Glossário Astrológico- Astrologia Eletiva

A Astrologia Eletiva ou dos eventos  é muito antiga,  tendo sido, segundo parece, praticada mesmo antes da astrologia focada na carta natal. É um ramo da  astrologia que existe na maior parte dos sistemas astrológicos. Não se confunde com a Astrologia Horária. Esta baseia-se na formulação de uma pergunta, sendo levantado um mapa astrológico para o momento dessa pergunta. Mas, no caso da Astrologia Eletiva, bastante mais interessante, na nossa opinião (porque mais objetiva) trata-se de escolher ou eleger um momento no tempo que seja mais auspicioso para a realização de alguma coisa importante que se deseja fazer.

Na antiguidade, por ex., os generais de um dado exército pediam para o astrólogo avaliar se o momento em que pensavam efetuar uma batalha lhes seria propício ou não. Posteriormente passou a ser usada para avaliar o melhor momento para concretizar atos importantes da vida- como um casamento- ou avaliar se um dado período era auspicioso para uma dada pessoa fazer uma viagem. Nos tempos em que viajar era uma aventura perigosa, longa, enfrentando caminhos difíceis e com assaltantes prontos a roubar e a matar por muito pouco, esta tarefa atribuída à astrologia eletiva era mesmo muito importante.

Segundo documentos existentes, formas rudimentares de astrologia eletiva foram usadas pelos babilónios em tempos tão recuados como o séc. XVI antes de Cristo. Assim, mais de 1500 anos antes de Cristo, esta investigação astrológica já era usada em vez dos habituais «augúrios» que consistiam em analisar o fígado de um animal que se matava para o efeito. Uma perspetiva mais científica, baseada na procura de causas astronómicas e astrológicas ligadas ao destino humano substituiu deste modo o hábito bárbaro de sacrificar vidas para «adivinhar» o futuro. Estas práticas da Astrologia Eletiva não adivinhavam, estudavam e previam com base em conceitos considerados científicos na época. Os investigadores aceitam que estes conhecimentos dos babilónios foram transmitidos posteriormente a outras culturas como a Egípcia, a Hindu,  a Persa e a Grega. De todas estas culturas, a Hindu foi a que manteve, na Astrologia Jyotish, um uso mais continuado e frequente da Astrologia Eletiva, que adquiriu nesta tradição  o nome de  Muhurta, que os primeiros astrólogos na Índia aprimoraram e tornaram mais sofisticada.

O livro mais antigo de Astrologia Eletiva é o Carmen Astrologicum , livro 5 atribuído a Dorotheus de Sídon, datado do séc. I da era Cristã. A  Astrologia Eletiva de hoje remonta a sua prática a este livro.

Assim, a Astrologia Eletiva parte da determinação, num certo horizonte temporal, de qual é o melhor momento para realizar algo que uma certa pessoa tem em mente. Para saber isto parte-se da análise da carta natal da pessoa e avaliam-se as posições dos planetas em trânsito tendo em conta as constelações (Nakshatras na Astrologia Jyotish).A astrologia ocidental considera ainda a posição de outros fatores, que referiremos em outro artigo.

A Astrologia Eletiva tem 3 ramos: o que efetua escolhas com base no horóscopo natal- Eletiva radical; a mundana, destinada a efetuar previsões que dizem respeito às condições do mundo, do país, etc.; e a mais usada,  a eletiva efémera, que serve para erguer um mapa sobre um acontecimento futuro, analisando as condições astrológicas desse momento para decidir se este é o melhor para realizar algo importante.

Num interessante livro- The Real Astrology–  John Frawley fala desta área da astrologia. Ela tem necessita de partir da análise da carta natal porque não se pode prever um momento extraordinariamente auspicioso no futuro se a carta natal não tiver a indicação potencial disso. Os melhores momentos para uma dada pessoa realizar um certo evento podem ser melhores ou piores do que os de outra pessoa pois só se podem «eleger» bons momentos de acordo com «o plano de vida» revelado em cada mapa natal. A consciência deste facto é importante para todos os que praticam ou desejam levantar mapas para determinar um bom momento no futuro. Se este momento é apenas medianamente bom, isso não se deve à má interpretação (por princípio) do astrólogo mas aos limites impostos pelas possibilidades reveladas no mapa de nascimento.

Como refere este autor na obra citada, a Astrologia Eletiva «é a arte do possível». Assim, é necessário ter em conta o potencial do nativo e as condições daquilo que se quer realizar, tendo como referência a realidade.

Tendo isto em mente, as previsões eletivas têm em conta a regência «da hora» por parte dos planetas, a fase da Lua, quais os planetas na carta natal que estão melhor situados na ocasião do evento a planear, tendo em conta os significados de cada planeta e a natureza do evento que vão afetar. Muitos aspetos devem ser considerados mas, de acordo com a astrologia tradicional, o regente do Ascendente deve estar próximo do Sol e da Lua e fortes. Deve-se igualmente  ver a posição do planeta que significa o evento, Por ex., para um casamento, ver a posição do regente da 7ª casa e escolher um momento em que este esteja forte. Também são considerados outros fatores como, por ex., ter um signo favorável e fixo no Ascendente da carta eletiva, ou cardinal quando queremos realizar algo cuja duração será limitada, etc. e, claro, ter em atenção a posição dos planetas diretamente envolvidos no evento num dado  pada de um Nakshatra (designado como  estrelas fixas pela astrologia antiga). E até os planetas maléficos têm lugar nesta Astrologia Eletiva, seguindo-se o conselho do astrólogo helenístico Ptolomeu. Convém assim ter em conta a posição de Marte e Saturno pois, segundo Ptolomeu, «uma dose pequena de veneno pode na verdade ter efeitos terapêuticos e mesmo servir de cura».

Falaremos da Astrologia Eletiva e das suas técnicas no desenvolvimento da rubrica História da Astrologia nos artigos publicados no outro site https://atuavidanosastros.com

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