da 3ª, como referimos, é a 5ª, a da 4ª é a 7ª; a da 5ª é a 9ª; a da 6ª é a 11ª (para os que possam ficar admirados com a complementação entre a 6ª e a 11ª casa, lembremo-nos de que a 6ª casa é uma casa de serviço, de esforço para produzir serviços para os outros, de obstáculos, luta e conflito com os outros mas, após essa luta e esse esfoço, é possível alcançar ganhos e ser reconhecido na comunidade, com a ajuda de outras pessoas e trabalhando em equipa. Por isso a 11ª casa é a bhavat bhavam da 6ª pois, em geral, não se alcança sucesso material fora da sociedade e da sua rede de apoios e amigos e sem colaborar com outros; a 1ª casa é a bhavat bhavam da 7ª pois a identidade de cada um de nós constrói-se através da ligação com outros a nível pessoal e em especial com um parceiro de vida, pelo menos para a maioria das pessoas; a 3ª é a bhavat bhavam da 8ª  pois as transformações da identidade do ser humano ocorrem em geral a partir dos desejos que este concretiza em projetos, energia direcionada para realizar coisas novas e também para indicar que a morte é apenas uma transição de ciclo e a saída para outro recomeço. A 5ª casa é a bhavat bhavam da 9ª casa. Estas são casas de dharma ou propósito de vida  e estão ligadas pois  a sorte e as oportunidades que criamos nesta vida ligam-se inexoravelmente com o nosso passado: a 9ª casa indica o karma novo que vamos criando, e este reflete-se necessariamente no karma significado pela 5ª casa, que vem do passado. A 7ª casa é a bhavat bhavam da 10ª casa  indicando que o sucesso mundano e a construção de uma imagem pública respeitada  e com elevado status depende da nossa capacidade para formar uma família com um parceiro que nos complementa e ajuda. Esta casa também é a bhavat bhavam da 4ª casa por razões semelhantes, na medida em que o nosso sentido de segurança e a felicidade estão dependentes da capacidade para estabelecer relacionamentos próximos  com alguns parceiros, sejam estes o parceiro de vida sejam os amigos próximos. A 9ª casa é a bhavat bhavam da 11ª casa pois os ganhos e rendimentos que conseguimos realizar necessitam que tenhamos sorte nesta vida e o acompanhamento e orientação de pessoas ou princípios que nos orientem na vida, seja o pai ou algum mestre de sabedoria.  Sem sorte e boa orientação, poucos de nós poderão alcançar sucesso, por muito esforço que façam. A 11ª casa é a bhavat bhavam da 12ª e se isto lhe parece estranho pois a 11ª casa é uma casa de ganhos e aumento de rendimentos e a 12ª é uma casa de perdas, digamos que, em termos de energia cósmica, nada se perde e o que «perdemos» num momento, ganharemos num outro, segundo a lei de compensação universal.  Assim, para ganhar, é preciso também dar um pouco de nós, sendo isto refletido nesta complementaridade e, segundo este princípio, quanto mais se dá, mais se recebe ou ganha.

Através deste conceito de bhavat bhavam a compreensão de uma determinada casa só fica completa quando analisamos a casa secundária de cada uma e o seu estado (presença de planetas benéficos ou maléficos, etc.).

Glossário Astrológico- Bhava Lagna

Glossário Astrológico Bhava Lagna capa

A carta Bhava Lagna é diferente da D-1 , Rashi ou carta natal vulgarmente conhecida. Parashara e a corrente  astrológica da Astrologia Jaimini fazem-lhe referência como mais uma forma de afinar os pormenores da interpretação da carta natal. Trata-se de considerar um Ascendente alternativo ao da D-1.

Existem dois  modos de calcular esta carta mas em ambas a posição do Ascendente difere da do Ascendente da D-1. Uma destas cartas tem casas iguais (Sripati) e a outra (bhava chalit) tem casas desiguais. Mas, independentemente disso, o Ascendente destas  cartas «bhava» não corresponde ao Janma Lagna ou Ascendente principal considerado na D-1.

