Analisar a Força dos Planetas no Horóscopo- Um Exemplo

eus
Analisamos a força dos planetas num horóscopo, para ajudar os nossos leitores a familiarizarem-se com os procedimentos da análise .
Começamos por lembrar que um planeta funcional maléfico também pode ser muito forte, pois a natureza funcional dos planetas é determinada pela regência das casas do horóscopo. Do mesmo modo, um planeta funcional benéfico pode ser fraco.
Vamos usar o horóscopo de uma pessoa de sexo masculino . Para fazer este exercício, tenha à mão o horóscopo que vai analisar.
Lua– 17º 50′ Escorp
Marte– 20º31′ Virg
Sol – 6º 47′ Capric
Mercúrio-24º 29′ Capr
Júpiter– 14º 56’Libr
Vénus– 7º 21′ Capr
Saturno– 28º 33′ Virg
Rahu– 28º33 Gem
Ketu– 28º33′ Sag
Asc- 13º39′ Carang
rob
Informação básica: Ascendente Caranguejo Sol em Capricórnio e Lua em Escorpião.
São os seguintes os planetas funcionais benéficos, tendo em conta o Ascendente Caranguejo:
– Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Vénus
Os planetas funcionais maléficos são: Júpiter, Saturno, Rahu e Ketu. Este Ascendente tem  a dificuldade  de ter como  planetas funcionais maléficos os  planetas de movimento lento, pelo que os períodos em que a sua acção pode ser desafiadora na vida do nativo são de longa duração.
A colocação dos planetas é a seguinte:
Sol: colocado na 7ª casa, em conjunção exata com Vénus, um funcional benéfico . O Sol está em aspeto com a 1ª casa , ainda que com orbe ampla o que é auspicioso para a capacidade de o nativo obter sucesso na vida e também   favorece a força vital. Rege a 2ª casa, que é uma «casa como o sol». Não sofre aflição de nenhum planeta funcional maléfico pois nenhum forma aspeto com ele. Obtém força média vimsopack mas o aspeto exato com Vénus , que é a influência mais benéfica do horóscopo pela regência da 4ª casa, ocupada pelo seu signo Mooltrikona  dá-lhe uma força adicional de 50%. É por isso um planeta forte.
LuaEstá colocada na 5ª casa, uma casa auspiciosa , e rege o Ascendente. Lança aspeto para a 11ª casa. Está em aspeto com o ponto mais efetivo da casa onde está colocada e com a 11ª casa, numa orbe de 4º. Tem força de 65 % na Vimsopack mas está debilitado na Rasi e na Navamsa pelo que perde força. É o planeta mais fraco do horóscopo.
Mercúrio– colocado na 7ª casa, não forma aspeto próximo com o Sol nem com Vénus. Rege a 3ª casa, onde tem o signo Mooltrikona, e a 12ª. Enquanto regente da 3ª casa, torna-se um planeta que «atua como o Sol», dando ao nativo competências elevadas de comunicação, de escrita, empreendedorismo, etc.. Saturno, o mais poderoso funcional maléfico, está colocado na casa que corresponde ao seu signo Mooltrikona mas está  afastado do ponto mais efetivo. Mercúrio não sofre combustão. Obtém força média na Vimsopack. Tem força para produzir resultados positivos mas, durante os trânsitos pelos pontos fracos do horóscopo, pode trazer despesas e perdas financeiras devido à regência da 12ª casa.
Marte- Colocado na 3ª casa, que é uma casa como o Sol. Tem como dispositor Mercúrio. Tem força média na Vimsopack, está debilitado na Navamsa, e tem o seu signo Moltrikona  na 10ª casa do horóscopo, aflito no ponto mais efetivo  da casa por Júpiter, regente da 6ª casa. Assim, são de esperar lutas e obstruções , relacionadas com a carreira, ainda que elas não impeçam o sucesso pois Marte é um yogakaraka para este Ascendente e o dispositor do planeta é forte.
Vénus– colocado na 7ª casa, em conjunção exata com o Sol, um funcional benéfico, pelo que não sofre combustão. Está exaltado na Navamsa. Tem o seu signo Moltrikona aflito por Júpiter mas é por sua vez o dispositor de Júpiter pelo que a ação maléfica deste é limitada. É o planeta mais forte do horóscopo, entre os funcionais benéficos.
Júpiter- Devido ao facto de o seu signo Mooltrikona ocupar a 6ª casa do horóscopo é considerado um funcional maléfico . Está colocado na 4ª casa em conjunção exata com o seu ponto mais efetivo. Está colocado numa casa em que o dispositor , Vénus, é muito forte e é o planeta mais benéfico do horóscopo pelo que o seu caráter maléfico como regente da 6ª casa fica muito atenuado e, como regente da 9ª casa da sorte torna-se capaz de atrair bons eventos para a vida do nativo. Tem força de 70% na Vimsopack. Rege uma casa como o Sol e não está aflito. É um planeta muito forte.
