Glossário Astrológico- Quadrantes do Horóscopo

paisagem vista de janela de avião

Os quadrantes dividem o horóscopo em 4 partes de 90 º cada. O primeiro quadrante inclui as casas da 1ª à 3ª; o segundo quadrante inclui as casas da 4ª à 6ª; o 3º quadrante inclui as casas da 7ª à 9ª; o 4º quadrante inclui as casas da 10ª à 12ª.

Analisar o horóscopo a partir dos quadrantes ajuda a obter uma imagem imediata dos níveis e áreas nos quais se desenvolverá principalmente a vida do nativo, isto é, a presença de muitos planetas num determinado quadrante dará uma ideia imediata das áreas mais significativas da vida de uma pessoa, aquelas em que esta estará mais ativa a desenvolver-se e a relacionar-se com o mundo e com os outros.

Uma ênfase no primeiro quadrante mostrará uma individualidade focada no desenvolvimento da sua identidade, dos recursos que lhe permitem desenvolver-se no mundo terreno, na aquisição de bens,  competências e conhecimentos que lhe permitem sentir que possui o controlo da sua vida na Terra. Entre essas competências estão, é claro,  as que se relacionam com a capacidade de pensar, falar e escrever, usando os recursos naturais da sua inteligência, imaginação, do poder da palavra e das mãos para se apropriar do mundo exterior através dos conceitos que elabora a partir das suas experiências. Este é um quadrante de autoexpressão, pelo que o indivíduo exprime todas as capacidades relacionadas com os sentidos, incluindo a dimensão estética e artística, em especial a ligada com o poder da palavra, mas também com o som como a música, com as mãos e o corpo, como a dança, a mímica, ou as artes do artesão. A primária orientação de desenvolvimento é a dos próprios talentos naturais, mais do que o envolvimento com os outros ou, em alternativa, esse envolvimento tem o próprio indivíduo como centro: a família , o cônjuge representados pela 2ª casa faz parte das «posses» do nativo , sendo este o centro da sua referência.

A ênfase no segundo quadrante quando este contém muitos planetas, revela que o nativo está centrado na ligação às raízes de onde vem – a mãe, a Pátria, a comunidade local, a sua casa física e propriedades que sustentam a sua vida, não apenas no plano individual mas no plano coletivo de proximidade- a aldeia ou cidade onde o indivíduo vive- e a necessidade de fazer parte desse meio que inclui os «outros» da comunidade local.  Aqui o indivíduo começou a estender a sua perspetiva para esta incluir os outros da família alargada (a sua linhagem que o liga ao passado ) a comunidade ou Pátria que o ligam ao todo maior coletivo e aos seus objetivos e regras, fazendo nascer o sentimento de que é necessário participar com  o seu esforço na defesa desse todo que, através dos símbolos coletivos que são interiorizados (a bandeira, os valores locais e nacionais, os costumes , a cultura com os quais o indivíduo se identifica e que sente serem parte da sua identidade) gera na sua consciência o sentimento do «nós» que gera oposição aos «outros» (os estrangeiros, os que não acreditam nem defendem os mesmos valores, etc.). O valores de entreajuda que levam à coesão entre os grupos sociais surgem aqui. Ao mesmo tempo, o indivíduo estende a sua criatividade à produção de alguma coisa que se torna autónoma fora de si , seja isso um filho, uma obra de arte ou projeto,  conhecimento superior, etc. Neste quadrante os outros reconhecem o valor da indivíduo e podem recompensar isso. Este é também o quadrante da experimentação em todas as áreas, incluindo o amor e o sexo, e é o setor do serviço, pelo qual o nativo aceita trabalhar em prol do bem comum. É também o setor onde os talentos do nativo podem ser alvo de exploração e onde este pode ser subjugado ou reduzido à servidão ou, em alternativa, onde este pode explorar outros para seu benefício: nesta casa o «tu» pode ser visto como uma mera extensão instrumental do «eu» e, por isso, pode não ser tratado como igual, havendo mesmo a tendência, em alguns maioritária, para o considerar «menos» do que o «eu».