O Ascendente comumente usado baseia-se no movimento entre o horizonte a a eclíptica, que não é circular mas oblíqua e, por esse facto, os signos não se elevam no horizonte  com  a mesma duração temporal  existindo diferenças  de acordo com as latitudes. Há signos que se movem mais rapidamente – ascendem mais rapidamente no horizonte- no hemisfério norte são os signos entre Capricórnio e Gémeos, sendo os signos Peixes e Carneiro os mais rápidos. Os que demoram mais tempo são os signos de Caranguejo a Sagitário, com Virgem e Balança a demorar mais tempo. Assim, quando dizemos que os signos ocupam 30º cada um, isto não é  exatamente  verdade, uma vez que não demoram o mesmo tempo a movimentar-se pela eclíptica, sendo uma convenção, considerar que cada signo ocupa exatamente 30º do Zodíaco. O Ascendente, que é o ponto do horizonte em que um dado signo se eleva no momento em que alguém nasce, baseia- se neste movimento físico dos signos no espaço e no tempo à medida que a eclíptica se move aparentemente durante o dia. Mas o Bhava lagna não se baseia no movimento físico dos signos.

Segundo Parashara, para encontrar o Bhava Lagna, devemos ter em conta que, desde o nascer do Sol até ao momento do nascimento, a cada 120 minutos (5 ghatis) temos um Bhava Lagna. Deixando de lado os pormenores do cálculo, que pode ser efetuado por qualquer software de Astrologia Jyotish- como o gratuito Jaganatha hora-  cada signo muda num intervalo de duas horas.  O Bhava Lagna assim encontrado pode estar antes ou depois do Ascendente da D-1 ou carta natal mas, em geral, estão no mesmo signo/casa.

Segundo o reputado astrólogo Sanjay Rath, o Bhava Lagna não se refere, como o Ascendente comum, á expressão física do nosso ser mas revela antes a personalidade do nativo no plano etérico mostrando a constituição da sua aura. Deste modo, o conhecimento do Bhava Lagna interessa principalmente aos que se  ocupam do desenvolvimento interno do ser humano, não sendo de estranhar que a maioria, incluindo os astrólogos, não lhe deem grande atenção, uma vez que preferem focar-se na dimensão física e material da existência.

No entanto, segundo o sábio Parashara, quando dois ou todos os lagnas especiais Bhava Lagna, Hora Lagna, Ghatika Lagna recebem aspetos de planetas exaltados, isso gera um Raj yoga pelo que a dimensão interna revelada pelo Bhava Lagna pode também contribuir para o sucesso externo no mundo.

Glossário Astrológico- Bhava Bala

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A palavra «bhava» significa «casa astrológica», a palavra «bala» significa «força». Deste modo, a expressão bhava bala refere-se à força de cada casa do horóscopo. Esta «força» interpreta-se a partir de diversos fatores:
1. A força do regente da casa (corresponde ao regente do signo que ocupa essa casa) a partir dos pontos que o planeta obtem na força shadbala.

2. Os aspetos- benéficos ou maléficos- que cada casa recebe, dependendo da natureza do planeta regente e do seu estatuto funcional (muda para cada signo Ascendente).

3. Dig Bala da casa– Esta é a força que as casas obtêm por corresponderem a diversos grupos de signos. Estes grupos são: Nara, Jalachara, Keeta e Chatushpada.

Os signos do grupo Nara são: Gémeos, Virgem, Balança, primeira metade de Sagitário. Quando a 1ª casa calha num signo Nara obtém a força de 60 shastiamsas. Quando é a 7ª casa a cair nestes signos o valor da força é 0.

Os signos do grupo Jalachara são: Caranguejo, Peixes, segunda metade de Capricórnio. A 4ª casa ocupada por signos Jalachara obtém a força de 60 shastiamsas . A 10ª casa obtém 0 quando ocupada por estes signos.

O grupo Keeta contém apenas um signo: Escorpião: a 7ª casa ocupada por este signo obtém 60 shastiamsas. A 1ª casa ocupada por este signo obtém 0.
Os signos do grupo Chatushpada são: Carneiro, Touro, Leão, segunda metade de Sagitário. Quando a 10ª casa é ocupada por um destes signos, a sua força é de 60 shastiamsas e, quando a 4ª casa calha num destes signos ,obtém 0 nesta força.

A partir destas considerações calcula-se a Dig Bala, um dos indicadores da força de certa casa e dos planetas aí colocados.
A força global das casas ou bhavas infere-se assim através de vários modos, sendo os seguintes os mais importantes: a colocação do regente da casa no horóscopo, os planetas colocados na casa, a força e colocação do seu karaka, ou planeta significador.
Outros elementos que aumentam a força de uma casa são a colocação ou aspeto dos planetas benéficos: Júpiter, a Lua forte, Vénus e Mercúrio bem associado.

