Ler a Carreira- Ascendente Sagitário

cris

Depois de apresentarmos a análise da força geral dos planetas  num horóscopo masculino com Ascendente Sagitário num artigo anterior,  vamos hoje iniciar a análise de cada uma das principais áreas de vida neste horóscopo para facilitar a aprendizagem dos nossos leitores. Lembro entretanto que qualquer interpretação parcial do horóscopo, neste caso a da carreira/profissão, implica necessariamente a análise dos aspetos apresentados nesse artigo inicial  para vermos a  força geral  e a  natureza funcional dos planetas e das casas , sob pena de a interpretação de cada área de vida perder a fiabilidade. Por vezes há, por ex., uma assinatura (yoga) de riqueza no horóscopo mas, para que ela frutifique na vida da pessoa,  a primeira condição necessária é que os planetas que a formam sejam fortes e não estejam aflitos no horóscopo de nascimento (D-1). Por outro lado, como dissemos anteriormente, se um planeta está, por ex., exaltado numa determinada carta divisional mas está debilitado ou de algum outro modo enfraquecido na D-1, será pouco provável que dê resultados dignos de nota relativamente às suas significações. Assim, não devemos esquecer que a D-1, o horóscopo de nascimento, é sempre  o ponto de referência principal e que as cartas divisionais são apenas  uma visão em pormenor daquilo que é prometido na D-1.

Leitura da Carreira/ profissão pelos Significadores no Horóscopo- Ascendente Sagitário

Para o Ascendente Sagitário observamos a 10ª casa, ocupada por um signo Mooltrikona e, secundariamente, a 2ª casa e o Sol.  A 10ª casa está ocupada pelo signo Virgem. Recebe o aspeto  amplo do Sol e de Mercúrio. Recebe  ainda o aspeto de Saturno e de Júpiter. Deste modo, vemos que esta pessoa tem um destino fortemente marcado pelo exercício de uma carreira e profissão. Estes aspetos são ainda mais importantes porque Júpiter é o regente do Ascendente e Saturno é o regente da 2ª e da 3ª casas, ambas importantes nas matérias da carreira e da profissão. Por outro lado, Mercúrio é o regente da 10ª casa e, apesar de estar muito fraco, como vimos  na análise geral do horóscopo, quando o regente de uma casa lança aspeto para essa casa isso é sempre favorável para os assuntos da casa. Mas há  ainda um outro aspeto, muito importante porque é o aspeto do planeta que rege a inteligência e a criatividade, fator  tanto mais decisivo quanto sabemos que esta pessoa desenvolve uma carreira de relevo no plano intelectual e ligado ao conhecimento superior: Marte, o regente da 5ª casa, lança aspeto para a 10ª casa.  Parece-nos seguro dizer que o aspeto mais relevante do destino desta pessoa é  a construção de uma imagem profissional e pública de relevo, imagem e renome conquistados em grande parte devido a «créditos por ações passadas» que o nativo trouxe para esta vida, como é expressado pela 5ª casa, da «sorte kármica».  Temos deste modo 5 planetas em aspeto com a casa da carreira e esta ênfase é bastante expressiva relativamente ao papel que esta área de vida desempenha no destino pessoal. O regente  da 10ª casa está, por outro lado, colocado na 4ª casa, combusto pelo Sol. Não é  a primeira vez que nos defrontamos com a condição de combustão de Mercúrio sem que isso tenha afetado em alguma coisa a inteligência dos nativos. Pelo contrário,  na nossa experiência temos encontrado casos em que nativos com um grau de inteligência excecional e intelectualmente muito dotados, têm Mercúrio combusto pelo Sol. E isso lembra-nos de que, na linguagem simbólica da Astrologia, cada símbolo pode exprimir coisas diferentes para pessoas diferentes. No caso presente, por ex., verificamos uma situação em que a pessoa tem elevada estatura intelectual mas não beneficiou particularmente com isso em termos pessoais. Houve deste modo um apagamento do seu valor intelectual (embora por opção e escolha da pessoa). Por outro lado, o regente do Ascendente, Júpiter, está forte no horóscopo e Rahu, colocado na 5ª casa, dá ao nativo grande inteligência.

