Introdução à Conjunção Sol Lua

Conjunção Sol Lua introdução

Iniciamos hoje a publicação das conjunções da Lua, com  a explicação geral da Conjunção Sol Lua.

A Lua significa abrigo, habitação, estabelecimento (de um povo, de uma família, de um modo de vida), segurança, ritmo (normal da vida), concha, rituais (de proteção), costumes de um povo, regras e normas de uma cultura, raízes e caminhos habituais, rotinas, ciclos normais da vida, que se repetem numa cadência determinada, as emoções que estão por detrás dos processos racionais e que podem aprisionar a mente através de múltiplos apegos.

A Lua refere-se à nossa constituição psíquica  e emocional, às necessidades humanas do mesmo tipo, aos pais e ao ato de educar e proteger os filhos. Significa, no plano etérico, a programação astral das energias, com todos os apegos emocionais trazidos do passado.

Segundo alguns autores da Jyotish, a posição da Lua no horóscopo torna-se particularmente importante para a pessoa após a idade de 50 anos pois, nessa altura, todos os planetas atingiram a maturidade. Nesta circunstância, e segundo a mesma opinião, o Ascendente torna-se menos importante  e  a Lua deveria ser considerada como o Ascendente, a partir da sua posição natal. Assim, se a Lua estiver colocada numa casa difícil como acontece com as casas dustana,  os efeitos dessa posição em relação ao Ascendente (Lagna) começam a desaparecer. Porém, mantêm-se os efeitos dos aspetos de outros planetas, maléficos ou benéficos, considerados pela sua natureza e não pela posição por casa. Nesta opinião, as previsões para as pessoas  com mais de 50 anos deveriam fazer-se tendo em conta a posição da Lua e considerando essa posição como a 1ª casa.

A Lua representa a mãe e todas as figuras maternais. A 4ª casa da D-1, 4ª casa da navamsa (D-9)  e a 4ª casa da D-10 ajudam a delinear o perfil da mãe do nativo. A 9ª casa a partir da posição da Lua descreve, por sua vez, a relação emocional com o pai. A posição da Lua na varga navamsa ajuda, por sua vez, a compreender as necessidades emocionais do nativo no casamento, bem como a dimensão emocional que acompanha os processos de decisão da pessoa ao longo da vida.

A posição da Lua  na D-1 ou carta natal ajuda a compreender a relação psíquica e emocional que o nativo tem com o corpo físico. A Lua é o significador principal da saúde do corpo físico. O regente dessa casa e o signo , bem como o signo da Lua na navamsa e o seu regente ( e os aspetos recebidos) são os indicadores da saúde física e psíquica do nativo.

Estando a felicidade humana associada aos apegos psíquico- emocionais, a Lua é o  significador dela, primeiro a partir da mãe ou da figura maternante que forneceu as primeiras bases de segurança ao nativo e depois como indicador geral da capacidade de formar relacionamentos bem sucedidos ao longo da vida.

A Lua não significa o verdadeiro self, ela representa a personalidade psíquica , emocional , física e  social , o ego mortal que se desenvolve ao longo da encarnação com todas as suas perceções e memórias, passadas e presentes. Assim, quando as necessidades psíquicas e emocionais da Lua são satisfeitas durante a infância e ao longo da vida adulta, pode-se dizer que a pessoa é feliz, sendo este um conceito bastante associado à vida terrena, física, fisiológica, emocional e sensorial do ser humano.

A conjunção entre o Sol e a Lua é em geral favorável mas, numa natividade feminina, esta pode «apagar-se», assumindo-se a luz do pai e/ou do cônjuge após o casamento, quando este é masculino. Os homens, por sua vez, tendem a ver a mãe (e as mulheres em geral)  como reflexos do brilho do pai e podem tender a procurar um cônjuge com essas qualidades, quando o mesmo é feminino. Alternativamente, a mãe pode ter uma personalidade com características que procuram naturalmente brilhar publicamente, sendo clássicos os exemplos da política ou do teatro/cinema. Pode igualmente ter uma carreira de sucesso na área literária ou das artes performativas. Todas as atividades criativas, entretenimento, jogo, moda, papéis que suscitam admiração e adoração do público são possíveis para estas pessoas, incluindo um estilo de vida de celebridade e aplauso numa vida social intensa como «socialite». Esta conjunção gera a necessidade de estar constantemente sob os olhares do público e ser admirado por este. Os «affairs» amorosos são outro aspeto forte para estas pessoas e podem ser abundantes e variados.

A conjunção Sol Lua dá a tendência para projetar sobre os outros os próprios pensamentos, crenças,  modos de ver a realidade, assumindo que todos pensam do mesmo modo e partilham o mesmo modo de ser, aglutinando em si a realidade humana circundante.  Isto também conduz inevitavelmente à tendência para pensar que a sua forma de ver e de pensar é mais verdadeira do que qualquer outra diferente.

