Glossário Astrológico- Almuten Figuris e Regente da Genitura

homem em postura de meditação

Neste artigo falamos dos conceitos de Almuten Figuris e de Regente da Genitura. Há quem, como o astrólogo Robert Zoller, os considere sinónimos mas outros consideram não ser esse o caso.

Associado ao conceito genérico de Almuten, há o conceito de Almuten Figuris, segundo os investigadores, usado pela primeira vez pelo astrólogo árabe do século 11, Ibn Ezra. Este também mostrou como fazer  o cálculo do Almuten Figuris.

O Almuten Figuris aparece como o planeta que domina o horóscopo, considerando-se por isso o planeta mais importante e sensível do horóscopo.

Robert Zoler, um astrólogo conceituado, marca a origem do conceito de Almuten Figuris no século 3, em plena época helenística, através dos  textos de Iambichus.

Apesar de este autor helenístico ter afirmado que o conhecimento deste planeta pode ajudar a pessoa a mudar o seu destino, não explicou o método para o encontrar, limitando-se a afirmar que a astrologia pode ajudar a conhecer esse planeta.

Almuten Figuris e Regente da Genitura

Segundo Iambichus, o planeta que está associado ao destino da alma é o «regente da genitura» (palavra que significa «nascimento») e corresponde ao planeta que acumula, no horóscopo, mais dignidades , sendo o «vencedor» devido a essa acumulação.

Neste conceito de «regente da genitura» não devem ser tidas em conta apenas as dignidades essenciais, devendo considerar-se também as acidentais, como a colocação do planeta em causa numa dada casa do horóscopo, os aspetos que o planeta recebe, etc.

O que caracteriza o regente da genitura é a sua capacidade de atuar no horóscopo a partir da força que agrega. O regente da genitura é o que mostra o propósito de vida essencial do nativo. Quando é difícil determinar qual é o planeta que tem este papel, isso é também indicação de que a pessoa terá dificuldade em descobrir esse propósito.

Sendo necessário lidar também com as dignidades acidentais na determinação do regente da genitura, é preciso conhecer bem a força de cada uma das casas e a sua tipologia (casa angulares, sucedentes, cadentes) bem como a natureza benéfica ou maléfica de cada uma.

Por vezes não é possível escolher para regente da genitura um planeta com dignidades essenciais: se todos os planetas estiverem apenas em situação de debilidade- como detrimento, queda, – e alguns apenas tiverem dignidade acidental, terá de ser escolhido um planeta com dignidade acidental como o regente da genitura.

Papel do Regente da Genitura

Segundo os astrólogos helenísticos como Iambichus,  do séc. 3 da era cristã, o regente da genitura é o guia do nativo na vida, tem um papel equivalente ao do tradicional «anjo da guarda». O seu papel é orientar, dar força para enfrentar certas dificuldades, perdas, etc. Representa a força interior de cada um, com a qual este nasce, para concretizar o seu destino de acordo com o plano estabelecido.

Trata-se de um guia interior, uma «voz interior» que, sempre que estamos numa situação limite e a dúvida nos assalta sobre «o que é correto fazer», «responde» dando a orientação correta.

Não se trata de decidir pelo nativo, trata-se de «apontar um caminho». Cabe à pessoa segui-lo ou não.

A razão que leva Robert Zoller a considerar que o conceito expresso por Iambichus do «regente da genitura» é idêntico ao de Almuten Figuris, é o facto de o astrólogo helenístico afirmar que o regente da genitura representa um «espírito» que está ligado à alma do nativo e o acompanha ao longo da vida.

Antes de a «alma descer» ao plano terreno para encarnar, afirma Iambichus na obra Teurgia, este espírito está presente.

Quando a alma o escolhe como guia (líder), este espírito assume imediatamente a tarefa de completar os aspetos vitais do corpo no qual a alma encarnará e liga-se a este, assumindo assim o estatuto de guardião e condutor de todos os processos da vida individual, incluindo os processos mentais de raciocínio.

Segundo Zoller, o Almuten Figuris tem tanta força, sozinho, como todos os outros planetas juntos.

Assim, o Almuten Figuris atua como a ligação do ser humano ao divino. Mas, será o mesmo que o «regente da genitura»?

Segundo Benjamin Dikes, um investigador discípulo de Zoller, o regente da genitura e o Almuten Figuris não são o mesmo. O Almuten Figuris atua ao nível dos processos mentais internos do nativo, alterando os pensamentos, crenças e até o caráter. A sua realidade é por isso interna, integrando a identidade  do nativo.

Pode suceder que haja algum entendimento menos correto do papel do Almuten Figuris em algumas interpretações pois, se os pensamentos e crenças a pessoa são mudadas pelo «espírito interno» que é o Almuten Figuris,  a liberdade do ser humano fica suspensa e torna-se refém de uma escolha prévia, sem oportunidade de ser alterada, por outras aprendizagens que a alma faz na vida terrena concreta.

Mas  isso não parece ter apoio no contexto neoplatónico da época helenística que, baseada na filosofia de Platão, aceita que  a existência humana como é  uma oportunidade para aprender e, a partir dessa aprendizagem, aperfeiçoar-se. Assim, não parece coerente considerar que o Almuten figuris controla a mente humana, transformando-a numa espécie de «programação fatalista» que escolhe pelo ser humano.

Assim parece que o  entendimento do conceito de Almuten Figuris, tal como é defendido por alguns, é uma corrupção do próprio pensamento neo-platónico que está na base da astrologia helenística e no qual a existência terrena é o palco da aprendizagem humana e da transformação do caráter.

Platão ensinou claramente- veja-se por ex., a alegoria da Caverna-  que nenhuma alma pode aprender à força, pois tem de ser capaz de ver por si, e não simplesmente de acreditar, de forma cega, no que lhe dizem ser verdade.

Assim, pensamos que o conceito de regente da genitura, tal como é  defendido na astrologia helenística e, por exe., pelo astrólogo W. Lilly do século 17, é  mais claro  e coerente com a base filosófica da astrologia helenística  deste conceito.

Também Poderá Gostar de Ler

Leave a Comment