Glossário Astrológico- Planeta Sob os Raios do Sol

Sob os raios do Sol

A expressão que analisamos hoje no glossário – planeta sob os raios do Sol- é também designada na tradição como Cazimi e foi referida por muitos astrólogos ao longo do tempo na astrologia ocidental, um dos mais eminentes tendo sido  William Lilly do séc. 17.

Esta condição ocorre quando um planeta fica «sob os raios» do Sol, isto é,  quando está muito próximo do Sol,  próximo do «centro» do Sol mas ainda não tão perto que fique combusto. Apesar de o Sol ser o dador de vida, a sua  excessiva proximidade queima e destrói. Um planeta muito próximo do Sol perde a força e fica invisível.

O número de graus e que se dá a combustão de um planeta pela proximidade com o Sol varia segundo o  autor, entre os 6º e os 8 º. Mas todos concordam que a proximidade de um planeta  em relação ao «coração do Sol» torna esse planeta fraco e incapaz de exercer influência no horóscopo.

Mas, no intervalo entre os 8º a partir dos quais se dá a combustão do planeta e os 17º de distância entre o planeta e o Sol, dá-se aquilo a que a tradição chama «ficar sob os raios do Sol», uma situação intermédia que é ainda de debilitação do planeta, embora menos severo do que a combustão e é uma das chamadas «dignidades acidentais» de um planeta, neste caso negativa pois refere-se a uma debilitação do planeta assim influenciado pelo Sol.

Esta caracterização mostra o reconhecimento, desde os tempos antigos, de que a conjunção entre o Sol e outros planetas (no século 9 astrólogos árabes referiam-se à conjunção entre o Sol e a Lua ou Sol e Vénus como muito maléficas para os resultados da Lua e Vénus, precisamente por causa da natureza «húmida» destes) não favorece a expressão dos significados desses planetas na vida da pessoa, por enfraquecer a energia dos planetas  quando estão assim próximos do Sol.

Porém, há uma exceção que a tradição reconhece e que recebe o nome de cazimi, de que já falámos em outro artigo deste glossário. É quando o planeta está mesmo no coração do Sol, isto é, em conjunção exata com o Sol, com a mesma latitude e longitude.  Quando isso sucede, o planeta recebe força acidental extrema, sendo a máxima dignidade que pode atingir. Quando o planeta fica assim «no coração» solar, atinge a máxima dignificação possível, sendo protegido pelo «favor do rei». Os gregos chamavam a esta condição egkardios e os medievais e renascentistas chamavam-lhe cazimi.

O planeta assim «honrado» temporariamente com a luz plena do Sol fica então capaz de produzir efeitos extremamente favoráveis. Mas estes começam a diminuir logo que o  planeta se começa a afastar do «coração» do Sol. A sua «dignidade» é acidental porque os benefícios que o planeta produz enquanto está em cazimi são, na verdade, permitidos porque o Sol partilha a sua natureza «real» com o planeta enquanto este está aí colocado.

Deste modo, enquanto um planeta combusto é um planeta cuja «dignidade acidental»    é de debilitação, um planeta  em cazimi é um planeta cuja dignidade acidental é o máximo de força que  pode ter. Este estado é ainda referido como «estar sob os raios do Sol» mas a sua dignidade depende dos fatores referidos atrás: o estado imediatamente anterior à combustão, (entre 8 º e 17º de distância do Sol), e o estado cazimi em que, muito temporariamente, o planeta está em conjunção exata com o Sol.

Mas, logo que o aspeto começa a «separar-se», essa «força partilhada pelo Sol rapidamente  se desfaz e o planeta fica combusto e fraco.

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