Glossário Astrológico- A Dignidade do Termo e Seus Efeitos

ilha verde delimitada por água

Neste artigo  ajudamos a compreender o significado do termo, uma das dignidades essenciais segundo a astrologia helenística e posterior tradição medieval e renascentista ocidental  e a razão pela qual esta dignidade  significava originariamente «limite» no sentido de «delimitação». Vamos assim explicar o que é o termo como limitação.

Poder-se-ia pensar que o estudo destas «dignidades» é hoje uma mera curiosidade histórica mas não é o caso: a interpretação do horóscopo pelos astrólogos de hoje tem implícito esse conhecimento, embora muitos o tenham esquecido.

Porém, os que atingem um grau apurado na compreensão da astrologia conhecem estes velhos fundamentos e usam-nos na sua análise, mesmo que não lhes façam referência expressa porque permitem uma análise mais profunda dos elementos do horóscopo (e, claro, também na Astrologia horária).

A compreensão do termo como «delimitação» refere-se, por um lado, ao facto de o «termo» ser uma porção de um signo, atribuída a um dos planetas, com exclusão do Sol e da Lua. Muito se tem discutido os critérios  desta atribuição de regência,  em que não havia um consenso único entre todos os astrólogos da antiguidade, tendo havido várias classificações.

Mas, no geral, reconhecia-se a existência de 60 termos, atribuídos a cada signo, que era dividido em 5 porções,  segundo uma lógica que pode variar mas que Ptolomeu explicou na sua obra Tetrabiblos, um clássico da Astrologia ocidental.

Dado que os planetas podem ser maléficos ou benéficos e um deles, Mercúrio, é considerado neutro, a regência dos termos por estes planetas acaba por levar à diferenciação de certos graus de cada signo como maléficos, benéficos ou neutros.

Há, como referimos, vários sistemas de termos: o de Ptolomeu, o de V. Vallens, de que falámos anteriormente. Os outros sistemas foram atribuídos por Ptolomeu aos «egípcios»  e um outro, mais antigo, remonta aos caldeus.

Ao longo do tempo, o sistema mais usado tem sido o de Ptolomeu, seguido na Idade Média e Renascença até aos dias de hoje, em especial na Astrologia Horária.  Mas os termos egípcios têm vindo a conquistar alguma popularidade.

Agora, sobre os efeitos dos termos no horóscopo, na astrologia medieval, Ibn Ezra afirmava que um planeta no seu termo «é como uma pessoa na sua residência». Mas esclarecimentos mais descritivos são raros, sendo a pontuação atribuída a esta dignidade o fator mais usado.

Porém, a prática de alguns astrólogos refere que o uso dos termos se destina a, essencialmente, tornar mais fina a análise  dos planetas que significam uma certa área de vida ou matéria numa questão de astrologia horária.

Tais planetas significadores estão colocados num determinado grau de um signo. Esse grau corresponde a um termo com regência de um certo planeta. Ora, o regente do termo ou dá apoio à ação do planeta que significa uma certa área ou matéria, ou prejudica essa ação.

Deste modo, o regente do termo ora fortalece a ação do planeta colocado no seu termo ou torna mais fraca a sua ação.

No entanto faz isso de modo menos forte do que acontece quando o planeta está numa dignidade «superior», razão pela qual é essencial conhecer a pontuação atribuída a cada planeta nas várias dignidades.

Para além disso, segundo o investigador da astrologia helenística Robert Schmidt, o termo como limitação significa uma restrição sobre o planeta e a área de vida ou matéria que ele significa.

Representa, de certo modo, segundo este investigador, «um preço a pagar» em relação à área de vida representada pelo planeta que «estava a passar no termo» de um outro planeta. A imagem mais clara é a de alguém (neste caso o planeta) que atravessa uma ponte e precisa de pagar uma taxa para fazer a travessia. E isto seja qual for o regente desse termo.

O termo como limitação funciona assim como uma espécie de sobressalto na realização dos significados de um planeta ou área de vida, sobressaltos que é preciso superar até chegar à realização.

Funcionam como condições prévias que precisam de ser satisfeitas antes de um determinado planeta poder dar os seus resultados.

Cada signo pode, deste modo, ser visto como dividido em porções em que cada uma, para poder frutificar plenamente nos seus significados, impõe certas condições aos planetas aí colocados e que estes devem satisfazer antes de poderem produzir os seus efeitos.

Cada regente dos termos representa, deste modo, um conjunto de condições que devem ser satisfeitas  por cada planeta aí colocado ou a transitar, para desenvolver plenamente o seu significado na área de vida (casa do horóscopo) em que «cai» a porção do signo correspondente a esse termo.

Assim, o regente de um signo dá os seus efeitos plenos quando as condições dos vários termos que o compõem são satisfeitas.  Tais condições são potencialmente  melhor satisfeitas quando há um aspeto entre o planeta regente do signo e o regente do termo de cada uma das suas porções.

Finalmente, convém ter em mente que a mera presença de um planeta num termo não é suficiente para determinar efeitos negativos na vida da pessoa ou na matéria de uma questão. É o conjunto das configurações do horóscopo que permite prever os efeitos de forma fiável.

O termo ocupa, nas dignidades, um lugar que vem depois da exaltação, próprio signo e as triplicidades.

Também Poderá Gostar de Ler

Leave a Comment