Glossário Astrológico- As Quatro Estrelas  Fixas Reais da Pérsia

conjunto de estrelas celestes

Discutimos neste artigo o conceito das 4 estrelas fixas reais da Pérsia.  Este conceito originou-se a partir  da obra Zend Avesta, atribuída a Zoroastro,  quando foi traduzida em 1771 por A. Duperron, um orientalista célebre, que traduziu vários  textos persas sagrados, dando-os a conhecer aos leitores ocidentais.

Nesta obra estão referências a certas estrelas com especial importância, bem como as mansões lunares e constelações estudadas pelos persas.

Um outro grande conhecedor de astronomia, Baily, escreveu,  quatro anos depois, em 1775, uma obra intitulada História da Astronomia Antiga, na qual defendia que esta ciência tinha começado no ano 3209 A. C. altura na qual as estrelas Aldebarã, Antares, Régulos e Fomalhaut  marcavam os equinócios e solstícios, tendo defendido que eram estas as 4 estrelas reais dos persas.

Assim, Baily defendeu serem estas as estrelas a que o Zend Avesta se referia, ao afirmar a importância especial de 4 estrelas fixas.  Os nomes aí referidos eram Taschter, guardiã do Este; Satevis, guardiã do Oeste; Venant, guardiã do Sul e Haftorang, guardiã do Norte.

Vários escritores depois de Baily tentaram precisar quais seriam as 4 estrelas fixas referidas pelos persas, tendo concluído que a estrela Aldebarã da constelação do Touro, a estrela Antares de Escorpião, a estrela Régulos de Leão e Formalhaut do Peixe Sul dividem o céu em 4 partes quase iguais. São também 4 estrelas muito brilhantes, justificando, para muitos, a denominação de «estrelas reais».

Acresce que, no ano 3000 A. C. estas 4 estrelas marcavam os pontos equinociais e solsticiais.

Duas destas estrelas, Aldebarã e Antares, eram vermelhas, marcando os pontos dos equinócios , pela localização nos signos equinociais. As outras duas- Régulus  e Formalhaut   têm cor branca   e estão localizadas nos signos associados com os solstícios.

Porém, nem todos os estudiosos da cultura persa fazem esta interpretação. Por ex., G. A. Davies jr afirma que a «estrela do Este» é, na verdade, Sírios, estrela que os persas associavam à chuva, sendo a dadora da fertilidade.

Quanto à 2ª estrela referida pelos primeiros tradutores, seria na verdade, não uma estrela individual mas a constelação de Aquário, na qual está incluída a estrela formalhaut.

Na opinião  deste mesmo autor erudito, a 3ª estrela referida pelos primeiros tradutores corresponde à 20ª mansão lunar dos persas, consistindo nas estrelas que ocupam a «cauda de Escorpião», uma constelação que  inclui a estrela vermelha de Antares.

Segundo Davies, a 4ª estrela referida pelos primeiros tradutores é, na verdade, um conjunto de estrelas, situadas na Ursa Maior, em número de sete, a que os antigos persas chamavam de «Sete Tronos» Haftorang, simbolicamente «os sete céus».

Na cosmologia persa, o Norte era a área onde  se localizavam todos os maus espíritos e demónios e parece que esta «4ª estrela» ou melhor, constelação, indica a presença de um grande número de espíritos guardiões protetores que combatem esses males. Assim, a tarefa desta constelação seria a de manter contidas as forças infernais que se opõem à esfera celeste e constelações do Zodíaco.

Na mesma linha, este autor refere ainda que existe  uma constelação  que tem  o papel principal na luta contra as «forças do mal» nas quais Saturno é o planeta que representa essas forças maléficas.

Esta constelação considerada a «maior» em poder, era também referida como a do «meio dia», expressão que levou este investigador a considerar que deve ser uma constelação que, na época, era a mais visível durante o dia, comparada com outras.

Infelizmente, os textos usados para obter a referência desta constelação não têm uma data precisa, não sendo possível determinar a que constelação se referia.

Davies rejeita deste modo a referência tradicional que identifica no texto do Zend Avesta as 4 estrelas reais que seriam as líderes do mundo e que a tradição ocidental recente associa aos arcanjos: Aldebarã corresponderia ao Arcanjo Miguel , líder e guardião  do Este; Régulus corresponderia ao Arcanjo Rafael, líder e guardião   do Norte; Antares corresponderia ao Arcanjo Uriel líder e guardião   do Oeste; Formalhaut corresponderia ao Arcanjo Gabriel, líder e guardião  do Sul.

Na opinião e investigação de Davies, a astronomia persa não reconheceu quaisquer estrelas reais. Em resumo, as 4 estrelas líderes referidas são na verdade uma estrela- Sírius- e 3 constelações.

Assim se desfazem alguns mitos embora atraentes para o imaginário coletivo do ocidente.

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