Glossário Astrológico- Bamsha

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Bamsha, também designada por Sapta vimsamsa consiste em dividir cada signo em 27 partes iguais de 1º 6’ 40’’ sendo por isso referente a uma das cartas divisionais. Também se encontra com a designação de Nakshatramsa e refere-se à D- 27.

Esta carta divisional serve para avaliar as forças e fraquezas gerais,  A força física e a energia geral que colocamos para agir podem ser vistas a partir daqui.

Não vale a pena explicar os cálculos para obter esta divisional uma vez que qualquer software de Astrologia Jyotish (incluindo o gratuito Jaganatha Hora que aconselhamos) faz todos os cálculos sem ser preciso nenhum esforço adicional.

A Bamsha constitui uma das 16 vargas ou divisões dos signos referidas pelo sábio Parashara ,fundador da Astrologia Jyotish na sua obra Hora Sastra. Este conjunto é também conhecido por Sodavarga. A análise de cada uma das divisões ou cartas divisionais tem um peso específico na análise global do horóscopo sendo que a totalidade das 16 vargas soma 20 pontos, valendo cada uma das cartas divisionais um peso relativo. Este pode mudar conforme se usa um conjunto de 16 divisionais, 10, 7 ou 6 cartas divisionais do total das 16 consideradas por Parashara.

Entre os critérios que podem ser usados para justificar a escolha de grupos mais pequenos ou maiores de cartas divisionais está o facto de ser necessário conhecer a hora exata de nascimento de nativo para serem fiáveis as divisões maiores dos signos. Bastam poucos minutos de diferença entre a hora de nascimento registada e a hora a que efetivamente se nasceu para que as cartas divisionais baseadas num número maior de divisões dos signos sejam pura ficção razão pela qual muitos astrólogos não as usam,  sobretudo quando os nascimentos ocorreram em locais em que o rigor da hora de nascimento deixa bastante a desejar. No que se refere à varga Bamsha, esta é apenas considera no conjunto das 16 vargas ou sodavarga e tem um peso de 0,5 num total de 20 pontos possíveis. Parashara atribuiu  o maior peso à D- 60 ou shastiamsa- 4 pontos- por considerar que esta dá indicações gerais sobre o destino individual, sendo um auxiliar das previsões. A D-60 refere-se ao karma passado que afeta o presente e, como a vida presente é vista como resultado do passado, a análise desta varga mostra como vidas passadas afetam a vida presente e a condicionam, para o bem e para o mal A aflição de planetas na D-60 revela «maldição» sobre a vida atual, segundo os antigos mas, se o aspeto não se repete na D-1 esse karma está pendente o que significa que não será colhido nesta vida.. A seguir em força vem a D-1 ou carta natal -3,5 pontos-e depois, é claro, a D-9 ou Navamsa com 3 pontos.  Nesta ótica, a análise da varga Bamsha aparece como secundária.

Apesar da sua menor importância, comparativamente com as vargas referidas no parágrafo anterior, a Bamsha é um auxiliar de previsão também importante embora de refira mais às forças e fraquezas no plano físico e material permitindo apurar se o nativo tem energia suficiente para fazer vingar os seus esforços neste plano.

Glossário Astrológico- Balarishta

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Balarishta é o nome de uma aflição ou yoga maléfico que causa a morte antes dos 7 ou 8 anos. Os antigos astrólogos da Jyotish davam-lhe grande importância pois, numa época em que não havia computadores para fazer os complicados cálculos matemáticos e astronómicos e em que  demorava bastante tempo a fazê-los, era preciso saber, antes de mais, se valia a pena analisar globalmente o destino individual. Daí que o cálculo da longevidade fosse um instrumento prévio de todas as análises. Há vários yogas que indicam morte prematura em diversas idades, sendo o Balarishta o que indica a morte mais precoce.

Balaristha é uma palavra em sânscrito que significa «morte na infância». Os indicadores deste «dosha» ou aflição podem ser vários, dependendo do karma do indivíduo.

Os leitores devem ter em conta, ao analisar as combinações indicadas como Balarishta que é preciso contextualizar essas indicações com o momento histórico e que, na atualidade, muitas delas não significam que a criança vai necessariamente morrer ,embora possa ter uma saúde mais frágil.

