Glossário Astrológico- Debilidade (dos Planetas)

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O conceito de «debilidade» refere-se a um estado de fraqueza dos planetas quando ocupam um determinado signo. De acordo com este conceito, para cada planeta existe um signo cuja energia é incompatível com as qualidades energéticas do planeta e a consequência é a diminuição da força de influência desse planeta.

Para além de se atribuir um signo de «debilitação» a cada planeta, os antigos astrólogos védicos mas também árabes usavam diversos meios para avaliar a força e a fraqueza dos planetas, atribuindo pontos que permitiam determinar qual era o planeta mais forte no horóscopo , designado «Almuten» pela astrologia árabe do séc. XI mas que é muito mais antigo, encontrando-se  na astrologia antiga nos trabalhos de Ptolomeu. O Almuten   significa «o mais forte em poder» e era este o verdadeiro regente do mapa e não simplesmente o regente do Ascendente. Este planeta mais forte era visto com cuidado para se determinarem as características da personalidade e do caráter do nativo. As características do temperamento desse  signo/ planeta eram transpostas para o modo de ser do nativo.

No séc. XVII  o célebre astrólogo inglês William Lilly descreveu, na sua obra Christian Astrology  quais os passos a seguir para determinar  qual o «planeta mais forte e, por essa razão, mais dignificado no horóscopo: Lilly  reconhecia dignidade e debilitação «essenciais» e «acidentais e atribuía pontos positivos ou negativos conforme o caso. A dignidade essencial incluía: estar colocado no próprio signo ou em receção mútua com outro planeta (+5 pontos); estar no signo de exaltação ou receção mútua por exaltação (+ 4 pontos); estar colocado na própria triplicidade (signo fixo, mutável ou cardinal- + 3 pontos); estar nos próprios termos (+ 2 pontos); estar na própria face (´1 ponto).

A escolha das condições de dignificação por Lilly seguem os princípios da astrologia grega antiga sendo que Ptolomeu , por usa vez, recorreu aos egípcios, tendo adotado a classificação destes quanto à dignidade referida como «um planeta nos seus próprios termos». Os egípcios tinham uma tabela na qual se distribuíam signos e planetas. Segundo parece, Lilly usava esta classificação em especial para ajuizar sobre a aparência física do nativo. Um planeta está nos «próprios termos » quando está colocado numa porção de um signo da qual é o regente. Esta divisão de um signo por partes em que cada parte tem a regência de um planeta diferente é também muito usada na astrologia Jyotish e, ao longo do tempo, na astrologia horária. Do mesmo modo, um planeta era dito como «estando na face» quando estava no próprio  decanato. Também esta «dignidade»  foi originalmente desenvolvida pelos egípcios e, posteriormente, usada pelos gregos e romanos e depois pelos astrólogo medievais e modernos ocidentais.  A tabela de dignificação usada por Lilly era a originalmente seguida pelos egípcios. Também eram reconhecidas dignidades acidentais relacionadas com a posição por casa e outros.

Quanto à debilitação essencial Lilly refere: quando um signo está colocado no signo de detrimento (- 5 pontos); quando está no signo da sua queda (- 4 pontos); quando está colocado num signo em que é peregrino (- 5 pontos).

Explicando melhor: um  planeta tem debilitação essencial quando está colocado no signo oposto ao seu (detrimento). Este signo é o mais afastado da sua posição (Leão e Aquário, por ex.,) pois, tendo em consideração que, nesta classificação o planeta está no máximo da sua força quando colocado no próprio signo, considera-se no ponto mais vulnerável quando está no signo oposto. Por outro lado, está em «queda» quando está colocado no signo oposto ao da sua exaltação. Assim, Vénus por ex., está exaltado no signo Peixes e em queda no signo virgem.  Quanto à debilidade causada pela condição de peregrino, esta refere-se à colocação do planeta num signo qualquer em que o referido planeta não tem nenhuma das dignidades essenciais nomeadas acima. Nas palavras de Lilly «um planeta peregrino é como um marginal atirado para fora do seu país sem esperança de retorno».

Para além destas 3 debilidades essenciais, Lilly referiu ainda um número de debilidades acidentais que incluem, por ex., a colocação do planeta na 6ª, 8ª ou 12ª casa; estar retrógrado; em movimento lento; a Lua quando está minguante; combustão; posição oriental ou ocidental dos planetas, etc.

Constatamos assim, pelo estudo das origens da Astrologia e da sua prática e conceitos na cultura ocidental que ela mostra ter muitos conceitos comuns aos usados pela Astrologia védica e isto revela que, em tempos recuados, a sabedoria astrológica deve ter sido universal e partilhada por sábios de todo o mundo civilizado, tendo sofrido alterações posteriormente na época medieval.  Continuaremos a explorar estas raízes antigas da Astrologia, sobretudo a que nos chegou a partir da civilização grega (que, por sua vez, foi buscar os fundamentos desse saber aos mesopotâmios, babilónicos e egípcios e talvez também à Índia). Parece hoje cada vez mais evidente que não é possível atribuir a uma só cultura a origem deste saber milenar, ele foi multicultural desde o início, pelo menos nas fontes que têm chegado até nós.

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