Conjunção Lua Rahu

mãe com filha  na cama com livro

Neste artigo exploramos os efeitos gerais da conjunção entre a Lua e Rahu. Rahu é inimigo da Lua pelo que esta conjunção não é fácil.

A conjunção Lua Rahu produz nos nativos a necessidade de se sentirem especiais. Dá-lhes uma astúcia que afina a inteligência e pode produzir dissimulação e um modo de ser manipulativo, usando as emoções para alcançar o que deseja.

Rahu tem o efeito de amplificar a natureza emocional da Lua tornando muito exuberantes as manifestações emocionais.  A natureza de Rahu é também oposta à da Lua: enquanto esta estabelece rotinas e hábitos para se manter em segurança, Rahu irrompe para fora do que é usual e busca o extravagante, o  estranho, o  irregular.

A Lua aprecia também o cumprimento das regras sociais e dos costumes locais, enquanto Rahu tende a desprezar tudo isso, não lhe  dando nenhum valor, a não ser que lhe dê «jeito» para alcançar algum objeto de desejo.

O resultado é uma personalidade que se mascara de respeitadora das normas, ao mesmo tempo que «tem uma agenda escondida»  usando as emoções e a imagem de respeitabilidade institucional que vai construindo para conseguir o que deseja, manipulando, dissimulando.

Ao mesmo tempo que mantém a sua reputação quanto aos princípios e à moralidade, a personalidade com esta conjunção raramente se preocupa com tais aspetos, embora aparentemente possa parecer ter um comportamento irrepreensível aos olhos da sociedade.

Na verdade, estas pessoas costumam colocar-se «para além do bem e do mal», seguindo apenas o que em cada momento lhes permite alcançar posição social, dinheiro  e poder.

Rahu é uma energia poderosa e, em associação com a passividade lunar, torna-a apaixonada por aquilo que é extravagante e diferente, dando também uma paixão por desafiar todos os «tabus», todas as regras.

Estas pessoas gostam de correr riscos, de ultrapassar todas as fronteiras proibidas pelos costumes e pela moralidade. Isto pode manifestar-se na inclinação para se ligarem a pessoas que o seu grupo social considera serem indesejáveis, por vezes mesmo com marginais, criminosos, pessoas de etnia ou cultura diferente, estrangeiros, etc.

A tendência que estas pessoas têm de «ultrapassar todos os limites aceites» tem também aspetos muito positivos pois são estes indivíduos quem, mais facilmente, desafia normas sociais injustas, ultrapassadas e que ajudam a inovação e o progresso porque pensam e atuam de maneira diferente da maioria.

A mãe destes nativos tem também ela os traços de Rahu e pode ser muito ambiciosa, procurando a todo o custo «subir» na escala social. Pode ser oportunista, sempre à espera de uma forma (seja ela qual for) para conseguir, com dissimulação e/ou manipulação, alcançar o que deseja. Gosta de controlar, de sentir que tem poder sobre outros.

Estas pessoas são fascinadas pelos privilégios das elites. Não desejam derrubar nem acabar com essas elites nem destruir esses privilégios pois detestam a ideia de ver todos os indivíduos como sendo «iguais». O que desejam é «ser um deles» um membro reconhecido dessa pequena elite que «tem o melhor talhão» de tudo o que dá poder e posição a alguém. E fazem tudo para o conseguir.

Como dissemos, Rahu amplifica as características representadas pela Lua, sejam estas a ligação à família, a empatia pelos outros e o envolvimento em ações humanitárias, a necessidade de segurança a nível pessoal e social, o patriotismo do nativo, a sua ligação à comunidade local.

Porém, faz isso de modo a utilizar cada uma dessas facetas para conseguir alcançar o seu desejo que é sempre, inevitavelmente, o de «subir na escala social, ser importante, ter todos os privilégios dos que estão no topo da sociedade».