Quando a Lua está fraca, colocada numa casa dusthana (6,8,12), recebendo o aspeto de planetas maléficos, a longevidade da criança era  diagnosticada como curta, numa época (milhares de anos atrás) em que os cuidados de saúde e higiene eram frágeis e insuficientes e muitas das doenças que contribuem para a mortalidade infantil não tinham sido ultrapassadas. Assim, considerava-se que a colocação da Lua fraca na 6ª casa causava Balaristha.

A colocação de Rahu na 9ª casa, de Marte na 7ª e Saturno na 1ª casa eram também consideradas Balarishta.E o mesmo acontecia com Júpiter colocado  na 3ª.

Quando não morriam, as crianças, segundo os antigos sábios, passavam por grandes dificuldades e sofrimento durante os primeiros anos da infância.

Porém, como sempre referimos nos artigos que publicamos, há que analisar o horóscopo na sua globalidade. Quando isso acontece pode dar-se o caso de haver outros yogas no horóscopo que cancelem o Balarishta. Chama-se a esses yogas Balarishta Banga (cancelamento do Balarista).

Qualquer planeta benéfico natural – Júpiter, Vénus e Mercúrio quando é forte e benéfico- ou o regente do Ascendente forte e sem receber aspetos de planetas maléficos colocados numa casa kendra- 1, 4, 7 ou 10- cancela o Balarishta. Segundo o sábio Parashara, quando há um planeta maléfico na 4ª casa mas Júpiter está bem colocado; ou quando Júpiter está em conjunção com Marte ou em aspeto com Marte; ou quando , havendo planetas maléficos numa casa kendra, estes estão «cercados» por planetas benéficos, (colocados na casa anterior e posterior à desses planetas) o Balarishta é cancelado.

Alguns autores antigos enfatizaram o facto de a Lua forte e o regente do Ascendente forte serem proteções muito importantes do horóscopo, algo que subscrevemos também inteiramente.

Mahadeva, na obra Jataka Tattwa afirmou que a Lua fraca e numa fase escura colocada num signo de Vénus , causa Balarishta, o que não deixa de ser surpreendente se nos lembrarmos de que a Lua fica exaltada no signo Touro, um signo de Vénus e atendendo a que, na tradição, não se considera que a Lua tenha estatuto maraka  isto é, capaz de causar  a morte.

Glossário Astrológico- Nakshatra Abhijit

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Abhijit é o nome do 28º Nakshatra, raramente  usado hoje na Astrologia Jyotish  e que é considerado para fins espirituais. A divisão em 27 Nakshstras divide o Zodíaco em 27 partes , cada uma com 13º 20’ minutos cada como se o movimento da Lua fosse homogéneo e uniforme  quando percorre o Zodíaco o que, no entanto, não se verifica.  A Lua leva cerca de 27 dias e 7 horas para atravessar o Zodíaco e permanece em cada uma das suas «mansões» (Nakshatras)  durante cerca de um dia. Ora  isso significa que há um remanescente de várias horas no qual a Lua está no que corresponde ao 28º Nakshatra ou Abhijit.

Abhijit é também considerado o Naksatra de Brahma, a divindade criadora. No Zodíaco, Abhijit fica localizado entre 6º 40  e 13º 53’ 20’’ do signo Capricórnio, . Esta extensão foi posteriormente incluida nos Nakshtaras de UttaraShada e Shravana. Porém, na leitura de alguns investigadores, como Sanjay Rath, o Abhijit Nakshstra, ou Nakshstra da espiritualidade está colocado, em cada horóscopo, na 4ª casa a partir da colocação do sol. Assim, para  encontrar este Nakshstra que não tem a ver com a manifestação material mas com a expressão espiritual, deve contar-se 4 casas a partir da colocação do Sol no horóscopo. Isto acontece, na opinião deste investigador, porque  Abhijit indica  o ponto de máxima luz no horóscopo e, deste modo, a colocação do Sol contada como a primeira casa da dimensão espiritual do nativo, será o «Ascendente» a partir do qual o Sol estará na sua máxima luz. Por ex., para o Sol colocado no signo Capricórnio, o Naksshtra Abhijit estará localizado no signo Carneiro. Neste caso, este signo corresponde ao signo de exaltação do Sol  mas o mesmo princípio é aplicado a qualquer signo do Zodíaco. Por ex., para o Ascendente Caranguejo, o Nakshstra Abhijit cai no signo de debilitação do Sol, Balança mas isso é indiferente para os efeitos aqui considerados.

