Dwadasa Vargeeya Bala, Harsha Bala, Vaiseshikamsa

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Para ajudar os nossos leitores a dominar a terminologia da Astrologia Jyotish e os seus métodos, falamos de mais alguns métodos quantitativos para julgar a força dos planetas  no horóscopo, utilizados essencialmente  no sistema Tajika que é usado na Astrologia horária- Prasna. Alguns destes métodos são, no entanto, por vezes referidos em artigos que tratam  de certos conceitos  mais gerais da Astrologia Jyotish e o seu desconhecimento por parte dos leitores impede a sua total compreensão. Deixamos aqui alguns desses conceitos :

Dwadasa vargeeya bala

«Dwadasa» significa 12 e bala significa «força», e esta força refere-se à posição de um planeta nas 12 principais divisões de um signo correspondentes às seguintes cartas divisionais: D-1 ou Rasi; D-2 ou hora; D-3 ou Drekkana; D-4 ou Chaturthamsa ( ou Padamsa) ; D-5 ou Panchamsa; D-6 ou Shasthamsa; D-7 ou Saptamsa; D-8 ou Ashtamsa; D- 9 ou Navamsa; D-10 ou Dasamsa; D- 11 ou Rudramsa (ou Ekadasamsa) ; D-12 ou Dwadasamsa. Força analisada para a realização do horóscopo anual no sistema Tajika.

Harsha Bala

É usada nas previsões anuais da Varshaphal. Refere-se à força de um planeta devida à sua posição em determinadas casas/signos. «Harsha» significa felicidade e  isso simbolicamente refere a ação dos planetas quando colocados em alguns signos que lhes dão força. Para determinar esta «força», são considerados vários fatores:

  1. A posição do planeta numa casa específica;
  2. A posição do planeta no próprio signo ou no signo de exaltação;
  3. A colocação numa casa que corresponde ao seu próprio sexo ( a 1, 2, 3, 7 8 e 9 são consideradas femininas; as 4, 5, 6, 10, 11 e 12 são consideradas masculinas);
  4. A força que depende de o Varsha pravesh ser de noite ou de dia. ( o Varsha pravesh refere-se ao momento em que o Sol regressa ao grau exato do nascimento e é fundamental para efetuar a carta anual segundo o sistema Varshaphal).

Esta força teoricamente pode atribuir 20 pontos  a um planeta mas, habitualmente, isso é muito raro. Assim, um planeta com 15 pontos é considerado como tendo força total; com 10 pontos é considerado como tendo força média; com 5 pontos é considerado como fraco; com 0 pontos não tem força.

Vaiseshikamsa Dasa bala

Esta força diz-nos o número de vezes que um planeta está colocado no seu próprio signo no conjunto de 10 cartas divisionais conhecido por dasa varga. Acima de 3 para os benéficos é considerado bom, acima de 2 para os maléficos é considerado bom; quanto mais vezes isto ocorrer tanto mais forte é o planeta nesta força.  Na obra Brihat Jataka  de Varahamihira, refere-se expressamente que, quando um planeta ocupa a sua própria divisão (varga) correspondente ao próprio signo no conjunto das dez cartas divisionais , ocorre a força Vaiseshikamsa.

Finalmente, os nossos leitores não precisam de se preocupar com os cálculos destas «forças», pois qualquer software especializado em Astrologia Jyotish (incluindo o programa gratuito aqui recomendado, o Jaganatha hora, apresenta  o gráfico com os valores de cada planeta nas várias forças.

Pancha Vargeeya Bala

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Esta força é usada no sistema Tajika, uma corrente que se introduziu na Índia mas que é oriunda de outras paragens, como o Médio Oriente e é usada especialmente na Astrologia horária- Prasna e na elaboração do horóscopo anual, Varshaphal.  No entanto, há astrólogos védicos que usam esta «força» para analisar a força de um planeta para produzir resultados num determinado dasha ou na leitura geral do horóscopo e conhecer a terminologia associada ajuda os nossos leitores a compreender alguns artigos publicados que lhe fazem referência.

A Pancha Vargeeya Bala é mais uma ferramenta da Astrologia Jyotish para determinar a força de um planeta segundo um método quantitativo. Determinar a força dos  planeta é essencial para avaliar e prever os seus resultados. Um planeta fraco não consegue produzir efeitos satisfatórios, sejam quais forem os seus significados. Assim, trata-se de um método entre outros à disposição do astrólogo e um auxiliar importante da prática de previsão.

