Glossário Astrológico- Chandra Bala

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Este é um conceito importante usado pela Astrologia Jyotish  na Astrologia horária e elecional- Prashna e Muhurta em conjunto com outros métodos como Tarabala e Panchaka.

A Lua é o astro mais importante na Astrologia Jyotish : ela determina os ciclos do destino – definindo o início do vimsottari dasa; os resultados dos trânsitos conhecidos como Gochara e domina igualmente a avaliação da compatibilidade nos relacionamentos, a Astrologia horária  escolha de momentos auspiciosos para realizar algum evento, etc..

É neste contexto que se integra a «chandra bala» ou «força da lua». Na Índia, antes de escolher a data de um evento importante como casamento, início de uma empresa, mudança de casa, etc., usa-se a Astrologia horária para determinar, num dado período temporal, qual  é o  momento mais auspicioso para realizar isso. Um momento auspicioso, por sua vez, é aquele em que as energias planetárias interagem de forma positiva  em relação á disposição do horóscopo de uma dada pessoa (e tendo em conta o que esta deseja realizar); um «momento negativo» é aquele em que as energias planetárias estão em desarmonia com os desejos ou intenções da pessoa e não promovem a realização do que esta deseja, tendo em conta o horóscopo de nascimento. Deste modo, a determinação, através da Astrologia horária dos «momentos auspiciosos» na vida de um sujeito é sempre limitada pelas possibilidades expressas na carta natal, que contém a matriz das  energias presentes no momento do nascimento (de acordo com o karma individual e o seu «plano de vida»). O sucesso ou insucesso previsíveis são sempre vistos em funções das possibilidades natais. Se a Astrologia horária determina que um certo momento será auspicioso para casar ou iniciar uma nova empresa, a «quantidade» de sucesso previsível é determinada pelo horóscopo de nascimento, não sendo igual para todos os indivíduos.

Deste modo, Chandra bala é um dos passos metodológicos na determinação de um «muhurta» ou momento auspicioso. Ela consiste em assegurar que a Lua estará num signo forte para o indivíduo, tendo em conta o Ascendente e o signo onde está colocada a Lua no nascimento: a Lua, no momento do evento desejado não deve estar colocada na 6ª, 8ª, ou 12ª casa a partir do signo onde a Lua está colocada no horóscopo de nascimento. Se a Lua está no signo Touro, quando a pessoa nasceu e, na  data desejada para a realização de um evento, está no signo Sagitário, estaria colocada a 8 casas de distância, o que torna a data uma má escolha, significando que, se o evento se realizar nessa altura, como as energias presentes são desarmoniosas em relação às energias pessoais, o evento não trará resultados felizes para esta pessoa em particular.

Esta área da Astrologia Jyotish é muito popular na índia e existe um saber acumulado de há muitos séculos que  lhe dá credibilidade perante os consultantes. Em geral, para eventos simples como iniciar uma viagem, fazer um exame, etc., considera-se suficiente analisar a Chandra Bala e a Tara Bala (esta consiste em escolher um Nakshatra favorável) . Mas, para eventos que serão de longo termo ou para avida, como o casamento ou formar uma empresa, etc., acrescenta-se a estes dois métodos a Panchaka que consiste na determinação de 5 tipos de energias negativas, escolhendo criteriosamente o momento eliminando cada uma delas. Num artigo posterior deste glossário falaremos destes dois fatores que agora mencionamos mas não desenvolvemos.

Glossário Astrológico- Cazimi

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O termo de que falamos hoje – Cazimi- não é exclusivo da Astrologia Jyotish mas, pelo seu significado e para que os leitores possam testá-lo, damo-lo a conhecer.

Segundo algumas fontes, o termo terá aparecido pela primeira vez nos escritos de Rhetorious do Egipto, que viveu entre o sec. VI e VII. Voltou a aparecer em escritos árabes do sec. IX e, mais tarde, em escritos medievais de Astrologia nos séc. XII e XIII.

Mas, afinal, o que significa o termo «Cazimi»? o termo significa «coração do Sol» e refere-se à conjunção muito próxima, com 17’ de arco, entre um planeta e o Sol.  Ao contrário do que é referido no conceito de «combustão» de um planeta pela Astrologia Jyotish clássica, este conceito refere que o planeta que se encontra a esta distância do Sol , em vez de ficar enfraquecido, fica fortalecido. Esta é, assim, uma aparente exceção reconhecida pela tradição astrológica, em relação ao caráter maléfico da excessiva proximidade do Sol.

