Glossário Astrológico – Astrologia Humanística

astrologia Humanística- Dane Rudhyar

A Astrologia Humanística é uma abordagem da Astrologia que nasceu nos anos 30 do séc. XX, criada pelo grande investigador e mente brilhante  que foi Dane Rudhyar. Este, na senda começada por Edmund Jones , fez uma interpretação da tradição astrológica usando os conceitos introduzidos por Carl Gustav Jung na visão simbólica do psiquismo do ser humano e a abordagem teosófica da Astrologia, o que resultou num aprofundamento da compreensão do papel da Astrologia para explicar as matrizes do destino humano e do potencial de desenvolvimento individual de cada um.

As obras de Dane Rudhyar têm uma matriz profundamente filosófica, não sendo acessíveis a todos, pois necessitam de um desenvolvimento mental profundo, para poderem ser inteiramente captadas e compreendidas. Mas são dos textos mais iluminadores sobre o papel da Astrologia na compreensão das camadas profundas do ser humano e do seu propósito como ser encarnado na Terra.

Dane Rudhyar olha para o horóscopo como uma matriz de desenvolvimento do ser humano a caminho de um processo de individualização. Assim, ao olhar para determinados aspetos ou configurações do horóscopo que tradicionalmente têm sido  considerados maléficos, Rudhyar considerava que tais configurações mostram apenas aspetos da personalidade que incluem fragilidades, fraquezas, aspetos do ser não desenvolvidos;  encarava tais fatores como oportunidades de crescimento. O horóscopo não era visto por ele como algo estático- embora  pudesse funcionar desse modo, quando o indivíduo não desenvolveu a sua autoconsciência e, por isso, está «inconsciente» da própria liberdade, o que faz dele um ser cuja vida é resolvida por fatores externos – mas as configurações do horóscopo, segundo Rudhyar, são suficientemente dinâmicas para permitir que o indivíduo com um certo grau de  autoconsciência possa libertar-se, em grande parte, dos constrangimentos do «destino» e das forças condicionadoras da sociedade e da identidade «tribal» ou social. Mas, no estado de desenvolvimento da humanidade atual, apenas um pequeno número de pessoas é capaz de se libertar dessa matriz revelada pelo horóscopo.

Dane Rudhyar via a astrologia como uma linguagem simbólica que estabelece a conexão entre o homem e o universo, baseada na velha expressão atribuída a Hermes de que «tal como é em cima, é em baixo». O homem, microcosmos, é espelho do universo e, na sua finitude, é também expressão do imortal e infinito. Rudhyar propôs ainda que, no simbolismo astrológico, os 12 signos fossem vistos, não como a expressão de áreas longínquas do plano celeste mas como 12 áreas situadas na aura magnética da Terra, onde o homem vive a sua vida e pelas quais a Terra diariamente se move.

Para Rudhyar, a Astrologia deve centrar-se na pessoa e o mapa astrológico deve funcionar como um guia que ajuda cada um a desenvolver o seu máximo potencial. Assim, para Rudhyar, ao invés de nos centrarmos na leitura dos fatores coletivos ou universais revelados pelo mapa astrológico,  deveríamos focar-nos no indivíduo  e procurar, na leitura astrológica, os fatores que mais podem contribuir para o ajudar a desenvolver o máximo potencial como ser único. As conceções da Astrologia contemporânea, que consideram que a personalidade de cada indivíduo não é algo fixo nem determinado à partida, mas algo dinâmico e transformável, influenciaram a abordagem de D. Rudhyar. Ao analisar os padrões revelados pelo mapa astrológico, cada indivíduo pode trabalhar sobre si próprio e saber quais os aspetos do deu ser que precisam de melhorados e que pode desenvolver e aperfeiçoar, usando deste modo o saber da Astrologia como guia do desenvolvimento espiritual, capaz de o revelar como independente da mera identidade social  e familiar e libertando-o do determinismo da Natureza, pelo qual ele é meramente testemunha do que lhe acontece, mas nada pode contra esse determinismo. Libertar-se   do coletivo e dos fatores inconscientes é, para Rudhyar, a única forma de alguém se tornar verdadeiramente um indivíduo e, desse modo, buscar o autoaperfeiçoamento. Os fatores da sociedade, da cultura, os padrões interiorizados pela educação condicionam o indivíduo e impedem-no de exprimir a sua verdadeira individualidade. A astrologia pode, ao desvendar os padrões de todo o seu potencial, ajudar cada um a descobrir a sua dimensão individual e, desse modo, ajudá-lo a escapar às forças cegas do determinismo causal externo, ensinando-lhe a  verdadeira liberdade.

Deste modo, Rudhyar vê a carta  astrológica como um plano de orientação  ou um «guia de vida», pelo qual o indivíduo pode aprender a usar as energias representadas pelos planetas  na sua relação com os signos e as casas do horóscopo de forma mais vantajosa e, assim, tornar-se um verdadeiro ser único  exprimindo o seu máximo potencial.

Na sua visão da Astrologia, Rudhyar considera que não há natividades desprovidas de oportunidades ou de «sorte». Todos podem, desde que aprendam a tirar o máximo partido da matriz mostrada pelo mapa astrológico, erguer-se e ocupar o seu lugar de direito no universo. Rudhyar rejeita a astrologia do conformismo, da fatalidade estática e assume uma Astrologia da Transformação. Na sua visão, cada ser humano tem um Deus adormecido  dentro de si e o papel da Astrologia é o de ajudar a ver a dimensão celestial em si, ajudando-o a  tomar consciência dessa verdade e a desenvolver a coragem e o esforço para viver de forma mais verdadeira o seu próprio ser.  É por isso que, para Rudhyar, a Astrologia é uma disciplina espiritual e a sua prática, um caminho para revelar o verdadeiro ser de cada um. Em última análise, o papel da Astrologia não é tornar-se uma «ciência» que explique factos, mas o de ser uma disciplina espiritual que revela a cada indivíduo a sua relação específica com o divino no interior de si próprio. Porque esse é o caminho que permite a cada um tornar-se criador do seu próprio destino e não apenas o resultado de cadeias causais externas que o condicionam e reduzem a uma massa anónima e automatizada, sem nada que a distinga dos outros seres não conscientes.

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