Glossário Astrológico- Corregência das Casas do Horóscopo

grafismo de mãos entrelaçadas

Neste artigo falamos da corregência das casas do horóscopo. Este conceito pode ser entendido de várias maneiras, tanto na Astrologia de horóscopo como na astrologia horária.

Num sentido mais lato, quando foram descobertos os chamados «planetas exteriores»- Urano, Neptuno e Plutão- estes foram considerados, pelo menos por larga maioria dos astrólogos ocidentais, como corregentes de, respetivamente, Aquário, Peixes e Escorpião.

Na astrologia horária, por ex., a Lua é sempre corregente do querente e qualquer planeta associado ao planeta que rege a matéria da questão torna-se corregente da mesma.

Na astrologia tradicional  grandes astrólogos como W. Lilly, consideraram que as casas do horóscopo têm um regente natural, assumindo que cada casa tem correspondência com um dos signos do Zodíaco.

Assim, a 1ª casa tem correspondência com o signo Carneiro e o seu regente, Marte, é o regente natural dessa casa; a 2ª casa tem correspondência com o signo Touro e, por isso, Vénus é o seu regente natural.

Este conceito vem da astrologia helenística,  através da dignidade «domicílio» do planeta: assim, o signo Carneiro é o domicílio, isto é a morada de Marte. Ou seja, é a sua casa.

Mas, como os  astrólogos helenísticos atribuíram dois signos a cada planeta (exceto Sol e Lua), cada planeta tem duas «casas» ou moradas (tal como estabelecido no conceito de hora).  Deste modo, Marte tem a sua morada diurna em Carneiro e a morada noturna em Escorpião.

E o mesmo acontece com cada um dos planetas como pode ser visto na tabela das dignidades essenciais em que cada um tem a regência natural diurna e noturna.

A partir deste conceito de correspondência, há então uma regência natural das casas do horóscopo, independentemente do signo que ocupa essa casa num determinado horóscopo.

Então, cada planeta é, devido à regência natural das casas, corregente dessa casas, em conjunto com o planeta que rege a cúspide dessa casa (no caso da astrologia mais antiga  praticada na época helenística e  da astrologia  Jyotish não há lugar à referência da «cúspide» da casa porque faz -se corresponder um signo inteiro a uma casa).

Mas o conceito de corregência das casas não se esgota aqui.

Na astrologia ocidental, que usa sistemas de casas desiguais- Placidus, Regiomontanus, etc) o regente da casa é o planeta que rege a cúspide da casa mas , quando esta contém mais do que um signo, o regente  (ou regentes, quando há um signo intercetado)  do outro ou outros signos que ocupam a casa  torna-se corregente dessa casa. Nem todos os astrólogos no entanto, usam esta corregência.

Quando há apenas um signo numa determinada casa, há apenas um regente dessa casa, se não houver planetas nela colocados.

Quando uma casa tem a sua cúspide no último grau de um signo  também se considera que o regente do signo seguinte é corregente dessa casa. O princípio aqui é o de que, quanto mais o início de um signo estiver perto da cúspide de uma casa, mais o seu regente tem poder sobre essa área de vida.

Embora nem todos aceitem estes regentes secundários das casas, nos sistemas de casas não iguais, usados na astrologia ocidental, em que um signo inteiro pode ficar intercetado no interior de uma casa- por ex., uma casa começar a 28º de Sagitário e terminar em 5 º de Aquário, tendo todo o signo Capricórnio no interior da casa, muitos consideram que o regente de Capricórnio é um regente  secundário da casa atuando, no entanto, de forma menos evidente do que o regente primário.

E, se houver algum planeta colocado no signo Aquário, antes do final da casa, essa ação do regente secundário será ainda mais evidente.

Alguns astrólogos- especialmente na astrologia horária- consideram que os planetas colocados numa dada casa são igualmente regentes secundários dessa casa.

A corregência  pode também aplicar-se no seguinte caso: na determinação do regente da natividade, quando o regente do Ascendente está forte mas há outro planeta com igual poder e recebendo bons aspetos, este segundo planeta é considerado corregente do horóscopo.

Do mesmo modo, os planetas exaltados também são aceites como corregentes do horóscopo.

Finalmente, deixamos a indicação da corregência das casas  do horóscopo segundo o grande astrólogo do século 17, W. Lilly:

1ª casa: signo Carneiro e Saturno. A razão dada para Saturno ser corregente é porque, sendo esta a 1ª casa , e  Carneiro ser o 1º signo, Saturno é também  o 1º planeta (a ordem dos planetas desde os tempos mais remotos é desde o mais longínquo para o mais próximo da Terra).

2ª casa: Signo Touro e Júpiter.

3ª casa: Signo Gémeos e Marte;

4ª casa: signo Caranguejo e o Sol;

5ª Casa: Signo Leão e Vénus;

6ª casa: Signo Virgem e Mercúrio;

7ª casa: Signo Balança e a Lua;

8ª casa: Signo Escorpião e Saturno;

9ª Casa: Júpiter e Marte;

10ª casa: Signo Capricórnio e Marte;

11ª Casa : signo Aquário e o Sol;

12ª Casa: signo Peixes e o Sol

Refira-se que, na determinação da corregência das casas Lilly segue a velha ordem caldeia dos planetas, que remonta aos mais antigos sistemas astrológicos da Caldeia e Babilónia e que é a seguinte: Saturno, Júpiter, Marte; Sol; Vénus, Lua. Quando  se chega ao fim, recomeça-se do início outra vez, isto é, com Saturno e novamente segue-se a mesma ordem.

Também como acontece na generalidade dos sistemas astrológicos, os signos são considerados corregentes, pela correspondência com as casas dos planetas. Mas,  para a 9ª casa  Lilly não indica o signo Sagitário, mas apenas dois planetas como corregentes, Júpiter e Marte.

Vemos deste modo que o conceito de corregente pode ser entendido de modos bastantes diferentes, no universo astrológico.

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