Quando os planetas estão colocados no terceiro quadrante    o nativo pode tender para diferentes níveis de autoexpressão: por um lado, pode separar completamente o «eu» do «tu» vendo os outros  como opostos a si e aos seus interesses, logo, como inimigos que é preciso dominar e controlar; por outro, este é o quadrante onde se descobrem os relacionamentos eu/tu  em que o outro aparece como igual, como um (a) parceiro (a) com os mesmo direitos e deveres; aqui descobre-se a importância da legislação e de todos os códigos sociais que regem os comportamentos na sociedade  e dão aos indivíduos «garantias», sejam esta sociais ou legais. Aqui os acordos e os contratos, as alianças formalizadas através de documentos, dão «segurança» e ajudam a alcançar a «estabilidade» de que os indivíduos necessitam: o amor e o sexo já não são descomprometidos, como acontece na 5ª casa- são formalizados através de rituais e legislação que produz documentos que servem de «garantia» dos direitos e deveres de cada um; o mesmo acontece com os contratos de negócios e outros tipos de contratos. É por isso que, quando as partes se sentem injustiçadas podem recorrer à lei e aos tribunais para serem ressarcidas. Deste modo, neste quadrante o indivíduo descobriu que a melhor forma de se salvaguardar, na relação com os outros, é através da estipulação de regras e leis, de princípios morais e de conduta que asseguram a uniformidade dos comportamentos em sociedade. A espontaneidade emocional e a simples confiança não bastam, pois o indivíduo aqui já aprendeu que a amizade e bonomia aparentes podem esconder mentira e exploração por parte do outro. E a forma de reduzir o impacto disso é através de regras claras para todos. Assim, embora neste quadrante exista uma óbvia abertura aos outros e para a cooperação com os outros, há também implicitamente a expressão de uma desconfiança básica que diz que o «outro» não é passível de ser totalmente conhecido e, como tal , pode esconder características que serão uma ameaça. Todos os comportamentos sociais pressupõem esta desconfiança básica nos outros salvaguardada pelas regras e pelas leis da sociedade, bem como pelas sanções que esta prevê para os que transgridem. Ao mesmo tempo, este quadrante inclui o potencial mais poderoso de transformação da identidade, que se dá pela interação com os outros seres humanos: as alegrias e tristezas, a felicidade e infelicidade que estes produzem no plano emocional podem ser fatores que mudam radicalmente a realidade de cada pessoa pois é no plano emocional que o indivíduo sofre em primeiro lugar e , em consequência disso, se transforma. A felicidade e o sofrimento são poderosos instrumentos de crescimento e de mudança nos seres humanos.

Quando a maioria dos planetas está colocada no quarto quadrante, indica a ênfase em dois aspetos fundamentais: a plena integração na sociedade, aceitando , através da carreira ou profissão, dar o seu contributo para o coletivo e, ao mesmo tempo, alcançar o reconhecimento público ou status em consequência disso e outro bem diferente em que, após cumpridos os deveres para com a sociedade- pelo trabalho, pelas realizações artísticas, intelectuais, pela geração de filhos , contribuindo desse modo para a continuidade da sociedade, depois dos amigos e das atividades sociais, chega o momento de se retirar e de se voltar a focar na própria identidade e na necessidade do desenvolvimento espiritual desta. Porque o contributo para a sociedade, as «obras» desenvolvidas ao longo da vida, a «fama» ou «respeito» que os outros outorgam ao indivíduo pelos seus feitos, prémios e honras sociais,  a «reputação»  e o status , a riqueza alcançada de nada servirão para preparar o indivíduo para o estágio final da vida, em que já não precisa de provar nada aos outros nem à sociedade, mas necessita de se preparar para a «passagem final» no instante em que o corpo se separa do self e em que todos os indivíduos são iguais em termos de dignidade, independentemente de quais tenham sido as honras e a posição social. A morte acontece a todos. E, se o indivíduo gastar todos os dias da vida  simplesmente  a acumular mais riqueza, a querer alcançar mais poder, mais conquistas materiais, fingindo que, pela ilusão da «importância» a que se atribui devido à sua posição, riqueza, etc., a morte é só para os outros, poderá ser colhido pela foice inexorável de forma inesperada e incrédula, por não se ter preparado: a História da humanidade está cheia de exemplos de seres humanos que quiseram «levar consigo» os símbolos da sua riqueza e poder mas não consta que tenham conseguido salientar-se depois da vida por causa disso.  Deste modo, o desafio de quem tem muitos planetas neste quadrante não é apenas o de alcançar o máximo de status , riqueza e influência social ou uma posição de topo na sua carreira ou profissão: é também o de, humildemente, aceitar que não poderá levar nada disso, quando chegar o momento de partir do plano terreno. E aí, convirá que tenha desenvolvido mais alguma dimensão de si próprio (a) que o(a) prepare para fazer essa travessia com serenidade, para que o apego aos bens materiais que alcançou na Terra não o (a) torne prisioneiro (a) para sempre. Como referiu certa vez um homem simples, «Somos passageiros e viajantes neste mundo, não viemos para ficar e partimos com  a paz e a alegria de quem leva tudo o que precisa.

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