Um planeta combusto é aquele que, aproximando-se numa orbe variável do sol, «desaparece» sob os seus raios, que queimam a sua energia e esta não pode, por isso, expressar-se.  Um planeta combusto é um planeta fraco. Porém, um planeta em Cazimi, torna-se especialmente forte, fortalecido pelos raios solares que não o queimam mas antes tornam-no especialmente forte. Diz-se que um planeta está em Cazimi (ou no coração do sol) quando o seu centro está numa orbe de 17 minutos do centro do Sol.  E é apenas a esta distância que se pode falar deste aspeto Cazimi.

Tradicionalmente, tanto na Astrologia Jyotish como Ocidental, considera-se que, quando um planeta está a uma distância inferior a 8º do Sol, está muito enfraquecido ou combusto. A sua posição numa orbe de aproximação do Sol de 17º (graus, não minutos como acontece com Cazimi) é considerada igualmente de combustão média, em que o planeta é enfraquecido mas não tanto como quando está mais próximo do Sol. Mas nenhuma destas posições se confunde com a Cazimi .Esta posição refere-se a uma conjunção muito próxima na qual o centro do planeta está no «coração do próprio Sol» , ou seja, está numa orbe de 17 minutos do centro do Sol. Quando isso acontece, em vez de ficar queimado, fica fortalecido, como se nascesse novamente ao contactar com o princípio da energia solar.  Segundo a tradição, esta proximidade permite a ligação entre o self interno do indivíduo (representado pelo Sol) e o princípio do planeta que forma a conjunção. A tradição considera que esta união com o princípio solar permite uma libertação e florescimento das características espirituais do nativo. No entanto, os aspetos materiais associados ao planeta em causa, são queimados, isto é, esta conjunção Cazimi não é favorável para os aspetos materiais, sendo, porém, excecionalmente poderosa, no plano espiritual.

Entre a comunidade da Astrologia Jyotish as opiniões dividem-se em relação a este conceito de Cazimi mas alguns salientam a sua eficácia quando usado na Astrologia horária, concordando com  autores do passado como william Lilly ou autores árabes. Estes defenderam que Cazimi torna o ser humano fraco fisicamente mas para que este possa ser purificado e renascer consequentemente mais saudável e forte. Também há quem refira que, quando um planeta está em conjunção com o Sol numa orbe de 17 minutos, está especialmente protegido pelo Sol.

Enfim, não sendo um aspeto muito comum, pois ocorre apenas alguns dias por ano, os leitores poderão ver no seu horóscopo se têm algum   aspeto  Cazimi  com o Sol e poderão testar a validade, defendida pelos antigos, desta conjunção com o Sol.  E, se desejarem, podem partilhar connosco, usando o espaço de comentário do site.

Glossário Astrológico- Casas Cadentes

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As casas cadentes  são um dos três grupos de casas:  temos as angulares-1,4,7,10; as sucedentes: 2, 5, 8, 11; e as cadentes: 3, 6,9, 12. As casas cadentes eram tradicionalmente consideradas as casas mais fracas onde os planetas podem estar colocados. Eram também conhecidas como «casas mentais» embora, na verdade, esta designação seja mais propriamente conferida à 3ª- casa, da mente lógica e à 9ª, a casa da mente superior por ser intuitiva e capaz de relação direta com a «verdade» divina.

Olhando para o horóscopo como um quadrado (segundo a tradição do desenho das casas pela Astrologia Jyotish), as casas cadentes são as últimas de cada quadrante. Cada um começa com uma casa cardinal à qual segue, como o nome indeica, uma casa sucedente e, finalmente, uma casa  cadente: quatro quadrantes com três casas cada.

Esta designação não é exclusiva da Astrologia da Índia, uma vez que era também usada pela antiga Astrologia da Grécia, que dava o nome de casas Apoklima às casas cadentes. Este termo significa declínio ou queda, numa imagem simbólica por serem as mais afastadas das casa angulares, que são as mais fortes. A razão pela qual as casas angulares eram e são consideradas mais fortes é que formam uma cruz tendo uma relação perpendicular e de oposição  com o Ascendente e  esta relação com o Ascendente é de extrema importância pois significa que influenciam diretamente os aspetos mais importantes da natividade.

