Conjunção Lua Ketu

mulher com expressão apática

Falamos neste artigo dos efeitos gerais da conjunção Lua Ketu.

Ketu corta os laços da pessoa com a realidade com a qual se encontra associado. Quando está associado à Lua separa a pessoa da sua mente emocional. O resultado é uma personalidade indiferente, tanto em relação à mãe e à maternidade como em relação ás necessidades emocionais.

Deste modo, esta conjunção torna a pessoa «incapaz de sentir» e isso é difícil de experienciar.

Outros fatores podem compensar, de certo modo, esta situação:  assim, deve-se ter em conta se há outros planetas em aspeto com Ketu;  a casa que a Lua rege e a casa em que cai a conjunção com Ketu; as características do planeta dispositor do signo em que cai a conjunção; as características do regente astrológico do Nakshatra da Lua; a disposição da 4ª casa no horóscopo específico; os significados da casa em que o signo Caranguejo está colocado.

Quando pelo menos alguns destes fatores dão apoio aos significados gerais da Lua, a pessoa não se torna completamente inerte em termos emocionais, exprimindo alguma empatia em relação aos outros.

Caso contrário, esta pessoa pode mostrar-se completamente indisponível em termos emocionais, não exprimindo nem emoções negativas nem positivas: assume uma total indiferença.

Dado que a disposição da Lua também define as características da mãe, esta pode ter ela própria abandonado o nativo, pelo menos em termos emocionais, não revelando qualquer empatia com a criança e mostrando indiferença pelas necessidades emocionais da criança.

Assim, a personalidade é apática, não se envolvendo verdadeiramente com a vida familiar com as suas rotinas, nem com a comunidade local, nem com a educação das crianças , nem a participando  em eventos de cultura local.

Pode assumir hábitos e rotinas fora do comum. Fica indiferente perante as questões de segurança, tanto no lar como na comunidade e no país. Ao crescer, tem grande dificuldade em estabelecer relacionamentos significativos com os outros, por não ter efetuado uma vinculação segura na infância com a figura de proteção.

Deste modo, estas pessoas têm grande dificuldade em confiar nos outros e em abrir-se aos outros e a falta de envolvimento emocional com as próprias experiências impede-as de desenvolver verdadeira autoestima e autoconfiança. Na verdade, estão separadas de si próprias e assistem como «testemunhas» ao que vivem, sem se envolverem verdadeiramente no que vivem.

Tudo isto gera na psique o sentimento de abandono e de vazio que impede estas pessoas de formar uma autoimagem consistente, ou a noção de autovalor resultante do sentimento de terem superado positivamente vários obstáculos.

Na verdade, estas pessoas dificilmente  constroem um sentido de identidade, porque estão «separadas de si  próprias, como uma espécie de «prisioneiras» na sua própria mente.

Ao não conseguirem sentir as próprias emoções, também não conseguem sentir verdadeira consciência dos sentimentos dos outros porque o «eu» destas pessoas é fragmentado,  de certo modo não passa de um conceito que vai mudando conforme os cenários em que se encontram.

Algum equilíbrio pode ser encontrado através da adesão a filosofias do «desapego» pois estas estão de acordo com o que percecionam de si próprias. Homens e mulheres com esta conjunção não sentem qualquer desejo de ser pais e não encontram gratificação no envolvimento com a vida familiar, ou com os costumes locais e as tradições.

A conjunção Lua Ketu cria igualmente no nativo total separação em relação aos significados da Lua (e da 4ª casa). Deste modo, não têm qualquer apego pelas propriedades da família, terras, veículos , casas. Podem mesmo, quando herdam, deixar tudo ao abandono.

O mesmo desapego acontece em relação aos assuntos da casa em que se dá a conjunção .

Do mesmo modo que estas pessoas não sentem empatia com o sofrimento dos outros, nem com as emoções positivas ou negativas que estes exprimem, também não têm comportamentos emocionais de relevo perante os outros, seja qual for a situação.

Perante situações que tendem a desencadear drama emocional, estes nativos tendem simplesmente a considerar que «não é nada de especial», nem há motivo para «tanto drama». Pode, deste modo, ser-lhes difícil lidar com pessoas muito sensíveis, do mesmo modo que estas tendem a pensar que estes nativos «têm um coração de pedra».