O regente da 10ª casa, Mercúrio,  encontra-se  na mesma casa que o Sol, o planeta mais benéfico para o Ascendente Sagitário, devido à regência da 9ª casa do horóscopo e pode produzir o interesse por assuntos ligados à espiritualidade, à filosofia e à religião. O nativo  pode receber inspiração e ajuda do pai e/ou de autoridades ou figuras que o inspiram e com as quais se identifica, na escolha da sua carreira e vocação. Esta pode estar ligada ao conhecimento superior, espiritual e/ou religioso. Pode ainda estar relacionada com a descoberta de valores associados a culturas distantes e que, de alguma forma, marcam decisivamente  o sentido pessoal do propósito de vida.

  A 2ª casa, ocupada pelo signo Capricórnio , recebe o aspeto amplo de Júpiter e, estando este colocado na 6ª casa, uma casa de serviço, pode inclinar a pessoa para escolher uma profissão na qual prestará cuidados ou ajuda aos outros. Pode levar a pessoa a desenvolver competências (2ª casa) que a tornem proficiente na resolução de problemas concretos da vida das pessoas (tanto a 2ªcasa como a 6ª são casas relacionadas com a vida e com os problemas do quotidiano). Júpiter rege o Ascendente por isso a sua influência é de primeira ordem.  A colocação de Júpiter na 6ª casa torna a pessoa muito eficiente no trabalho e pode inclinar o nativo para o exercício de uma profissão relacionada com Júpiter: o ensino, as leis, o aconselhamento financeiro, uma profissão espiritual ligada à filosofia ou à religião, etc. O regente da 2ª casa está colocado no Ascendente e isso indica mais uma vez que esta pessoa se definirá pelo esforço e pelo desenvolvimento de competências profissionais e que este será o aspeto mais marcante da sua vida.

Usando o software recomendado, vemos que este nativo nasceu no dasha de Júpiter, que esteve ativo até aos 20 anos, tendo por isso sido decisivo na escolha da carreira. Júpiter inclina para carreiras ligadas ao estudo e à  aplicação das leis, à filosofia e espiritualidade, ao  ensino, gestão financeira, profissões de aconselhamento e de expansão da espiritualidade. O período dasha seguinte, o de Saturno, estendeu-se de maio de 1950 a maio de 1969. Durante estes períodos, os anos de 56 e 57 correspondentes ao subperíodo de Ketu  e o ano entre abril de 1961 e novembro de 62 , do sub período da Lua deverão ter trazido algumas experiências difíceis. Porém,  o subperíodo de Rahu, entre 1963 e 1966 deverá ter trazido  o início da consagração no plano da realização pessoal e profissional. O dasha atual é o do Sol, o regente da 9ª casa e este é um período essencialmente de  novos caminhos  na espiritualidade, propiciando o abandonar de velhos objetivos e de atividades mais mundanas. Este período estará ativo até 2019.

Quanto ao tipo de carreira, começamos por analisar a criatividade do nativo. Para a criatividade, a 5ª casa é o principal significador e a 2ª casa, Júpiter  e o Sol, dão-nos informações adicionais.  O regente da 5ª casa, Marte, está colocado na 3ª, uma excelente colocação pois a 3ª é uma casa de iniciativa, de coragem e é também uma casa de crescimento, cujos resultados vão melhorando à medida que  o tempo  vai passando e, como Marte é um planeta maléfico natural, dá excelentes resultados quando está aqui colocado. Seja qual for a carreira que este nativo escolher, ela tem que implicar independência, coragem para arriscar e espírito inovador e de iniciativa. A 3ª casa é também uma casa de comunicação e de aprendizagem  e a 5ª , indicador principal, está ocupada pelo signo de Carneiro. A 5ª casa recebe o aspeto de Ketu e está ocupada por Vénus e por Rahu.  Sendo Vénus o regente da 11ª casa, este nativo tem um forte desejo de ganhar dinheiro  e, com Rahu aqui presente, também tem desejo de poder e de influência. Está motivado para deixar uma marca única no mundo, pessoal e individual. E a presença do regente da 5ª casa na 3ª indica que essa marca pode ser feita através da atividade comunicativa ou artística ou de alguma atividade criativa dirigida para os outros. A 5ª casa tem relação com a política e Rahu acentua esta tendência; mas também tem relação com a espiritualidade e com a religião, com a prática do desporto,, etc. O aspeto que Ketu lança para a 5ª casa acentua a tendência para a expressão de valores espirituais. A colocação de Júpiter na 6ª casa e de Saturno na 1ª indicam tendências ascéticas e/ou espirituais e esta pessoa gostará de se dedicar a uma carreira na qual ajude de algum modo os outros a descobrir o lado espiritual da vida e a contribuir para o cuidado dos outros, sobretudo o cuidado espiritual. Se o fará através da arte ou de alguma outra forma de expressão é menos relevante. A 2ª casa tem a regência de Saturno e, com a colocação deste na 1ª casa, vemos que, de algum modo, a personalidade e a identidade da pessoa estará ligada com a sua forma de chegar aos outros e será em si mesma uma forma de influência ou de comunicação, talvez pela identificação da pessoa com determinado conjunto de valores ou com uma certa visão do mundo. O Sol indica, por sua vez, uma carreira poderosa e visível, e Júpiter indica desejo de prestar serviço, de forma eficiente e modelar. O nativo pode alcançar riqueza de forma fácil com o seu trabalho e este adquirirá uma expressão visível na comunidade. Poderá, entretanto, ter que lidar com algumas oposições e/ou inimizades, que conspirarão contra ele mas ele derrotá-las-á.

