Glossário Astrológico- Horas Planetárias

relógio susepenso entre uma parte rosa e outra azul

Falamos hoje no glossário de um conceito muito antigo usado pelos caldeus  e servia para dividir as partes de um dia e de uma noite. As «horas» assim consideradas, não eram  necessariamente constituídas por 60 minutos, como acontece nos dias de hoje mas, simplesmente, media-se o tempo entre o nascer e o pôr do Sol para encontrar o «dia» e o período entre o pôr do sol e o nascer do sol para encontrar a «noite.». Estes períodos eram divididos por 12 e a cada «hora» era designada a regência de um  dos 7 planetas.

Para além da regência da hora, havia também a regência do dia, sendo designado um planeta para reger cada um dos dias. Isto deu origem aos 7 dias da semana, cujos nomes ainda hoje conservam, em várias línguas, a designação dos regentes atribuídos no passado.

Acreditando-se ter tido origem na Astrologia dos Babilónios, a conceção das horas planetárias desenvolveu-se na Astrologia Helenística, tendo sido continuada através dos tempos.

A ordem estabelecida para a sequência dos dias e respetivas regências foi explicada por Vettius Valens, um astrólogo helenístico do século II e outros astrólogos e o princípio seguido foi o de tomar como ponto de partida o planeta mais lento a mover-se no céu , considerando-se o Sol no centro e continuando pelos planetas mais rápidos e próximos da Terra. Deste modo era esta a ordem dos planetas: Saturno, Júpiter, Marte, Sol, Vénus, Mercúrio e Lua.

Para apurar a regência do dia, começava-se com o Sol: este tem,  na primeira hora, regência do Sol ( domingo); o segundo dia tem a regência, na 1ª hora, da Lua (Segunda feira); o 3º dia tem a regência, na 1ª hora de Marte ( Terça feira); o 4º dia tem a regência, na 1ª hora, de Mercúrio ( 4ª feira); o 5º dia tem a regência, na 1ª hora, de Júpiter ( 5ª feira); o 6º dia tem a regência, na 1ª hora, de Vénus (sexta feira); o 7º dia tem a regência, na 1ª hora, de Saturno (Sábado). A língua portuguesa afasta-se da semelhança entre o   nome do dia da semana e o planeta que rege esse dia, devido á tradição medieval  que se tornou dominante, das «feiras» mas, em muitas outras línguas, os dias da semana mantêm uma clara relação com os planetas que regem esse dia.

Segundo Vettius Vallens, os planetas que regem o dia regem também a 1ª hora desse dia mas todos os outros planetas regem horas ao longo do dia de acordo com a mesma sequência. A ordem desta obedecia, de acordo com  Ptolomeu, um dos mais importantes  astrólogos e astrónomos helenísticos, ao princípio de que a sequência começava pelo mais afastado da Terra até chegar ao mais próximo desta, segundo a ordem referida acima.

Mas, como dissemos, não apenas os dias da semana eram referidos aos planetas, como também o eram  as horas de cada dia. Essa regência segue sempre a ordem que referimos antes. Deste modo, num domingo, a primeira hora  do dia – que começa ao pôr do sol, seguindo-se o critério definido pelos astrólogos e astrónomos babilónios -tem regência do  Sol, seguindo-se a hora seguinte com  regência de Vénus, a 3ª  com regência de Mercúrio, depois  da Lua  até chegar a  Saturno. Após Saturno voltava-se ao começo  pelo que, de 7 em 7 horas, todos os planetas têm novamente a regência de uma hora.

O cálculo das horas planetárias teve  também um uso significativo na astrologia renascentista , para além de ter sido igualmente usado pelos praticantes de magia. A partir do século XVII, no entanto, com o advento to racionalismo, na designada «época moderna», as tabelas das horas planetárias começaram a ser vistas como menos importantes.

Por motivo de curiosidade, deixamos alguns significados atribuídos às horas  planetárias e dias dos planetas:

As horas e dias  de Saturno eram consideradas boas para convocar a alma dos mortos, quando estes tiveram morte natural.  Note-se que esta «convocação» se incluía na tradição de que, em  primeiro lugar,  o indivíduo, após a morte no mundo terreno, continuava a habitar outro plano  (Hades, na tradição clássica) e podia ser «convocado» por alguma razão importante, a contactar com os vivos. Os mortos, na verdade, mantinham-se vivos na família, através de rituais de culto aos «ancestrais».

As horas e dias de Júpiter eram consideradas boas para adquirir riqueza e honrarias, alcançar boa saúde, criar novas amizades e parcerias.

As horas e dias de Marte eram boas para levar a cabo atividades guerreiras, adquirir coragem e alcançar honras miliares ou derrotar os inimigos.   Também eram consideradas boas para convocar as almas dos que morreram em campo de batalha.

As horas e dias do Sol eram vistas como favoráveis para adquirir riqueza e estatuto, alcançar o favor de pessoas altamente colocadas, para criar amizades, para sentir esperança e sentir-se afortunado (a), para práticas de adivinhação.

As horas e dias de Vénus eram considerados favoráveis para criar amizades, para atividades de prazer, para  o amor, para viajar, para se divertir. Nas horas e dias de Vénus considerava-se igualmente que elas eram propícias para a preparação de venenos e de poções para produzir loucura em alguém.

As horas e dias de Mercúrio eram consideráveis propícias para as atividades intelectuais e para produzir discursos ou manifestar eloquência, escrita ou falada, para levar a cargo atividades de negócios, para a prática de desporto ou jogos, práticas de adivinhação.

Nas horas e dias da Lua eram consideradas propícias as viagens, envio de mensagens, embaixadas, navegação, aquisição de mercadorias por via marítima, atividades de reconciliação e relacionamentos amorosos. As horas da Lua eram ainda  consideradas propícias para alcançar visões noturnas, preparar quaisquer atividades relacionadas com água, convocar pessoas durante o sono, recuperar propriedade roubada.

Note-se que as horas planetárias foram também apropriadas pela Astrologia da Índia, que faz uso delas  na astrologia horária,  tendo esta, ao longo do tempo, associado as suas próprias divindades às diversas horas.

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