Glossário Astrológico- Aspetos Dissociados

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Falamos hoje de um conceito menos conhecido- os aspetos dissociados dos planetas. Quando falamos dos aspetos dissociados estamos a referir-nos a um tipo de aspetos que, à primeira vista são harmónicos, mas que, na verdade, representam alguma barreira.  Tais aspetos referem-se aos planetas colocados na mesma triplicidade (cada elemento- água, ar, terra e fogo- tem 3 signos que formam a triplicidade da Água, do  Ar, etc.) considerando que , tal com os signos da mesma triplicidade têm uma relação harmoniosa entre si, os planetas colocados em cada triplicidade também formam um aspeto harmonioso que é o trino (120º) , admitido desde a astrologia antiga (e apenas considerado para o planeta Marte e só secundariamente para os outros na astrologia Jyotish). No entanto, nem sempre os planetas colocados na mesma triplicidade representam efeitos benéficos. Vejamos, por ex., um planeta a 27º do signo Caranguejo e outro a 1º 30’ do signo Escorpião. Apesar de estarem em signo da mesma triplicidade, um dos planetas está próximo do final do signo e, na verdade, o padrão energético correspondente a 120º não é exato, aproximando-se mais do aspeto de quadratura de 90º. Neste caso, o aspeto chama-se dissociado e representa uma barreira ou obstáculo que, segundo os antigos, tem que ser superado antes de o aspeto poder manifestar-se de forma completa e forte na vida da pessoa.

Deste modo, não basta termos dois planetas colocados em signos do mesmo elemento para que os seus efeitos sejam considerados positivos, há que ter em conta se o aspeto que formam entre si é dissociado. Note-se que, na astrologia antiga, os signos também formam aspetos como acontece com as triplicidades. E quaisquer planetas colocados em signos da mesma triplicidade estão em aspeto, não interessando o grau em que estão colocados. Recorde-se o que dissemos antes num outro artigo sobre os aspetos. Para os antigos, estritamente falando, uma conjunção só existia entre os planetas que estavam colocados no mesmo signo, não tendo em conta a proximidade da orbe entre planetas em signos diferentes. Um autor árabe do séc. 12, Ibn Ezra, comentou esta conceção  e discordou dela , afirmando que devem ser considerados também os aspetos que saem fora dos signos mas mantêm uma orbe próxima. Na prática, desde os tempos da astrologia helenística que  muitos astrólogos faziam isso desde que os planetas em signos diferentes estivessem numa orbe apertada. Chamavam «partil» a estes aspetos que admitiam por ex., haver uma conjunção entre um planeta colocado a 28º de Capricórnio e 2º de Aquário, atravessando assim o signo seguinte. Um «partil » é um aspeto que se baseia no nº de graus entre os planetas e não na posição por signo como foi tradição na antiguidade.

Os aspetos dissociados são um caso de «aspeto partil» porque, apesar de os planetas estarem na mesma triplicidade, na verdade formam, em termos de campo de energia não o triângulo que corresponde aos 120º mas um quadrado quase perfeito.  Têm por base, deste modo  «as partes» ou graus e não os signos, quando são avaliados.  Os astrólogos helenísticos cedo perceberam que considerar apenas a posição dos planetas por signo, na avaliação dos aspetos, apenas era viável para coisas muito gerais e que, na análise do horóscopo mais aprofundada, os aspetos eram estudados tendo em conta o nº de graus entre os planetas.  Assim, a «orbe» ou nº de graus que separam um planeta de outro num dado aspeto foi tida em conta desde cedo como se vê num texto do séc. II sobre os aspetos de aplicação, determinando-se a orbe como sendo de 3º ; Porfírio no séc. III elaborou uma lista das orbes dos planetas e dos seus significados na avaliação dos aspetos e , no séc. XI, o autor árabe Al- Biruni faz referência a essa lista  e indica a sua prática. A orbe de um planeta era considerada como  a sua esfera de influência, isto é, a força do seu corpo para produzir efeitos e influenciar outros corpos planetários. Os cálculos das orbes de influência dos planetas  terão emergido, segundo alguns, da definição da orbe dos planetas quando saem da proximidade do Sol. Quando falarmos do conceito de «orbe» neste glossário, abordaremos o tema com mais profundidade.

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