Glossário Astrológico- Aspetos Maiores e Aspetos Menores

Glossário astrológico aspetos maiores e menores

Os aspetos têm sido referidos por nós em diversos artigos e referem-se , na astrologia ocidental atual, à influência que um planeta exerce sobre outro quando colocados a uma determinada distância mútua. Na Astrologia Jyotish, que segue neste ponto a Astrologia Helenística (e até ao Renascimento)  os planetas não apenas lançam aspeto  uns para os outros mas também para as casas do horóscopo. Os aspeto maiores diferenciam-se dos chamados «aspetos menores» pela sua força para produzir efeitos.

A distância entre os planetas não é a única coisa a considerar, quando falamos de aspetos, quaisquer que estes sejam. E, a este respeito, a Astrologia Jyotish, na senda da Astrologia Antiga desenvolvida na Grécia e, posteriormente, até à Renascença, acrescenta outros elementos que são essenciais para interpretar corretamente os efeitos desta influência energética. Na Astrologia ocidental, Dane Rudhyar e Marc Edmund Jones foram, na nossa opinião, os grandes inspiradores para a compreensão desta temática.

Os aspetos resultam da divisão do círculo zodiacal de 360º por alguns números, de acordo com as leis da numerologia. Essa divisão por 3, 6 e 12 é considerada harmoniosa e fluída, enquanto a divisão por 2, 4 e 8 é considerada rígida, cristalizada, difícil ou negativa.  Deste modo, os aspetos são incluídos em duas categorias, tendo em conta o seu poder para produzir efeitos- maiores e menores- e qualificados como harmónicos ou de tensão.

É de notar que , embora os aspetos de tensão sejam vistos ao nível do senso comum como «maléficos», pois indicam bloqueios e obstáculos, não permitindo às energias envolvidas fluir com facilidade, na verdade eles representam desafios de desenvolvimento que, quando superados, permitem o crescimento individual.

Não é bom ter apenas aspetos harmónicos no horóscopo pois, neste caso, o potencial de desenvolvimento não tem um canal de expressão e o indivíduo permanece estagnado, pois a energia desses aspetos flui em circuito interior, num equilíbrio que não é quebrado. Ora, o equilíbrio tem de dar lugar ao desequilíbrio momentâneo para que um novo ciclo de crescimento possa acontecer.

Os aspetos maiores mais poderosos são a conjunção, a oposição e o trino.  A quadratura e o sextil também são considerados fortes, mas a quadratura é menos forte do que a oposição e o sextil é menos forte do que o trino.

Nos aspetos menores, temos 3 «negativos»: semi-quadratura, sesquiquadratura e quincôncio- e 1 benéfico: semi-sextil. Os aspetos menores negativos causam pouco impacto psicológico mas alguns astrólogos dão-lhes importância na previsão de eventos.  O semi-sextil é psicologicamente mais fraco do que o sextil.

Aspetos Maiores

Como referimos atrás, os aspetos assumem a qualidade de «Harmónicos» ou de «Tensão». Os aspetos harmoniosos indicam um relacionamento energético fácil e fluído entre os planetas envolvidos, indicando que o nativo encontrará circunstâncias favoráveis para desenvolver as áreas que estes significam, de modo a aplicar os seus dons inatos. Mas estes não terão qualquer desenvolvimento para além do que o nativo já traz. Estes aspetos indicam deste modo um «patamar» que se manterá estável ao longo da vida, permitindo usufruir de forma fácil dos significados dessa energia mas sem a poder transformar.

Nos aspetos ditos desarmónicos, a tensão ou fricção que surge entre as energias pode ser sentida a nível psicológico interno ou, externamente,  no ambiente em que a pessoa se move ou em ambos os planos. Esta tensão causa dificuldades, obstáculos e possíveis fracassos mas também permite o desenvolvimento do esforço para superar esse fracasso e dificuldades, levando deste modo ao crescimento e permitindo assim realizar todo o potencial de desenvolvimento de cada indivíduo.

Conjunção- é o aspeto mais poderoso combinando as energias de dois planetas numa só. Isto pode ter efeitos positivos ou negativos, de acordo com a natureza energética dos planetas envolvidos e da relação de «amizade ou inimizade» entre eles, atendendo as qualidades energéticas de cada um. A posição por casa e por signo também é importante para determinar qual dos planetas é dominante na conjunção e o mesmo acontece em relação ao grau da colocação de cada um no signo, para se ver qual dos dois está a caminho de formar o aspeto exato  (aspeto de aplicação) e qual deles já fez esse percurso e está a formar um aspeto de separação.