Assim, a tradição tem-se referido ás casas cadentes como sendo aquelas que têm menos força e, por causa disso, aquelas em que os planetas dão resultados menos significativos. Há, no entanto, algumas contradições sobre as classificações das casas, pois cada uma delas tem origem em diferentes épocas, exprimindo diferentes conceitos e visões diversas da realidade. Por ex., quando se começou a atribuir uma correspondência natural entre as casas do horóscopo e os  12 signos (o que é bastante recente), misturaram-se significados antigos atribuídos às casas e outros referentes aos significados de cada signo correspondente, É assim que, por ex., a 3ª casa, considerada pelos antigos como a casa dos irmãos, passou a significar também , no século 20, a comunicação e a mente; para os antigos, a 6ª casa era uma casa de doença, febres agudas, ferimentos e cortes, de ladrões, mendigos, escravos, etc., com a associação ao signo Virgem passou a ser vista  também como uma casa de trabalho árduo e das rotinas.

A 9ª casa era a casa do «Deus Sol», da religião que segue a ortodoxia e  os costumes, das viagens para propósito da educação superior do nativo e fins religiosos. Era vista como uma casa de filosofia, sonhos ou expetativas positivas. Tais realidades abstratas eram também vistas como «longínquas» em relação à vida concreta e material por isso  eram consideradas mais «fracas» por estarem mais distantes do sentir e viver material.

Toda a tradição, incluindo a Astrologia grega e árabe considerava a 12ª casa  como muito maléfica, uma casa  dos «maus espíritos» e onde o «grande maléfico» Saturno era considerado forte  (tal como Marte, «o maléfico menor» se dá muito bem na 6ª casa). Os medievais também consideraram esta casa como a casa de perdas, dos inimigos, de destituição da posição ocupada, da má sorte e da prisão. A correspondência com o signo Peixes dá hoje a esta casa significados de espiritualidade e de contacto com os mundos subtis. Para a Astrologia Jyotish é também uma casa de prazeres sexuais pois é uma casa de privacidade e toda esta mistura de significados revela como diferentes camadas de significados se foram acrescentando aos significados primitivos das casas de modo que nem sempre conseguimos harmonizá-los. Devido à influência de correntes espirituais do século XIX a 12ª casa é  hoje vista como uma casa  que simboliza a dissolução de todos os apegos materiais  e como um ponto de transição para que a alma possa purificar-se e prosseguir o seu desenvolvimento.

Como se constata pelo referido, a classificação das casas cadentes como as casas do «declínio» não faz muito sentido hoje embora  os  significados atribuídos pela tradição se mantenham nas interpretações atuais das casas, mas sempre relacionados com o contexto global do horóscopo.

Glossário Astrológico- Bhinnashtaka Varga

Bhinnashtaka Varga capa

Bhinnashtaka Varga faz parte do sistema Ashtakavarga que mede a força das  casas ocupadas pelos 12 signos no momento do nascimento e considera que cada planeta atribui um número de pontos (num máximo de 8) a certas casa contadas a partir de si próprio. As que não recebem pontos são influenciadas de forma negativa por esses planetas.

Como referimos em outro artigo sobre a força Ashtakavarga, trata-se de um sistema complexo de avaliação quantitativa da força das casas tendo em conta a relação com os planetas e  o Ascendente, não incluindo os nodos, Rahu e Ketu.  Este sistema considera que os planetas referidos afetam as várias casas do horóscopo de certa maneira positiva  e estas casas beneficiadas recebem pontos benéficos. As que ficam fora desta influência recebem uma influência negativa.

Com base neste pressuposto, é possível traçar uma carta para cada um dos 7 planetas considerados e que tem em conta a relação entre estes ,o Ascendente e as casas do horóscopo. Estas cartas são designadas Bhinnashtaka Vargas. Para traçar cada uma das Bhinnashtaka Vargas tem-se em conta a posição no horóscopo de nascimento. Cada planeta tem a sua Bhinnashtaka Varga. Cada casa pode obter  um máximo de 8 pontos distribuídos pelos vários planetas tendo em conta  o Ascendente. Quanto mais pontos tiver numa dada casa, mais forte é o planeta nessa casa/signo. O total de pontos distribuído por cada planeta nas casas forma um relatório  designado por sarvasthtakavarga.  O total de pontos é de 337 e cada planeta contribui da seguinte forma para este total:

Sol: contribui com 48 pontos;

Lua: contribui com 49 pontos;

Marte: contribui com 39 pontos;

Mercúrio: contribui com 54 pontos;

Júpiter: contribui com 56 pontos;

Vénus : contribui com 52 pontos;

Saturno: contribui com 39 pontos.

