Glossário Astrológico – Dignidade Parte 2

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A  avaliação da dignidade dos planetas  no horóscopo, desde a dignidade por signo até à mais básica  designada por «face», foi explicada pelos antigos astrólogos recorrendo a metáforas «territoriais»: ela refere-se sempre a uma parte do espaço zodiacal que pertence a um determinado planeta. Nesta classificação, a mais forte refere-se ao domínio do planeta sobre um signo. Os astrólogos helenísticos entre os quais se destaca  Ptolomeu, afirmavam que o  signo era a «casa» do planeta, o local onde se situava a morada do planeta.

Nesta consideração, a dignidade mais elevada corresponde à colocação do planeta na própria casa, isto é, no seu signo ou «domicílio». Segundo William Lilly (séc. XVII)  um planeta no seu próprio território , que lhe é familiar, «está num estado ou condição muito feliz»..

A dignidade abaixo desta em termos de importância é a exaltação. Esta corresponde à posição  do  planeta num signo em que é considerado como um «nobre hóspede» na casa de outro. Embora o planeta não tenha a mesma força nem liberdade que tem  quando está no próprio signo (pois o regente do signo tem primazia sobre a sua ação, e limita-a)  a sua posição é a de alguém altamente respeitado por quem o recebe. Têm sido várias as descrições desta «dignidade». No séc. XII por ex., o autor árabe Ibn Ezra compara  a exaltação a «alguém que atingiu os pináculos da sua posição», mas William Lilly, no séc. XVII diz que «um planeta exaltado é como «uma pessoa altiva e arrogante que se assume  e atribui mais do que aquilo que lhe é devido».

Seguidamente, na ordem decrescente de dignidade estão as triplicidades. Este conceito será explicado devidamente num outro artigo. Por agora, referimos que Manilius, do séc. I  escreveu na sua obra Astronomica que os signos estão agrupados no Zodíaco em grupos de 4 triplicidades ou triângulos, que se formam no zodíaco. A tríade ou triângulo tinha um significado sagrado em todas as culturas, incluindo a cristã, como se verifica na noção divina da «Trindade». Assim, temos , de acordo com os 4 elementos, a triplicidade de Fogo, de Ar, de Água e de Terra. Os três signos de Fogo, por ex., formam uma figura triangular no céu zodiacal e estabelecem uma relação de aspeto trino entre si  que é harmoniosa. Assim, qualquer planeta colocado nos planetas de elemento Fogo estabelece uma relação harmoniosa entre si. O mesmo acontece com as triplicidades dos outros elementos.

Voltando ao conceito de dignidade associado com as triplicidades, o conceito foi evoluindo ao longo do tempo. Inicialmente eram reconhecidos 3 regentes da triplicidade, que passaram posteriormente a dois, um regente diurno e um regente noturno, com Ptolomeu. Nas suas tabelas, este astrónomo e astrólogo indica os planetas que regem as triplicidades em cada um dos períodos- diurno e noturno. Por ex.  o Sol é o regente diurno da triplicidade de Fogo (que inclui os signos Carneiro, Leão e Sagitário) enquanto que, após o pôr do sol, Júpiter torna-se o principal regente. Note-se que a escolha de um ou de outro se faz para a hora em que se lança o horóscopo: para um nascimento diurno tem-se em conta o regente diurno da triplicidade ; se é noturno, tem-se em conta o regente noturno. Na triplicidade de Terra, Vénus é o regente diurno enquanto a Lua é o regente noturno. Na triplicidade do Ar, Saturno é o regente diurno enquanto Mercúrio é o regente noturno; a triplicidade de água inclui uma exceção, que será explicada no artigo sobre as triplicidades, em que há um mesmo regente para o período diurno e noturno, que é Marte. A dignidade da triplicidade, que consiste em determinar que um certo planeta tem a regência diurna ou noturna de uma triplicidade é algo positivo, embora menos forte do que as dignidades anteriores. O astrólogo árabe Ibn Ezra do séc. XII afirmava que é comparável à presença de um homem na casa dos familiares: não está tão confortável como na sua casa nem recebe tanto respeito como na exaltação mas está num ambiente familiar onde pode relaxar.

Em seguida vem a dignidade dos «Termos». Esta dignidade remonta à mais antiga astrologia  visível nas tabelas dos egípcios. Estas, bem como um manuscrito conhecido nesses tempos e ainda mais antigo foram usados por Ptolomeu (e aceites pelo astrólogo do séc. XVII William Lilly)  e ficaram conhecidos como «Termos de Ptolomeu» porque foi este que os organizou e os tentou compreender de forma sistemática. Os termos que, na origem significavam «limites» mostram, como vimos em outro artigo, a regência de partes dos signos por vários planetas. Esta dignidade acabou por perder importância ao longo do tempo. William Lilly usava-a para determinar a aparência física, principalmente. Esta dignidade pode comparar-se, na metáfora de Ibn Ezra, como a de alguém que está num lugar estrangeiro que não é o seu território mas sentado num banco que é seu, isto, é, a sua influência é muito limitada mas, ainda assim, é alguma.

E, finalmente, a dignidade mais baixa, de que já falámos aqui e que corresponde ao planeta «na sua Face» (ou decanato). Para não nos repetirmos , o (a) leitor (a) pode ler nesse artigo a explicação do seu significado.  Em termos metafóricos, um planeta na «sua face» é alguém que é praticamente estrangeiro num certo lugar, estando quase a ser expulso e que tem que lutar muito para se manter onde está, tendo por isso muito pouco poder.

Como referido antes, as duas últimas «dignidades» praticamente não se usam, tendo perdido relevância ao longo do tempo. De notar também que, na hierarquia das  dignidades, a astrologia antiga atribui a máxima força ao planeta que está no próprio signo e a força do planeta vai decrescendo pela ordem das «dignidades» descritas neste artigo.

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