Prashna Marga- Astrologia e Karma

Pessoas movendo-se no interior de uma espiral

Neste artigo continuamos a explorar a obra Prashna Marga, comentada pelo Dr. B. V. Raman falando hoje da relação entre a astrologia e o karma, no qual se mostra que o papel da astrologia é «iluminar» (Jyotish) a consciência para que esta veja o karma que pode ser mudado.

Deixamos também, nesta introdução, uma nota sobre a importância e admiração  que o autor de Prashna Marga  mostra  pelo livro Brihat Jataka de Varahramihira e pelos comentadores deste texto, afirmando que todos os estudantes de astrologia deveriam ler estas obras para melhor compreender a arte da horoscopia e prashna.

O Papel da Astrologia e o Karma

Nas estâncias 33 e 34 da obra, o autor estabelece a relação entre a astrologia e o karma, distinguindo dois tipos de karma- Sanchita e Parabdha. Enquanto o primeiro não  é resolvido na vida terrena, o 2º é e resultará na necessidade de novo renascimento, após a vida atual terminar.

Assim, é este segundo tipo de karma que determina os ciclos de encarnação até a alma atingir «o verdadeiro conhecimento»  (gnana) segundo o autor. As almas precisam de voltar a nascer para «colher  os frutos» de nascimentos anteriores.

E também, segundo outras fontes, para terem novas oportunidades e poderem  fazer escolhas melhores pois o karma não é punitivo, a sua base fundamental não é castigar mas ajudar a evoluir e a desenvolver.

Ora, o papel da Astrologia é «iluminar o caminho» ajudando a ver o karma que a pessoa traz para esta vida, pois os planetas simbolizam tipos de consciência e as suas configurações no horóscopo ajudam a compreender como fazer melhores escolhas, de modo a libertar-se da «roda de samsara» que repete continuamente os mesmos erros e ilusões, levando a mais sofrimento.

Ora, um dos elementos fundamentais que podem ajudar a melhorar as condições de vida é Muhurtha, a escolha do «momento auspicioso». Saber escolher estes momentos auspiciosos é fundamental pois o que a pessoa faz num momento favorável resulta em «felicidade»; o que se faz num momento não auspicioso resulta em «mal» (resultados desfavoráveis).

O autor refere ainda o «karma familiar» afirmando que, o que tiver de ser experienciado, bom ou mau (agradável ou desagradável) é experienciado pela família. O Dr. Raman comenta isto afirmando que os resultados kármicos do nascimento anterior são experienciados nesta vida não apenas pelo nativo mas pelos seus descendentes.

Queremos, no entanto, notar que a crença de que a  astrologia apenas estuda o «karma do passado»  e que o seu papel é «iluminar» na nossa consciência o conhecimento desse karma passado, é algo que reflete as crenças religiosas da cultura que o autor da obra partilha e que existe uma perspetiva mais abrangente que salienta a importância da liberdade humana.

Segundo esta perspetiva, o horóscopo não é apenas um reflexo do passado, é também um mapa «de oportunidades», mostrando que, a partir da matriz do passado, cada ser humano é capaz de fazer mais, usando a liberdade para cocriar um futuro mais livre e favorável para si próprio.

Esta perspetiva está alinhada com a nossa convicção de que o passado, apesar de não poder se alterado ao nível das ações realizadas pode, na verdade, ver mudado o seu significado  pelas escolhas novas do presente, que cancelam as escolhas do passado que conduziram ao sofrimento e à ausência de desenvolvimento interior.

Assim, o destino humano não está «escrito em pedra» como algo inalterável e a prova , vista pela análise do horóscopo de pessoas diferentes que partilham configurações semelhantes, é que «o karma» não se manifesta do mesmo modo para cada pessoa, sendo algo dinâmico e capaz de se transformar, de acordo com as novas ações e escolhas de cada um.

Deste modo, é apenas para as pessoas que não assumem a condução do próprio destino e desistem da sua própria liberdade, conformando-se com sentir apenas o impacto do karma passado, que o horóscopo se torna o mapa do karma passado e não mais do que isso.

O autor de Prashna Marga admite, no entanto, que uma pessoa pode colher, numa vida, os «frutos» do karma passado ou apenas os frutos do karma criado no presente. A astrologia horária ou Prashna está diretamente relacionada com a segunda possibilidade.

Ao levantar uma carta horária (prashna) podemos saber se a pessoa está a colher os frutos do karma passado ou, pelo contrário, colhe os frutos do karma produzido no presente. Como, perguntará o leitor.

Bem, a estância 43 responde: se há planetas colocados de forma benéfica no horóscopo (carta natal) e, na carta prashna ,esses planetas estão colocados de forma maléfica, a resposta é que o nativo está a experienciar os frutos de ações que criaram karma negativo nesta vida;

E vice-versa, quando os planetas estão colocados desfavoravelmente na carta natal e de forma benéfica na carta prashna (neste caso, o indivíduo está a beneficiar de boas ações realizadas nesta vida).

Quando as configurações do horóscopo e da carta prashna são semelhantes, deve considerar-se que o nativo está a experienciar o karma do passado (e nada de relevante fez nesta vida para mudar esta tendência kármica).

Esta conceção revela também que a carta prashna era vista como um complemento em relação à carta natal. O Dr Raman comenta isto da seguinte forma: ao analisar a carta natal, se constatar que esta indica um dasa favorável  e, ao efetuar uma questão, a carta prashna indicar o inverso, o astrólogo terá de concluir que o bom karma do passado não será, na verdade, experienciado, pois o karma das ações negativas do presente sobrepor-se-á.

Do mesmo modo, se a carta natal indica um período desfavorável e a carta prashna, pelo contrário, indica um excelente período, então dever-se-á concluir que o nativo experienciará apenas o karma atual.

Quando a carta natal e a carta prashna dão efeitos semelhantes, deve concluir-se que o nativo experienciará  o karma passado. Segundo o Dr B. V. Raman, deve estudar-se conjuntamente a disposição benéfica ou maléfica dos regentes do dasa (regente e subregente)  e os planetas relevantes no período, em conjunto com a carta prashna para determinar com clareza o tipo de karma a experienciar.

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