Assim, os bons efeitos dos planetas aumentam quando transitam por casas fortes (são as que têm maior número  de pontos benéficos atribuídos pelos planetas) e são menos positivos quando transitam por casas que são mais fracas ( são as que têm menor número de pontos benéficos).

Não há necessidade de efetuar cálculos matemáticos para obter os resultados para cada planeta pois os mesmos são apresentados no relatório de base em qualquer software de Astrologia Jyotish, incluindo o gratuito Jaganatha Hora que recomendamos aos leitores. Com a informação obtida temos uma panorâmica do caráter benéfico ou maléfico dos planetas nas casas e da força e fraqueza das casas, do ponto de vista quantitativo. Para cada casa, um máximo de 56 pontos é possível , considerando-se 28 o ponto médio positivo. Abaixo deste a casa é considerada fraca. quanto mais elevado for o número entre 28 e 56 mais forte é a casa considerada.

Glossário Astrológico- Bhavat Bhavam

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Bhavat Bhavam é um conceito da Astrologia Jyotish que está relacionado com o princípio da «correspondência das casas». Consiste em contar, a partir de uma dada casa do horóscopo, o mesmo número de casas que corresponde à distância entre essa casa e o Ascendente. Assim, para a 3ª casa do horóscopo, contamos 3 casas tomando a 3ª casa como  a 1ª e obtemos a 5ª casa como sendo a Bhavat Bhavam da 3ª (é a 3ª da 3ª). Cada bhavat bavam é uma casa secundária que ajuda a compreender os significados e os efeitos de cada casa do horóscopo.  Assim, quando dizemos que a 5ª casa é uma 3ª casa em sentido secundário, mostramos que os significados da 5ª casa ajudam a compreender os significados da 3ª: Esta é uma casa de esforços, motivações, entusiamo e energia para levar a cabo as nossas ações no mundo. Assim, a 3ª casa mostra a energia que conseguimos colocar em ação para nos movermos no mundo; a 5ª casa mostra como exprimimos tudo isso através da nossa criatividade, inteligência, forma pessoal de agir e gosto em experimentar, mostrando os frutos possíveis de todos os esforços começados na 3ª casa: seja um projeto, uma obra artística ou um filho, tudo isso resulta da canalização pessoal da energia que colocamos em movimento na 3º casa.

Cada casa do horóscopo, à exceção da 1ª- O Ascendente- tem uma bhavat  bhavam que a complementa nos seus significados: Deste modo, a bhavat bhavam da 2ª casa é a 3ª; a da 3ª, como referimos, é a 5ª, a da 4ª é a 7ª; a da 5ª é a 9ª; a da 6ª é a 11ª (para os que possam ficar admirados com a complementação entre a 6ª e a 11ª casa, lembremo-nos de que a 6ª casa é uma casa de serviço, de esforço para produzir serviços para os outros, de obstáculos, luta e conflito com os outros mas, após essa luta e esse esfoço, é possível alcançar ganhos e ser reconhecido na comunidade, com a ajuda de outras pessoas e trabalhando em equipa. Por isso a 11ª casa é a bhavat bhavam da 6ª pois, em geral, não se alcança sucesso material fora da sociedade e da sua rede de apoios e amigos e sem colaborar com outros; a 1ª casa é a bhavat bhavam da 7ª pois a identidade de cada um de nós constrói-se através da ligação com outros a nível pessoal e em especial com um parceiro de vida, pelo menos para a maioria das pessoas; a 3ª é a bhavat bhavam da 8ª  pois as transformações da identidade do ser humano ocorrem em geral a partir dos desejos que este concretiza em projetos, energia direcionada para realizar coisas novas e também para indicar que a morte é apenas uma transição de ciclo e a saída para outro recomeço. A 5ª casa é a bhavat bhavam da 9ª casa. Estas são casas de dharma ou propósito de vida  e estão ligadas pois  a sorte e as oportunidades que criamos nesta vida ligam-se inexoravelmente com o nosso passado: a 9ª casa indica o karma novo que vamos criando, e este reflete-se necessariamente no karma significado pela 5ª casa, que vem do passado. A 7ª casa é a bhavat bhavam da 10ª casa  indicando que o sucesso mundano e a construção de uma imagem pública respeitada  e com elevado status depende da nossa capacidade para formar uma família com um parceiro que nos complementa e ajuda. Esta casa também é a bhavat bhavam da 4ª casa por razões semelhantes, na medida em que o nosso sentido de segurança e a felicidade estão dependentes da capacidade para estabelecer relacionamentos próximos  com alguns parceiros, sejam estes o parceiro de vida sejam os amigos próximos. A 9ª casa é a bhavat bhavam da 11ª casa pois os ganhos e rendimentos que conseguimos realizar necessitam que tenhamos sorte nesta vida e o acompanhamento e orientação de pessoas ou princípios que nos orientem na vida, seja o pai ou algum mestre de sabedoria.  Sem sorte e boa orientação, poucos de nós poderão alcançar sucesso, por muito esforço que façam. A 11ª casa é a bhavat bhavam da 12ª e se isto lhe parece estranho pois a 11ª casa é uma casa de ganhos e aumento de rendimentos e a 12ª é uma casa de perdas, digamos que, em termos de energia cósmica, nada se perde e o que «perdemos» num momento, ganharemos num outro, segundo a lei de compensação universal.  Assim, para ganhar, é preciso também dar um pouco de nós, sendo isto refletido nesta complementaridade e, segundo este princípio, quanto mais se dá, mais se recebe ou ganha.

