Glossário Astrológico- Compatibilidade nos Relacionamentos

casal de mão dada

O propósito deste artigo é descrever, de forma sintética, o procedimento de análise da compatibilidade dos relacionamentos segundo a astrologia Jyotish. Poderá ler um artigo mais aprofundado aqui.

Os leitores mais atentos saberão que, na origem cultural dos métodos usados para testar a compatibilidade, está o facto de os casamentos serem, na Índia, «arranjados», isto é, decididos após o estudo comparado das cartas natais de ambos os parceiros.

Não vamos tecer comentários sobre isso aqui mas vamos referir apenas os aspetos que, no presente, são objeto de acordo pela generalidade das pessoas, também na cultura ocidental.

O aspeto  considerado mais gravoso, para a boa harmonia do relacionamento, é a análise de existência ou não da aflição de Marte. Esta pode trazer dificuldades para a vida conjugal e também para as parcerias pessoais.

Existe «Kuja dosha» ou aflição de Marte quando Marte está colocado na 1ª casa (não existe se o Ascendente for Carneiro); quando está colocado na 4ª casa (não existe se o Ascendente for Leão); quando está colocado na 7ª casa (não existe para os Ascendentes Caranguejo e Virgem); quando está colocado na 8ª casa (não existe para o Ascendente Sagitário); quando está colocado na 12ª casa (não existe para o Ascendente Capricórnio).

Há assim uma exceção para a aflição de Marte quando este está colocado em certas casas do horóscopo, para alguns signos Ascendentes.

Alguns astrólogos também consideram existir a aflição de Marte quando este está colocado na 1ª, 2ª, 4ª, 7ª, 8ª e 12ª a partir da posição da Lua.

Há ainda quem faça estas contas a partir de Vénus e da posição do próprio Marte no horóscopo. Fácil é de ver que, com esta proliferação de possibilidades da aflição de Marte, um grande número de pessoas- pelo menos uns 75%- sofrem de algum modo da aflição de Marte.

Isto faz com que não demos excessiva importância a este dosha, embora seja evidente que, quando Marte está em determinadas posições, efetivamente prejudica o relacionamento.

Mas há outros fatores a ter em conta no que se refere à compatibilidade nos relacionamentos.

Alguns acham fundamental fazer o estudo da longevidade do nativo. A nossa opinião é que tais estudos, no mundo atual, falham constantemente, não tendo a mesma fiabilidade que tiveram no passado, em que faltavam os meios para vencer a doença e a morte em determinadas circunstâncias.

Há vários métodos para determinar a longevidade na Astrologia Jyotish, sendo um dos mais usados o método do sistema Jaimini. Mas, neste artigo, fazemos apenas referência a alguns fatores simples  até porque, para alguns, talvez fosse preferível viverem felizes menos anos com um (a) determinado(a)parceiro (a) do que viver muitos com alguém menos compatível afetivamente.

Tudo depende das prioridades de cada um, afinal o casamento é um contrato e é nesse contexto que se fazem estudos de compatibilidade  nos relacionamentos na tradição da Jyotish.

Para definir os fatores gerais da longevidade, um bom indicador é uma 1ª casa forte, o regente do Ascendente forte e ausência de planetas nas casas dusthana. A Lua deve, igualmente, ser forte, no horóscopo individual.

Para os que dão importância prioritária à longevidade do parceiro, este é um princípio simples e rápido de analisar: se a Lua, a 1ª casa e o seu regente forem fracos e as casas dusthana estiverem ocupadas, essa pessoa terá potencialmente uma vida menos longa do que na situação inversa.

                                           Compatibilidade entre Parceiros                  

A carta de nascimento de ambos é levantada e comparada entre si.

Para verificar a empatia geral entre os parceiros, começa-se por ver o signo Ascendente de ambos. O regente do Ascendente de cada um mantém uma relação de amizade, inimizade ou neutra? A relação deverá ser de amizade, para o estabelecimento de maior familiaridade entre as pessoas.

O passo seguinte é ver qual a relação de casas entre o signo Ascendente de um e o signo Ascendente do outro. A melhor é a de 5/9. A relação entre pessoas com o mesmo Ascendente é potencialmente boa à partida.

