Glossário Astrológico- Monomoiria

Monomoiria

O conceito de que falamos hoje- monomoiria- faz parte do sistema da Astrologia Helenística.  Não existem muitos textos publicados sobre este conceito, que se refere à dignidade essencial conferida pela posição de um planeta num certo grau do Zodíaco. Paulus Alexandrinus e Vettius Valens  terão sido, na astrologia helenística, alguns dos astrólogos eminentes da época que usaram  este conceito  e dele falaram nas obras que escreveram sobre as técnicas astrológicas.

A monomoiria refere-se à atribuição, a cada planeta, de um certo número de graus do Zodíaco. Ema Kurent, que estudou esta matéria, refere que existem dois sistemas . o que foi usado por Vettius Valens, que atribui o primeiro grau de um signo ao planeta que o rege e os graus seguintes são regidos por cada um dos outros planetas segundo a ordem atribuída pelos caldeus: Sol, Vénus. Mercúrio, Lua, Saturno, Júpiter. Marte. Esta ordem é sempre seguida no que se refere aos planetas. Por ex., Júpiter rege o signo Sagitário e é-lhe atribuído o 1º grau. A seguir a Júpiter teremos Marte depois o Sol, Vénus etc. Esta ordem é seguida até se completarem os 30 graus do signo em causa e para todos os restantes signos que ocupam, no total , os 360º do Zodíaco.

O segundo sistema é mais complexo para os que não dominam  bem os conceitos astrológicos de classificação dos signos mas é semelhante à atribuição dos graus aos planetas usada para definir os decanatos: o primeiro grau de um signo é atribuído ao planeta que rege a triplicidade ( há 3 signos de Ar, 3 de Terra, 3 de Água e 3 de Fogo) usando-se a sequência de signos para atribuir os graus aos regentes de cada triplicidade e tendo em conta o secto ou seja, a divisão diurno/noturno no funcionamento dos planetas, de que falámos nos artigos sobre a divisão da hora.

Paulus Alexandrinus descreveu ambos os sistemas, tendo escrito mais profusamente sobre o primeiro, que é também mais simples de usar.  Segundo parece, Vettius Valens, outro dos maiores astrólogos da antiguidade grega, apenas terá usado esta dignidade ocasionalmente.  O mesmo parece ter-se passado com a maioria dos astrólogos da época. Fica a pergunta se isso terá sucedido por ser morosa a tarefa de atribuir todos os graus do Zodíaco a um determinado planeta- essa barreira hoje é facilmente superada, devido ao uso de software que nos liberta dessas tarefas- ou se foi considerada pelos astrólogos antigos uma dignidade menor que não valia o esforço de a usar com frequência.

Na opinião de Ema Kurent, que usa nas suas análises a monomoiria,  de acordo com o primeiro sistema referido,  quando uma casa ou casas do horóscopo tem a regência de um planeta que dispõe, por monomoiria, 3 ou mais planetas, os seus significados são altamente acentuados na natividade. As qualidades e significados que o planeta que tem esse protagonismo através da monomoiria  representa e de que é karaka (significador) têm importância na vida da pessoa. Ainda segundo a mesma astróloga, a natureza do planeta que rege a monomoiria de uma casa ou de um planeta que ocupa uma certa casa dá informações adicionais sobre os assuntos dessa casa.  Por ex.,a natureza do dispositor por monomoiria do Sol dá informações sobre a força vital, a capacidade de afirmação pessoal e a personalidade do nativo.

Este é mais um conceito que pode ser interessante para alguns estudantes experimentarem na sua análise astrológica, embora não seja uma técnica difundida nos dias de hoje.

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