Glossário Astrológico- Astrologia da Kabbalah

Kabbalah árvore da vida

A Astrologia da Kabbbalah, designada também por Mazal, usa os ensinamentos da Kabbalah nomeadamente o Sepher Yetzirah para interpretar o mapa de nascimento,  compreender o karma do indivíduo e os traços que precisa de desenvolver para continuar o seu processo de desenvolvimento espiritual.

Na Astrologia Cabalística ou da Kabbalah, o astrólogo relaciona cada planeta com um determinado sephira, na «Árvore da Vida». Cada sephira está relacionado com um certo traço do caráter e tem correspondência com um determinado planeta, no mundo mais inferior dos quatro referidos pela kabbalah, o mundo de Assiah.  Assim, neste plano mais inferior, cada um dos 10 Sephiroth corresponde a um planeta, como referimos a seguir, sendo que, em tempos recentes, foram colocados em correspondência com os sephiroth os planetas exteriores Neptuno e Urano :

Keter, a coroa, corresponde a Neptuno e astrologicamente significa  a luz infinita, chokhmah corresponde a Urano e significa o Zodíaco; Binah corresponde a Saturno e aos signos Capricórnio e Aquário; Chesed corresponde a Júpiter e  aos signos Sagitário e Peixes: Gevurah corresponde a Marte e aos signos Carneiro e Escorpião; Tiferet corresponde ao Sol e ao signo Leão; Netzach corresponde a Vénus e aos signos Touro e Balança; Hod corresponde a Mercúrio e aos signos Gémeos e Virgem; Yesod corresponde à Lua e ao signo Caranguejo; Malkuth corresponde  à terra e ao Ascendente e casas do horóscopo.

Os hebreus, criadores da Kabbalah, não consideravam que os planetas eram deuses, embora reconhecessem a sua importância e, em especial, tinham em consideração as 4 fases da Lua, que se estendiam por cerca de 7 dias cada. O número 7 tinha uma importância acrescida.

A Kabbalah parte da máxima «assim como é em cima, é em baixo» assumindo portanto que os corpos celestes influenciam a vida  no mundo terreno (e vice-versa, que as ações humanas influenciam igualmente, para o bem e para o mal, o que se passa nos mundos superiores). E representa o Universo através daquilo que se chama «Árvore da Vida». Esta é constituída por 10 círculos ligados por 22 caminhos que representam o funcionamento do Universo. Neste diagrama há 3 pilares ou colunas: o da direita representa a expansão da energia; o da esquerda representa a forma, a estrutura, a contração; o pilar do centro representa a consciência.  Cada círculo neste diagrama é um sephira que simboliza um aspeto de Deus.  Toda a realidade de que podemos falar e que podemos conhecer está contida neste diagrama por isso, este também contém o saber da Astrologia.

Na árvore cabalística, o pilar direito simboliza  crescimento e os planetas benéficos como Vénus e Júpiter, estão colocados neste pilar: o pilar da esquerda simboliza a destruição e a decadência e nele estão colocados os planetas maléficos, como Marte e Saturno. De acordo  também com o simbolismo tradicional, o lado esquerdo é o feminino e passivo enquanto o lado direito é o princípio ativo associado ao polo masculino. Ambos os lados são necessários para que a vida se mantenha e o universo esteja em equilíbrio. O lado esquerdo é tradicionalista, enquanto o lado direito é inovador e criativo; o lado esquerdo é passivo e reativo, o lado direito é orientado para a ação e a atividade.

O pilar do centro representa o desenvolvimento da consciência através das experiências de expansão e contração, que decorrem durante a vida e significa um outro tipo de equilíbrio que não é automático, como o da natureza mas resulta do despertar livre da consciência que é capaz de escolher livremente o equilíbrio entre as forças cósmicas dentro das limitações kármicas que tiver que enfrentar. Este pilar tem a ver com a necessidade de o ser humano conduzir a sua vida atingindo a moderação- o «justo meio» de que falava o filósofo Platão-  recusando os excessos e desenvolvendo a sua consciência como fator que  influencia decisivamente o equilíbrio cósmico.

Devido à sua neutralidade que o faz tender para o lado passivo da energia, Mercúrio também é colocado no lado esquerdo da árvore dos Sephiroth. Marte e Saturno, tal como Mercúrio, são secos e é necessária humidade, como acontece com Vénus e Júpiter, para fazer crescer a vida, por isso estes últimos são colocados no pilar direito da árvore.

A Lua representa a consciência e  o Sol representa a autoconsciência. A relação entre ambos é o caminho designado por «honestidade». A Lua representa o modo como reagimos às situações e circunstâncias do dia a dia, de acordo com automatismos e hábitos; mas o signo do Sol representa a tomada de decisões a partir da consciência de si . A Lua é o ego mas o Sol é a autoconsciência. O ego, representado pela Lua tenta continuamente tornar-se condutora do ego, sendo necessário o despertar da consciência para se libertar dos automatismos do ego. Na astrologia da kabbalah, portanto, o Sol tem um papel bem mais importante do que o da Lua embora sejam ambos necessários.  A análise do signo da Lua e do signo do Sol no horóscopo pode, deste modo, dizer bastante, segundo esta abordagem, acerca do desenvolvimento espiritual de cada um.

Nesta representação diagramática, o indivíduo deve colocar-se ao centro, usando as qualidades tanto da esquerda como da direita para alcançar estados de equilíbrio que lhe permitirão ascender aos mundos superiores. A kabbalah reconhece a existência de 4 mundos: Azilut, o divino; Beriah, criação ou espírito; Yetzirah, mundo da forma (psíquico, vulgarmente designado ‘astral’); Assiyah, mundo físico. O sistema astrológico respeita apenas aos dois últimos planos, yetzirah e Assiyah.

O estudo da Astrologia, do ponto de vista da Kabbalah interessa então porque ajuda a perceber, pelos signos predominantes, quais os traços positivos e negativos da personalidade e qual o melhor caminho a seguir para alcançar o equilíbrio, transformando o que for necessário transformar. O Zodíaco não é considerado a causa dos traços da personalidade, apenas é o meio através do qual certas qualidades são incutidas na pessoa por razões kármicas  e de aprendizagem.

A Astrologia da kabbalah usa o calendário hebraico, dando importância não apenas ao movimento do Sol mas também ao da Lua. Em cada mês, este sistema astrológico considera particularidades que são distintas das consideradas pela Astrologia em geral. Por ex., os signos Caranguejo , Leão e Capricórnio são considerados os mais negativos do Zodíaco, o mesmo acontecendo aos meses que regem. Isto não se deve ao facto de esta forma de Astrologia interpretar de forma diferente as características dos signos porque esta é muito semelhante à dos outros sistemas astrológicos, mas porque, na sua perspetiva, estes signos indicam maior falta de equilíbrio entre a «parte esquerda» e a «parte da direita» do diagrama que é a Árvore da Vida.

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