A Pancha Vargeeya Bala tem 5 componentes, cada um analisando um aspeto particular que contribui para a força ou fraqueza do planeta em causa:

  1. Graha/Kshetra Bala– esta força define-se pela posição do planeta nas casas, usando-se o sistema de casas da Tajika : a posição nas casas 3,5, 9 e 11 é considerada auspiciosa; a posição nas casas 2, 6, 8 e 12 é considerada neutra; a posição na 1, 4, 7 e 10 é considerada negativa. Esta força tem ainda em conta se o planeta está colocado no próprio signo (recebe 30 pontos), em signo amigo (recebe 22,5 pontos), em signo neutro (recebe 15 pontos) ou em signo inimigo (recebe 7,5 pontos).
  1. Uchcha Bala- Cada planeta tem um signo  e um grau específico no qual está exaltado ou debilitado,  e esta força mede a distância entre a posição do planeta e esses pontos. Um planeta  no grau máximo de exaltação recebe 30 pontos; no grau máximo de debilitação recebe 0 pontos.
  1. Hudda Bala- a palavra « Hudda » significa «grau» e, nesta força, divide-se um signo em 5 partes , cada uma com a regência de um planeta de Marte a Saturno, estando excluídos o Sol , a Lua e os nodos Rahu e Ketu. Esta força apenas é usada na elaboração do horóscopo anual ou Varshaphal. De acordo com a longitude do planeta no horóscopo, este pode cair no seu próprio  hudda , no hudda de um planeta amigo, inimigo, ou neutro. Recebe 15 pontos  quando colocado no seu próprio hudda, 11, 5 quando no hudda de um planeta amigo, 3,45 quando colocado num hudda inimigo e 7,5 quando colocado num hudda neutro.
  1. Drekkana Bala- a palavra «drekkana» significa divisão por 10, correspondendo ao termo «decanato» usada pela Astrologia ocidental. Refere-se deste modo à divisão do signo por 3 partes.: Sol, Marte e Júpiter quando colocados  entre 0º e 10 º  de um signo, obtêm 10 pontos; Lua, Vénus , quando colocados entre 10º e 20º de um signo obtêm 10 pontos; Mercúrio e Saturno, quando colocados entre 20º e  30º de um signo obtêm 10 pontos. Os planetas obtêm pontos de acordo com a sua posição num dado drekkana: se estão no drekkana que regem, obtêm o máximo de pontos; estes vão diminuindo proporcionalmente à posição num signo amigo, (7,5 pontos)  inimigo (2,5pontos) ou neutro (5 pontos)
  1. Navamsha Bala- A navamsha é uma divisão de um signo em 9 partes. Esta força baseia-se na posição do planeta na carta Navamsha , de acordo com a tabela Navamsha e não há diferença entre o sistema de Parashara e o da Tajika na sua avaliação.  Um planeta no próprio navamsha obtém 5 pontos; no navamsha de um planeta amigo obtém 3,7, no navamsha de um planeta neutro obtém 2, 5, no navamsha de um planeta inimigo obtém 1, 7.

Após a determinação de cada um dos componentes da força Pancha Vargeeya Bala- o que é feito por qualquer software de Astrologia Jyotish , razão pela qual não é necessário determo-nos nos cálculos- soma-se os pontos que cada planeta obtém na totalidade dos 5 componentes e analisa-se os resultados:

– 15 ou mais pontos globais indica resultados excecionais do planeta, este é extremamente forte;

10 e 15 pontos indica um planeta forte que produzirá bons resultados;

5 e 10 pontos indica um planeta fraco que dará resultados medíocres;

Menos de 5 pontos indica um planeta muito fraco que não pode dar bons resultados.

Vimsopack Bala

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A força «vimsopack» está relacionada com as cartas divisionais. Estas são cartas que ajudam a obter uma visão de pormenor de cada uma das áreas de vida que, quando analisamos apenas a carta natal não são suficientemente esclarecidas. Parashara, o grande mestre da Jyotish que estabeleceu os seus principais pontos de referência há  milhares de anos atrás, deixou-nos a explicação de como as cartas divisionais contribuem para revelar aspetos específicos do destino individual, na sua obra Hora Sastra.