Através deste conceito de bhavat bhavam a compreensão de uma determinada casa só fica completa quando analisamos a casa secundária de cada uma e o seu estado (presença de planetas benéficos ou maléficos, etc.).

Glossário Astrológico- Bhava Lagna

Glossário Astrológico Bhava Lagna capa

A carta Bhava Lagna é diferente da D-1 , Rashi ou carta natal vulgarmente conhecida. Parashara e a corrente  astrológica da Astrologia Jaimini fazem-lhe referência como mais uma forma de afinar os pormenores da interpretação da carta natal. Trata-se de considerar um Ascendente alternativo ao da D-1.

Existem dois  modos de calcular esta carta mas em ambas a posição do Ascendente difere da do Ascendente da D-1. Uma destas cartas tem casas iguais (Sripati) e a outra (bhava chalit) tem casas desiguais. Mas, independentemente disso, o Ascendente destas  cartas «bhava» não corresponde ao Janma Lagna ou Ascendente principal considerado na D-1.

O Ascendente comumente usado baseia-se no movimento entre o horizonte a a eclíptica, que não é circular mas oblíqua e, por esse facto, os signos não se elevam no horizonte  com  a mesma duração temporal  existindo diferenças  de acordo com as latitudes. Há signos que se movem mais rapidamente – ascendem mais rapidamente no horizonte- no hemisfério norte são os signos entre Capricórnio e Gémeos, sendo os signos Peixes e Carneiro os mais rápidos. Os que demoram mais tempo são os signos de Caranguejo a Sagitário, com Virgem e Balança a demorar mais tempo. Assim, quando dizemos que os signos ocupam 30º cada um, isto não é  exatamente  verdade, uma vez que não demoram o mesmo tempo a movimentar-se pela eclíptica, sendo uma convenção, considerar que cada signo ocupa exatamente 30º do Zodíaco. O Ascendente, que é o ponto do horizonte em que um dado signo se eleva no momento em que alguém nasce, baseia- se neste movimento físico dos signos no espaço e no tempo à medida que a eclíptica se move aparentemente durante o dia. Mas o Bhava lagna não se baseia no movimento físico dos signos.

Segundo Parashara, para encontrar o Bhava Lagna, devemos ter em conta que, desde o nascer do Sol até ao momento do nascimento, a cada 120 minutos (5 ghatis) temos um Bhava Lagna. Deixando de lado os pormenores do cálculo, que pode ser efetuado por qualquer software de Astrologia Jyotish- como o gratuito Jaganatha hora-  cada signo muda num intervalo de duas horas.  O Bhava Lagna assim encontrado pode estar antes ou depois do Ascendente da D-1 ou carta natal mas, em geral, estão no mesmo signo/casa.

