Glossário Astrológico- Heliacal

Heliacal

O conceito de que falamos hoje tem origem grega no nome «Helios» que significa «sol»  e  foi usado desde os tempos antigos  para significar a conjunção entre uma estrela determinada e o Sol, tal como vistos da Terra.

Na antiguidade esta conjunção Heliacal tinha grande importância  para indicar o começo do  ano, no calendário egípcio, que se iniciava quando a estrela Sirius aparecia pela primeira vez no horizonte Este, ao nascer do Sol depois de um ano, ou um pouco menos em que tinha permanecido invisível. Nestes tempos, o nascer e o poente Heliacal  das estrelas tinha grande relevância para determinar as condições das práticas agrícolas e outras que marcavam a vida da época. Para os antigos gregos, o «levantar-se e pôr-se» Heliacal das Plêiades marcava o início da temporada da navegação, que naquele tempo se orientava pelas posições celestes.

Um «poente Heliacal» acontece quando uma estrela ou planeta entra em conjunção com o Sol. À medida que essa conjunção fica mais próxima, com a  aproximação do Sol, acaba por ficar invisível (combusto). O momento em que a estrela ou planeta aparece pela última vez antes do pôr do Sol corresponde ao «poente Heliacal». A partir desse momento, a estrela ou planeta «levanta-se» e «põe-se» com o Sol, ficando invisível tanto de dia como de noite. Este período em que a estrela fica escondida pelo Sol dura até que o Sol se afaste da sua posição, entre 8º e 20º. Quando isso acontece, a estrela ou planeta começa novamente a ser visível, por breves instantes, imediatamente antes do nascer do Sol. Chama-se a este momento o «Levantar ou Nascer  Heliacal».

No seu movimento aparente anual em volta  da eclíptica, o Sol move-se cerca de um grau por dia na direção leste, ao longo da órbita terreste e fica «em frente» de várias constelações ao longo deste percurso. E, sempre que fica em frente de uma constelação ou pequeno grupo de estrelas, estas deixam de ficar visíveis tanto de dia como de noite, «pondo-se» e «levantando-se» com o Sol (só por breves momentos, antes de a luz do dia as tornar novamente invisíveis a olho nu). É claro que as estrelas que têm um nascer ou poente Heliacal dependem da latitude onde se encontra o observador.

Embora sem uso significativo nos dias de hoje, os povos antigos que tinham conhecimentos astronómicos e matemáticos – Egípcios, Babilónios, Sumérios e Gregos- todos usaram o nascer e «pôr» Heliacal de várias  estrelas para marcar o calendário de atividades importantes, especialmente da agricultura. Estes elementos faziam parte do Zodíaco e calendários utilizados.

No mundo antigo era dado relevo especial ao ano sótico (do grego ‘sothos’ nome atribuído a Sírius) que coincidia de forma quase exata com o ano solar. Para os egípcios tinha um significado muito especial porque também correspondia, no calendário, ao período das inundações do Nilo que fertilizavam as terras e traziam abundância  e prosperidade. Este ciclo anual do nascer e põr-se Heliacal de Sirius terá estado na origem do calendário egípcio de 365 dias.

Foi também com base no «nascer Heliacal de 36 estrelas (cada uma representava um decanato) que os egípcios marcavam o tempo à noite, sendo que cada período de 10º (decanato) do Zodíaco correspondia a uma «semana» de 10 dias.

Vários povos não ocidentais ainda hoje usam o nascer e pôr Heliacal da constelação das Plêiades para marcar o início do ano e outros momentos importantes no ciclo da vida de acordo com as suas tradições.

Para a Astrologia, o conceito Heliacal relembra um tema visto como muito importante no passado, que é o das «fases dos planetas» e constelações, hoje relacionado  apenas com a referência à «combustão» dos planetas. Ptolomeu ,na Astrologia Helenística e Lilly no séc. XVII,  usam as «fases dos planetas» para determinar o «temperamento» dos planetas . Na obra de Lilly Christian Astrology  Lilly classifica os planetas como «orientais»- o que significa que «se levantam» imediatamente antes do Sol, num  «nascer Heliacal» . Neste «nascer», o planeta fica visível imediatamente antes do nascer do Sol e o seu movimento é rápido, aumenta em luminosidade, sendo forte na carta natal.

No «poente Heliacal» o planeta está em movimento direto  e rápido e vai-se tornando invisível devido à proximidade do Sol. É a fase mais fraca do planeta, pois está combusto.

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