Deste modo, estas pessoas podem mostrar uma imagem irrepreensível, em termos públicos, de mãe ou pai extremosos, filantropos ou políticos locais, membros das forças de segurança , defensores da «Pátria» ou dos direitos dos cidadãos em relação a costumes locais, etc.,   mas usando tudo isso para cumprir a sua verdadeira agenda que tem apenas um alvo real (o próprio indivíduo) que não se interessa verdadeiramente pelo bem estar da comunidade ou dos outros.

Estes nativos podem igualmente aproveitar os medos das massas, os seus interesses, para se beneficiarem a si próprios, através do ativismo ou de cargos públicos e políticos, em nome «da segurança» «do bem -estar das populações», etc., para alcançarem mais vantagens e privilégios para si próprios.

Podem chegar a cometer atos contra os direitos fundamentais e os direitos humanos em nome «do povo» para, na verdade, aumentarem os seus privilégios e poder pessoal.  A casa do horóscopo onde ocorre a conjunção mostra os meios de que o nativo se serve para alcançar isso.

Um comportamento típico desta conjunção é o uso das emoções dos outros – incluindo das massas (o medo do terrorismo, da falta de emprego, dos estrangeiros, de certas classes da sociedade, etc.) para construírem uma  ação concertada pela qual aparentemente dão segurança a essas pessoas mas, na verdade, procuram apenas o benefício próprio através da exploração dos medos coletivos.

Isto pode ser levado ao extremo, quando o indivíduo tem cargos de projeção social, acicatando para a violência, para  a guerra, para a exclusão de membros da sociedade. Os nativos são intensamente apaixonados mas voláteis, mudando incessantemente. Gostam de luxo e de beleza, podendo fazer tudo o que podem para desfrutarem disso.

Quando a conjunção ocorre numa casa kendra, especialmente numa casa de grande visibilidade pública, o nativo pode alcançar muita riqueza e pode mesmo atingir altos cargos de liderança política, sendo considerado um líder carismático seguido pelas massas.

Sendo Rahu e a Lua tão díspares nas características e necessidades, há em geral comportamentos paradoxais do nativo relacionados com a casa onde se dá a conjunção: por um lado comportamentos conservadores, rotineiros, ligados aos ambientes e práticas bem conhecidos e familiares;

Por outro lado, o lado extravagante de Rahu que leva a pessoa a mudar radicalmente de registo, exprimindo o diferente, o inovador, agindo fora das regras, desafiando tabus….à medida que estes padrões opostos são revelados aos que são próximos destas pessoas, estas começam a duvidar da «sinceridade» destes nativos em certas ocasiões.

Os mais atentos podem mesmo reconhecer a natureza oportunista da personalidade. Mas a maioria pode perfeitamente nunca se dar conta de nada estranho neste modo de ser.

Mas o principal problema, nesta personalidade tão complexa, é que os nativos sentem, realmente, necessidade do conforto da família, das rotinas, da segurança, da ligação à comunidade….mas, ao mesmo tempo desejam quebrar todas as barreiras e regras, desejam ser extravagantes, diferentes, são intensos e apaixonados em relação a objetivos de riqueza e poder.

Esta dualidade faz com que tenham muitas compulsões que nem eles próprios entendem pois a sua natureza emocional está dividida em duas facetas opostas que se contradizem: querem ao mesmo tempo segurança e risco, respeitabilidade e romper com todas as regras e tabus. Com Rahu em conjunção com a Lua, existe sempre, em geral, algum tipo de desordem emocional  mais ou menos acentuado mas sempre presente.

Em termos gerais, estas pessoas revelam instabilidade emocional, são impacientes, com desejos muito fortes e apaixonados.  A sua natureza intensa e controladora sobre os parceiros e familiares próximos não é fácil para estes.

No entanto, esta é uma personalidade carismática e fascinante para os outros, devido à sua intensidade e ao próprio «fascínio da serpente», que estas pessoas emanam, num magnetismo muito especial.

Estas pessoas gostam de  correr riscos no plano emocional, desafiando os próprios medos. Podem por isso manter um relacionamento extraconjugal que lhes pode fazer perder uma «posição» conquistada, só pela adrenalina que isso lhes faz sentir.