As cartas divisionais  resultam da divisão de cada signo em diferentes partes, indicadas pelo número associado a cada uma das vargas, (por ex., a Navamsa ou D-9 consiste na divisão de cada signo por 9),  construindo-se uma carta nova, com base nessa divisão, que dá a ver a área de vida específica relacionada. Habitualmente, de acordo com o ensinamento de Parashara, são  consideradas 16 vargas- Shodhasvarga – (16 divisões) que incluem a Rasi ou carta de nascimento, também conhecida por D-1.  O horóscopo de nascimento contém aquilo a que normalmente chamamos as «promessas natais» mas é a análise de cada uma das vargas, relacionadas com cada área específica de vida, que realmente mostra o verdadeiro potencial de desenvolvimento de cada área de vida da pessoa.

Para atestar o verdadeiro potencial de realização das promessas natais, Parashara considerou  6 vargas específicas (shadvarga) . Este conjunto permite avaliar cada casa e planeta   na sua função de ajudar (ou não) o nativo a concretizar determinadas promessas natais na sua vida. A partir destas 6 cartas desenvolve-se a força específica designada por Vimsopacka bala. Parashara atribuiu a cada uma das cartas divisionais que compõem a shadvarga um nº de pontos  que é diferente para cada uma dessas cartas. Esta força é constituída por 20 pontos distribuídos como segue:

  • D-1 ou horóscopo de nascimento (Rasi)- 6 pontos
  • D-2 ou Carta Hora                                    2 pontos
  • D-3 Drekkanna                                         4 pontos
  • Navamsha D-9                                   5 pontos
  • Dwadasamsa – D-12 2 pontos
  • Trisamasha D-30                        1 ponto.

Para além deste grupo de cartas divisionais, a Astrologia Jyotish também considera  outros conjuntos-  7 cartas divisionais (saptavarga), 10 cartas divisionais (dasavarga) e 16 cartas divisionais (shodavarga). Em cada um destes conjuntos  o número de pontos atribuído a cada varga é diferente, diminuindo na maioria das  vargas, de modo a  que o total se mantenha nos 20 pontos.  Assim, podemos considerar que, no primeiro conjunto de 6 vargas, além do horóscopo de nascimento, a D-3 e a D-9 têm uma importância acrescida;  no conjunto de 7 vargas, a Dwadasamsa – D-12, tem uma importância acrescida;  na divisão de 10 vargas a shodasamsa D- 16  adquire uma importância acrescida; no conjunto de 16 vargas  a shastiamsa- D- 60, adquire uma importância acrescida.

A Vimsopack bala determina  a força de um planeta tendo em conta a sua posição e dignidade em cada uma das cartas divisionais. Assim, se um planeta estiver colocado em  todas as  vargas no seu próprio signo ou no signo de exaltação recebe a pontuação máxima de 20 pontos. Se estiver colocado no signo de um «grande amigo» recebe uma pontuação de 18 pontos . Recebe 15 pontos se estiver colocado num signo de um planeta «amigo»; recebe 10 pontos num signo neutro; quando está colocado no signo de um  planeta  inimigo recebe 7 pontos; quando está colocado no signo de um  planeta grande inimigo recebe 5 pontos; a colocação no signo de debilitação é pontuada com 0 pontos. A pontuação de 10 é  considerada como a mínima  para que o planeta dê resultados positivos, nomeadamente no seu período dasha. As pontuações inferiores a 10 indicam  que o planeta dará resultados negativos. Em termos de percentagem, uma pontuação de 18 ou 20 ,respetivamente  de 90 e 100%, é classificada como «excelente»; uma pontuação de 10 equivale a 50% de resultados favoráveis,  indicando por isso resultados mistos.

A força Vimsopack  permite determinar a força de Rahu e Ketu, o que não acontece com a força Ashtakavarga ou a Shadbala.

A análise dos períodos dahsa deve ter em conta a força Vimsopack dos planetas na avaliação dos seus resultados.

Finalmente, graças à existência de software especializado (incluindo o programa gratuito Jaganatha Hora, aqui recomendado) que efetua todos os cálculos necessários, apresentando as indicações da força Vimsopack para todos os planetas, não precisamos de aprender os cálculos complexos que estão na base da determinação de mais este metido quantitativo de análise específico da Astrologia Jyotish.

