A Carta Divisional D- 20 Vimshamsha

rosto feminino em contemplação

A carta  divisional 20 resulta da divisão de um signo por 20, tendo 1º 30’ cada porção.  Segundo o sábio Parashara, estas porções contam-se a partir do signo Carneiro para os signos Cardinais; de  Sagitário para os signos mutáveis e Leão para os signos fixos. O padrão é começar com os signos de Fogo.

Como e habitual na Astrologia Jyotish, profundamente ligada aos rituais sagrados desde a antiguidade, cada porção tem a regência de uma divindade, sendo Kali a primeira e Sumukti a 20ª para  a contagem a partir de um signo ímpar e Daya a 1ª e Aparajita a 20ª para a contagem a partir de um signo par ou feminino.

A divisional D-20 dá informação acerca da inteligência «iluminada», isto é, tocada pela experiência do sagrado e que permite, através dos rituais sagrados, aceder a conhecimento através da intuição; indica também o que se pode esperar da inteligência desenvolvida pela educação.

Nos tempos antigos e na tradição Hindu esta divisional revelava a capacidade  de um indivíduo «assumir em si» ou personificar o espírito de uma dada divindade. Obviamente isto implica, para além das qualidades espirituais do nativo, a sintonia deste com a divindade em causa que, desse modo, poderia exprimir-se através do veículo físico do nativo.

Esta divisional relaciona-se essencialmente com a inteligência criativa que revela o «génio» através da conexão do indivíduo com o divino.

Na atualidade, em que estas conexões com o divino são menos  significativas, pelo menos para os ocidentais, a D- 20 permite , ainda assim, prever a predisposição geral do nativo em relação ao sagrado  e à religião, as suas predisposições para as práticas religiosas, o seu potencial para desenvolver, através da experiência do sagrado, um tipo de sabedoria inspirada por determinado canal divino ou divindade;

indica também o potencial individual de se tornar um «guru» espiritual capaz de galvanizar os outros, especialmente se o Sol estiver forte nesta varga. Se, pelo contrário, Saturno tiver força nesta divisional, o nativo terá predisposição para um padrão de relação com o sagrado baseado no ascetismo e austeridade.

Para analisar as promessas da divisional 20  deve-se, antes de pegar nesta divisional, avaliar a 5ª casa na radix, relacionada com a inteligência criativa. Qualquer planeta, incluindo Saturno, quando colocado nesta casa ,revela a criatividade «iluminada» a que o nativo tem acesso.

Sendo uma divisional relacionada também com a sabedoria, deve analisar-se também a 9ª casa na radix, correspondente a Júpiter, o karaka do conhecimento sagrado, da filosofia, da religião e  dos valores morais. Os planetas colocados na 9ª casa indicam as tendências que estão na base das crenças individuais e o modo como o nativo tende a exprimir a sua relação com o sagrado: Saturno, por ex., indica uma predisposição para ser pragmático, para seguir os rituais tradicionais sem questionar;

o Sol , pelo contrário, foca-se na abordagem individual e teatral da experiência religiosa, levando a querer ser «pregador» das regras morais em que se acredita; Vénus leva a focar-se na identificação entre a arte e a religião e no amor universal como expressão máxima do divino; a Lua , por ex., leva a identificar-se com «a mãe cósmica», protetora e nutridora, como expressão fundamental do divino;

Mercúrio indica a tendência para racionalizar e criticar os rituais e as crenças religiosas, procurando confirmar a sua «consistência» e talvez a considerar o relativismo religioso à luz das diferenças culturais,  separando o indivíduo da experiência propriamente dita do sagrado  para a dissecar pela análise racional.  Adicionalmente, deve também consultar-se a 4ª casa, na radix, relacionada com as inclinações naturais e o potencial de alcançar estabilidade e formar raízes.

Esta casa indica se a pessoa terá potencialmente um estilo de vida estável ou se mudará continuamente (de casa, de comunidade, se o ambiente familiar é nutridor, etc). Quanto menos estabilidade houver na vida mais difícil se torna desenvolver a inteligência criativa aferida por esta divisional.

Apenas após esta análise da carta radix se deve abordar a D- 20 e, nesta divisional, as casas  4, 5 e 9.  Deve comparar-se a força e a disposição destas casas na radix e na divisional.  Uma 5ª casa forte na divisional mostra devoção forte pelo sagrado e pela performance de atividades religiosas, a partir da inteligência criativa do indivíduo; e a  9ª revela a orientação das suas crenças e o potencial de alcançar uma «sabedoria iluminada» que ultrapassa o plano individual para se colocar no plano mais universal da vida e do ser.

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