Segundo este investigador, que lança luz sobre a importância e compreensão do papel dos Nakshatras no destino individual, o ponto do horóscopo onde  se localiza o Nakshstra Abhijit tem o mesmo significado da 10ª casa e o seu regente é um protetor  do horóscopo, trazendo eventos afortunados. Representa a sorte e  o ponto de luz lançado sobre o destino individual.  Esta conceção põe em  causa o conceito tradicional aceite pela astrologia sobre a correspondência de casas: segundo a tradição, a 10ª casa a partir do Sol seria afortunada e traria visibilidade e sucesso. Porém, segundo este conceito defendido por Sanjay Rath, acontece exatamente o oposto: a 10ª casa a partir do Sol é o ponto de maior escuridão do horóscopo, correspondente à ausência total de Luz.

Os conceitos defendidos pelo autor referido exigem alguns conhecimentos aprofundados sobre as conceções védicas sagradas das quais surgiu a astrologia Jyotish há alguns milhares de anos. Mas, na nossa opinião, ajudam-nos a ir muito mais além da análise mecânica e estandardizada do horóscopo. Faz-nos pensar e isso lembra-nos  que «Jyotish» é mesmo isso, a «ciência da Luz».

Glossário Astrológico- Ashtakavarga

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Ashtakavarga é um sistema quantitativo de avaliação da força dos planetas e das casas, a partir da medição da distância dos planetas em relação uns aos outros e ao Ascendente. Ashta significa «8» e varga significa «divisão». Assim, a distância entre os planetas recebe uma pontuação entre 0 e 8 pontos, e avalia o seu caráter favorável ou desfavorável. Usa-se para prever os efeitos do trânsito dos planetas  de forma simples, a partir dos pontos que o planeta recebe em cada signo . Apenas a Lua, Sol, Vénus, Marte, Mercúrio, Saturno , Júpiter e Ascendente são considerados. Os nodos, Rahu e Ketu, ficam de fora.

Ashtakavarga é considerada por muitos como uma forma mais eficaz de prever os resultados dos planetas do que os trânsitos a partir da Lua (Gochara) porque , na força Ashtakavarga, os planetas são avaliados na sua força em relação uns aos outros e não apenas em relação à Lua. E o Ascendente, outro fator fundamental nas previsões, é também considerado.

Cada planeta e Ascendente pode receber entre 0 e 8 pontos de força como referimos. Entre 0 e 3 pontos, o resultado é considerado mau embora haja quem faça a distinção entre os planetas que são benéficos naturais e os que são maléficos naturais: por ex., Saturno, que é um planeta maléfico, com 3 pontos pode ser considerado como «suficiente», ou neutro mas não maléfico. Já um planeta benéfico natural com essa pontuação, será considerado fraco. Para os planetas benéficos naturais 4 pontos é considerado neutro ou «suficiente». Pelo mesmo raciocínio, um planeta maléfico natural com a pontuação de 4 será considerado «bom» sendo que o resultado é mais forte quanto maior for a pontuação.  Para os planetas benéficos naturais, 5 a 8 pontos é considerado bom. Um planeta com 8 pontos está no máximo da força e será capaz de produzir efeitos muito fortes e positivos quando transita no signo onde obtém essa pontuação.

As casas também têm uma avaliação da sua força Ashtakavarga: designa-se neste caso Sarva-Ashtakavarga: a partir dos pontos atribuídos aos 12  signos , cada casa recebe uma pontuação. As doze casas têm no total 337 pontos e estes serão distribuídos por cada uma. Considera-se que uma casa que tem menos de 25 pontos é fraca. Uma casa com 28 pontos é considerada média, sendo esta a pontuação  mínima segundo vários autores  para que os significados da casa floresçam. Quando a pontuação  é de 30 pontos ou superior, dá bons resultados . Considera-se que uma casa forte na avaliação Ashtakavarga dá bons resultados mesmo quando há planetas maléficos aí colocados.  A casa mais forte será a que tem a pontuação mais elevada.

A Sarva-ashtakavarga deve ser usada em conjunto com a Ashtakavarga dos planetas. Se um planeta maléfico pode dar bons resultados numa casa com pontuação elevada de Ashtakavarga,  um planeta benéfico também pode dar resultados menos bons numa casa que tenha uma pontuação baixa nesta força.