Segundo o reputado astrólogo Sanjay Rath, o Bhava Lagna não se refere, como o Ascendente comum, á expressão física do nosso ser mas revela antes a personalidade do nativo no plano etérico mostrando a constituição da sua aura. Deste modo, o conhecimento do Bhava Lagna interessa principalmente aos que se  ocupam do desenvolvimento interno do ser humano, não sendo de estranhar que a maioria, incluindo os astrólogos, não lhe deem grande atenção, uma vez que preferem focar-se na dimensão física e material da existência.

No entanto, segundo o sábio Parashara, quando dois ou todos os lagnas especiais Bhava Lagna, Hora Lagna, Ghatika Lagna recebem aspetos de planetas exaltados, isso gera um Raj yoga pelo que a dimensão interna revelada pelo Bhava Lagna pode também contribuir para o sucesso externo no mundo.

Glossário Astrológico- Bhava Bala

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A palavra «bhava» significa «casa astrológica», a palavra «bala» significa «força». Deste modo, a expressão bhava bala refere-se à força de cada casa do horóscopo. Esta «força» interpreta-se a partir de diversos fatores:
1. A força do regente da casa (corresponde ao regente do signo que ocupa essa casa) a partir dos pontos que o planeta obtem na força shadbala.

2. Os aspetos- benéficos ou maléficos- que cada casa recebe, dependendo da natureza do planeta regente e do seu estatuto funcional (muda para cada signo Ascendente).

3. Dig Bala da casa– Esta é a força que as casas obtêm por corresponderem a diversos grupos de signos. Estes grupos são: Nara, Jalachara, Keeta e Chatushpada.

Os signos do grupo Nara são: Gémeos, Virgem, Balança, primeira metade de Sagitário. Quando a 1ª casa calha num signo Nara obtém a força de 60 shastiamsas. Quando é a 7ª casa a cair nestes signos o valor da força é 0.

Os signos do grupo Jalachara são: Caranguejo, Peixes, segunda metade de Capricórnio. A 4ª casa ocupada por signos Jalachara obtém a força de 60 shastiamsas . A 10ª casa obtém 0 quando ocupada por estes signos.

O grupo Keeta contém apenas um signo: Escorpião: a 7ª casa ocupada por este signo obtém 60 shastiamsas. A 1ª casa ocupada por este signo obtém 0.
Os signos do grupo Chatushpada são: Carneiro, Touro, Leão, segunda metade de Sagitário. Quando a 10ª casa é ocupada por um destes signos, a sua força é de 60 shastiamsas e, quando a 4ª casa calha num destes signos ,obtém 0 nesta força.

A partir destas considerações calcula-se a Dig Bala, um dos indicadores da força de certa casa e dos planetas aí colocados.
A força global das casas ou bhavas infere-se assim através de vários modos, sendo os seguintes os mais importantes: a colocação do regente da casa no horóscopo, os planetas colocados na casa, a força e colocação do seu karaka, ou planeta significador.
Outros elementos que aumentam a força de uma casa são a colocação ou aspeto dos planetas benéficos: Júpiter, a Lua forte, Vénus e Mercúrio bem associado.

Glossário Astrológico- Bamsha

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Bamsha, também designada por Sapta vimsamsa consiste em dividir cada signo em 27 partes iguais de 1º 6’ 40’’ sendo por isso referente a uma das cartas divisionais. Também se encontra com a designação de Nakshatramsa e refere-se à D- 27.

Esta carta divisional serve para avaliar as forças e fraquezas gerais,  A força física e a energia geral que colocamos para agir podem ser vistas a partir daqui.

Não vale a pena explicar os cálculos para obter esta divisional uma vez que qualquer software de Astrologia Jyotish (incluindo o gratuito Jaganatha Hora que aconselhamos) faz todos os cálculos sem ser preciso nenhum esforço adicional.

A Bamsha constitui uma das 16 vargas ou divisões dos signos referidas pelo sábio Parashara ,fundador da Astrologia Jyotish na sua obra Hora Sastra. Este conjunto é também conhecido por Sodavarga. A análise de cada uma das divisões ou cartas divisionais tem um peso específico na análise global do horóscopo sendo que a totalidade das 16 vargas soma 20 pontos, valendo cada uma das cartas divisionais um peso relativo. Este pode mudar conforme se usa um conjunto de 16 divisionais, 10, 7 ou 6 cartas divisionais do total das 16 consideradas por Parashara.

