Métodos de Cálculo da Longevidade

símbolos de vida

Na  obra Brihat Jataka Varahamihira apresenta várias formas de cálculo da longevidade e vamos descrever aqui esses métodos.

Ayurdaya- Determinação da Longevidade

O cálculo da longevidade era considerado da maior importância, nos tempos antigos da Astrologia da índia pela razão simples de que, tendo de fazer os muitos cálculos para fazer uma previsão de vida completa, feitos manualmente nesses tempos,  em que não havia computadores, considerava-se que, antes de despender tal esforço, se deveria avaliar qual a longevidade da pessoa.

O autor começa por citar várias fontes entre os sábios mais antigos, e o que estes defendem sobre a matéria.

Método de Satyacharya

Segundo essas fontes, cada planeta, quando colocado no seu grau de exaltação,  «dá» um determinado número de anos de vida: o sol dá 19; a Lua dá 25; Marte dá 15 anos; Mercúrio dá 12 anos; Júpiter dá 15 anos; Vénus dá 21 anos; Saturno dá 20 anos. Estes pontos tinham a designação de pindayurdaya.

Porém, como os planetas raramente estão colocados no seu grau de exaltação, é preciso efetuar reduções. Se os planetas estiverem colocados no signo de debilitação, os anos que conferem serão metade do referido no último parágrafo.

Quando os planetas estão colocados nos restantes signos determina-se os anos que dão de forma proporcional.

Se um planeta estiver em signo inimigo, dará um terço dos anos referidos acima; quando o planeta está em Ashtangata, isto é, «sob os raios do Sol» prestes a ficar combusto, dá apenas metade dos anos normais.

Há exceções: Marte não perde anos quando está colocado em signo inimigo e nem  Saturno e Vénus quando estão em Ashtangata. Para cada um dos planetas, este estado é o seguinte: Marte quando está a 17º antes ou depois do Sol; Mercúrio direto quando está a 14º do Sol e a 12º quando está retrógrado;

Júpiter está em Ashtangata quando está a 11º antes ou depois do sol; Vénus direto quando está a 10º do sol, 8º quando está retrógrado; Saturno quando está a 15º e a Lua quando está a 12º.

O Ascendente dá o nº de anos correspondente ao número de navamsas que ascenderam no signo acima do horizonte. Varahamihira também refere que há alguns que defendem que os anos dados pelo Ascendente são os correspondentes ao nº de signos desde  o signo Carneiro até ao signo Ascendente.

Quando há planetas maléficos colocados na 12ª, 11ª, 10ª, 9ª, 8ª ou 7ª casas a partir do Ascendente, a redução é respetivamente de: total para os anos que esse planeta dá; se um maléfico ocupa a 11ª casa a redução de anos é ½.

Se houver um planeta maléfico na 10ª casa a redução é de 1/3; quando há um planeta maléfico na 9ª casa a redução dos anos que o planeta dá é de 1/5; quando um planeta maléfico ocupa a 8ª casa a redução é de 1/6.

Mas se o planeta que ocupa essas casas for benéfico, a redução será metade do que é referida atrás. Quando há vários planetas numa das casas referidas, a redução faz-se para o planeta mais forte de todos. Este método, diz Varahamihira, é o do sábio Satyacharya, que o autor adota como válido.

Se um planeta maléfico ocupar o signo Ascendente, deve multiplicar-se o número total de anos obtidos pelo número de navamsas[1] entre o 1º de Carneiro até ao último  navamsa do Ascendente  que se ergueu acima do horizonte e dividir o resultado por 108.

Esse número deve depois subtrair-se da totalidade de anos obtidos nos restantes planetas. Ter em mente ainda que, se o planeta maléfico que está no Ascendente receber o aspeto de um planeta benéfico, deverá apenas reduzir-se metade do resultado obtido.

Para os cálculos referidos acima, ter em mente que o máximo de tempo de vida de um ser humano é de 120 anos e 5 dias.

