Glossário Astrológico- Decanatos (Decans)

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O decanato (decan)  é uma porção de um signo que foi dividido em 3 partes: considerando que a  cintura zodiacal ocupa 360 º divididos por 12 signos, cada um com 30º cada, um decanato corresponde à divisão por 3 de um signo, na qual existem três porções de 10’º cada.  Na Astrologia mais recente (ocidental) e na Astrologia Jyotish cada decanato exprime os 3 signos  do mesmo elemento começando pelo signo de partida – por ex., o signo Sagitário contém uma primeira parte de 0 º a 10º que corresponde ao decanato de Sagitário, o 2º decanato corresponde ao próximo signo do elemento Fogo a partir de Sagitário- Carneiro; o terceiro decanato corresponde ao terceiro signo de fogo, Leão.

Esta divisão, referida na Astrologia Jyotish como a divisão «drekkana», explica porque é que tantas vezes, uma pessoa que nasceu no mesmo signo, apresenta características diferentes, especialmente à medida que  o tempo vai passando e quando se têm em conta as  progressões  do mapa pois o regente de cada decanato  que se torna corregente do Ascendente tem um papel importante a desempenhar ao longo da vida, devendo ser tidos em conta os aspetos que forma  no horóscopo. Há quem considere esses aspetos semelhantes a uma conjunção quando o mapa progredido  mostra um certo decanato ativo.

Existem dois métodos para definir os regentes dos decanatos: um, usado pela astrologia contemporânea, em que  o regente do 1º decanato é o regente do signo e o regente dos dois decanatos seguintes é o regente dos signos do mesmo elemento que se seguem no horóscopo. Assim, cada signo aparece como tendo um regente  e mais 2 corregentes ou sub regentes que são,  respetivamente, os regentes dos signos do mesmo elemento (Fogo, Ar, Terra ou Água) . No caso do signo Sagitário, vemos que Marte é o regente do 2º decanato e o Sol é o regente do 3º decanato.

O segundo método era usado pelos antigos, recuando até aos egípcios e estava relacionado com um conjunto de 36 estrelas ou pequenas constelações que os egípcios, a partir a IX dinastia  (2100 A. C.) usavam na Astronomia para definir a «hora decanal» numa espécie de «relógio sideral» que marcava o tempo. É difícil saber exatamente  que grupos de estrelas eram essas embora o nº de constelações -36- se tenha mantido ao longo dos séculos, reportando-se à divisão da cintura zodiacal de  360º por 10. Neste relógio sideral, cada novo  decanato aparecia  a cada 10 dias, pelo que a designação de decanato (dez) tinha originalmente relação com o nº de dias. Cada constelação era assim transitada por períodos de 10 dias, cada um correspondendo a um decanato. Os gregos chamavam-lhes «dekanoi» e, posteriormente, quando o conceito chegou ao norte  da Índia,  recebeu o nome de «drekkana». Na sua origem, portanto, os decanatos marcavam «horas» e períodos de dez dias que perfaziam o ano egípcio.

Originalmente, como os decanatos apenas formavam um ano de 360 dias, eram acrescentados mais 5 dias para completar o ano solar de 365 dias. Como os decanatos mediam o tempo sideral e o ano solar tinha mais 6 horas , a cada 1460 anos os egípcios faziam um ajustamento no calendário. À medida que o tempo foi passando, o calendário egípcio passou a ter 12  «horas» diurnas e 12 «horas» noturnas.

Na Índia, Varahamihira  foi um dos  sábios da Astrologia Jyotish que representou imagens dos decanatos segundo a tradição greco- egípcia.

Segundo parece, a posição do primeiro decanato, nos tempos antigos, situava-se nos 0º do signo Caranguejo, onde se elevava a estrela Sírius cuja aparição marcava  as inundações do rio Nilo. Esta tradição dos decanatos também se espalhou pelas práticas astronómicas e astrológicas na China, Japão e Este Asiático mas nas quais as estrelas foram substituídas por animais.

Na Astrologia do séc. XVII, ao descrever as «faces» dos planetas William Lilly descreve  como segue os regentes dos decanatos de cada signo:

Signo1º Decanato2º Decanato3º Decanato
CarneiroMarteSolVénus
TouroMercúrioLuaSaturno
GémeosJúpiterMarteSol
CaranguejoVénusMercúrioLua
LeãoSaturnoJúpiterMarte
VirgemSolVénusMercúrio
BalançaLuaSaturnoJúpiter
EscorpiãoMarteSolVénus
SagitárioMercúrioLuaSaturno
CapricórnioJúpiterMarteSol
AquárioVénusMercúrioLua
PeixesSaturnoJúpiterMarte

Nesta atribuição da regência dos decanatos segue-se a ordem que os caldeus haviam estabelecido para os planetas, colocando o Sol no centro e separando os planetas de modo a colocar, de um lado do Sol, os planetas que se encontram entre o Sol e a Terra e do outro os planetas que estão para além do Sol. Assim, era esta a ordem, que se repete nesta tabela: Saturno, Júpiter, Marte, Sol, Vénus, Mercúrio, Lua.

Apesar de a Astrologia ocidental dos nossos dias não dar muita atenção aos decanatos, a Astrologia Jyotish, por seu lado, dá-lhes grande importância, como se pode verificar na importância atribuída à varga drekkana sobre a qual os leitores podem ler neste site. Continuaremos por isso a explorar as antigas fontes da Astrologia que estão na base tanto da Astrologia ocidental como da Astrologia da Índia, para melhor compreender  os seus fundamentos.

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