Mas, se a relação entre os Ascendentes é de 2/12 ou 6/8, o relacionamento é problemático ou sofre de falta de empatia mútua. Por ex., uma pessoa com Ascendente Touro e outra com Ascendente Gémeos  estão nesta situação; ou alguém com Ascendente Virgem e outra com Ascendente Aquário.

A relação 3/11 é positiva, é uma relação que apresenta os seus desafios mas permite a ambas as pessoas crescerem e dá bons resultados.

A relação de 1/7 e 4/10 casas de separação entre os signos Ascendentes é problemática: estão nesta situação por ex., uma pessoa com Ascendente Carneiro e outra de Balança; ou uma pessoa de Ascendente Touro e outra de Ascendente Leão.

Uma exceção a esta regra é quando os signos Ascendentes estão numa relação considerada difícil mas têm o mesmo regente: assim, o Ascendente Capricórnio e o Ascendente Aquário estão numa relação de 2/12 mas Saturno rege ambos por isso a regra não se aplica.

Esta regra da relação de casas pode aplicar-se a todos os planetas pessoais: Lua, Sol, Vénus, Mercúrio e Marte. É uma regra simples de aplicar, basta contar o número de casas entre a posição num signo do planeta considerado até à posição por signo do planeta do outro e ter em conta os significados de cada planeta.

Por exemplo, se o Mercúrio de um está colocado no signo Touro e o Mercúrio do outro está colocado no signo Sagitário (relação de 6/8)  a parte do relacionamento relacionada com a comunicação é muito difícil.

Agora depende de que tipo de relacionamento se está a considerar: por exemplo, o casamento, que é, desejavelmente, uma relação de longo termo, precisa que as pessoas sejam capazes de  entrar em diálogo pois haverá situações, ao longo da vida, em que, se não houver diálogo, as pessoas acabam por se afastar;

Numa relação de negócios, em que é preciso comunicar e ter espírito de compromisso, será importante que o Mercúrio, Vénus e o Sol sejam fortes pois Vénus ajuda a desenvolver o espírito de conciliação e de acordo, o Sol ajuda a definir objetivos e propósitos etc.

Na análise da compatibilidade  nos relacionamentos , é preciso ter em conta também o tipo de energia dos planetas:

Os elementos de cada planeta devem ser harmoniosos pois, quando existe disparidade neste plano, a expressão dos planetas é difícil. O elemento Água harmoniza-se bem com o elemento Terra; o elemento Ar harmoniza-se bem com o elemento Fogo;

Por ex., a Lua de um parceiro está colocada no signo Escorpião e a Lua do outro está colocada no signo Sagitário. Esta é uma relação energética muito difícil conhecida como «gandanta».

Não apenas os elementos não combinam entre si, como a relação entre a Lua de ambos é de 2/12.  O resultado é que a pessoa com a Lua na 12ª casa em relação à outra, Escorpião,  não só não é capaz de nutrir o outro nem de fomentar o seu crescimento emocional como faz com que o outro perca a sua energia vital (12ª casa). Por isso o relacionamento a nível de segurança emocional não existe e não funciona.

Nos relacionamentos em que a dimensão sexual é importante, costuma-se igualmente analisar a relação entre o Vénus de um e o Marte do outro pois estes planetas são complementares no relacionamento sexual que é também afetivo. Neste plano, a conjunção entre o Marte de um e o Vénus de outro  ou a oposição por signo de ambos são considerados os fatores mais fortes desta atração.

Similarmente, uma relação desfavorável entre estes dois elementos dificulta o relacionamento na sua dimensão psicossexual.

Para relacionamentos em que o sentido de propósito comum e segurança geral em relação ao outro, como na relação pais filhos e entre amigos, a compatibilidade entre o Sol e a Lua é um fator importante. A conjunção entre a Lua de um e o Sol de outro ou a oposição entre a Lua de um e o Sol de outro por signo são considerados os fatores mais importantes.

Evidentemente que, na relação referida no parágrafo anterior, uma boa relação entre o Mercúrio dos parceiros  é igualmente essencial para haver uma boa compatibilidade no relacionamento.

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