E esta longevidade corresponde à de alguém nascido quando o último navamsa de Peixes se ergue no Ascendente e Mercúrio transita apenas há 25 minutos no signo Touro, estando por isso ainda a entrar no signo e todos os outros planetas estão colocados no seu grau de exaltação (configuração muito difícil de alcançar).

Quando há planetas no signo de exaltação ou em movimento retrógrado, os anos que lhes estão atribuídos são triplicados. Se o planeta estiver em vargottama, no próprio navamsa, signo ou drekkana os anos que esses planetas dão, são duplicados.[2]

A vida de uma pessoa, nascida com Ascendente Caranguejo e a Lua e Júpiter estão no Ascendente e Mercúrio e Vénus ocupam casas  kendra enquanto os restantes planetas estão na 11ª, 6ª e 8ª casas, não se calcula de forma comum, mas a sua longevidade será muito superior ao período máximo atribuído à existência humana.

O método que explicámos usa os navamsas para aferir a longevidade, mas alguns afirmam que este método só é preciso quando o Ascendente é mais forte do que a Lua ou o Sol, na opinião de Saravali. Este é o método  designado por amsayu

Neste método, a longevidade baseia-se no número de navamsas já passados desde o 1º grau de Carneiro pelos planetas, de acordo com algumas adições (ou bharans) ou deduções (ou harans) ao número de anos dado por cada planeta.

Tal como referido por Varahamihira, Satyacharya foi quem definiu este método que consiste no seguinte:

A longitude de cada planeta é convertida em minutos (cada grau corresponde a 60 ‘) a partir do 1º de Carneiro. Os minutos obtidos são depois divididos por 200. O quociente dessa divisão mostra o total de navamsas já atravessados por um planeta desde o 1º de Carneiro.

Seguidamente divide-se esse quociente por 12 para obter o nº de navamsas  atravessados no signo ocupado pelo planeta. O número obtido mostra os anos e o resto da divisão mostra os meses ou parte de um ano conferidos pelo planeta.

O contributo do Ascendente é o número de navamsas que se ergueram acima do horizonte até ao grau do Ascendente.  Procede-se do mesmo modo descrito nos passos anteriores, convertendo os graus do Ascendente em minutos e dividindo por 200 para encontrar os anos e meses conferidos pelo Ascendente. Este elemento não sofre reduções.

Adições: como referido atrás, um planeta colocado no ponto de exaltação ou retrógrado, tem o número de anos encontrado usando os passos atrás multiplicado por 3. Alguns notam que isto só deve fazer-se quando o planeta está efetivamente colocado no grau de máxima exalação. Se estiver apenas no signo de exaltação, a adição deve ser menor.

Como referido atrás, quando o planeta está colocado no próprio signo, e vargottama, no próprio navamsa ou drekkana, o valor de anos encontrado para o planeta deve ser multiplicado por 2.

Se algum planeta estiver em simultâneo em duas das categorias referidas no ponto  4 ou 5, deve considerar-se apenas a que confere um valor superior.

Reduções: Estas acontecem devido à posição dos planetas numa casa entre a 7ª e a 12ª. Se houver mais do que um planeta em alguma dessas casas, considera-se apenas o planeta que é mais forte. Se não for visível que um é mais forte do que o outro, aplica-se a redução ao planeta que tem a longitude mais alta.

A redução faz-se da seguinte forma:

Planeta/ Casa12ª Casa11ª Casa10ª Casa9ª Casa8ª Casa7ª Casa
Maléfico

 

Total1/21/31/41/51/6
Benéfico

 

1/2!/41/61/81/101/12

Outras Reduções: quando um planeta está colocado em signo inimigo, perde 1/3 do valor obtido após a redução referida. Mas esta redução não se aplica a Marte nem a planetas retrógrados.

Redução Ashtangata: quando um planeta está combusto pelo Sol ou perto disso, como referido atrás, perde ½ dos anos resultantes após as reduções referidas. Mas esta regra não se aplica a Saturno nem a Vénus.

