Conjunção Lua Ketu na 6ª Casa Signo Virgem

médica com paciente

Descrevemos  neste artigo os efeitos gerais da conjunção Lua Ketu na 6ª casa do horóscopo e no signo Virgem.

Pode Ler um artigo sobre a colocação da Lua na 6ª casa aqui e no signo Virgem aqui.

Pode ler um artigo sobre a colocação de Ketu  na 6ª casa aqui e no signo Virgem aqui.

A posição da conjunção Lua Ketu na 6ª casa é um pouco paradoxal porque, como Ketu separa a pessoa dos aspetos significados por esta casa, acaba por libertar o nativo de falsas acusações, de dívidas, doença, inimigos e conflitos, etc.

Porém, há um aspeto desta situação que não é tão positivo assim: a mente do nativo fica alheia  a todos os significados desta casa.

Assim, a pessoa não mede as consequências dos seus atos, alguns dos quais podem trazer problemas para a sua vida. Por ex., pode acompanhar com criminosos e cometer mesmo atos ilegais em companhia dessas pessoas, sem dar qualquer importância a isso;

Pode assumir despesas e dívidas enormes, sem ter noção de que não vai conseguir pagar o que deve; pode ingerir substâncias  tóxicas como drogas, sem real noção dos efeitos que isso pode trazer.

Pode prometer ou assumir compromissos com outros sem nunca os honrar. Pode desafiar outros fisicamente sem ter em conta que são mais fortes  e sofrer agressões graves. E por aí afora.

Seja o que for que aconteça à sua volta, especialmente ao nível do crime, dos direitos dos trabalhadores, das causas ambientais, da luta contra a poluição, da luta pela igualdade de direitos, etc., estas pessoas passam ao lado de tudo isso, tendendo a ignorar todas essas questões.

Se tiverem dívidas, não se preocupam; o mesmo acontece em caso de guerra ou conflitos de todos os tipos, situações de servidão e exploração de seres humanos e não humanos, passam ao lado de tudo isso, como se tais realidades fossem inexistentes. A sua atenção não está aí colocada. Mesmo que sejam elas próprias a sofrer algum desses modos de opressão.

Isto acontece porque Ketu coloca a mente da pessoa em «modo de testemunha», observando a realidade como se esta fosse algo irreal, passado em alguma outra dimensão.

Estas pessoas podem ter uma infância em que os cuidadores são figuras de exploração e mesmo de servidão, em especial a mãe. Podem ter um historial de abusos enquanto não têm ainda a possibilidade de se defenderem e passarem pela experiência de ninguém defender os seus direitos nem a sua integridade física.

Esta posição da conjunção Lua Ketu na 6ª casa é especialmente desafiadora na primeira metade da vida. Pode acontecer que a situação seja aliviada se os regentes das casas dusthana estiverem colocados em outras casas dusthana (mas não o regente da 6ª estar colocado na casa que rege, situação em que o sofrimento pode ser maior). Outro aspeto que pode aliviar o sofrimento destas pessoas é se o dasa da Lua ou de Ketu forem experienciados ainda na juventude.

Quando isso acontece, problemas como dívidas, aprisionamento, abusos, doença, são separados da pessoa , havendo uma libertação.

Quando estes períodos não são experienciados cedo, há que esperar pela maturidade de Ketu, após os 48 anos, altura em que a Lua pode libertar-se e desenvolver um verdadeiro sentido de cura de si própria e de serviço em relação a outras pessoas que são alvo de todo o tipo de sofrimento e de abusos.

Antes de isso acontecer, o embotamento da consciência, que ignora todas as regras, mesmo as de caráter moral, pode mesmo levar estas pessoas a colaborar na exploração e servidão de outros, em conjunto com outros indivíduos de baixa moral.

Dada a condição geral da Lua, de refletir o ambiente em que se encontra, e a circunstância de os ambientes da 6ª casa serem muitas vezes tóxicos, tanto em termos literais como simbólicos, estas pessoas conhecem pouca paz e harmonia durante o seu desenvolvimento.

Sentem mesmo atração pelos ambientes conflituosos e de sofrimento ou conflito, podendo envolver-se em profissões que lidam com esses ambientes.  Possuem um embotamento geral em relação à dor, tanto física como psíquica.

Por isso, embora possam trabalhar e bem em prol dos outros, ajudando os que cometem crimes a serem defendidos em tribunal – como advogados; ou os que sofrem de doença a serem curados, através da prática da medicina, permanecem realmente indiferentes ao sofrimento dos pacientes, do mesmo modo que se tornaram em boa parte imunes ao próprio sofrimento.

Estas pessoas têm um padrão de perceção da realidade que aceita à partida todas as situações de exploração, sofrimento, doença, crime, servidão, como algo «natural» na vida. Isso torna-as «práticas» em relação a todos os  problemas  com que se defrontam , mesmo com os que as afetam pessoalmente.

Isto gera uma situação geral de inércia na qual, quando são vítimas de outros, não pensam verdadeiramente em defender-se, se perdem todos os bens, ou são explorados, etc., não desenvolvem o sentimento de luta como resposta.

