Glossário Astrológico- Nakshatras Charana

abstrato

Os Nakshstras foram o primeiro esboço de Astrologia na Índia, num Zodíaco lunar. Para se adequar ao Zodíaco de 360º, os Nakshatras passaram de 28 para 27, tendo desaparecido o 28ª, Abhijit. Cada Nakshatra ocupa uma extensão de 13º 20’ do Zodíaco e, por sua vez, está dividido em 4 partes que têm o nome de «pada» ou «charana». Tradicionalmente, na Índia, o charana tem sido usado para escolher  o nome de  um indivíduo , determinando a 1ª letra do nome. Outro uso muito comum do «charana» ou «pada» é a determinação da compatibilidade entre dois parceiros, na análise de relacionamento para o casamento, entrando no sistema Ashtakoota , um dos diversos indicadores usados pela Astrologia Jyotish para esse efeito.

Muitos astrólogos atuais usam, no entanto, os «charana» ou «pada» dos Nakshatras para um conhecimento mais fino das potencialidades da posição dos vários planetas e outros elementos do horóscopo. Em conjunto com o «Zodíaco Solar» as «Mansões Lunares» ou Nakshatras que não foram, como dissemos antes, criação da Astrologia na Índia mas já existiam muitos séculos antes, entre os babilónios, egípcios, árabes e chineses, permitem uma abordagem e compreensão mais profunda de todas as raízes de causalidade que condicionam os nascimentos na Terra.

Tal como os signos têm o seu planeta regente, os Nakshatras também têm regente planetário e um regente associado ao sistema religioso Hindu, revelando que esta antiga conceção da Astrologia Lunar pertence á tradição religiosa da Índia.

Os Nakshatras ocupam, como referimos, uma extensão de 13º 20 ‘,  dentro de um só signo ou podem ter uma parte num signo e outra no signo seguinte na ordem do Zodíaco. Como escrevemos em outro artigo, isso pode gerar um atrito energético entre as partes do Nakshatra , originando  um ponto gandanta.

Os Nakshatras têm a regência dos 7 planetas e dos dois planeta-sombra, Rahu e Ketu, organizando-se em 3 séries de 9 Nakshstras cada.  A ordem destes regentes inicia-se com Ketu, o nodo Sul da Lua , a que se segue Vénus, Sol, Lua Marte, Rahu, Júpiter Saturno e Mercúrio. Esta sequência repete-se a partir do 10ª Nakshatra e depois nos últimos 9 Nakshatras, a partir de Moola.  Como curiosidade, refira-se que as 3 sequências dos Nakshatras têm início nos 3 signos de Fogo, que correspondem aos Nakshatras de Ashwini, Magha e Moola. A relação entre os regentes dos Nakshatras , dado o facto de existirem 9 regentes e 27 Nakshatras, é trina, uma relação harmónica de 120º.

A divisão específica em charana ou pada de um Nakshatra baseia-se na divisão por 9, correspondendo por isso à Navamsha.  Esta revela toda a sua importância  no facto de corresponder a uma divisão de cada signo em 9 charana ou pada e 109 padas no total da Eclítica. Esta simbólica do número 9 revela a importância da Navamsha como a expressão dos pontos fortes e fracos com os quais é preciso lidar ao longo da vida, sendo por isso um indicador  da pessoa em que nos tornamos ao longo da vida, quando cumprimos o «dharma» ou propósito de vida.

Cada pada ou charana corresponde a um signo e  e ao seu regente. Seguindo a sequência dos 12 signos do Zodíaco e os padas que os constituem, a sequência completa-se de 3 em três Nakshatras. E, tal como sucede com a sequência dos signos, cada pada alterna com um signo feminino e masculino.  Tal como os Nakshatras têm o seu alinhamento nos signos de Fogo, também os pada ou charana seguem essa lógica: o Nakshatra Ashwini inicia-se com o navamsa de Marte no signo Carneiro, iniciando-se na cúspide deste e seguindo depois a sequência do Zodíaco. Convém, no entanto, referir que, enquanto os navamsas se referem a divisões nos signos no Zodíaco Solar, os pada ou charana referem-se a divisões nos Nakshatras no Zodíaco Lunar. Deste modo, a relação entre os charana e os navamsa refere-se à interconexão entre as energias solar e lunar, ligando desta forma os dois Zodíacos.

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