Glossário Astrológico- Nakshatra Paya

flor em tons suaves

O Nakshatra Paya é aquele que corresponde ao Nakshatra de nascimento  e que pode ser classificado como «ouro», «prata», «cobre» e «ferro».  Esta classificação reporta-se às divindades que regem cada Nakshatra e  que conferem um determinado «poder»  aos nativos sob a sua influência. Note-se que esta designação implica também uma conceção  espiritual,  indo muito mais longe do que o mero plano material, referindo-se, em termos profundos, ao percurso da alma em direção à  realidade mais essencial.

A palavra «paya» significa «pés» ou «pernas»; deste modo indica que o Nakshatra paya , sob cuja influência nascemos, é o que nos permite percorrer o caminho dessa direção em relação ao plano mais essencial da nossa verdade espiritual.

Paya de ouro–  abrange os nativos nascidos sob os Nakshatras de Ashwini, Revati e Bharani.

Prata /Rajat Paya–  abrange os nativos nascidos sob os Nakshatras de Ardra, Punarvasu, Pushya, Aslesha, Magha, Purva Phalguni, Uttara Phalguni, Hasta, Chitra, Swati, Vishakha, Anurada.

Cobre/ Tamba Paya-  Abrange os nativos nascidos sob os Nakshatras de Jyestha, Moola, Poorva Ashada, Uttara Ashada, Shravana, Dhanistha, Satabisha, Poorva Bhadrapada, Utttara Bhadrapada.

Ferro Paya– Abrange os nativos nascidos sob os Nakshatras Krittika, Mrighashira, Rohini.

Agora, para compreender  significado desta classificação, é preciso ter em conta as divindades que presidem aos Nakshatras. Cada uma relaciona-se com «um dom» específico  que, segundo a tradição, pode ser convocado através das práticas religiosas como o uso dos mantras associados a cada uma dessas divindades.

Deste modo, os gémeos Ashwins conferem o dom da audição, tanto física como espiritual, tendo por isso uma relação com o conhecimento secreto  que pode curar milagrosamente;

Yama confere a liderança «dos ancestrais» permitindo que  o nativo seja líder entre os pares, resultando em que este consegue alcançar respeito tanto pelos mais velhos como pelos seus pares.

Agni providencia comida em abundância e uma boa digestão;

Prajapati cria o desejo de união e proximidade amorosa e sexual  bem como a fertilidade mas tende a ser difícil  estabelecer limites pois o nativo pode deixar-se consumir pela paixão e pelo ciúme;

Soma (Lua) confere a liderança das plantas e dos pares, permitindo que o nativo seja popular e alcance grande prazer entre os pares, sendo um excelente anfitrião e entertainer.

Rudra confere o domínio sobre os animais selvagens, a natureza selvagem  e todas as coisas estranhas ou perturbadoras, dando coragem para lidar com a vida selvagem em todas as formas e capacidade para controlar essas formas de vida.

Aditi ( mãe Terra) confere fertilidade, forma e estrutura. Assim, permite o aumento da progénie e também a multiplicação do gado.

Brihaspati confere o esplendor do conhecimento espiritual , da religião e da moralidade.

Para melhor compreensão dos leitores deixamos as divindades que regem cada Nakshatra:

Ouro paya– Ashwini- os gémeos Ashwini; Bharani- Yama; Revati- Pushan (um dos Adityas).

Prata/ Rajat Paya: os Nakshatras de:  Ardra- Rudra, Punarvasu- Aditya, Pushya- Brihaspati, Aslesha- Sarpas, Magha- Pitris, Purva Phalguni- Bhaga, Uttara Phalguni,-Aryaman Hasta- Surya, Chitra- vishvakarma, Swat- Vayu, Vishakha- Indra ou Agni, Anuradha- Mitra ( Aditya).

Cobre/Tamba Paya:  Nakshatras de:Jyestha- Indra ou Agni, Moola- Nirrti, Poorva Ashada- Apah, Uttara Ashada- Visvedevas, Shravana- Vishnu, Dhanistha- 8 Vasus, Satabisha- Varuna, Poorva Bhadrapada- Ajikapada, Utttara Bhadrapada- Ahir Budhyana .

Ferro Paya: Nakshatras:  Krittika-Agni, Mrighashira- Soma ou Lua, Rohini- Brahma ou Prajapati,

Embora esta classificação dos Nakshatras possa ter utilidade para a associação com os rituais religiosos, a caracterização de «ouro», «prata» «cobre» ou «ferro» não parece ter mais consequências do que a relação com o tipo de desejos que se podem alcançar através da «propiciação» das divindades associadas ao Nakshatra. Mas, como alguns investigadores da Jyotish também salientam, o esforço pessoal de cada nativo para conduzir a sua vida de forma reta , embora guiada espiritualmente, é um caminho melhor para seguir do que, simplesmente, «pedir» a uma certa divindade que confira certas benesses sem que o nativo faça o mínimo esforço para assumir a responsabilidade pelas próprias  escolhas que faz na vida. Tal prática da «vida espiritual» é ilusória  e, provavelmente, «não lhe permite ganhar o céu».

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