As consequências desta atitude refletem-se na sua vida: se são alvo de traição pelo parceiro, não se divorciam; se estão fartos do emprego, não pensam em mudar; e por aí afora.

Ora, uma tal atitude não propicia o sucesso pelo que, mesmo que tenham bastante mérito no desempenho das obrigações profissionais, esse mérito permanece não reconhecido.

A atitude geral de que «é assim a vidar»  também torna estas pessoas indiferentes em relação às preocupações da maioria das pessoas hoje em dia: os direitos humanos e dos animais, as «liberdades» reconhecidas como inseparáveis de qualquer ser humano, as questões ambientais e a defesa da biodiversidade, a poluição e a necessidade de mudar hábitos para um planeta mais habitável, tudo isso entra em «saco roto» na perceção destas pessoas.

A atitude geral de adotam, quando se deparam perante esses problemas é «não julgar». Tudo isso apesar de apreenderem intuitivamente com grande facilidade, os medos, as fraquezas, os vícios e as dependências (psicológicas e fisiológicas) dos outros. Não têm aliás, problema nenhum em explorar tudo isso se lhes for necessário por alguma razão.

Mas, nos anos de maturidade, o karma destas pessoas entra num novo ciclo em que podem dar por terminado o karma que gerou as circunstâncias da sua vida atual e na qual, em muitos casos, estas pessoas exploraram outros, manipularam outros e reduziram-nos a algum tipo de servidão para se beneficiaram a si mesmas.

Deste modo, na última parte das suas vidas têm oportunidade de prestar serviço e aprender a reconhecer a dignidade dos outros e os seus direitos, sejam estes humanos ou não humanos. E podem fazer bastante para reduzir o sofrimento de outros. Como dissemos atrás, isto pode acontecer mais cedo, no dasa da Lua ou Ketu.

Em alguns casos, de indivíduos que atingiram um grau mais elevado de desenvolvimento da sua consciência, os nativos com esta conjunção não têm comportamentos de exploração de outros e podem prestar serviço altruísta ao longo da vida, procurando melhorar algum aspeto da vida de outros.

Quando a conjunção Lua Ketu se dá  no signo Virgem, continua a ter um forte pendor kármico.

Estas pessoas podem ser excelentes na argumentação e no pensamento crítico. Podem trazer do passado conhecimentos inatos na área da saúde e ciências médicas. Mas tudo o que fizerem nessa área na vida presente, não lhes traz qualquer satisfação pessoal pois está «morto» em termos psicológicos e espirituais.

A casa onde se dá a conjunção Lua Ketu no signo Virgem indica os aspetos da vida aos quais o nativo se apegou no  passado e dos quais fez depender o seu sentimento de segurança e que, na vida atual,  não consegue transformar, sejam estes bons ou maus.

Assim, a pessoa aceita tacitamente «as coisas como são» nesse aspeto da vida e faz depender o seu sentido de segurança dessa aceitação tácita. Para além da casa do horóscopo em que se dá a conjunção, é preciso também ter em conta a força e disposição de Mercúrio, o regente de Virgem, para compreender como funcionará a conjunção na vida da pessoa.

Nem a Lua nem Ketu estão muito confortáveis, em termos energéticos, no signo Virgem. O perfecionismo inerente ao signo pode inclinar para aperfeiçoar os aspetos espirituais mas, ao mesmo tempo, estas pessoas perdem-se em conceitos e argumentos mentais, pelo que esse intento é bastante difícil.

Quando Mercúrio é forte, estes  nativos podem ser excelentes pensadores, trazendo  uma prática desenvolvida a esse nível, do passado. Podem também dedicar-se á escrita, à política, à advocacia.

Porém, tendem a anular o pensamento crítico e a ação em relação aos assuntos significados pela casa em que se dá a conjunção. Deste modo, se esta se dá na 1ª casa, o nativo não liga à sua aparência, nem imagem e tende a considerar qualquer problema físico como não podendo ser melhorado. Pode ter uma aparência bastante extravagante me excêntrica.

Do mesmo modo podem tornar-se indulgentes em relação aos próprios «defeitos» no plano moral da personalidade por ex. e não fazer nada para os corrigir.

Na 2ª casa,  a família, as posses, os recursos disponíveis , as competências e os conhecimentos, toda a acumulação de bens , a linhagem familiar, etc., não são objeto do desejo de alteração  de atitudes por parte do nativo nem do seu sentido crítico.

Por ex., se a pessoa tiver uma coleção antiga de objetos de marfim, pode continuar a querer aumentá-la sem pensar no facto de os animais que fornecem o marfim estarem em perigo de extinção.  A pessoa simplesmente é levada a repetir  o que sempre fez no passado.

E o mesmo se aplica às restantes casas do horóscopo, sendo certo que a colocação da conjunção Lua Ketu no signo Virgem e numa casa dusthana  torna mais forte o desafio potencial da conjunção.

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