Algumas sugestões de  interpretação da pontuação das casas são: uma pontuação mais elevada da 12º casa do que na 11ª indica  que o nativo gastará mais do que  ganha,  o que pode causar situações de escassez financeira; os nativos que têm uma pontuação inferior a 25 pontos na 1ª casa precisam de formar parceria com alguém que os ajude a vencer na vida (convém ver a pontuação do Ascendente e dos planetas colocados na 1ª casa também); uma pontuação elevada na 1ª casa indica alguém que pode vencer na vida trabalhando sozinho. (deve ver-se a 7ª casa e a pontuação desta para confirmar);  quando a 11ª casa tem a pontuação mais baixa o nativo pode não ter oportunidades na vida para gastar todo o dinheiro que tem ou, em alternativa, é forreta demais para o gastar, etc.

Os leitores deverão ter em mente que a força Ashtakavarga é apenas um dos muitos fatores que devem ser considerados quando se analisa o horóscopo. A força Ashtakavarga pode ser útil na previsão dos resultados que o trânsito dos vários planetas terão ao transitar por uma certa casa do horóscopo. Deverá ter-se em conta a pontuação do planeta e da casa pela qual transita para aferir melhor os seus efeitos.

Os leitores encontram os relatórios desta fora em qualquer software especializado de Astrologia Jyotish, incluindo no gratuito e aconselhado Jaganatha Hora.

Glossário Astrológico- Apachaya Anupachaya

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Falamos hoje de da palavra usada pela  Astrologia Jyotish, «Apachaya» para designar   um grupo de casas do horóscopo: a 1ª, 2ª, 4ª, 7ª  e 8ª.  Estas são casas cujo significado é oposto ao conceito de «Upachaya» bastante mais vulgarizado.  Ao contrário destas últimas, que são «casas de crescimento», as casas «Apachaya» são casas de «diminuição ou redução» ou seja. estas casas vão reduzindo a força ao longo do tempo. Assim, os planetas aqui colocados diz-se que perdem força ao longo do tempo.  Também ao contrário do que sucede nas casas Upachaya, os planetas maléficos quando aqui colocados não dão bons resultados.

As casas Apachaya indicam perdas, nos casos em que as casas Upachaya indicam crescimento ou ganhos no plano material  e progresso geral na vida. Ao contrário, as casas Apachaya indicam perdas materiais, desperdício ou restrições, podendo também indicar, segundo o investigador da Jyotish K. S. Charak, perda de amigos.

Temos visto  em alguns praticantes da Jyotish, os conceitos Apachaya e Anupachaya  como sendo sinónimos. No entanto, não cremos que assim seja pois o termo  «Anupachaya» refere-se, segundo os grandes autores clássicos da Astrologia Jyotish (Kalyana Varma, Vaharamihira, etc)  a todas as casas do horóscopo que não são Upachaya . Assim, se as casas Upachaya  são a 3ª, 6ª, 10ª e 11ª, todas as restantes- 1,2, 4, 5,  8, 9, 12 são casas Anupachaya. Ora,  o conceito de Anupachaya apenas diz de uma casa que ela não é uma casa de crescimento  através do esforço pessoal e do trabalho do indivíduo ou da superação de obstáculos. A nosso ver,  não faz sentido fazer coincidir o significado das casas Trikona ou da boa sorte como a 5ª e a 9ª como sendo casas de restrição ou de perda. Na verdade, elas permitem ao indivíduo aumentar a sua sorte, bens, etc., simplesmente não lhe exigem esforço para isso acontecer, o indivíduo alcança esses bens sem qualquer esforço, por «sorte».  Assim, em nosso entender, os conceitos de Apachaya e Anupachaya não são sinónimos.  Agora, é certo que, na existência, a sorte é., como o próprio nome indica, algo que está fora do controlo individual: aparece ou não aparece, não depende, pelo menos de forma imediata e certa, da ação  ou do esforço do indivíduo. Por isso parece aceitável incluir estas casas nas casas Anupachaya pois as casas opostas a estas dependem do esforço individual para darem bons resultados. Em certo sentido, as casas Trikona, consideradas por muitos como «casas fáceis» não fazem crescer o indivíduo porque este normalmente desenvolve-se através das lutas que trava. Assim, é aceitável considerar que tais casas não são de crescimento». Mas não podem ser consideradas «Apachaya» pois é contraditório com a sua definição pensar que causam perdas.