Força Ashtakavarga

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A  força Ashtakavarga é uma ferramenta única da Astrologia Jyotish, usada fundamentalmente para avaliar os efeitos dos trânsitos, e que permite medir a força de cada planeta  quando este transita nos vários signos do Zodíaco. Esta força avalia a posição de cada planeta em relação aos restantes planetas e Ascendente no horóscopo, atribuindo pontos entre 0 e 8, a essas posições. Ashta significa 8 e varga significa divisão e em cada relatório que mostra esta força no horóscopo (calculada pelo software especializado da Astrologia Jyotish), vemos habitualmente  uma tabela com 12 números na horizontal , correspondente aos signos do Zodíaco e, na vertical ,oito  linhas,  correspondentes ao Ascendente e aos 7 planetas  considerados na Astrologia Jyotish. Os nodos estão excluídos. Nesta  tabela, o nº 1 na coluna superior horizontal corresponde ao signo de Carneiro e o n º12 corresponde ao signo de Peixes.

A força Ashtakavarga foi introduzida por Parashara para fazer previsões   dos efeitos dos trânsitos dos planetas, facilitando  a tarefa através da expressão  quantitativa da força de cada planeta  e das casas do horóscopo. Esta conceção parte do princípio de que cada planeta, ao movimentar-se pelo Zodíaco, tem efeitos benéficos para distribuir, não o fazendo porém de forma uniforme: pode ser muito benéfico num determinado  setor de um signo e maléfico noutro (por  não distribuir qualquer efeito benéfico).

Os efeitos benéficos que cada planeta pode distribuir são expressos em pontos- que vão de zero a oito- e, na distribuição dos seus efeitos, cada signo é dividido em 8 partes iguais  de 3º 45’ cada. Em cada um dos  8 setores que formam um signo, um planeta pode distribuir efeitos benéficos ou não produzir nada. O software especializado mostra  habitualmente uma carta Ashtakavarga para cada planeta  e uma carta final- Sarva Ashatakagarva– que resume os pontos  totais distribuídos por cada planeta num determinado horóscopo.

Cada planeta distribui um número  total de pontos benéficos   no zodíaco  e que é igual em todas as cartas astrológicas mas,   em cada  horóscopo individual, esse número é único e diferente: cada planeta forma um padrão único  e individual de distribuição dos seus pontos benéficos  em cada horóscopo. Este padrão único deve-se ao facto de os planetas receberem pontos a partir da relação entre o Ascendente e os planetas, havendo milhares de combinações possíveis. A velocidade dos planetas é outro fator que marca a individualidade desta distribuição  de pontos benéficos em cada horóscopo. Em cada setor de oito partes nas quais cada signo está dividido, a distribuição de efeitos benéficos não se faz de forma contínua  pois em cada setor correspondente a um número de 3º45´. um planeta recebe pontos benéficos ou não. Quando recebe, isso exprime-se pelo valor 1  (bindus); quando não recebe, isso é expresso pelo valor 0 (rekha). Os pontos benéficos recebidos   são não apenas pela própria posição do planeta  mas também pela de outros planetas e do Ascendente. Nas tabelas de Ashtakavarga no final de cada coluna vertical aparece a soma  para cada signo, que é no máximo de 8 pontos. Cada coluna vertical é formada por zeros e uns pois o planeta não distribui os seus efeitos de forma  homogénea, como dissemos.

Quando um planeta distribui  num determinado  signo  de um horóscopo individual 8 pontos isso é considerado excecional e é raro. A média vai de 3  a 5 pontos. Quanto mais pontos obtiver num signo, mais auspicioso é o planeta. Um planeta que só distribui zero e um num determinado signo  tem efeitos inauspiciosos  e, quando está em trânsito nesse planeta, são de esperar efeitos negativos para os assuntos significados pelo planeta (karaka) e para a casa do horóscopo em que se dá esse trânsito.

Para os planetas maléficos, a distribuição de 3 pontos é considerada média e 2 ou menos é negativo. 4 ou superior é bom; para os planetas mais benéficos, 4 pontos é um valor considerado médio, 3 ou menos é negativo.  5 ou superior é bom. Um planeta que  obtém  6 ou mais pontos num determinado signo terá resultados muito auspiciosos quando transitar por esse signo   na casa do horóscopo correspondente, fazendo florescer os significados dessa casa. O inverso acontece quando um planeta tem um número de pontos de 3 ou inferior num determinado signo, sendo muito  negativo quando tem apenas 0 ou 1 pontos nesse signo.