 A 3ª casa é o significador principal do empreendedorismo para o Ascendente Sagitário e o seu regente está colocado na 1ª casa. Marte, Vénus e Saturno dão-nos indicações complementares. Saturno torna a pessoa cautelosa, eficaz, muito organizada e responsável. Aquário, o signo presente na 3ª casa, inclina o nativo para escolher os seus empreendimentos numa área que beneficie o coletivo e o transforme, colocando na alteração das mentalidades e dos comportamentos boa parte do esforço pessoal de intervenção. O nativo prossegue objetivos que vão para além dos seus interesses pessoais e procura uma expressão mais universal  da realização do seu trabalho.  O seu sucesso dependerá bastante da pessoa que ele conseguir ser ao longo da vida pois o nativo transformar-se-á na medida em que também contribui para melhorar os outros. Não admirará pois que prossiga uma carreira em que os valores espirituais se sobreponham muitas vezes aos valores materiais.

Confirmação pela Dasamsha- D-10

JG

6 abril, P.Lima, Portugal

JG D-10

Começamos por observar onde se encontram colocados nesta divisional os significadores principais do emprego e da profissão, os regentes da 10ª e da 2ª casas (Mercúrio e Saturno) e vemos que Mercúrio  está colocado na 8ª casa, uma colocação difícil indiciando obstruções e lutas ao longo da vida profissional. Saturno é o regente do Ascendente nesta varga e está colocado na 6ª casa, em conjunto com Vénus, regente da 5ª e da 10ª casas, e o sol, regente da 8ª casa nesta varga. A ênfase na 6ª casa confirma a dimensão de serviço e de renúncia à «glória pessoal» simbolizada pela presença de Rahu na 5ª casa da D-1. Ketu, presente no Ascendente desta varga, é mais um elemento de confirmação desta tendência: esta pessoa  buscará identificar-se com os interesses dos outros anulando os seus interesses individuais no plano pessoal material. Fará do serviço aos outros a razão de ser do seu próprio crescimento como pessoa e colocará os seus recursos ao serviço de alguma causa com a qual se identificará e que estará ligada a algum ideal elevado ou objetivo espiritual. Júpiter, o regente do Ascendente na D-1, está aqui exaltado na 7ª casa, a casa do outro, das parcerias e, pelo aspeto que lança para o Ascendente, beneficia o projeto pessoal de vida do nativo e a sua reputação. Marte, o regente da 4ª e da 11ª casas nesta varga, está colocado na 9ª casa, a casa da sorte e da busca pelo conhecimento superior. O nativo terá sorte na realização do seu projeto de vida, que será protegido, de acordo com os parâmetros já referidos e pode tornar-se numa referência e exemplo para outros.

A colocação de Mercúrio, regente da 9ª casa nesta varga e da 10ª casa da D-1 na 8ª casa mostra que o caminho que o nativo percorre nesta vida e a sorte que lhe cabe agora (9ª casa)  constituem um importante processo transformador da sua identidade (8ª casa) e uma total reformulação das emoções mais profundas escondidas na identidade, transmutadas  num longo processo em que a pessoa se conquista a si mesma na exata medida em que parece esquecer-se de si para se dedicar a uma causa coletiva que abraça o bem comum.

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