Glossário Astrológico- Partes Arábicas

pavão azul estilizado

O conceito de que falamos hoje, Partes Arábicas,  deve o seu nome ao facto de , no século XI, o árabe Al- Biruni ter compilado num texto «Elementos de Astrologia», todas as «partes» que eram conhecidas no seu tempo e tinham sido referenciadas pelos astrólogos gregos, como referimos em outro artigo. Nesse artigo também dizemos como o astrólogo Paulus Alexandrinus faz remontar o uso das partes ou «lotes» a um tempo muito recuado, atribuindo a sua origem a Hermes Trismegisto.

Hoje em dia aceita-se que  o uso das partes é muito antigo, havendo registos do seu uso continuado desde o século I na Astrologia Helenística. O astrólogo Paulus Alexandrinus, que viveu no século IV, usava cerca de uma dúzia de «lotes» ou «partes». Estas serviam de  base para a maioria das análises astrológicas que fazia. Mas as mais importantes eram a da Fortuna e a do Espírito. No artigo que citámos atrás, são explicados os cálculos e o significado destas partes. Como também explicamos nesse artigo, as partes são pontos no horóscopo, geometricamente encontrados a partir da distância entre o Sol, a Lua e outros planetas e o Ascendente.

Após a queda do império romano, foram os árabes e o persas que se encarregaram de fazer traduções dos escritos helenísticos, tendo dado continuação à tradição mais antiga. Os árabes revelaram um enorme interesse pelas «partes», cujo número se multiplicou grandemente, não havendo a certeza, hoje, se a maioria dessas partes  já existiria no começo do uso destas na Astrologia mais antiga  ou se um bom número delas resultou da criação pelos árabes.

Nos séculos VIII e IX, alguns comentadores árabes citam mais de cinquenta partes, como as mais significativas entre um número ainda maior que era conhecido.  No século X começaram-se  a  traduzir os textos árabes para latim, o que acabou por conduzir os autores da Astrologia Medieval à crença de que tinham sido os árabes os criadores do uso das «partes» pela Astrologia.   Daí o nome ainda hoje usado de «Partes Arábicas».

As partes não lançam aspeto para outros planetas ou pontos mas recebem aspetos de outros planetas, estrelas fixas, trânsitos, progressões. Quando há uma conjunção entre um planeta e as partes, ou um aspeto de 180º, estes são considerados muito poderosos, o mesmo acontecendo com o alinhamento com uma estrela fixa. É igualmente  considerado importante quando o  planeta associado com a «parte» lança aspeto para esta.  Quando uma «parte» está em conjunção com um dos ângulos da carta a sua influência é muito importante.

Quando existem várias partes na mesma área da carta natal isso é igualmente importante, dando importância acrescida à área de vida ,que fica desse modo enfatizada. Hoje o uso das partes ou lotes está praticamente confinado à Astrologia Horária,  no caso da astrologia ocidental. A astrologia Jyotish na tradição da Índia também usa um número elevado de «pontos» sensíveis no horóscopo, cuja tradição remonta a  influências mais antigas, como é o caso da tradição persa, bem como um conjunto de diversos «Ascendentes» para «afinar» a análise do horóscopo.

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