Glossário Astrológico- Anareta, Grau Anarético

Plantas a nascer junto a tronco de árvore cortado

Neste artigo esclarecemos o significado dos termos «Anareta» e «Grau Anarético» de um signo, desenvolvidos na Astrologia Helenística e na tradição posterior.

O Anareta é o destruidor da forma, o planeta que aflige severamente o Hyleg na carta natal ou numa progressão. Em geral é um planeta maléfico mas qualquer planeta pode  tornar-se o Anareta, particularmente se rege a 8ª casa ou é algum planeta colocado na 8ª casa ou se é o Almuten do regente da 8ª casa. Os antigos afirmavam que é o planeta que «traz a morte».

O Anareta é o planeta oposto ao Hyleg, ou dador da vida, mostrando assim que os antigos  consideravam que há duas forças em ação no mundo da forma, trabalhando «uma contra a outra»: uma força para criar a vida e outra para destruir as formas. Esta última é representada pelo Anareta.

O Anareta representa, deste modo, o planeta que traz destruição a vários aspetos da nossa vida, destruindo as estruturas que vamos construindo e solidificando, forçando mudanças. Para os antigos, que aspiravam à imutabilidade da vida, esta ação do Anareta era vista como algo bastante negativo.

Porém, pode ser igualmente concebido como uma fonte de progresso, ao obrigar a fazer as mudanças que, por medo, comodismo, ou simples inércia, não fazemos por iniciativa própria.

Assim,  a primeira coisa a fazer, em relação ao planeta Anareta, é vê-lo como a força transformadora do horóscopo que nos impele a mudar, a não permanecer estagnados e que, se não o fizermos por nossa escolha, nos obriga a fazê-lo através de experiências mais traumáticas.

A vida é, antes de mais, movimento para «ser mais», para o novo que transforma as velhas formas em algo mais harmonioso, dando expressão ao impulso geral da vida, para criar novas formas e novos modos de ser.

Assim, em vez do medo, talvez a forma mais positiva de encarar o planeta Anareta seja a compreensão das potencialidades que ele pode trazer para a nossa vida.

No passado, a designação de  planeta Anareta era atribuída a qualquer planeta colocado na 8ª casa, a casa indicadora do tipo de morte do corpo físico. Qualquer planeta colocado na 8ª casa, mesmo benéfico na sua natureza, podia assim transformar-se no Anareta.

Mas também qualquer planeta colocado no «grau anarético» de um signo (30º ou último grau de um signo), ou o regente da 8ª casa, ou um planeta severamente aflito por maléficos como Marte ou Saturno, ou debilitado pode tornar-se o Anareta ainda que o sentido mais originário se relacione com a 8ª casa.

Esta é, tradicionalmente, a «casa da morte» e esta foi, tradicionalmente, vista como «um mal», como um «perder tudo» sem nada podermos fazer para o evitar. O medo da morte é primitivo, instintivo, alvo dos medos mais profundos e arraigados.

Por isso, a 8ª casa é a casa dos medos, dos perigos mais ameaçadores. Porém, é também a casa que indica a possibilidade de transformarmos a identidade através dessas experiências, deixando «morrer» o que já não tem vitalidade para permanecer.

Apesar de  o conceito de Anareta ser usado desde a Astrologia Helenística, mantendo-se ao longo da época medieval e renascentista e  de continuar a ser usado hoje por muitos astrólogos para tentar compreender o contexto e o momento da morte, na verdade não é o único fator a considerar para esse efeito.

Anthony Louis, por exemplo, um astrólogo contemporâneo conhecido pelo seu trabalho na Astrologia Horária, refere, para a análise da morte, os seguintes elementos:

O ponto Emerson da morte, tal como referido por outra conhecida astróloga  da Astrologia horária, Bárbara Waters e que corresponde à soma da longitude de Marte e Saturno subtraindo-se a longitude do meio céu (cúspide da 10ª casa) ;

Outro indicador importante é a parte ou lote da morte usado pelos medievais que corresponde à soma da longitude da cúspide da 8ª casa mais a longitude de Saturno e subtraindo a longitude da Lua (sistema de casas de Regiomontanus).

Anareta– dia:  Longitude do Ascendente  subtraindo a longitude da Lua adicionando a longitude do regente da 1ª casa.

Anareta– noite: Longitude do Ascendente somando com a longitude do regente da 1ª casa e subtraindo a longitude da Lua.

O astrólogo Anthony Louis afirma que um ou mais destes pontos estão ativos no momento da morte, o que é confirmado pelo estudo de pessoas que morreram, por exe., assassinadas. Um elemento adicional a estes fatores é o uso de progressões lunares e solares secundárias para o momento da morte.

E isso leva-nos a referir o outro aspeto do conceito que é o grau anarético: este corresponde ao grau 30 de qualquer signo, sendo por isso o último grau de um signo. Os antigos chamavam a este grau o «grau do destino». Planetas ou outros pontos ou partes aqui colocados indicam grandes atribulações para a vida.

Mas o grau anarético pode significar também o grau em que se encontra colocado o Anareta.

Outros designam também por graus anaréticos os que se referem aos «termos» (uma das dignidades essenciais)  que indicam má fortuna. Ptolomeu apresenta na sua obra uma tabela com estes graus (publicaremos essa tabela num dos artigos sobre o Tetrabiblos, que estamos a divulgar no site A Tua Vida nos Astros.

Note-se que, como referimos atrás, o Anareta deve ser visto complementarmente com o Hyleg (planeta dador de vida) que, de acordo com Cláudio Ptolomeu, na obra Tetrabiblos, é o planeta com maior número de dignidades, isto é, é o Almuten. A estes dois junta-se ainda um outro planeta, o Alchochoden, o «dador de anos» que determina a longevidade.

Deste modo, o Anareta, apesar de indicar doença e morte, só por si não determina os anos que um determinado ser humano deve viver. A longevidade é resultado da influência e equilíbrio entre o Anareta, o Hyleg e o Alchochoden.

Uma análise cuidada da força de cada um é por isso aconselhável, ao analisar o tema da morte, doença e longevidade segundo a astrologia tradicional.

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