Glossário Astrológico- Estrelas Fixas

As estrelas fixas não são, na verdade, fixas embora o seu movimento muito mais lento do que o dos planetas tenha levado os antigos a designá-las desse modo. Nos primórdios da Astronomia acreditava-se que as «estrelas fixas» estavam fixas numa enorme «Esfera Celeste». Estas estrelas aparentemente não mudam de lugar nem em relação à Terra nem em relação a si próprias  mas, na verdade, movem-se, devido à precessão dos equinócios , embora numa velocidade muito baixa, percorrendo um grau em cerca de 72 anos.

As estrelas fixas estão agrupadas em conjuntos a que chamamos constelações e, na Astrologia  Jyotish, Nakshatras. Na Astrologia Ocidental, as estrelas fixas  não são tidas em conta, embora muitos astrólogos considerem que as que se encontram perto da Eclítica e tem grande magnitude exercem efetivamente bastante influência. Porém, na antiguidade, a Astrologia Helenística deu ênfase às constelações, tal como a Astrologia Jyotish também seguiu esta tendência. Ptolomeu, no Tetrabiblos, afirma que as estrelas mais proeminentes das constelações têm uma importância semelhante  à  das influências planetárias. O grande astrólogo do séc. XVII, William Lilly também deu grande relevância às estrelas fixas, tendo identificado cerca de 50. Segundo as suas investigações, as estrelas fixas, quando estão em conjunção, oposição, paralelo ou quadratura com um planeta ou algum ponto significativo do horóscopo têm influência nos eventos e energias  astrológicas em ação. Lilly considerava que as estrelas fixas têm particular importância quando estão em conjunção com o Ascendente ou qualquer outro dos  ângulos do horóscopo ou estão perto do Sol ou da Lua no nascimento. Os trânsitos principais podem ativar a influência destas estrelas fixas e a sua influência também se faz notar nas progressões, quando um planeta ou ponto significativo do horóscopo é progredido até à posição de uma estrela fixa.

Segundo Lilly, um planeta que esteja colocado num grau em que há um número maior de estrelas fixas com natureza semelhante à do planeta dá resultados mais evidentes do que em outro grau de um certo signo.

Na época medieval, por influência árabe, um grupo de 15 estrelas fixas – designadas «estrelas behenen», palavra que deriva do árabe e significa «raiz», eram usadas para fortalecer certos planetas, em conjunto com uma planta e uma pedra em rituais  para  «atrair» a boa energia de uma dada estrela para fortalecer esse planeta. Isto, que configurava uma espécie de ritual mágico, baseava-se na crença de que uma estrela fixa era uma fonte  de poder para um certo planeta. Nas tabelas deixadas por Agrippa para as estrelas fixas «behenen», a posição de um planeta numa orbe de 6 º em relação a uma destas estrelas fixas indicava  grande força.

Os astrólogos que consideram as estrelas fixas hoje, consideram uma orbe mais pequena, variável de acordo com a magnitude da estrela considerada- quando maior for a magnitude, maior é a orbe e vice-versa. Mas, tradicionalmente, eram usadas menos estrelas fixas do que atualmente, por isso, a orbe considerada pelos antigos era adequada. Algumas das estrelas com orbes maiores dadas  pelos antigos eram: Aldebaran, Regulus, Antares e Formalhaust, também chamadas «estrelas reais» e ainda Sirius e Spica. Uma outra estrela, considerada uma influência muito maléfica, era Caput algol, que tinha uma orbe alargada, devido ao grande potencial para causar mal. Esta estrela, mitologicamente identificada por uma estudiosa das estrelas fixas, Diana K. Rosenberg por «cabeça de medusa», é a estrela «Beta Persei» é uma estrela binária que fica eclipsada a cada 68h 49 m durante 2 horas. Diz a tradição que, sempre que ela está visível  o número de execuções, mortes e todo o tipo de crimes violentos, doença , guerras, etc., aumenta e diminuem, segundo  a mesma tradição ,quando a estrela está invisível.  Esta investigadora estudou, na Astrologia Mundana (ligada à história dos países e nações) a posição no mapa astrológicos dos países, desta estrela maléfica e concluiu que esta estava em posição dominante em situações de violência extrema, crime e morte por decapitação em larga escala, fanatismo , vandalismo e violência em massa etc.

Assim, seja usando os Nakshatras como na Astrologia Jyotish, seja a partir das características e posição de uma dada estrela fixa, como acontece na Astrologia Ocidental tradicional, parece  não haver dúvidas na comunidade astrológica sobre a real influência- benéfica ou maléfica- das estrelas fixas, que integram as constelações.

Para os interessados neste assunto, estão disponíveis, na Internet, tabelas que indicam a posição das estrelas fixas nos graus do Zodíaco. Para saberem se as posições encontradas são as corretas para o momento atual, os leitores devem lembrar-se de que as estrelas se movem cerca de um grau em cada 72 anos, pelo que as posições encontradas se mantêm válidas por muito tempo.

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