Glossário Astrológico- Signos Bicorpóreos e Duais

Arvores com folhagem de primavera e  outono

Neste artigo falamos dos signos bicorpóreos. Estes correspondem aos signos mutáveis. Alguns não incluem o signo Virgem, referindo apenas os signos Gémeos, Sagitário e Peixes mas Ptolomeu considerou também o signo Virgem.

O nome também se refere ao facto de serem duais (em Gémeos, como o nome indica, são dois, em Sagitário são duas partes distintas, cavalo e homem) em Peixes são dois peixes também).

No entanto, esta categorização não parece muito evidente porque não inclui todos os signos que têm essa dualidade, uma vez que o signo Capricórnio também é dual- metade cabra e metade peixe.

Vejamos o que diz Ptolomeu, o astrólogo helenístico que foi o autor do manual de astrologia que influenciou toda a astrologia posterior:

os signos bicorpóreos, diz, têm esse nome porque partilham das qualidades dos signos que os antecedem- os signos fixos– e dos signos que lhes sucedem- os signos que marcam os equinócios e os solstícios– Caranguejo e Capricórnio, Carneiro e Balança que, por sua vez, são signos cardinais.

Ora, os signos equinociais e solsticiais marcam o início das quatro estações, e os signos que estão entre eles e os signos fixos partilham as características de ambos, sendo por isso designados por «signos duais».

Deste modo, a designação deve incluir o signo Virgem que está entre o signo Leão (signo fixo) e o signo Balança, o signo cardinal que marca o equinócio do outono.

E o que é interessante notar a propósito destes signos é que eles são muito adaptáveis, razão pela qual também são designados por «signos mutáveis».

Os signos mutáveis partilham características de ambos os signos entre os quais se posicionam, podendo assumir características de signos fixos ou de signos cardinais, conforme a situação.

Os signos cardinais são os que iniciam a ação e a mudança; os signos fixos são os que permitem a estabilidade após a mudança. No meio deles, estão os signos duais que têm a flexibilidade da adaptação entre ambos os estados.

Assim, os signos duais ou mutáveis são mais estáveis do que os signos cardinais que são essencialmente inclinados para a mudança; os signos duais são mais passivos a este respeito, não procuram por si mesmos a mudança mas adaptam-se como resposta a um impulso que conduz a essa mudança.

São, no entanto, diferentes  dos signos fixos porque estes procuram manter inalterável a estabilidade enquanto os signos duais são mais flexíveis, mudando em resposta ao impulso recebido nessa direção.

Por serem capazes de ter dois comportamentos diferentes- a mudança e a estabilidade- conforme a situação, vistos como signos bicorpóreos- Virgem também é um signo bicorpóreo, correspondendo a uma donzela e uma ave, por vezes representada por  uma mulher com asas.

A natureza bicorpórea destes signos indica uma natureza dual,  dois lados diferentes na sua natureza, que lhes permite estabelecer pontes entre dois padrões cuja natureza é extrema e não adaptável.

Os signos duais ou bicorpóreos têm, deste modo, uma natureza moderada, na qual é possível o acordo e o espírito de compromisso. Entre o fixo e  inalterável, e a mudança em sentido absoluto, estão os signos duais, mutáveis ou bicorpóreos como possibilidade de ligação entre esses dois extremos.

Quando se encontram colocados na cúspide de uma casa, significam experiências sujeitas a mudança ou natureza dual. Por ex., quando um signo mutável ocupa a 5ª casa, há grandes possibilidades de a pessoa ter filhos gémeos.

Quando um signo dual ocupa a 7ª casa há possibilidade de a pessoa casar mais do que uma vez, etc.

Regressando ao conceito que nos ocupa neste artigo, a designação de signos duais ou mutáveis parece-nos ser mais correta  para estes signos do que a de signos bicorpóreos pois estes não incluem Capricórnio, que é também  um signo bicorpóreo.

E a razão pela qual não incluem o signo Capricórnio só pode ser entendida à luz da explicação de Ptolomeu: Capricórnio não entra neste grupo porque é um signo solsticial, estando próximo do início da estação do Inverno e toda a razão de ser  da categorização dos signos duais está em que estes estão entre os signos fixos e os signos cardinais (Capricórnio é um signo cardinal), não sendo, eles próprios nem fixos nem cardinais.

A importância do estudo da astrologia nas fontes antigas helenísticas mostra-se assim fundamental para compreender os conceitos que muitos usam sem ter, grande parte das vezes, a compreensão da sua explicação  essencial.

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