Glossário Astrológico- Períodos Planetários

representação simbólica de ciclos de vida

Neste artigo falamos dos períodos planetários, conceito que se exprime , na astrologia Jyotish, no conceito de «período dasa»  mas que teve origem na astrologia mais antiga, praticada pelos astrólogos helenísticos e anteriores.

Estes períodos baseiam-se todos na ideia de que as promessas natais de cada planeta no horóscopo se concretizam – caso a pessoa viva o suficiente para experienciar os períodos de todos os planetas- durante o período em que o planeta rege o horóscopo.

Esta ideia está bem patente na Astrologia Jyotish, onde observamos que determinado yoga ou combinação, seja favorável ou desfavorável, se manifestará  essencialmente durante o período (ou subperíodo) dos planetas envolvidos.

A mesma ideia está presente na Astrologia antiga ocidental, quando afirmava que qualquer promessa dos planetas seria experienciada quando estes fossem os «regentes do tempo». Este «tempo» é o número de anos no qual o planeta assume o papel determinante na condução dos eventos na vida da pessoa.

Deste modo, tal como acontece no popular sistema vimsottari dasa usado na astrologia da Índia, esta ideia encontra-se igualmente na antiga astrologia helenística, que forneceu, aliás, muitos dos fundamentos da astrologia praticada na Índia.

Mas o que significa verdadeiramente esta ideia de que as «promessas» na carta se cumprem durante o período do planeta envolvido? Significa, na verdade, que, durante o período de um determinado planeta, este determina que apenas os eventos relacionados com a sua natureza ocorrem em termos globais.

Os significados desse planeta tornam-se, deste modo, amplificados na vida da pessoa. Mas, é claro, cada planeta na carta não é uma ilha, mantém relações com pontos e outros planetas na carta e essas relações também serão visíveis durante o seu período de regência.

Agora, a determinação de qual planeta é o regente do tempo em cada período, teve, tal como acontece na astrologia da Índia, várias abordagens na astrologia helenística.

Em primeiro lugar é preciso definir o tempo de duração dos  períodos gerais de cada planeta. Na astrologia tradicional ocidental era o seguinte: o Sol tem 19 anos, a Lua tem 25 anos; Mercúrio tem 20 anos, Vénus tem 8 anos; Marte tem 15 anos; Júpiter tem 12 anos; Saturno tem 30 anos.

No sistema que descrevemos, a decisão do número de anos de cada planeta baseia-se em critérios astronómicos: por ex. o sol tem 19 anos porque essa é a duração de um ciclo metónico (o período em necessário para um eclipse ocorrer no mesmo grau).

A Lua tem 25 anos porque a cada 25 anos (de 365 dias) as fases da Lua ocorrem exatamente nos mesmos dias durante o ano.

Mercúrio tem 20 anos porque, a cada 20 anos, há 63 ciclos sinódicos entre Mercúrio e o Sol. Do mesmo modo, Vénus tem 8 anos porque este é o período do seu ciclo sinódico com o Sol; Marte tem 15 anos porque  é esse o número de anos que dura o seu ciclo sinódico com o sol.

Do mesmo modo, Saturno tem 30 anos porque esse é o período que leva a orbitar o Sol; o mesmo critério é usado para Júpiter, que tem 12 anos porque é esse o tempo que leva a completar um ciclo em volta do Sol.

Há evidências de que estes períodos de anos atribuídos aos planetas são muito mais antigos do que os astrólogos helenísticos e de que estes terão seguido a tradição mais antiga, vinda dos babilónios, caldeus e egípcios na determinação dos períodos planetários.

Como calcular o início dos períodos planetários? Existem várias abordagens mas vamos aqui referir uma, defendida por um dos grandes investigadores da astrologia helenística, Chris Brennan[1], numa obra que é um grande clássico do estudo da astrologia helenística.

Este autor considera que o período a ter em conta deve começar pelo signo que contém a parte da fortuna, para todos os assuntos que têm a ver com prazer e diversão, o corpo,  saúde, vitalidade,  beleza, etc.

Deve, por outro lado, começar pelo signo que contém a Parte do Espírito[2] para os assuntos que têm a ver com a mente, como a carreira, uma nova direção a tomar na vida, tomar uma decisão ou fazer algo, reputação, etc.

Assim, a primeira decisão a tomar é qual das duas partes – Fortuna ou Espírito- será o ponto de partida. Depois disso, atribui-se o período de duração, conforme o signo ocupado pela Parte, tendo em conta o número de anos atribuído ao seu regente. O signo tem o mesmo número de anos do regente.

Deste modo, o signo Leão tem 19 anos; Caranguejo tem 25 anos; Gémeos e Virgem têm 20 anos; Touro e Balança têm 8 anos; Carneiro e Escorpião têm 15 anos; Sagitário e Peixes têm 12 anos; Aquário tem 30 anos mas Capricórnio tem 27 anos, este signo é a única diferença.

Deste modo, a colocação da Parte da Fortuna e da Parte do Espírito num determinado signo marca o início das matérias por elas representadas pelo número de anos de cada signo. Quando esse período termina, ativa-se o período do signo seguinte pelo número de anos respetivo  e esse período será o segundo ciclo na vida da pessoa sobre essa matéria.

Se uma pessoa estiver a tentar analisar a sua vida profissional e a Parte do Espírito estiver colocada no signo Touro, o primeiro ciclo da sua vida profissional durará 8 anos. O segundo capítulo, dominado pelo signo Gémeos, será de 20 anos. E assim sucessivamente.

Os cálculos relacionados a estes «anos» tinham por base um ano = 360 dias e um mês =30 dias pelo que cada período, no calendário que usamos hoje, tem uma duração um pouco superior.

Mas cada período tem subperíodos, à semelhança do que acontece nos sistemas de dasa usados na índia. A regra para calcular esses períodos, que se subdividem em : 360 dias= ano; 30 dias= mês, semana =2,5 dias; dias= 5h. Cada um destes subperíodos é exatamente 1/12 do período acima.

Os períodos mais usados são, como é de esperar, o principal, referente ao planeta , que é o período principal e a seguir ao primeiro subperíodo. A ordem seguida a partir do signo inicial, é a normal do Zodíaco e o primeiro subperíodo é também, como no sistema vimsottari, o do signo principal, seguindo-se a ordem do Zodíaco para determinar os signos que regem os subperíodos seguintes, de acordo com a regra definida acima, de dividir o período por 12 para obter o próximo nível de subperíodo.

Esta técnica é útil para estudar a vida de uma pessoa em períodos alargados, como décadas, para ver as principais tendências das promessas natais.

Para estudar  um ano, a astrologia helenística usava outra técnica, as profectio ou direções e progressões.

[1] Chris Brennan, Hellenistic Astrology: The Study of Fate and fortune, Google Books.

[2] Para nascimentos diurnos, soma-se a longitude do Ascendente ao arco que vai da Lua até ao Sol. Para nascimentos noturnos soma-se a longitude do Ascendente mais o arco que vai do Sol até à Lua.

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