Glossário Astrológico- Placidus, Sistema de Casas

céu escuro com luz  movimentando-se em órbita

O sistema de casas designado por sistema de Placidus – aquele que é maioritariamente usado hoje pela Astrologia ocidental- é um método para determinar as casas do horóscopo, atribuído  ao astrólogo do século 17, Placidus.

Este sistema é também designado por «método Ptolomaico», uma alusão  à sua conexão com o método usado na Astrologia Helenística . Mas a origem do método Placidus mantém-se obscura.

  Enquanto o método Placidus se baseia em medições do tempo e do  movimento, outros baseiam-se em medições espaciais. O método de Placidus ganhou popularidade através do nome deste astrólogo mas foi,  segundo parece, Magini, um  matemático , astrónomo e cartógrafo contemporâneo de Placidus  que estabeleceu as bases para o cálculo das casas a partir das diretivas de Ptolomeu, o grande astrónomo e astrólogo helenista e não Placidus embora este tenha popularizado o seu uso.  Magini usou as condições que Ptolomeu estabeleceu para encontrar as direções primárias, para calcular também as casas do horóscopo. O trabalho de Placidus foi o de sistematizar o método de Ptolomeu adaptado por Magini  e de  criar tabelas de casas com as cúspides totalmente calculadas, tabelas que  perduraram até hoje, o que permitiu que um grande número de astrólogos adotasse o método.

Porém, não foi pacífica a aceitação de um sistema que usa o tempo para calcular as casas, em contraposição com o sistema que usa o espaço. Os chamados sistemas de Regiomontanus e Placidus foram alvo de polémica nos séculos 18 e 19, continuando essa polémica ainda hoje em alguns círculos. Esta discussão levanta a pergunta de saber a exata natureza das casas do horóscopo e se as cúspides das casas devem  ou não refletir as diferenças diurnas e noturnas, bem como as latitudes geográficas. Esta pergunta foi respondida afirmativamente por Placidus. Mas , na ótica dos primeiros astrólogos, as casas eram «lugares» logo, tinham natureza espacial.

Placidus escolheu a matriz do tempo e do movimento para determinar o cálculo das casas do horóscopo baseado no princípio filosófico de que a vida é em si mesma movimento, desenvolvendo-se por fases. Por isso considerou necessário, não apenas ter em conta as divisões no espaço à volta do local de nascimento, mas também considerar divisões no movimento celeste.

Porém, o sistema Placidus apresenta problemas nas medições que ficam para além do círculo Ártico devido ao facto de, no céu circumpolar, haver estrelas que nunca se «levantam» nem «põem». Há também signos e planetas que, nestas zonas da Terra nunca se levantam ou põem (o sol pode brilhar, nestas paragens, à meia note).

Devido a estas peculiaridades, ao usar o método de Placidus para calcular as casas nestas latitudes as casas não se formam a partir de círculos mas  formam curvas e mesmo ângulos, se forem seguidas algumas correções  propostas por astrólogos do século 20.

A verdade é que, como se vê pelo sistema de casas mais usado na astrologia ocidental desde o século 17, a determinação das «casas» do horóscopo não tem um método unânime e completamente objetivo.

Talvez por isso seja compreensível o uso de casas maioritariamente usado pela astrologia Jyotish, que é o mesmo que os antigos astrólogos helenísticos usavam para calcular as casas (note-se que o método de Placidus foi baseado no cálculo de Ptolomeu para encontrar as «direções primárias» e não  nos fundamentos das casas do horóscopo). Para estes antigos sistemas, cada casa do horóscopo era entendida como «um lugar» correspondente a um signo inteiro do Zodíaco. Tal como continua a ser ainda hoje na Astrologia Jyotish.

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