Glossário Astrológico- Astrologia Judiciária

Glossário Astrológico Astrologia Judiciária

O conceito que esclarecemos hoje no glossário- Astrologia Judiciária- é uma das práticas mais antigas da Astrologia,  relacionando-se com eventos mundanos da vida da Terra. Acredita-se que as antigas profecias, inclusive algumas bíblicas, terão sido inferidas a partir do estudo do movimento e da posição das estrelas. Muito antes de a Astrologia se focar no destino individual, preocupava-se com os assuntos mundanos, da comunidade, da vida política,  com a previsão de guerra e de paz, etc.

No entanto, o termo foi principalmente usado nos tempos medievais e na Renascença, porque era um ramo da Astrologia que foi considerado herético pela Igreja Católica, sujeito portanto a julgamento pelo tribunal da Inquisição. Neste sentido, a Astrologia Judiciária distinguia-se da Astrologia Natural, que incluía a Astrologia Médica e Meteorológica, consideradas parte integrante da ciência da época.  Com efeito, a Astrologia médica era usada para diagnosticar e tratar problemas de saúde. A Astrologia Natural era usada para prever as condições do tempo, baseadas na observação das configurações e interações celestes, de acordo com os princípios astronómicos de Aristóteles e Ptolomeu e considerada importante para a orientação das tarefas da agricultura, das atividades de pesca, etc Todos os outros ramos da Astrologia- natal, mundana, horária e eletiva- foram integradas na Astrologia Judiciária, sendo todas proibidas com o epítome  de heresia, segundo o veredicto da igreja católica.

Com base no movimento e mudanças do Sol e da Lua, do movimento dos planetas nas constelações, das diferenças de brilho dos corpos celestes, do surgimento de cometas, etc., na sua interação com a Terra eram elaborados mapas celestes que forneciam a informação necessária para os melhores períodos da sementeira e colheita e de todas as atividades importantes para a comunidade .

Assim, as observações astronómicas dos egípcios, caldeus, mesopotâmios, e depois dos gregos, os árabes e toda a tradição astrológica que se seguiu, observações que, desde os tempos mais antigos tinham sido acompanhadas da Matemática, aplicada   à Astronomia e forneceram as primeiras explicações dos fenómenos que afetavam o planeta e a vida do seres humanos e também as ações  destes, deixaram de ser vistas a partir do surgimento da Inquisição, como partes da ciência e foram colocadas no «Index» das obras proibidas, interrompendo um longo período em que as causas da vida humana foram associadas aos mesmos princípios que regem o universo: «Assim como em cima, é em baixo».  A Astrologia, nas suas origens,  surgiu, como um produto derivado da Astronomia mas na Idade Média a prepotência religiosa outorgou-se o direito de decidir o que era ou não válido também cientificamente e a designação Astrologia judiciária  foi um conceito infelizmente nascido da tenebrosa ação da Inquisição na sua tentativa de impedir qualquer pensamento livre, com a acusação de tal ser herético e «contrário à religião». A expressão entrou em desuso a partir da revolução científica do século XVII que veio separar a teologia da ciência entre a segunda metade do século XVII e a primeira metade do século XVIII, altura em que o racionalismo científico considerou que apenas a ciência de modelo experimental  deveria ser usado para explicar os fenómenos mundanos e naturais.

Esta nova mentalidade que se desenvolveu a partir do século XVII, de que a Natureza devia ser explicada apenas segundo critérios da Física e deixar de lado os outros critérios, acabou por  levar a uma mentalidade que abandonou o uso da Astrologia Natural- as práticas médicas passaram a basear-se no estudo do corpo em si mesmo e não na sua relação com os «humores» e elementos cósmicos; a previsão do tempo passou a ser feita atendendo também apenas a «princípios racionais» associados a leis que eram consideradas parte da «Física» e nada tinham de metafísico. Assim,  embora os ramos da Astrologia Judiciária continuassem a ser perseguidos pela Inquisição e pela condenação da Igreja Católica, perderam relevância no século XVIII , embora a Inquisição apenas tenha sido abolida no século XIX após as guerras napoleónicas. Assim, o termo caiu em desuso pela simples razão de que a «condenação» da Igreja relativamente à Astrologia passou a ser uma questão de mera obediência à posição da igreja mas deixou de condenar pessoas à morte.

Não deixa de ser curioso, no entanto, que alguns do homens de ciência mais celebrados por estarem na origem do fim da «credibilidade» da Astrologia, como é o caso de Isaac Newton, se tenham dedicado também a práticas de «Alquimia», também  condenada. Newton dedicou boa parte do seu tempo livre a escrever profecias….sobre o dia e o ano em que o mundo acabaria. E levava essa sua investigação muito a sério como hoje se pode ver no espólio tanto tempo  escondido deste grande cientista.

A verdade é que, desde a antiguidade, homens de mente brilhante e com elevados níveis de conhecimento, compreenderam que a Astrologia não é fruto da superstição: ela resulta da tentativa de compreender para além da observação física dos factos, pois estes não esgotam toda a realidade. E, como a Astrologia tem mostrado ao longo do tempo, os «factos» físicos não se separam de outros níveis de realidade- nem da realidade matemática como mostraram grandes filósofos, nem da realidade metafísica ou espiritual. Por isso, é perfeitamente coerente que um grande homem de ciência, como foi Newton,  tenha procurado também outras fontes de sabedoria e de explicação para os eventos da Terra e da vida.

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