Mas nada que os aflija pois são totalmente  indiferentes ao que os outros pensam deles. O que os outros sentem em relação a estas pessoas, entretanto, é que não têm consideração pelos outros, são dispersos mentalmente, totalmente  desapegados.

A verdade é que estas pessoas vivem com a identidade emocional fragmentada, dispersa, mostram dissociação mental em relação a si próprias e aos outros. E, como Ketu só amadurece aos 48 anos, a maturidade destes nativos é atrasada, só acontecendo por volta da idade de maturação de Ketu.

Isto significa que só após a idade de 48 anos é que estes nativos podem recuperar alguma capacidade emocional em relação aos papeis parentais . Não se identificam, antes disso, nem com o papel de pai e mãe nem mostram consideração pelos pais e pelos papeis parentais antes disso.

Há na verdade uma indiferença total em relação aos pais e aos papeis de pai e mãe que não parecem ter qualquer importância para estes nativos. Assim, mesmo que os pais destas pessoas precisem de assistência, o mais certo é não a receberem por parte destas pessoas.

A mãe destes nativos tem muitas vezes problemas emocionais e psicológicos, podendo também sofrer dependência de álcool ,medicamentos e outras drogas.

O desapego emocional geral destes nativos também torna fácil desligarem-se de todos os relacionamentos que consideram ser insatisfatórios pois não sentem qualquer preocupação mental nem emocional com os efeitos da separação.

Do mesmo modo, quando o emprego, a casa ou a vizinhança não lhes agrada, simplesmente vão embora sem qualquer lamento ou pena do que deixam para trás.

Estas pessoas não têm crises emocionais porque nunca se envolvem com coisa nenhuma de forma emocional  mas podem ser manipuladas por parceiros que as usam para atingir os seus próprios fins.

A nível subconsciente, interiorizam, na infância, o medo de serem abandonadas (devido à separação emocional que sofreram por parte da mãe ) e esse medo subconsciente exprime-se como indiferença perante todos os comportamentos externos das pessoas com quem se dão.

Também sentem muitas vezes desinteresse pelo emprego e trabalho que desempenham .

Quando têm filhos, tendem a replicar o modelo parental que tiveram na infância e que pode proporcionar boas condições materiais mas com distanciamento emocional em relação às crianças (e podem abandonar o casamento e os filhos sem remorsos e sem olhar para trás).

Estas pessoas não sentem verdadeira necessidade de ter um parceiro nem de casar e ter família, embora o posam fazer. Do mesmo modo, alguns podem tentar ligar-se a uma comunidade e aos seus papeis mas  essa ligação nunca é realmente profunda nem sentida como necessária por estas pessoas , que podem, a qualquer momento, abandoná-la.

A falta de envolvimento emocional generalizada pode ser percecionada pelos outros como serenidade, pois o nativo não ergue a voz, não mostra excitação nem impetuosidade ou agressividade. Porém, isso na verdade mostra apenas um estado neutro mentalmente.

A verdade é que estas pessoas tanto podem ser manipuladas pelos outros para exprimirem sentimentos positivos num contexto positivo como podem ser manipuladas para cometer atos criminosos, pois não fazem juízos de valor e uma ação é tão boa como qualquer outra.

A verdade é que são muito recetivos para as projeções psíquicas coletivas , tendendo a assumir o que essas projeções exprimem. Funcionam como «uma tela em branco» que assume tudo o que se projeta nela. Daí ser essencial que estejam em ambientes favoráveis e saudáveis.

O comportamento destes nativos em relação aos parceiros tende a ser pouco saudável. Atraem em geral pessoas que drenam completamente  a sua energia, são manipuladores que instrumentalizam o nativo; ou, em alternativa, são pessoas com grande necessidade emocional de atenção.

E, em relação a esses parceiros, estas pessoas sacrificam-se frequentemente na tentativa de lhes darem o que estes necessitam. Porém, os relacionamentos em geral são pouco felizes, e os parceiros limitam a atenção que dão ao nativo.

Para estas pessoas, a vida é incerta, nada é permanente e , subconscientemente, há sempre um sentimento de vulnerabilidade difusa, de medo do desconhecido.

Porém, quando a conjunção se dá no signo Caranguejo ou Touro, no qual a Lua está dignificada, assiste-se a um desabrochar espiritual profundo, em termos potenciais, após os 48 anos de idade.  É então que estas pessoas podem encontrar finalmente  a paz interior  do equilíbrio em vez da mera indiferença.

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