Glossário Astrológico- Dignidade (Essencial e Acidental)

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Neste artigo explicamos os conceitos de dignidade essencial e acidental de um planeta.

A Astrologia definiu, desde a antiguidade, o conceito de «dignidade de um planeta», distinguindo entre «dignidade essencial» e «dignidade acidental». William Lilly, no séc. XVII, definiu a dignidade essencial como o estudo das forças de um planeta ou posição zodiacal  que analisamos isolando-os de outros fatores no céu da carta natal (análise estática do horóscopo).

O conceito de dignidade aplica-se tanto às forças de um planeta como a um certo ponto do Zodíaco. Esta dignidade é permanente, intrínseca, se assim quisermos, sendo igual para todos os mapas de nascimento. Assim, falamos do ponto máximo de exaltação de um planeta num signo, da colocação no próprio signo, etc.

Quanto à dignidade acidental (ou temporária como se refere na Astrologia Jyotish) esta é diferente de mapa para mapa e indica a força adquirida por um planeta ou ponto do Zodíaco devido à sua relação com outros fatores presentes no mapa como a proximidade com outro planeta, a posição num dos quatro ângulos do mapa (casas kendra), os aspetos que forma com outros planetas e casas a partir da posição em que se encontra (análise dinâmica do horóscopo).

Como referido em artigo anterior, Lilly sintetizou as «forças» que constituem a dignidade essencial de um planeta: domicílio, exaltação, triplicidade, termos, faces. A ordem aqui referida segue a importância atribuída, por ordem decrescente, a cada uma das «forças», sendo que a posição do planeta no próprio signo ou domicílio era considerada pelos antigos como a mais importante, atribuindo-se ligeiramente menos importância ao estado de exaltação.

A astrologia Jyotish, embora enraizada na Astrologia mais antiga que vem da tradição mesopotâmica, helenística, etc., refere algumas «forças» diferentes como a posição em alguns graus de determinados signos que constituem a dignidade «mooltrikona»  para além de reconhecer as relações de amizade/inimizade entre os planetas e outros planetas e os signos que regem.

Na astrologia antiga de origem helenística referem-se ainda outras dignidades, menos importantes e  que estão na base da hierarquia de dignidades –os  termos e faces (decanatos) de que já falámos antes.

Ptolomeu, o astrónomo e astrólogo helénico esclareceu ainda que, quando se trata de compreender a dignidade dos planetas, devemos lembrar que, se é verdade que todos têm a regência de dois signos à exceção das luminárias Sol e Lua, com apenas um signo cada, para os restantes planetas a dignidade de cada um  nos signos que rege não é a mesma nos dois signos porque um deles é um signo diurno e o outro é um signo noturno.

Um planeta exprime melhor as suas qualidades no signo diurno que rege: no signo diurno as suas energias exprimem-se de forma direta e aberta mas, no signo noturno, tendem a introverter-se e a serem traduzidas em  impulsos  menos conscientes. Assim, por ex., Marte tem em Carneiro o seu signo diurno e em Escorpião o signo noturno.

«Diurno» e «noturno» significam «tem a natureza do dia» ou «tem a natureza da noite». Cada signo tinha um regente diurno e um regente noturno e isto aplicava-se conforme o nascimento ocorria de noite ou durante o dia. Os signos «diurnos» reconhecidos pelos antigos correspondem aos signos mooltrikona da Astrologia Jyotish.

Este influente astrónomo/astrólogo reconhecia os mesmos graus de exaltação hoje aceites tanto pela Astrologia ocidental como pela Astrologia Jyotish.

As últimas dignidades da hierarquia de forças são os termos e a face, correspondendo cada uma à divisão dos signos em partes, tendo cada uma um regente diferente,  sendo que as «faces» se referem aos decanatos. Segundo parece, embora Ptolomeu tenha dado grande importância a estas dignidades, a Astrologia medieval e renascentista não lhes dava grande importância.

William Lilly disse mesmo que os decanatos (faces) serviam apenas para que um planeta não ficasse «peregrino», o que era considerado extremamente maléfico. Nos termos os planetas maléficos Marte e Saturno tinham a regência dos termos finais em todos os signos a partir dos 27º até aos 30º.

Esta ideia está bem expressa também na Astrologia Jyotish, nos avasthas onde se considera que o planeta está no estado da «velhice» e não tem força para produzir resultados. Mas, na astrologia antiga, há uma ênfase clara na qualificação dessa última parte dos signos como sendo maléfica por natureza.

Continuaremos a  escrever sobre a «dignidade» no horóscopo.

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