Glossário Astrológico- Pushya-Paksha Ayanamsa

observando as constelações celestes

No artigo de hoje falamos do Pushya-Paksha ayamansa , necessário para usar o método de Narasimha Rao  de cálculo e interpretação dos períodos Chara Dasa. Narasimha Rao é um conhecido astrólogo da Índia e é também o autor do software que disponibiliza gratuitamente na Internet, Jaganatha Hora.

Este cálculo do ayanamsa- poderá ler um artigo sobre o significado do ayanamsa aqui é específico deste autor e refere-se à investigação que este fez sobre os períodos chara dasa e a sua relação com as cartas divisionais em 2013.

Como explicámos em outros artigos, o ayanamsa é o arco da diferença  entre o primeiro grau do signo Carneiro no Zodíaco tropical e o primeiro grau do signo Carneiro no Zodíaco sideral.

Devido ao fenómeno da precessão dos equinócios, existe um desvio que, ao longo do tempo, faz com que a Terra não se encontre, no ponto do equinócio primaveril, no 1º grau do signo Carneiro mas se situe, verdadeiramente, posicionada mais atrás, no signo Peixes.

Tal diferença é, atualmente, de cerca de 24 º. Isto significa que uma pessoa com o Ascendente em 14º do signo Carneiro, segundo o Zodíaco Tropical, tem, na verdade, o Ascendente em 20º do signo Peixes.

Mas, à parte estas diferenças  no cálculo do Ascendente e na posição dos planetas, há outro fator que complica o cálculo do ponto exato em que se encontra a Terra no momento do equinócio primaveril:

Esta refere-se aos diferentes métodos existentes para o cálculo da diferença entre o ponto inicial do Zodíaco Sideral e o ponto inicial do Zodíaco Tropical, a que se chama Ayanamsa.

A diferença de método de cálculo do Ayanamsa pode implicar vários graus de diferença. Atualmente , a maioria dos astrólogos adota o método Lahiri, seguido também pela maioria das Efemérides.  Mas, ainda assim, alguns astrólogos optam por usar outros métodos.

No Zodíaco Tropical, o equinócio da Primavera, que marca o início desta estação, mostra o inicio do signo Carneiro tal como é visto a partir da Terra. O solstício de Verão, que marca o início do outono, indica igualmente  a mudança das estações na Terra:

no início da Primavera, o aumento de horas da luz solar e, no solstício de Verão, a diminuição gradual da Lua solar. A terra é, para a astrologia ocidental que segue este Zodíaco, o «centro» de todo o interesse.

Porém, uma das razões sublinhadas pelos astrólogos da índia na preferência pelo Zodíaco Sideral  é que os signos devem estar alinhados com os Nakshatras que  coincidem com estes em  diversos graus.

E isso não acontece no Zodíaco Tropical. Deste modo, o Zodíaco Sideral é o que faz sentido, pois a astrologia Jyotish não se foca na Terra como centro de todas as atenções, foca-se em todo o espaço das constelações e dos signos na sua relação com a Terra.

Isto é o que também pensa o autor de que falamos hoje. Para calcular o Pushya-Paksha ayamansa, N. Rao usa o tratado de astronomia do século IV designado por Surya Siddhanta, especificamente  no que se refere à identificação, feita nesse tratado, do «yogatara», um ponto específico em cada constelação e que não é completamente fixo porque as chamadas «estrelas fixas» na verdade também se movem, embora a um ritmo muito diminuto.

A importância deste «ponto» está em que o tratado define a sua longitude e latitude em relação à eclítica (esta é o plano no qual a Terra orbita em torno do Sol).

O ponto yogatara refere-se ao facto de uma determinada  estrela surgir como «âncora» para o Zodíaco. No método de Lahiri para calcular o Ayanamsa, o Nakshatra Chitra é o usado , escolhendo-se a estrela mais brilhante da constelação como «âncora» do Zodíaco. Essa estrela, Spica ou Alpha Virgonis é o yogatara usado neste método.

