Glossário Astrológico- Chronocrators

Chronocrators capa

O termo Chronocrator é um  termo que não é específico da Astrologia Jyotish mas pertence à história fundamental do saber astrológico que vem do passado. O termo é de origem grega e foi usado na Astrologia Grega para designar a ativação de um planeta no horóscopo por um certo período de tempo.  O «chronocrator» era o «regente temporal» num certo período, o «marcador do tempo». Ora, nesses tempos antigos, os ciclos dos planetas mais lentos conhecidos, Júpiter- 12 anos para transitar à volta do Zodíaco- e Saturno- 30 anos para fazer a mesma órbita- eram os grandes marcadores dos «ciclos do tempo».

Estes ciclos temporais tinham início quando Júpiter entrava em conjunção com   Saturno e os menores ocorriam de 20 em 20 anos. A cada 198 anos e 265 dias, a conjunção entre estes dois planetas ocorria  num signo do mesmo elemento (Água, Terra, Ar ou Fogo), e, num período que variava entre 800 e 960 anos, a conjunção ocorria no signo Sagitário, dando início a um período extraordinário na História. Esta conjunção terá ocorrido no início da era cristã, no séc. VIII e novamente no séc. XVI, indicando processos de mudança que foram muito significativos na história da civilização.

Assim, Júpiter e Saturno são reconhecidos como os Chronocrators.

Cada grande ciclo subdivide-se em vários subciclos de relação entre os chronocrators. Segundo os autores astrológicos ,desde a antiguidade grega até a autores que ficaram na história da ciência como Tycho Brahe, são as seguintes as tendências desses subciclos:

Os ciclos de 20 anos são considerados «mínimos» ou especiais; os ciclos de aproximadamente  200 anos são designados de «médios» ou trígonos; os ciclos de  aproximadamente 800 anos são designados «máximos» ou climacteria . Em todos estes ciclos há um total de 10 conjunções em signos de Terra, 10 conjunções em signos de Ar ,10 conjunções em signos de Fogo e 10 conjunções em signos de Água de Júpiter e Saturno.

Os antigos, incluindo os hebreus, contavam o tempo tendo por referência os chronocrators e os seus ciclos.

Mas este ciclo dos grandes chronocrators que marcam a história da humanidade (diz-se por ex., que a muito referida «Estrela de Belém» que marcou o nascimento de Jesus terá sido uma conjunção entre Júpiter e Saturno) há outros chronocrators menores, mas que  eram considerados igualmente fundamentais para a vida individual e o seu destino. Neste contexto, admitido desde os antigos gregos, qualquer planeta tinha o estatuto de chronocrator dominando os eventos do destino individual por um certo período.  Este conceito também pode ser visto com toda a clareza na Astrologia Jyotish por ex., no sistema vimsottari dasa.

Segundo os antigos, os trânsitos dos planetas só tinham efeitos manifestos quando o planeta em causa era o chronocrator desse período. De outro modo, o seu trânsito seria «mudo», sem efeitos assinaláveis.  Todos os planetas tinham o seu período em que «prestavam testemunho» na vida do nativo. Estes períodos eram contados em «anos egípcios» (360 dias divididos por 3 estações de 120 dias cada + um período extra de 5 dias que não fazia parte do ano propriamente dito) e derivavam dos círculos menores dos planetas como segue: o Sol tinha 19 anos, a Lua tinha um período de 25 anos; Hermes (Mercúrio) tinha um período de 20 anos, Afrodite (Vénus) tinha um período e 8 anos, Ares (Marte) tinha um período de 15 anos; Zeus (Júpiter) tinha um período de 12 anos, Chronos (Saturno) tinha um período de 30 anos. Estes ciclos repetem-se de acordo com o tempo necessário para que os planetas voltem a estar no mesmo grau em relação ao Sol.

Nestes cálculos, o ano era considerado como tendo 360 dias, a noite tinha 12 horas e o dia outras 12 horas;  tais cálculos eram essencialmente simbólicos, não se baseando no plano da realidade concreta mas no do ideal ou arquetípico.

Os períodos anuais dos planetas eram considerados os mais importantes , mas eram também subdivididos em 1/12 do período total, correspondendo a um subperíodo  em cada período total do planeta, com base no movimento diário do Sol e da Lua (o movimento desta é 12x o do Sol) . Com base na interação entre o Sol e a Lua eram encontradas a «parte da fortuna» e a «parte do espírito»). A parte da fortuna era o significador da saúde,  da felicidade física, da área financeira enquanto a parte do espírito era vista para a carreira, as ocupações do nativo, as previsões futuras.

Os subperíodos indicavam os eventos específicos enquanto o período geral indicava os aspetos e tendências gerais do período (em conjunto com a posição do planeta regente do período). A parte da fortuna marcava o regente do primeiro período. Se esta estivesse por ex., no signo Escorpião, o primeiro «marcador temporal» seria  Marte  durante os primeiros 15 anos. A seguir o período seria o de Júpiter durante os 12  anos seguintes. A ordem dos subperíodos de cada planeta segue a mesma regra: o primeiro subperíodo do período do Sol é o sol e a duração de cada subperíodo obtém-se usando o mesmo número (de anos atribuídos a cada planeta) mas transformados em meses. por ex., o sol tem um período de 19 anos por isso, os seus subperíodos em qualquer período de outros planetas dura 19 meses; mas o de Vénus, cujo período dura 8 anos, dura 8 meses quando se entra no subperíodo de Vénus em qualquer período, etc. o último período terá apenas o tempo restante do período geral podendo ter diferente duração.

Para interpretar os significados gerais do tempo, é analisado o signo em que se encontra o planeta que «marca o tempo» a partir da posição da roda da fortuna no horóscopo, para ver se esta está colocada numa casa angular, sucedente ou cadente. Seguidamente, analisa-se a posição do planeta chronocrator para ver se este está em aspeto com essa casa. A análise da força do planeta regente do «tempo» determina se o período terá algo de significativo a dizer ou não. Normalmente, segundo estes autores, se o planeta que marca o tempo estiver numa casa «cadente» nada de relevante acontecerá a menos que esteja algum planeta maléfico nessa casa. (os planetas maléficos eram vistos como mais poderosos do que os benéficos.) Entretanto, esclarecemos que os «aspetos» de que se trata aqui não são os mesmos seguidos pela Astrologia Jyotish pelo que, aqueles que quiserem aprofundar esta matéria, deverão pesquisar em «astrologia helenística» o referido método para calcular os aspetos.

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