Tendem a ser pais cedo na vida. Apesar de usarem a parentalidade como uma forma de criarem a sua imagem pública, o «estilo» que desenvolvem como pais pode ser bastante extravagante,  mais orientado pelos objetivos sociais que perseguem do que pelo real interesse pelas crianças. Podem ser intempestivos e impacientes com os filhos.

Isto sucede apesar de as mulheres com esta conjunção se identificarem com as suas características lunares de maternidade. Porém, uma vez a criança nascida, todos os aspetos da personalidade associados ao lar e às atividades no lar perdem o brilho inicial e o interesse destes nativos deixa de se situar nesses aspetos.

Estes nativos tiveram em geral uma «super mãe» extremamente manipuladora e controladora, provavelmente  abusiva, acabando por adotar um modelo semelhante de atuação em relação aos próprios filhos. A relação com a mãe tanto no passado como quando ela está presente na vida adulta é, no mínimo, problemática  e muito manipuladora, destruindo a estabilidade da personalidade em crescimento.

A mãe destes nativos é em geral um fator que tanto ajuda a catapultar estas pessoas para o topo do que desejam como é potencialmente o elemento mais destruidor da sua estabilidade mental e da sua personalidade.

O próprio casamento pode esmorecer após o nascimento de filhos, mantendo-se apenas como uma plataforma de acesso a certos privilégios que a pessoa deseja conquistar. Estas pessoas não sentem verdadeiros laços com a família, colocando a sua paixão verdadeira no «alvo» dos privilégios que querem alcançar.

Esta faceta explica-se também em parte pelo facto de estas pessoas terem sido educadas para valorizar os objetivos sociais acima de tudo, porque a mãe (raramente o pai) tinha a mesma exata ambição e educou o nativo para dar o máximo valor a esses objetivos.

A verdade é que Rahu faz sentir um permanente desejo por satisfação emocional (através da família, dos filhos etc.) mas esse desejo nunca é totalmente satisfeito: Assim, uma mulher com esta conjunção deseja tanto ser mãe que tem essa experiência mais cedo do que a maioria. Porém, após a concretização desta, em vez da satisfação esperada, há o vazio e a pessoa sente necessidade de correr algum risco, de experimentar alguma coisa nova.

Em outros casos, a mulher que acabou de ser mãe identifica-se tão profundamente com esse papel que se torna extremamente controladora da criança em crescimento, podendo desenvolver comportamentos extremamente invasivos em relação á criança, que não permite que se torne independente.

Outros nativos sentem uma necessidade tão profunda de contacto emocional  que podem quebrar tabus morais em relação às pessoas envolvidas e perdem completamente a noção dos limites. Isto ocorre principalmente na área da sexualidade em especial quando a conjunção ocorre numa casa dusthana ou num signo desfavorável.

Podem ter comportamentos muito invasivos  e violentos, na compulsão dessa procura do desejo de contacto, em especial quando Marte está também envolvido por aspeto. Esta tendência  é aumentada pelo facto de estas pessoas precisarem de gratificação «já», não tendo desenvolvido  a capacidade para adiar essa gratificação ou para a substituir por algo moralmente aceitável.

Quando Saturno está em aspeto ou  conjunção Lua Rahu estes nativos podem igualmente tornar-se abusivos em relação aos filhos, sendo muito punitivos em relação a estes. Tanto quando existem abusos sexuais como quando há violência física sobre os filhos, a sociedade acaba por tomar conhecimento e o nativo é alvo da censura e da reprovação desta.

As pessoas que nascem com a conjunção Lua Rahu precisam de ser guiadas para desenvolverem a disciplina de respeitar os limites impostos pela sociedade e as regras. Mas, mesmo quando isso acontece, mantêm, em geral, ao longo da vida, dificuldade em reconhecer os limites do que é aceitável e do que não é em termos sociais e morais.

A conjunção Lua Rahu pode dar talento para curar psiquicamente os outros. Porém, é necessário que estas pessoas tenham a disciplina de não tentar manipular aqueles que procuram a cura, o que nem sempre lhes é possível.

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