Porém não são apenas as casas que são classificadas deste modo,  mas também os signos são designados Upachaya e Apachaya e estes incluem todos os que não correspondem às casas/signos Upachaya: são os signos 1,2, 4, 7, 8. (a 12ª casa é incluída por alguns e considerada neutra por outros). Ou seja, os conceitos de «Upachaya» e «Apachaya» correspondem a uma divisão dos signos do Zodíaco em que uma parte dos mesmos representam alguma espécie de restrição ou de perda e os restantes representam crescimento (Gémeos, Virgem, Capricórnio e Aquário- signos de Mercúrio e de Saturno) e os restantes representam a sorte, a boa fortuna – casas 5 e 9- configurando, desta forma, uma representação da «percentagem» de karma a «pagar» em cada existência (e que gera «perdas» e situações que não melhoram mesmo quando o indivíduo se esforça para tal, pelo menos durante um certo período da vida), karma positivo que se exprime como «sorte» (casas 5 e 9) e esforço e trabalho pessoal para equilibrar os dois tipos de karma referidos. Note-se que a parte representada  pelo «Karma negativo a pagar» é maior em termos de número de casas envolvidas,  do que o peso do karma positivo ou daquilo que o esforço pessoal pode fazer para alterar o destino. Muitos aspetos esotéricos destas matérias estão implícitos nesta visão do horóscopo e dos resultados que podem ser obtidos e  a sua antiguidade perde-se no tempo  dos anais arcanos e nas «revelações» dos antigos Rishis  que podem ser analisadas nos Puranas e outros textos sagrados da Índia, Tibete, etc..

Outro fator a lembrar aqui é que, se o 12º signo, Peixes, está incluído nos signos Anupachaya, o que é claro, pelos seus significados, a verdade é que a sua natureza de «signo de transição» faz com que, nas classificações de autores consagrados da Jyotish, a 12ª casa não esteja incluída  nas casas Apachaya.

Glossário Astrológico- Ashtakoota

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Ashtakoota é um sistema pelo qual se determina a compatibilidade entre duas pessoas; em geral aplica-se às que desejam casar, avaliando a compatibilidade em vários níveis do relacionamento.  Países como a índia, em que a Astrologia Védica está fortemente implantada, têm uma larga tradição de «casamentos arranjados» recorrendo-se a uma consulta astrológica na qual este teste é efetuado. Este sistema examina oito tipos de fatores: Varna, Vashya, Dina ou Tara, yoni, Graha Matri. Gana, Rasi, Nadi. Dessa análise resulta a atribuição de um resultado numérico cujo máximo são 36 pontos.

Varna refere-se ao desenvolvimento espiritual dos parceiros;

Vashya analisa o grau de influência do parceiro;

Dina ou Tara examina o número de Nakshatras entre as Luas dos parceiros;

Yoni analisa a compatibilidade sexual entre os parceiros;

Graha Maitri  refere-se à compatibilidade mental para medir o grau de amizade potencial entre os parceiros;

Gana refere-se ao temperamento de cada um dos parceiros, sendo considerado que o mesmo temperamento é preferível;

Rashi  refere-se ao exame da relação entre os Nakshstras  da Lua de ambos os parceiros e à sua compatibilidade mútua.

Nadi refere-se à capacidade de ambos os parceiros poderem gerar filhos.

Em termos gerais, este teste de compatibilidade abarca as qualidades que se considera deverem existir para que um casamento seja bem –sucedido tendo em conta que este se realiza no momento em que o nativo pensa constituir a sua família (juventude).

Antes de examinar estes oito fatores, os astrólogos veem a longevidade dos parceiros, a sua saúde mental, se há configurações maléficas. Só depois examinam a compatibilidade lunar referida.