Entre os critérios que podem ser usados para justificar a escolha de grupos mais pequenos ou maiores de cartas divisionais está o facto de ser necessário conhecer a hora exata de nascimento de nativo para serem fiáveis as divisões maiores dos signos. Bastam poucos minutos de diferença entre a hora de nascimento registada e a hora a que efetivamente se nasceu para que as cartas divisionais baseadas num número maior de divisões dos signos sejam pura ficção razão pela qual muitos astrólogos não as usam,  sobretudo quando os nascimentos ocorreram em locais em que o rigor da hora de nascimento deixa bastante a desejar. No que se refere à varga Bamsha, esta é apenas considera no conjunto das 16 vargas ou sodavarga e tem um peso de 0,5 num total de 20 pontos possíveis. Parashara atribuiu  o maior peso à D- 60 ou shastiamsa- 4 pontos- por considerar que esta dá indicações gerais sobre o destino individual, sendo um auxiliar das previsões. A D-60 refere-se ao karma passado que afeta o presente e, como a vida presente é vista como resultado do passado, a análise desta varga mostra como vidas passadas afetam a vida presente e a condicionam, para o bem e para o mal A aflição de planetas na D-60 revela «maldição» sobre a vida atual, segundo os antigos mas, se o aspeto não se repete na D-1 esse karma está pendente o que significa que não será colhido nesta vida.. A seguir em força vem a D-1 ou carta natal -3,5 pontos-e depois, é claro, a D-9 ou Navamsa com 3 pontos.  Nesta ótica, a análise da varga Bamsha aparece como secundária.

Apesar da sua menor importância, comparativamente com as vargas referidas no parágrafo anterior, a Bamsha é um auxiliar de previsão também importante embora de refira mais às forças e fraquezas no plano físico e material permitindo apurar se o nativo tem energia suficiente para fazer vingar os seus esforços neste plano.

Glossário Astrológico- Balarishta

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Balarishta é o nome de uma aflição ou yoga maléfico que causa a morte antes dos 7 ou 8 anos. Os antigos astrólogos da Jyotish davam-lhe grande importância pois, numa época em que não havia computadores para fazer os complicados cálculos matemáticos e astronómicos e em que  demorava bastante tempo a fazê-los, era preciso saber, antes de mais, se valia a pena analisar globalmente o destino individual. Daí que o cálculo da longevidade fosse um instrumento prévio de todas as análises. Há vários yogas que indicam morte prematura em diversas idades, sendo o Balarishta o que indica a morte mais precoce.

Balaristha é uma palavra em sânscrito que significa «morte na infância». Os indicadores deste «dosha» ou aflição podem ser vários, dependendo do karma do indivíduo.

Os leitores devem ter em conta, ao analisar as combinações indicadas como Balarishta que é preciso contextualizar essas indicações com o momento histórico e que, na atualidade, muitas delas não significam que a criança vai necessariamente morrer ,embora possa ter uma saúde mais frágil.

Quando a Lua está fraca, colocada numa casa dusthana (6,8,12), recebendo o aspeto de planetas maléficos, a longevidade da criança era  diagnosticada como curta, numa época (milhares de anos atrás) em que os cuidados de saúde e higiene eram frágeis e insuficientes e muitas das doenças que contribuem para a mortalidade infantil não tinham sido ultrapassadas. Assim, considerava-se que a colocação da Lua fraca na 6ª casa causava Balaristha.

A colocação de Rahu na 9ª casa, de Marte na 7ª e Saturno na 1ª casa eram também consideradas Balarishta.E o mesmo acontecia com Júpiter colocado  na 3ª.

Quando não morriam, as crianças, segundo os antigos sábios, passavam por grandes dificuldades e sofrimento durante os primeiros anos da infância.

Porém, como sempre referimos nos artigos que publicamos, há que analisar o horóscopo na sua globalidade. Quando isso acontece pode dar-se o caso de haver outros yogas no horóscopo que cancelem o Balarishta. Chama-se a esses yogas Balarishta Banga (cancelamento do Balarista).

