Glossário Astrológico- Astrologia Esotérica

O termo «esotérico» deriva do grego ‘esoteros’ que significa ‘interno’ ou ‘dentro’. A Astrologia esotérica procura estudar o campo das causas internas, associadas à alma,  não tendo por objetivo principal  «fazer previsões», aspeto que a distingue dos sistemas astrológicos mais usuais.

A astrologia esotérica procura desvendar  o destino da alma e da sua relação com o karma, através da reincarnação sucessiva para ganhar consciência de si própria no desenvolvimento da espiritualidade. Esta forma de astrologia radica-se no trabalho de Alice Bailey, discípula de Helena Blavatsky, a fundadora do movimento da Teosofia, de que a obra Doutrina Secreta constitui um marco fundamental na revelação da dimensão espiritual do ser humano. Alice Bailey, entre 1919 e 1949 terá atuado como a redatora do mestre tibetano, Duwal Kuhl, contribuindo para a criação desta forma de astrologia que os fundadores conceberam como «a ciência da alma».

A astrologia esotérica baseia-se no facto de que cada carta natal pode ser lida em diferentes níveis. O que é praticado pelos sistemas astrológicos em geral é o nível da personalidade. Mas, segundo esta perspetiva, é possível fazer uma análise mais profunda da carta natal e essa análise revela, segundo dizem, a «missão» ou «agenda» da alma na encarnação, isto é, o propósito da alma para a existência terrena.

Esta abordagem pressupõe, deste modo, que cada pessoa é mais do que uma personalidade, é uma alma imortal que encarna com um propósito definido, com uma missão espiritual.

As bases para a  «fundação» da astrologia esotérica estão muito para além do séc. XIX  e XX e da Teosofia. Antigas civilizações como a egípcia, mesopotâmica  helenística e  hindu fizeram um estudo astrológico que estava ligado aos mistérios, ao sagrado, exprimindo-se de forma simbólica que pretendia, em primeiro lugar, desenvolver um sistema de sabedoria que permitisse o aperfeiçoaimento da alma e o seu crescimento espiritual.

A astrologia esotérica pode aparecer como algo hermético e  incompreensível para muitos porque trabalha com os conceitos associados aos chakras e aos diferentes «centros» espirituais que envolvem o corpo físico. Assim, os  que não têm qualquer noção sobre «o  homem subtil e os seus envoltórios» terão alguma dificuldade em compreender os conceitos da astrologia esotérica. Para os que estão familiarizados com os princípios subtis da realidade humana podem ver esta forma de astrologia como um «caminho» de aprofundamento em relação à sabedoria da alma.

É neste contexto que se pode compreender a relação da astrologia esotérica com aquilo que ela designa por «ciência dos 7 raios». Estes raios são 7 formas de energia que penetram no sistema solar e influenciam as formas de vida terrena.  Esses raios ligam a vida na Terra a um centro mais alargado da «vida solar» (literal e simbolicamente). Nesta perspetiva, os planetas são os meios que conduzem a energia desses raios cósmicos para a Terra, através do Zodíaco, que tem correspondência com esses raios.

Na abordagem da astrologia esotérica, é possível estudar estes raios de forma autónoma, sem os ligar à astrologia, o que acontece naquilo a que chamam «psicologia esotérica». Alice Bailey e o meste D.Khul estiveram na origem destas fontes de conhecimento, através da escrita de uma série de livros que tinham por destinatários os que encarnassem  no final do séc. XX  na antecâmara da chamada «era de Aquário».

Segundo a astrologia esotérica,  cada pessoa exprime uma combinação das energias dos «raios». É ainda referido que cada raio é dual na expressão e os planetas regem ,cada um, uma dessas formas de expressão. Neste sistema de astrologia, os planetas exteriores  (Plutão, Neptuno e Urano) são também considerados- regem os raios e estão, deste modo, também ligados aos signos do Zodíaco. Mas este sistema astrológico afirma que não se deve analisar o horóscopo para determinar quais os raios que influenciam o indivíduo e em que aspeto dual o fazem mas que, primeiro o indivíduo deve meditar sobre os 7 raios para descobrir quais se aplicam a si. Segundo esta perspetiva, primeiro descobrem-se  intuitivamente através da meditação os raios que formam a estrutura energética do indivíduo e depois, em função disso, analisa-se o horóscopo. Assim, a astrologia esotérica não é autónoma, tem que ser articulada com  procedimentos e conhecimentos que a ultrapassam.

Sem querermos contestar uma forma de astrologia que nunca aprofundámos, parece-nos no entanto preferível , para nos mantermos estritamente no campo da astrologia, fazer o que a tradição da astrologia jyotish refere e que consiste em recorrer à análise da carta divisional shashtyamsha – D-60 que revela o karma , ou seja, a cadeia causal que trouxe a alma à encarnação atual. Apesar de esta divisional enfrentar um problema igualmente difícil de resolver, que é o de o tempo de nascimento ter que ser rigorosamente correto  ao segundo para poder ser útil, exigência muito difícil de concretizar pois, infelizmente, temos que confiar nos relógios daqueles que registam a ocorrência do nascimento e que não têm em geral a preocupação de serem rigorosamente exatos (razão pela qual se encontram tantos registos  às «horas certas» e meias horas, etc. arredondando-se o tempo real de nascimento para esse efeito e, por vezes, sem haver clara perceção disso.)Assim, pensamos que, objetivamente, para os que praticam a astrologia com algum rigor, será sempre difícil «adivinhar» qual a «missão da alma»  de uma natividade. A menos que a pessoa ela própria tenha consciência dela. Mas, acreditamos também que a carta natal, nas configurações que tem, acaba por desvendar muito desse propósito, pois este realiza- se através das experiências terrenas. E são estas que podem, ou não, contribuir para o desenvolvimento integral do indivíduo, tanto no plano da personalidade como da alma.

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