Glossário Astrológico- Grande Trino

Grande Trino

Depois de falarmos neste glossário da «Grande Cruz» no horóscopo, falamos hoje do «Grande Trino» que, segundo a tradição, tem significados muito positivos uma vez que o aspeto trino- 120º- que envolve uma distância de 4 signos entre os planetas, é considerado um aspeto de sorte. Este aspeto forma-se quando há 3 planetas colocados cada um a 4 signos de distância do outro, formando a relação entre os planetas um triângulo equilátero perfeito.

O Grande Trino pode envolver planetas colocados no elemento Terra, Água, Ar e Fogo, recebendo em cada caso o nome do elemento em causa. Também pode acontecer que o Grande Trino se forme com planetas que estão separados uns dos outros por 4 signos mas em que estes são de elementos diferentes, recebendo nesse caso o nome de Grande Trino Misto.

Segundo a tradição, as pessoas com um Grande Trino não precisam de fazer muitos esforços na vida para terem sucesso e sorte pois alcançam facilmente e com pouco trabalho o que pretendem. As oportunidades aparecem constantemente, facilitando-lhes a vida e poupando-lhes o trabalho e o esforço. É claro que isto também tem os seus pontos menos positivos pois, a nível do desenvolvimento pessoal, estes indivíduos, ao não terem que lutar contra as adversidades, também não desenvolvem resiliência nem uma perceção mais profunda das próprias capacidades e da sua autoestima, pois estas desenvolvem-se  e reforçam-se a partir das experiências pessoais: são estas que vão permitindo compreender aquilo que cada indivíduo é capaz de fazer e as vitórias que é capaz de alcançar. Assim, parece que a alegria do sentimento de vitória pelo próprio mérito e esforço está bastante dificultada para estas pessoas.

Outro efeito que se pode observar é a ausência de capacidade para compreender realmente os esforços de outras pessoas que têm que trabalhar e lutar muito para alcançar uma pequena percentagem da «sorte» que estes nativos podem obter sem qualquer esforço da sua parte. Assim, podem facilmente não saber avaliar os esforços dos outros cuja sorte é inferior à sua. Para os medievais, este aspeto indicava uma vida negativa convidando à preguiça e à estagnação, o que consideravam ser um infortúnio. Como bem notou Dane Rudhyar, um eminente astrólogo, o mapa astrológico torna-se uma espécie de «fatalidade» que  controla inteiramente a vida da pessoa que não se individualizou e permanece, deste modo, numa inércia em que assiste à sorte que potencialmente lhe cabe, mas sem ser capaz de a canalizar para que esta passe de si para os outros e para os ambientes à sua volta. Deste modo, o aspeto de Grande Trino apresenta um enorme desafio em termos de desenvolvimento pessoal para todos os que o têm no mapa natal:  o desafio de se tornarem os agentes da própria sorte, servindo como canais conscientes da mesma e levando-a a projetar-se no mundo à sua volta. Caso contrário, são meras forças cegas, presas no circuito fechado dos seus desejos imediatos e sem a capacidade de tornar a sua energia em algo verdadeiramente capaz de projetar  o seu potencial criativo.

A presença de um Grande Trino no horóscopo também indica muitas vezes, no entanto, uma pessoa otimista, que pode usar facilmente a energia planetária de forma positiva e vendo a vida como algo fácil, sendo por isso alegre e feliz sem muita perturbação. Mas estas boas expetativas surgem, não de uma compreensão profunda a partir das suas próprias experiências mas é apenas fruto do hábito, da repetição continuada da sua «sorte» sem que se tenha qualquer compreensão das causas de ela acontecer. É, deste modo, superficial e «fruto do acaso», não sendo acompanhada de «conhecimento interior», razão pela qual muitos astrólogos ao longo do tempo têm mencionado o aspeto de trino como um aspeto de «facilitação» em relação ás dificuldades da vida mas não o melhor para assegurar verdadeiro desenvolvimento espiritual. Torna as pessoas passivas e também pouco maduras, com insuficiente desenvolvimento  das competências psicológicas que existem em geral nos indivíduos que têm enfrentam mais dificuldades. Estas pessoas podem, deste modo, revelar pouca força de vontade e falta de resiliência para enfrentar momentos mais difíceis da vida. Isto não acontece, no entanto, segundo a posição do grande investigador e astrólogo Dane Rudhyar, se um dos planetas que forma o Grande Trino, estiver em aspeto de tensão- quadratura ou outro- com outro planeta formando desse modo um canal para libertar de forma dinâmica a energia «encapsulada» do Grande Trino.

Mas o aspeto de Grande Trino- que inclui 3 planetas em aspeto de trino uns com os outros- não é a única coisa a considerar quando se faz a avaliação deste grande aspeto: é preciso igualmente ter em conta os planetas que formam o aspeto e a relação natural das suas energias entre si. Se o Grande Trino se forma  num mesmo elemento- Ar, Terra, Água ou Fogo- isso dá à pessoa qualidades específicas desse elemento pois o Grande Trino serve de canal para essa energia que se manifesta, desse modo, potencialmente de forma privilegiada.  Dependendo do modo como essa energia flui no aspeto, cada pessoa vive de forma predominante as qualidades associadas ao elemento em causa.

Segundo a tradição, o Grane Trino indica que o nativo nasceu com a bênção de um certo tipo de benefícios associados ao elemento em que o aspeto se forma, podendo ser lido como uma «recompensa kármica», vantagem ou «dom» relacionados com o elemento em causa.

Há, no entanto que notar que, tal como a existência de uma Grande Cruz não significa que a pessoa só terá azar, o Grande Trino não indicia nenhuma «sorte ou proteção  infalível». Pessoas com este Grande Trino tiveram um fim prematuro e trágico, como é o caso de John Lennon, assassinado no auge da sua vida.

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