Glossário Astrológico- Eclipses

Os eclipses têm sido considerados, desde os primeiros tempos da Astronomia e Astrologia como indicadores de eventos negativos e o mesmo acontece na tradição da Astrologia Jyotish.

Nesta tradição, um eclipse ocorre quando Rahu e Ketu sobrepõem a sua sombra sobre o Sol e a Lua, roubando a sua luz como vingança por terem sido postos para fora do ambiente divino ao qual desejavam pertencer, sem terem direito a isso. Astronomicamente isto corresponde à «Lua nova» um período de escuridão no qual os raios criativos do Sol são intercetados e incapazes de fecundar qualquer processo vital.

Deste modo, o eclipse corresponde simbolicamente à morte do Sol e, por consequência, á morte da Lua, cuja natureza se traduz em refletir os raios solares. Durante os três dias antes e 3 dias depois deste evento que corresponde á Lua nova, nada consegue ser criado de forma positiva de acordo com a Luz solar. O que é iniciado neste período desenvolve-se de forma estranha e pouco convencional, fora do ritmo normal da luz e do princípio vital representado pelo Sol. Todos sabemos como uma Lua cheia e brilhante (esta é uma Lua que reflete de forma esplendorosa a luz do Sol) influencia positivamente o destino pessoal permitindo alcançar sucesso mundano, visibilidade, riqueza, etc., enquanto uma Lua escura. Minguante ou nova dificulta o sucesso material no mundo. Deste modo, a tradição astrológica não recomenda iniciar projetos ou aquisições, ou iniciar alguma coisa importante no período dos eclipses pois torna-se difícil que deem resultados positivos.

Significa isso que do ponto de vista da tradição astrológica, os períodos de eclipse «não trazem nada de bom» ? A resposta é não. Veja-se por ex., a obra do grande astrólogo e metafísico Dane Rudhyar Ciclos de Lunação na qual o autor mostra que  todos os ciclos lunares têm um propósito nos ritmos cósmicos e que não deve haver superstição na avaliação destes períodos. A morte, a escuridão, são necessárias para a manifestação da vida e da luz e correspondem a um momento de interiorização ou subjetivação das forças criativas, de retirada do plano da manifestação para se preparar um novo ciclo de manifestação. Todos os ritmos cósmicos têm um duplo movimento, belissimamente exemplificado na respiração. Tal como é necessário conter dentro de si o ar vivificante antes de o expelir, é necessário que a vida se retraia durante um período para descansar e, na invisibilidade dessa interiorização, fortalecer-se antes de voltar a manifestar-se. Durante muitos séculos a humanidade afligiu-se com a «retirada do Sol» no solstício de dezembro e tentou, desesperadamente, fazer renascer o Sol, procedendo aos rituais que, antes do solstício, pretendiam assegurar que o «Sol morto», incapaz de continuar a vivificar as colheitas no período de Inverno  no hemisfério norte, voltaria a  «renascer».

Porém, do mesmo modo que um eclipse é momentâneo e logo depois a Luz volta a surgir, assim também os períodos de escuridão nunca são definitivos e a vida regressa à vida, através da mediação da própria morte. Os momentos de eclipse poderão estar relacionados com este processo cíclico de morte e o medo que provocaram  durante milénios tem a ver com o medo que o ser humano tem de ficar irremediavelmente dissolvido e reduzido a nada no momento de morrer. Porém, se nada é absoluto no plano de existência em que vivemos, porque haveria  a morte de o ser?

Em termos astrológicos, talvez os eclipses, em conjunto com outros fatores do horóscopo, sejam indicadores fortes de acontecimentos que temos que enfrentar, devido ao karma que trazemos e que, em várias circunstâncias, estão relacionados com a morte, não necessariamente a nossa mas a morte de seres com os quais interagimos de perto nesta vida ou a morte de um estilo de vida que muda radicalmente desde um dado momento. Mas, segundo o investigador Richard Houck – The Astrology of Death- os acontecimentos ou as mortes  ligados  a um eclipse têm que ser acompanhados de indicações claras no horóscopo, avaliadas a partir de progressões secundárias e terciárias (técnicas da astrologia ocidental) e do estudo dos eclipses pré-natais. Neste sentido, o estudo dos eclipses no período de gestação de um ser humano (antes do nascimento) são os indicadores kármicos desses eventos que, a partir dos trânsitos planetários e da existência de um eclipse ao mesmo tempo , são o catalisador do destino da pessoa que nasce com essas indicações no horóscopo ao longo do tempo. As previsões que este investigador tem feito baseadas nesta técnica de interpretação que ele próprio desenvolveu e na qual usa também diversas técnicas da astrologia Jyotish, têm-se revelado bastante exatas. Os que nascem com determinados planetas colocados na posição de eclipses pré-natais sofrem algum evento de mudança radical quando se conjugam os vários fatores referidos atrás, no tempo, havendo em geral sempre alguma perda, o fim de um período de vida, etc.. Mas, obviamente, concluímos que os eclipses não afetam toda a gente da mesma forma.

Em termos gerais, os eclipses são períodos que, por definição, convidam á interiorização e meditação, ao espaço interior pelo qual temos consciência de nós em termos mais profundos  e durante os quais a inércia aparente dos processos convida ao descanso em relação à azáfama habitual e ao impulso para «fazer coisas». A mente e o espírito também beneficiam com a acalmia do puro silêncio que repara os excessos dos momentos de ação.

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