O software especializado  (incluindo  o programa gratuito Jaganatha Hora aqui recomendado) apresenta a tabela com os valores da força Ashtakavarga para cada planeta em cada signo do horóscopo e também mostra a força Ashtakavarga  para as várias casas do horóscopo. Deste último aspeto falaremos num outro artigo.

shadbala #4-Ayana Bala e Cheshta Bala

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Continuamos a apresentar as forças componentes da força global Shadbala.

Ayana Bala

trata-se de uma fonte de força baseada na declinação dos planetas e que é considerada por alguns astrólogos como de duvidosa capacidade de verificação quanto aos seus efeitos e, por isso, é ignorada por muitos. Deixamos, a título de curiosidade apenas algumas notas.

Para calcular esta força, os planetas são divididos em 3 grupos:

  1. A Lua e Saturno têm a máxima força de Ayana Bala em 0º de Capricórnio – 60 pontos- e têm 0 pontos no grau 0 de Caranguejo;
  2. O Sol, Marte, Júpiter e Vénus têm a pontuação máxima Ayana Bala no ponto 0 de Caranguejo – 60 pontos- e 0 pontos no grau 0 de Capricórnio;
  3. Mercúrio tem a pontuação máxima tanto no grau 0 de Caranguejo como no grau 0 de Capricórnio.

Existem vários métodos para calcular esta força, incluindo o do sábio Parashara. Os cálculos hoje em dia, porém, são feitos pelo software de modo que não vale a pena determo-nos nesta questão.

Cheshta Bala

Esta é uma força importante e refere-se à força dos diversos movimentos planetários. Esta força não se aplica ao Sol nem à Lua. No caso do Sol, a Cheshta Bala é igual à Ayana Bala; no caso da Lua, é igual à Paksha Bala Os restantes planetas são avaliados segundo 8 tipos de movimento que são os componentes da cheshta bala:

  1. Movimento retrógrado– um planeta com este movimento é muito forte e obtém o máximo de pontos: 60. Este movimento designa-se por Vakra. Dentro do movimento retrógrado existe ainda outro caso, quando um planeta retrógrado entra no signo anterior. Neste caso obtém 50% de força: 30 pontos. Designa-se por
  2. Planetas Estacionários– Neste caso o planeta não tem movimento, ele fica parado enquanto não muda de movimento direto para movimento retrógrado ou vice-versa. Neste caso o planeta obtém 25% de força: 15 pontos. Designa-se por Vikala.
  3. Movimento Direto- Existem5 tipos –

-Movimento com velocidade lenta– recebe 25 % de força :15 pontos e designa-se por Mandatara.

– Movimento de Velocidade Média- tem uma força de 50% e recebe 30 pontos. Designa-se por Manda.

– Movimento Normal-  é o mais fraco de todos os movimentos. Recebe 7.5 pontos e designa-se por Sama.

– Movimento Rápido- Recebe 75% de força: 45 pontos. Designa-se por Chara.

– Movimento Especial Rápido– Este movimento ocorre quando o planeta está em movimento rápido e entra no signo seguinte, em movimento direto. Possui 50% de força : 30 pontos e designa-se por Atichara.

O movimento considerado na Cheshta Bala é em relação à velocidade média do planeta. Neste contexto, os planetas   quando se movem num movimento mais lento do que a sua média são mais fortes porque focam mais a sua energia. Assim, sabendo-se qual é a velocidade média de um planeta, é fácil saber se ele tem uma pontuação mais ou menos elevada na Cheshta Bala. De qualquer modo, o software faz os cálculos rigorosos sem precisarmos de pensar muito sobre isto. O Sol e a Lua não têm Cheshta Bala porque se movem num movimento semelhante e nunca ficam retrógrados.  Do mesmo modo, Rahu e Ketu, apesar de curtos períodos em que ficam estacionários diretos, são considerados como tendo movimento médio retrógrado.