Qualquer planeta benéfico natural – Júpiter, Vénus e Mercúrio quando é forte e benéfico- ou o regente do Ascendente forte e sem receber aspetos de planetas maléficos colocados numa casa kendra- 1, 4, 7 ou 10- cancela o Balarishta. Segundo o sábio Parashara, quando há um planeta maléfico na 4ª casa mas Júpiter está bem colocado; ou quando Júpiter está em conjunção com Marte ou em aspeto com Marte; ou quando , havendo planetas maléficos numa casa kendra, estes estão «cercados» por planetas benéficos, (colocados na casa anterior e posterior à desses planetas) o Balarishta é cancelado.

Alguns autores antigos enfatizaram o facto de a Lua forte e o regente do Ascendente forte serem proteções muito importantes do horóscopo, algo que subscrevemos também inteiramente.

Mahadeva, na obra Jataka Tattwa afirmou que a Lua fraca e numa fase escura colocada num signo de Vénus , causa Balarishta, o que não deixa de ser surpreendente se nos lembrarmos de que a Lua fica exaltada no signo Touro, um signo de Vénus e atendendo a que, na tradição, não se considera que a Lua tenha estatuto maraka  isto é, capaz de causar  a morte.

Glossário Astrológico- Nakshatra Abhijit

 glossário Astrológico Abhijit  capa

Abhijit é o nome do 28º Nakshatra, raramente  usado hoje na Astrologia Jyotish  e que é considerado para fins espirituais. A divisão em 27 Nakshstras divide o Zodíaco em 27 partes , cada uma com 13º 20’ minutos cada como se o movimento da Lua fosse homogéneo e uniforme  quando percorre o Zodíaco o que, no entanto, não se verifica.  A Lua leva cerca de 27 dias e 7 horas para atravessar o Zodíaco e permanece em cada uma das suas «mansões» (Nakshatras)  durante cerca de um dia. Ora  isso significa que há um remanescente de várias horas no qual a Lua está no que corresponde ao 28º Nakshatra ou Abhijit.

Abhijit é também considerado o Naksatra de Brahma, a divindade criadora. No Zodíaco, Abhijit fica localizado entre 6º 40  e 13º 53’ 20’’ do signo Capricórnio, . Esta extensão foi posteriormente incluida nos Nakshtaras de UttaraShada e Shravana. Porém, na leitura de alguns investigadores, como Sanjay Rath, o Abhijit Nakshstra, ou Nakshstra da espiritualidade está colocado, em cada horóscopo, na 4ª casa a partir da colocação do sol. Assim, para  encontrar este Nakshstra que não tem a ver com a manifestação material mas com a expressão espiritual, deve contar-se 4 casas a partir da colocação do Sol no horóscopo. Isto acontece, na opinião deste investigador, porque  Abhijit indica  o ponto de máxima luz no horóscopo e, deste modo, a colocação do Sol contada como a primeira casa da dimensão espiritual do nativo, será o «Ascendente» a partir do qual o Sol estará na sua máxima luz. Por ex., para o Sol colocado no signo Capricórnio, o Naksshtra Abhijit estará localizado no signo Carneiro. Neste caso, este signo corresponde ao signo de exaltação do Sol  mas o mesmo princípio é aplicado a qualquer signo do Zodíaco. Por ex., para o Ascendente Caranguejo, o Nakshstra Abhijit cai no signo de debilitação do Sol, Balança mas isso é indiferente para os efeitos aqui considerados.

Segundo este investigador, que lança luz sobre a importância e compreensão do papel dos Nakshatras no destino individual, o ponto do horóscopo onde  se localiza o Nakshstra Abhijit tem o mesmo significado da 10ª casa e o seu regente é um protetor  do horóscopo, trazendo eventos afortunados. Representa a sorte e  o ponto de luz lançado sobre o destino individual.  Esta conceção põe em  causa o conceito tradicional aceite pela astrologia sobre a correspondência de casas: segundo a tradição, a 10ª casa a partir do Sol seria afortunada e traria visibilidade e sucesso. Porém, segundo este conceito defendido por Sanjay Rath, acontece exatamente o oposto: a 10ª casa a partir do Sol é o ponto de maior escuridão do horóscopo, correspondente à ausência total de Luz.

Os conceitos defendidos pelo autor referido exigem alguns conhecimentos aprofundados sobre as conceções védicas sagradas das quais surgiu a astrologia Jyotish há alguns milhares de anos. Mas, na nossa opinião, ajudam-nos a ir muito mais além da análise mecânica e estandardizada do horóscopo. Faz-nos pensar e isso lembra-nos  que «Jyotish» é mesmo isso, a «ciência da Luz».