Glossário astrológico- Dispositor (de um planeta)

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O planeta dispositor desempenha um papel essencial na avaliação e análise das potencialidades do horóscopo. Ele surge em cena sempre que um planeta não está colocado no próprio signo, sendo o planeta regente do signo onde um outro está colocado. O conceito de  dispositor parece dar razão aos astrólogos  antigos que consideravam a colocação no próprio signo como a dignidade mais elevada pois, neste caso, o planeta depende apenas de si próprio e da sua própria força para produzir resultados ao passo que a colocação em qualquer outro signo depende da  posição do planeta dispositor e da sua força. Um planeta não produz resultados superiores á força do seu dispositor. Se, por exemplo, Marte estiver colocado no signo Capricórnio, o seu signo de exaltação, a determinação dos resultados depende da boa colocação e estado geral do planeta Saturno, regente de Capricórnio. Se este estiver, por ex., colocado numa casa difícil como a 8ª, ou associado a planetas maléficos, de pouco servirá a condição de exaltação de Marte, frustrando-se desse modo a possibilidade de dar bons resultados.

Um grande número de combinações- yogas-  fazem depender o seu resultado da boa colocação do dispositor dos planetas que formam o yoga (Parijata yoga é um entre muitos). Quando o dispositor é forte e tem uma relação harmoniosa com o planeta que ocupa o seu signo, ajuda o planeta a produzir bons efeitos. Assim, em geral analisa-se a força do dispositor na carta natal ou D-1 e também na navamsa e tem-se em conta o seu estatuto funcional . Quando o planeta atua de forma benéfica e está forte, a sua força adiciona-se á do planeta colocado no seu signo/casa. Mas há que ter também em conta que o planeta dispositor fica imbuído das qualidades dos planetas que residem no seu signo, para o bem e para o mal, dando resultados de acordo com esses planetas.

Há casos em que o planeta dispositor é extremamente importante para efetuar previsões. Rahu e Ketu são um desses casos, devendo analisar-se sempre o dispositor antes de prever qualquer resultado. A Lua, pela sua condição refletora é outro caso em que a força ou fraqueza do dispositor é decisiva para se fazer previsões. Em grande parte, dão resultados de acordo com a  natureza e força do dispositor. Basicamente, se o dispositor não tiver a regência de casas dusthana e for funcionalmente benéfico para o Ascendente em causa, podem esperar-se resultados positivos.

A importância do dispositor fica bem estabelecida quando ajuda a  cancelar os maus efeitos de um planeta debilitado. Com efeito, no Neecha-banga yoga, temos um planeta colocado no signo de debilitação. Porém, o dispositor (regente desse signo) está por sua vez colocado numa casa kendra (a partir da Lua ou do Ascendente) e, por esse facto, a sua força adiciona-se à do planeta debilitado e cancela este estado.

Assim, este conceito mostra que qualquer planeta é afetado pelo regente do signo em que está colocado e que tem a capacidade para aumentar a sua força ou, pelo contrário, diminuí-la de acordo com a sua disposição no horóscopo.

A partir do conceito de dispositor alguns astrólogos constroem uma  hierarquia dos planetas do horóscopo, a partir da qual determinam quais planetas estão sob o «governo» de outros planetas e determinam, dessa forma o «dispositor final» do horóscopo, formando uma árvore hierárquica entre os planetas  mas isso só é possível  se houver um planeta que esteja no próprio signo e todos os outros estiverem no signo de outro planeta. Por ex., se uma pessoa tem 4 planetas no mesmo signo, o regente desse signo «governa» e influencia a ação desses 4 planetas. Se, por sua vez, estiver colocado no próprio signo, a sua ação na globalidade do horóscopo é muito significativa e é preciso considerar que as áreas que esse planeta representa no horóscopo serão determinantes na vida da pessoa. A partir daí e tendo em conta as casas que o planeta rege, vê-se facilmente que os tópicos de vida representados por essas casas são temas dominantes no destino pessoal. Este é um conceito interessante porque acontece com frequência que o planeta «dispositor final» tem efetivo controle sobre todos os outros planetas. Nos casos em que há mais do que um planeta no próprio signo ou não há planetas colocados no próprio signo, este conceito não se aplica. No entanto, quando há vários planetas colocados no próprio signo, se houver planetas colocados nos signos que regem, é possível determinar facilmente, construindo a árvore que mostra que planetas estão sob a influência de outros, os temas dominantes do horóscopo.

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