Shadbala #3- Kala Bala

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Uma outra força que constitui a «Shad Bala» é Kala Bala. Esta refere-se à força temporal do nascimento, ou seja, ao conjunto de fatores que se referem a seis fontes temporais de força no momento do  nascimento. Vamos falar dessas fontes, que são também os seis componentes da «Kala Bala»

1.Divaratri Bala

Esta é a força diurna e noturna dos planetas: uns são mais fortes à noite, outros são mais fortes de dia. Assim, a partir da hora de nascimento, temos em consideração esta força : a Lua , Marte e Saturno são fortes à noite e fracos de dia; O sol, Júpiter e Vénus são fortes de dia e fracos à noite. Mercúrio é tão forte de noite como de dia. Nesta medição, considera-se que os planetas que são  fortes à noite recebem o seu máximo de força à meia noite. Assim, a Lua, Marte e Saturno são mais poderosos à meia noite e mais fracos ao meio dia. O inverso acontece com o Sol, Júpiter e Vénus, que têm o máximo de força ao meio dia. Os nascimentos que ocorrem nesse momento de máxima força recebem 60 pontos; os que nascem no momento de máxima fraqueza recebem 0 pontos. Entre os dois extremos, os nascimentos que ocorrem entre eles recebem pontos de forma proporcional, entre os 60 e os 0 pontos

2.Paksha Bala

Esta é a força relacionada com  a fase da Lua no momento do nascimento.

Os planetas benéficos recebem elevada pontuação Paksha Bala quando a Lua está muito brilhante ou mesmo cheia  e baixa pontuação quando a Lua está perto ou na  Lua Nova e sucede o inverso com os planetas maléficos (recebem elevada pontuação aquando  da Lua nova e baixa aquando da Lua cheia). Um nascimento perto da Lua cheia recebe elevada pontuação (até 60 pontos); um Paksha é igual a 15 dias lunares. Quando a Lua está na fase crescente, recebe o nome de Sukla  Paksha ; quando começa a minguar recebe  o nome de Krishna Paksha.  Os planetas benéficos (Júpiter, Vénus e a Lua e Mercúrio quando associado com benéficos) são fortes durante o Sukla Paksha (desde o 8ª dia do ciclo brilhante até ao 8ª dia do ciclo da Lua minguante. Os planetas maléficos (Sol, Marte , Saturno, Mercúrio mal associado e a Lua) são mais fortes desde o 8º dia do ciclo minguante até ao 8º dia do ciclo brilhante da Lua, Krishna Paksha. Assim, se uma pessoa nasceu no ciclo brilhante da Lua (Sukla Paksha) os benéficos recebem mais pontos do que os maléficos e vice-versa quando a pessoa nasceu no ciclo minguante da Lua (Krishna Paksha). A pontuação total é sempre de 60 pontos.

3.Tribhaga Bala

Esta força baseia-se na divisão do dia em três partes iguais e na divisão da noite também em 3 partes iguais.  Cada parte tem o seu regente que é o «regente da parte  do dia» ou «regente da parte da noite». Esse regente recebe sempre a pontuação máxima que é de 60. São os seguintes os regentes das  6 partes do dia:

Parte do dia/noiteRegente
1ª parte do diaMercúrio
2ª parte do diaSol
3ª parte do diaSaturno
1ª parte da noiteLua
2ª parte da noiteVénus
3ª parte da noiteMarte

Para além do regente de cada parte do dia e da noite, Júpiter recebe sempre 60 pontos havendo, deste modo, sempre dois planetas que recebem 60 pontos na Tribhaga Bala: Júpiter e o regente da parte correspondente ao nascimento. Os outros planetas recebem 0 pontos.

4.Varsha-Masa- Dina- Hora- Bala (Abda Bala)

Esta força refere-se ao ano, mês, dia e hora  astrológicos em que o nascimento tem lugar.  O regente do ano  (Varsha) recebe 15 pontos; o regente do mês (masa) recebe 30 pontos; o regente do dia (dina) recebe 45 pontos; o regente da hora (Hora) recebe 60 pontos.

O regente do ano é o planeta que rege o primeiro dia do ano. Se o primeiro dia do ano for uma segunda feira, o regente é a Lua. Porém, há quem não determine o regente do ano olhando para o calendário. Autores como B. V. Raman consideram o ano  astrológico como  tendo 360 dias e, por isso, calculam qual é o regente do ano através desse método. O regente  do mês é encontrado de forma semelhante, pelo planeta que rege o 1º dia do mês. Do mesmo modo, vários autores consideram o mês como tendo 30 dias e usam essa extensão para todos os meses, calculando dessa forma  o regente do mês. Para encontrar o regente do dia cada dia é dividido em 24 horas e há um regente para cada hora. A primeira hora tem a regência do regente do dia e depois segue-se a ordem normal dos dias da semana, que têm a regência atribuída de forma fixa. (2ª feira regência da Lua, 3ª de Marte, 4ª de Mercúrio, etc).