Este exame tem a reputação de ser «científico» na cultura da índia e foi defendido por grandes investigadores como B. V. Raman mas hoje em dia  há vozes que se erguem contra o seu peso na determinação da compatibilidade para casar. Os testes referidos, acrescentamos nós, baseiam-se num modelo de sociedade em que o homem tem posição  dominante e a mulher tem um papel subalterno (e submisso) e isso é bem visível na forma como os resultados quantitativos são calculados nestes testes. Mas a mudança das sociedades , que também se reflete na Índia, tem cada vez mais colocado alguns limites ao uso deste tipo de testes, afirmando-se cada vez mais que  este á apenas um entre outros métodos  de analisar a compatibilidade entre parceiros. A nós, que vivemos uma cultura em que o casamento é uma instituição importante mas admite a  igualdade legal e social entre os cônjuges, cujo casamento raramente é «arranjado», este tipo de teste parece fora de tempo. Porém, os fatores que ele abrange continuam, na nossa opinião, a  ser pertinentes num relacionamento de longa duração. Mas o método de calcular os seus resultados parece-nos totalmente desatualizado e desadequado aos tempos que vivemos. É claro que a análise negativa que na índia se faz sobre a organização do casamento no Ocidente, e os chamados «casamentos por amor» é também uma perspetiva pertinente, pois é verdade que muitos dos casamentos no Ocidente terminam em divórcio. Mas isso é também, a nosso ver, sinal da liberdade dos indivíduos que preferem terminar um casamento infeliz do que aguentá-lo toda a vida em nome das aparências ou da simples observância formal das tradições. E não há «teste científico» que resista pois o indivíduo e a sua matriz astrológica não são fixos, evoluem e mudam  através do tempo e não há análise  do horóscopo que possa prever todas as mudanças que irão ocorrer na vida , na mente e na psique de cada um.

Glossário Astrológico- Angular

Angular capa O termo «angular» tem várias aplicações em Astrologia. Por exemplo, um «ângulo» do horóscopo refere-se a uma das 4 casas angulares  também designadas por Kendra–  as casas 1, 4, 7, 10. As casas angulares são consideradas a estrutura básica que sustenta o horóscopo ou o seu «esqueleto». A discussão permanece entre os estudiosos e astrólogos sobre se são as casas kendra ou as trikona – 1, 5, 9- que são as mais auspiciosas. Mas, na determinação dos eventos fundamentais da existência as casas angulares estão em geral sempre envolvidas de uma forma ou de outra, seja por trânsito de planetas importantes, seja  pela ativação do período dasa/antardasa dos seus regentes. Angular também se diz da distância entre dois pontos ou planetas do horóscopo, referindo-se ao arco  da distância em graus que separa esses dois planetas ou pontos.  O Zodíaco é um contínuo de 360º e todos os elementos no contexto do Zodíaco mantém um certo tipo de relação referente à distância entre um e outro, medida em graus e minutos. Essa distância determina tipos de influência  e de força dessa influência que estão tipificados nos chamados «aspetos». Estes são mais ou menos relevantes de acordo com o «ângulo» de distância entre eles. A distância angular entre os planetas pode ser medida de forma estática, quando consideramos por ex., o momento do nascimento e a posição de todos os elementos do Zodíaco nesse momento e num certo local em que se deu o nascimento; ou de forma dinâmica, como quando observamos a relação entre planetas que estão a mover-se (trânsitos) e os ângulos que formam em relação uns aos outros. Observamos ainda a angularidade que os planetas em trânsito (incluindo os regentes do período dasa/antardasa) formam em relação por ex., à posição que tinham no nascimento e outros pontos importantes do horóscopo. Também se fala da distância angular de um planeta, referindo-se este conceito à distância  em graus e minutos que um planeta percorre durante um dia no Zodíaco separando-se deste modo de um certo ponto para ocupar outro. Esta distância angular não é sempre  a mesma devido ao fenómeno de retrogradação dos planetas e outros fatores astronómicos. Apenas a Lua e o Sol nunca ficam retrógrados sendo em geral  a distância angular  do Sol de 1º e a da Lua uma média de 12,5º o que faz com que o sol esteja num signo cerca de um mês e a Lua leve cerca de 28 dias a transitar um signo. Já Marte leva cerca de 49 dias, Mercúrio e Vénus demoram cerca de um mês , Júpiter demora cerca de um ano, Saturno dois anos e meio, Rahu e Ketu um ano e meio.  Estes são tempos médios, havendo alterações deste tempo médio em certos momentos, devido  aos fenómenos referidos. A distância  angular de um planeta é  um dos aspetos mais essenciais para se poderem fazer previsões, tanto a nível da Astrologia horária (Prashna)  como a longo e a médio termo. A consulta das «Efemérides» que apresentam as movimentações diárias dos planetas pelo Zodíaco é essencial para saber qual é a distância angular de um planeta num cero momento e o cálculo dos pontos do horizonte  e do meridiano são igualmente fundamentais para podermos situar no tempo a influência causada por essa distância angular e observar como ela atinge o horóscopo num certo ponto do espaço terrestre.