A Lua em conjunção com o Sol fortalece as capacidades mentais e reforça a inteligência mas torna o nativo convicto de que tem sempre razão e é divinamente inspirado, levando-o a privilegiar os valores estabelecidos pelos ancestrais e a defender esses valores acima dos valores de outros grupos. Tende a seguir os pontos de vista da sociedade e dos costumes estabelecidos ,perdendo uma parte da singularidade solar e da criatividade desta. Ao mesmo tempo, estas pessoas estão bastante focadas em si mesmas e têm pouca sensibilidade perante os sentimentos dos outros, centrando-se em si mesmas, pelo que se dão bem, em geral, socialmente uma vez que também se identificam com os valores do grupo de pertença (o mesmo não acontece em relação a outros grupos). Mas  esta é, principalmente, uma personalidade amável e agradável no trato com os outros ,não tomando a iniciativa de gerar controvérsia.

Quando o Sol e a Lua estão em conjunção no mesmo signo, este assume uma importância acrescida na vida da pessoa pois dois elementos fundamentais da natividade estão no mesmo signo. Assim, é fácil para estas pessoas definir propósitos e tomar decisões

Quando a Lua está situada a menos de 12 graus do Sol é considerada combusta. Se não receber aspetos de planetas benéficos, o nativo pode fechar-se sobre si próprio e tornar-se incapaz de sentir as raízes na comunidade e na família. Pode também haver bastante insegurança emocional. Estas pessoas têm bastante dificuldade para colaborar no interior da família, tendo-se a si próprias como a referência essencial e faltando-lhes o afeto natural pelos membros da família. É manifesta a dificuldade de criar laços familiares ou com o país e a comunidade. A «vida do lar» não diz muito a estas pessoas.

A conjunção Sol Lua não é fácil de experienciar. Estas duas energias são básicas e essenciais na vida de cada um. Mas, quando estão em conjunção, o ego e a mente, ficam «misturados», unidos  e o resultado disto deve ter em consideração qual deles tem o grau inferior e qual deles tem o grau mais alto.  Quando a Lua está num grau inferior ao do Sol no signo de colocação e está dentro dos 12 graus de aproximação ao Sol, a sua luz «desaparece» no brilho da energia solar e os nativos são introvertidos, com tendências pessimistas e melancólicas. Têm dificuldade em sentir e exprimir emoções. Estas pessoas ficam com a mente obscurecida e sem conseguir pensar de forma clara, como se os processos mentais estivessem completamente obstruídos. Não conseguem sentir a sua realidade interna, do mesmo modo que não conseguem formular juízos acerca da realidade. Perdem a capacidade de se relacionar com os outros e de criar laços com o que quer que seja.

Os resultados da conjunção Sol Lua precisam de ser contextualizados a partir do signo em que está posicionada a conjunção e que pode modificar bastante a personalidade do nativo. Assim, quando a Lua ocupa o grau inferior do signo (significando que  o aspeto está a formar-se e que se aproxima do Sol) e o Sol está colocado num signo em que é forte, como Leão ou Carneiro, será mais difícil ainda exprimir as qualidades da Lua. Deste modo, o nativo com esta conjunção conseguirá ter mais equilíbrio na relação entre a mente e o ego num signo que o Sol tenha menos força. Esta situação, no entanto, não se mantém a vida toda, a Lua liberta-se do eclipse solar entre os 30, 32 anos de idade, altura em que a pessoa começa a desenvolver mais autoconfiança.

Assim, quando a Lua tem o grau mais baixo na conjunção e está muito próxima do Sol, a infância e juventude são desafiadoras porque a pessoa não consegue ter uma ideia clara dos seus objetivos e propósitos.

Quando a Lua tem o grau superior, significa que já passou pelo Sol e está, portanto, a separar-se deste. O que aconteceu foi que se formou uma «Lua nova» e isto significa que a mente é suficientemente forte para estabelecer objetivos e tem a motivação e o entusiasmo para prosseguir a sua vida. Quanto mais perto, no entanto, a Lua está do Sol, especialmente dentro da orbe de 10º em relação ao Sol, haverá mais dificuldade em sentir autoconfiança e envolvimento com os próprios processos mentais, com a família, a vida familiar, a relação com a comunidade, etc.

A conjunção Sol Lua revela que o pai (Sol) e a mãe (Lua) não têm o mesmo peso na vida da pessoa.  Acontece frequentemente que a Lua  colocada alguns graus antes do Sol revela uma mãe bastante dependente do pai que tem a autoridade essencial da família. Se a Lua está alguns graus depois do Sol, podemos ver que ela tem um papel mais ativo na vida familiar e o pai «cede» alguma da sua autoridade à mãe no interior da família.  No entanto, esta conjunção tem o efeito frequente de o nativo não conseguir estabelecer laços com nenhum dos pais, até depois dos 30 anos.

A conjunção Sol Lua precisa de ser contextualizada a partir da sua posição dos signos (e nakshatras) e casas para se compreenderem melhor os  seus efeitos.

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