Glossário Astrológico- Signos Equinociais

Os signos equinociais são Carneiro e Balança, cada um marcando  os dois equinócios do ano: Carneiro marca o equinócio da Primavera e Balança marca o equinócio do outono.

Os equinócios são dois pontos, na órbita da Terra à volta do Sol, em que o dia e a noite têm duração igual em todo o planeta. O equinócio vernal ocorre  por volta do dia 21 de março, altura em que, segundo a perspetiva geocêntrica do Zodíaco tropical, entra no [1]signo Carneiro; o equinócio do outono, por volta de 22 de setembro,  quando, na mesma visão geocêntrica do Zodíaco aparente, entra no signo Balança. Esta conceção não tem em conta a chamada «precessão dos equinócios», que causam um atraso ao longo do tempo, que está, neste momento, segundo a generalidade dos investigadores, em 24º em relação à posição real dos signos. Enquanto o Zodíaco sideral se baseia nas estrelas, o Zodíaco tropical (seguido pela astrologia ocidental) baseia-se nas estações do ano.

Segundo alguns teóricos, estes pontos equinociais correspondem aos «nodos da Terra», ou seja, aos pontos nos quais a órbita da Terra interseta a órbita do Sol, de forma semelhante ao que já está estabelecido em relação aos nodos lunares, designados  Rahu e Katu na astrologia Jyotish.  Porém, como não está ainda definida qual a órbita do Sol e a sua declinação em relação à órbita terrestre, pelos astrónomos, esta referência aos «nodos da Terra» mantém-se uma suposição.  De qualquer modo, considera-se que o equinócio é o ponto no qual o plano da Eclítica e o Plano do Equador são intersetados.

No século II antes de Cristo Hiparco notou, pela primeira vez, a precessão dos equinócios1 tendo formalizado o «primeiro ponto equinocial» no início do signo Carneiro. Hiparco também determinou com grande precisão a duração do ano solar em 365 242 dias. A duração aceite hoje considera que a duração média do ano é de 365242199, ou seja, uma  diferença mínima em relação à duração calculada por Hiparco atendendo aos parcos meios de observação astronómica de que dispunha. Mas foi Cláudio Ptolomeu, entre o séc. I e II que formalizou tanto a astrologia como a astronomia. Na época em que viveu acredita-se que o Zodíaco sideral e o Zodíaco tropical coincidiam, tendo-se por isso completado um «Grande Ano». Mas  os dois Zodíacos começaram lentamente a divergir devido à precessão equinocial e essa divergência situa-se hoje nos 24º, razão pela qual a astrologia Jyotish e a ocidental não têm a mesma referência quando calculam os elementos do horóscopo.

A astrologia na Índia continuou a usar o Zodíaco das estrelas  (Nakshatras) enquanto a Astrologia ocidental usa o Zodíaco baseado nos equinócios, sem ter em conta a precessão destes. Na astrologia ocidental convenciona-se, deste modo, que, no equinócio vernal. o Sol está no primeiro ponto do signo de Carneiro, quando, na verdade, este está ainda no signo Peixes. Assim, este sistema de astrologia  baseia-se no movimento aparente do Sol.

As opiniões dividem-se, no entanto, sobre quando começará a «era de Aquário», sendo que, como a constelação de Peixes é mais longa do que os 30º assumidos pela astrologia Jyotish, na formulação dos Nakshstras, alguns afirmam que a era de Aquário  só se inicia no séc. 22 e há mesmo quem considere que isso só ocorrerá no século 27 da nossa era.

Quanto aos signos equinociais, de que tratamos neste artigo, especificamente Carneiro e Balança, eles são, tal como os signos solsticiais, signos cardinais que mostram o início  de um novo ciclo. As estações, associadas simbolicamente aos diferentes processos da vida na Terra acabaram por ser uma referência simbólica importante no significado dos signos e das áreas de vida associadas com estes e as casas do horóscopo correspondentes.  Sendo seres terrenos, é natural a associação entre os signos do Zodíaco e as 4 estações do ano, assumida pela astrologia ocidental. Mas julgamos ser igualmente importante não esquecer a relação entre os signos e as constelações celestes, considerada pelos antigos, baseada na conceção de que o homem é um ser terrestre mas é também um microcosmo espelhando o cosmos. E, tal como  diz a célebre referência mística de Hermes Trismegisto, «Assim como é em cima, é em baixo».

 

[1] A precessão dos equinócios deve-se ao facto de o eixo da Terra são ser fixo e efetuar uma ligeira oscilação que faz com que o Polo Norte nem sempre aponte para a mesma estrela. Esta oscilação que tem o nome de notação, provoca um atraso de alguns segundos na órbita da Terra que, acumulando-se durante 2150 anos provoca o atraso de um signo e regressa, sempre em movimento para trás, ao primeiro ponto equinocial quando são passados 25786 anos. Chama-se a este grande período «O grande ano» enquanto a passagem do Sol por um signo no período de 2150 anos é designada por «idade» ou «era» como é referido em geral, levando a falar da «era de Aquário», por ex..

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