Oposição-  Este é um aspeto poderoso, visto de maneira diferente pela astrologia ocidental e pela astrologia da Índia. Nesta última, este é o aspeto  maior por excelência de todos os planetas, à exceção dos aspetos especiais de Júpiter, Marte e Saturno, que têm aspetos maiores. Todos os restantes- Sol, Lua, Mercúrio e Vénus apenas têm este aspeto maior e a conjunção- que tem o nome de yoga. A astrologia Jyotish compensa, no entanto, esta ausência dos outros aspetos maiores, reconhecidos desde a Astrologia mais antiga, com muitas centenas de yogas ou combinações entre planetas e as casas do horóscopo. Assim, pedimos ao leitor que tenha em conta que a descrição da «oposição» nestes dois sistemas astrológicos é diferente devendo ter-se em conta que, na astrologia Jyotish, o fator que determina a qualidade deste aspeto é a relação energética entre os planetas envolvidos e a sua natureza funcional no horóscopo.

Na astrologia ocidental  a oposição indica que as energias planetárias estão em conflito uma com a outra e isso produz dificuldades mas estas abrem possibilidades de crescimento individual.

Trino- é um aspeto harmónico muito poderoso, que indica o fluir fácil das energias que são assim ligadas, permitindo o desenvolvimento de fatores positivos relacionados, sem exigir a superação de dificuldades. Mas é inerte na sua natureza, não permitindo alcançar um patamar superior. Este aspeto indica estabilidade, sorte, bem estar nas áreas indicadas  pelo trino, felicidade e também  a sensação de que «tudo está bem» e não é preciso fazer qualquer esforço para melhorar. Para darem os melhores resultados, os trinos precisam, pois, de se combinar com alguns aspetos de tensão para combater essa inércia.

Quadratura – É um aspeto de tensão forte embora menos poderoso do que a oposição. Indica tensão ou fricção entre as energias envolvidas. Esta energia indica bloqueios, que podem ser internos ou externos, sob a forma de obstáculos, indicando dificuldade ou em superar algo no plano interno  ou na realização de algumas ações, ou ao nível da compreensão.  A tensão energética cria um impasse que, a certa altura pode gerar o movimento e o esforço para resolver ou superar esse bloqueio. Esse esforço é uma forma ativa de alcançar mais consciência, crescimento e desenvolvimento.

Sextil–  indica que as energias de dois planetas tendem a funcionar harmoniosamente mas com força relativa.  Faz-se notar mais no plano psicológico, como a consciência  e compreensão que pode conduzir a resultados positivos.

Quincôncio- este aspeto menor de tensão atua essencialmente no plano interno psicológico, causando dissociação e conflito interior nas áreas envolvidas pelo aspeto.

Sesquiquadratura e semi-quadratura – atuam psicologicamente como versões mais fracas da quadratura, embora sem o mesmo impacto potencial no plano externo. Indicam estados psicológicos de conflito ou falta de consciência ou  compreensão das áreas envolvidas pelo aspeto.

Semi-Sextil– mais fraco do que o sextil, a sua ação faz-se sentir a nível psicológico, gerando consciência harmoniosa dos aspetos envolvidos.

Note-se que a Astrologia Jyotish também considera os aspetos menores dos planetas, embora lhes dê uma importância reduzida na determinação dos eventos.

Deixamos uma nota sobre os «aspetos de aplicação» e os aspetos de «separação entre dois planetas»  para melhor compreensão: os aspetos de aplicação mostram que, no que se refere ao  movimento, deve ter-se em conta se ambos os planetas estão em movimento direto ou se um deles está retrógrado, bem com qual deles é mais rápido a mover-se. Estes aspetos são muito importantes na astrologia horária ou eletiva.  Um planeta que está a formar aspeto com outro é mais forte do que outro que , no momento em que se dá o aspeto exato, já estava a separar-se do outro planeta. Isto porque o planeta que está prestes a formar o aspeto indica o «futuro» por realizar, enquanto o outro planeta, ao separar-se , desfaz o aspeto e, por essa razão, perde força. Ele passou pelo grau exato do aspeto no passado, pelo que , na circunstância presente, tem menos força para determinar os eventos. Essa é também a razão pela qual, numa conjunção, um planeta  que está num grau anterior é mais forte e domina a conjunção (em geral, há que considerar também outros fatores, como referido atrás neste artigo).

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