Método Pindayuy

Outro método- Pindayu-   usa-se, segundo outros autores, quando o Sol é mais forte do que o Ascendente ou a Lua. Rahu e Ketu, sendo «planetas sombra» sem existência física, não são considerados.

Podemos resumir os procedimentos do seguinte modo:

  1. Convertemos a longitude de cada planeta em graus, tendo em conta a sua colocação num certo signo e contando esses graus desde o 1º de Carneiro até á posição do planeta.
  2. Anotar, para referência, o ponto de máxima exaltação de cada planeta, tendo em conta a totalidade dos 360º do Zodíaco. Por ex., a Lua tem o seu grau de exaltação a 3º do signo Touro. Contando a partir dos 0º do signo Carneiro, podemos dizer que a Lua tem o seu grau de máxima exaltação a 33º (30º do signo Carneiro + 3º do signo Touro).

Subtrair a diferença entre os dois graus encontrados. Por ex., Vénus está colocado a 15º do signo Gémeos. Convertendo a partir do início de Carneiro dizemos que está colocado a 75º do Zodíaco. Mas, como o resultado é inferior a 180, subtraímos 75º de 360º. Este é o arco geral da longevidade.

Obtemos o valor de 285. Tendo em conta o nº de anos máximo conferido pelo planeta, multiplica-se o nº encontrado e divide-se por 360.Assim, por ex., o sol confere um máximo de 19 anos. Multiplica-se deste modo 285 por 19 e depois divide-se o resultado por 360, obtendo-se 15, 04.

O resultado encontrado é depois submetido a várias reduções para se achar o nº de anos que o Sol dá a esta pessoa em particular Estas reduções são as mesmas já referidas para o método Amsayu.

Como referido atrás, se houver planetas maléficos colocados no Ascendente, aplica-se mais uma redução, após se terem feito as anteriores. Mas, se o planeta maléfico no Ascendente receber o aspeto de um benéfico, essa redução reduz-se para metade.

Se houver mais do que um planeta maléfico colocado no Ascendente, apenas o que está mais perto do Ascendente será objeto de redução. Mas se o regente do Ascendente estiver colocado no Ascendente, não há lugar a qualquer redução por esta condição.

O contributo do Ascendente calcula-se do mesmo modo que no método anterior.

Mostramos uma tabela que ajuda a compreender a aplicação deste método, tendo em conta os seguintes dados[3]

Pessoa nascida com Asc a 9º 42’ de Aquário; Sol- 24º 26 ‘ de Caranguejo; Vénus 3º 42’ de Leão; Mercúrio a 15º 25’ de Leão; Marte a 21º 49’ de Leão; Júpiter em 14º 25’ de Escorpião; Saturno em 11º 32’ de Touro; Lua em 24º 03’ de Touro; Rahu em 24º 15’ de Peixes   :

Planetas

 

LongitudeGrau exaltação   Arco                LongevidadeLongevidade conferida
Sol114.4310255.56255.56×19/360=13.489
Lua55.0533337.95337.95×25/360= 23.469
Marte141.81298203.91203.91×15/360=8.460
Mercúrio135.41165330.41203.91×12/360=11.003
Júpiter224.4195230.58230.58×15/360=9.607
Vénus123.70357233.30233.30×21/360- 13.609
Saturno41.60200201.60201.60×20/360=11.200
Ascendente11- 9.422.91

 

[1] Cada signo tem 9 navamsas e, neste caso trata-se dos navamsas que se levantaram acima do horizonte, a seguir ao 1º  do Ascendente. 108 é o total de navamsas do Zodíaco.

[2] Quando, na determinação global dos anos, é preciso multiplicar por 3 e por 2, multiplica-se apenas uma vez, por 2. Quando é preciso multiplicar várias vezes por dois, apenas se faz isso uma vez.

[3] Exemplo retirado do livro Longevity: A vedic Approach de Raj Kumar.

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