  1. Rao coloca em causa vários aspetos na método de Lahiri. Sinteticamente, são as seguintes as objeções:

– O cálculo da estrela Spica usado no método Lahiri está desajustado em 1º relativamente à real posição da estrela no momento presente;

– A escolha do Nakshatra Chitra como âncora do Zodíaco não tem justificação realmente objetiva, sendo arbitrária;

– A estrela Spica, usada como «âncora» do zodíaco, não pode ser fixada no plano da Eclítica . Ela pode apenas ser projetada no plano. Na opinião do autor deveria usar-se como yogatara uma estrela que esteja fixa na Eclítica.

Deste modo, inspirando-se na metafísica que subjaz a muitos princípios da astrologia Jyotish, N. Rao considera que o yogatara que serve de âncora» do Zodíaco deve encontrar-se no Nakshatra de Pushya: o signo Caranguejo corresponde ao signo da Criação.

Caranguejo rege o coração, que simbolicamente é o princípio do qual emana a «centelha divina» em cada ser humano. Caranguejo simboliza igualmente o coração do homem Celeste (Kala Purusha).

Além do mais, Pushya, que ocupa uma parte do signo Caranguejo, tem a estrela mais brilhante posicionada no plano da Eclítica.

Nos cálculos que N. Rao e outros autores da filosofia védica fazem, o Yogatara de Pushya situa-se a 16º e 0’ de Caranguejo. Deste modo Pushya, cuja divindade regente é Brihaspati (Júpiter) é considerado como o Nakshatra que «fixa» o Zodíaco no plano celeste.

Deste modo, N. Rao segue os cálculos dados no Surya Sidantha  que colocam o Yogatara de Pushya a 16º 0’ de longitude no signo Caranguejo e a 0º de latitude em relação à eclítica. Esta estrela Yogatara encontra-se no centro do Nakshatra e  é a estrela Delta Cancri ou Asellus Australis.

Cálculo do Ayanamsa segundo Narasimha Rao

– Partindo da longitude tropical da estrela Delta Cancri num dado para um certo momento, subtrair 106 º.  O resultado dá o ayanamsa que deve ser subtraído da longitude tropical dos planetas ou pontos do horóscopo (como o Ascendente) para obter a longitude sideral dos mesmos.

O Pushya-Paksha ayamansa  obtido pelo autor para o primeiro século do século XXI é: 22º 43’ 19.12 ‘’ .

Finalmente, para testar este ayanamsa proposto por N. Rao basta usar o software gratuito do autor, Jaganatha Hora e, no menú preferences, escolher , para o Ayanamsa, a opção «recommended by the author».

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2 Thoughts to “Glossário Astrológico- Pushya-Paksha Ayanamsa”

  1. JEFF The GREATEST

    Eu testei o Pushya-Paksa no JH e não sei exatamente o que pensar… Os planetas continuam no mesmo signo, alguns mudaram de Nakshatra e Bhava, meu ascendente foi para Leão. Isso é só uma observação inicial, já que eu não tenho o hábito de usar outro Ayanamsa além do Lahiri. Na sua percepção, esse Ayanamsa proposto por Rao tem fundamento? Geralmente os astrólogos tem muita resistência a tudo o que foge do tradicional, incluindo quando se fala de ayanamshas! Eu me identifiquei, de certo modo, com Purva Phalguni, mas ainda irei analisar melhor a globalidade da carta para sentir o que realmente fala melhor sobre mim.

    1. astrologoaprendiz1

      O nosso objetivo é dar a conhecer diferentes perspetivas pois , ao longo do tempo e desde os tempos mais antigos, nunca houve apenas uma forma de entender a realidade e isto foi visível na astrologia desde Parashara. Note que deverá aplicar na totalidade o método proposto por N. Rao antes de tirar conclusões. Este autor, que é também autor do software Jaganatha Hora tem um conhecimento profundo da Astrologia Jyotish. Pensamos também que não é por um método ser muito antigo, quando comparado com outros, que é melhor do que outros mais recentes. Só a experiência no uso do método, que é muito recente, poderá levar a escolher este ou outro método. N. Rao publicou o seu trabalho exatamente para discussão entre a comunidade astrológica. E refere, por exemplo, o facto de haver, no ayanamsa de Lahiri, dados astronómicos incorretos. Mas, na verdade, este assunto é tão complexo que ninguém consegue definir exatamente o que é o «correto».

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