5.Ayana Bala

Esta força é algo negligenciada por alguns astrólogos, referindo-se à declinação do planeta em relação ao Equador. Muitos não percebem a origem nem a justificação desta força e pura e simplesmente ignoram-na.

6.Yudha Bala

Este conceito tem a ver com a «guerra planetária». Este valor só é calculado se houver planetas nessa situação. Quando dois planetas se encontram colocados dentro da orbe de 1º em relação um ao outro diz-se que estão «em guerra». Explicaremos num outro artigo este conceito de forma mais clara. Quanto a esta força, primeiro contam-se os valores obtidos em todas as  forças anteriores: sthana bala+ dig bala + kala bala até à hora bala dos dois planetas em guerra  de modo a que o planeta que perde a guerra perca também alguns pontos enquanto que o que a ganha aumente alguns pontos. Felizmente, o software dispensa-nos de fazer cálculos complicados e apresenta-nos os valores apurados, determinando a força de cada planeta.

ShadBala #2- Dig Bala

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Continuamos a explicação das forças que compõem a «Shad bala» e que, como referimos no primeiro artigo, significa «seis forças». Já explicámos a primeira, Sthana Bala  e vamos continuar com a explicação das seguintes:

Dig ( ou Dik) Bala

Esta é a força direcional , ela  mede a força dos planetas nas várias direções  do horóscopo, isto é, a força referente à colocação dos planetas nos vários ângulos do horóscopo. Estes são marcados pelas casas kendra: 1ª, 4ª, 7ª e 10ª. Cada planeta produz efeitos mais fortes num determinado ângulo do horóscopo. Assim, o Sol e Marte são mais fortes na 10ª casa do horóscopo (diz-se que têm força direcional quando aí colocados); Júpiter e Mercúrio são mais fortes no Ascendente; Vénus e a Lua são mais fortes na 4ª casa; Saturno é mais forte na 7ª casa.

Os efeitos dos planetas que têm força direcional fazem-se sentir na direção em que se dá essa força. Porém, isto é sujeito a várias interpretações pois  alguns defendem que ,como os próprios planetas também representam uma direção (Sol: Este; Saturno: Oeste; Mercúrio: Norte; Marte: Sul; Júpiter: Nordeste; Rahu: Sudeste; Lua: Noroeste; Vénus: Nordeste.), ficamos na dúvida sobre qual das direções (se a que o planeta significa se aquela onde tem força direcional)  devemos considerar nessa interpretação. Na dúvida, o melhor é considerar ambos os significados, quando  estamos perante a Dig bala: considerar por um lado os significados da casa angular na qual o planeta obtém esta força e também a direção representada pelo planeta. Um planeta com elevada Digbala terá efeitos auspiciosos na direção da sua força; um planeta com baixa pontuação na Digbala causa perdas ou dificuldades na direção da sua força ou no lado oposto a esse.

A Dig bala mede-se  como a diferença entre a posição do planeta no momento do nascimento  e a posição na qual obtém força mínima, variando entre 0 e 60 pontos. Considera-se que o ponto de força mínima de um planeta corresponde ao ponto que fica 180º no lado oposto àquele que corresponde à sua máxima força:

PlanetasMáxima ForçaForça Mínima
Sol, Marte10ª
Júpiter, Mercúrio
Lua,, Vénus10ª
Saturno

Entre a posição do planeta e os dois extremos que marcam as casas angulares nas quais o planeta tem a força máxima e a força mínima,  medimos  a força do planeta, de forma proporcional  à sua posição intermédia, atribuindo  uma pontuação  intermédia entre  zero a 60 pontos.  É claro que, a este respeito há ainda controvérsia a resolver relacionada  com o início de cada casa do horóscopo. Felizmente que, hoje em dia, o software faz os cálculos por nós, apresentando várias opções que correspondem às preferências dos utilizadores, pelo que é apenas necessário consultar os valores apresentados aquando do cálculo do horóscopo, usando um software especializado em Astrologia Jyotish. (como o software gratuito Jaganatha Hora).

Continuaremos nos próximos artigos a explicar as forças que formam a Shad Bala no horóscopo.