Saturno– Pela regência da 8ª casa é considerado um planeta funcional maléfico. O seu signo Mooltrikona está aflito no ponto mais efetivo por Júpiter. Está colocado numa casa como o Sol, a 3ª, cujo dispositor é Mercúrio. Porém, está no avastha da velhice por ter a longitude de  28 º no signo. Tem 60% de força na Vimsopack. Não está aflito. A regência da 8ª casa torna-o um «planeta como Rahu» isto é , pode inclinar o nativo para o excesso de ambição, ganância e desejo de posses materiais.
Planetas Aflitos-Ketu recebe um aspeto por  conjunção exata com Saturno. Por isso Saturno,sendo  um funcional maléfico,  aflige Ketu.
Rahu está colocado na 12ª casa num signo amigo e sem receber nem enviar aspetos. Causa despesas e gastos excessivos.
Signos Mooltrikona aflitosCarneiro (Aries)- por Júpiter; Aquário– por Júpiter; aspeto exato de Júpiter para o ponto mais efetivo das casas 8ª e 10ª.  Durante os trânsitos de Júpiter, Saturno e Rahu /Ketu por estes pontos, em conjunção próxima/exata ou aspeto principal,  eventos desafiadores surgem na vida do nativo relacionados com os significados destas casas  e dos planetas em causa, sobretudo se os planetas significadores das casas- gerais e particulares- forem fracos. Neste horóscopo, por ex., Vénus é um planeta muito forte  e é o regente da 4ª casa por onde transita, neste momento,Saturno, sendo também a casa onde está colocado Júpiter, o outro planeta funcional maléfico, no horóscopo natal . Como Vénus é o dispositor desta casa, que é o seu signo Mooltrikona, protege os significados da casa e diminui consideravelmente o impacto deste trânsito de Saturno. Quando este forma aspeto exato com o ponto mais efetivo da casa e com Júpiter, tende a causar eventos infelizes. Porém, Júpiter tem mais força do que Saturno e, por isso, esses efeitos são mitigados, tal como os efeitos maléficos de Júpiter devido à sua condição funcional.(neste caso devido à proteção de Vénus).
Exercício: Reveja a informação toda que demos até agora. Observe o seu horóscopo e aplique essa informação. Tendo em conta as tabelas que analisam a força e  a fraqueza dos planetas, tome nota de todos os dados relevantes, usando o software para recolher a informação necessária.
Glossário:
Ponto mais efetivo de uma casa– corresponde ao grau idêntico ao do Ascendente. Cada casa tem 30º e, dentro dessa longitude, os 5º antes e depois do grau que corresponde ao do Ascendente, é o PME da casa.
Signo/Planeta aflito– aquele que recebe a influência, por conjunção ou aspeto principal, dentro da orbe de 5º, de um planeta funcional maléfico (e apenas deste).
Dispositor- é o regente de um signo Mooltrikona e o conceito aplica-se quando qualquer planeta está colocado na casa que rege. É o «dono da casa» e limita a força do planeta aí colocado, pois este não pode ter mais força do que ele

Os Aspetos entre os Planetas e o Tempo dos Eventos

mam
Como referimos num artigo anterior  os aspetos entre os planetas têm impacto para produzir eventos na nossa vida, relacionados com os significados gerais e particulares  dos planetas no horóscopo e as casas em que se encontram, bem como os significados dos seus signos Mooltrikona. Porém, esse impacto surge em que momento da nossa vida?
É claro que  a propósito deste assunto há várias coisas que temos que ter em conta. Uma delas, e muito importante, tem a ver com os períodos dasha: tendo anotado todos os períodos dasha da nossa vida como explicado, em que anos é que atravessaremos   o período  principal  do planeta em causa? E, se este é o significador primário, por exemplo, para a  educação e a formação profissional, o seu período ocorre  no tempo em que é mais útil na nossa vida- os anos em que frequentamos a escola, nos seus vários níveis de formação ou ocorre tarde na vida, quando é menos útil para nos preparar a estrutura de vida a que chamamos «o nosso futuro?» (Brevemente ensinaremos a determinar quais são  os planetas que devemos considerar como «determinantes primários e secundários» para cada área de vida.)
Depois, temos que ter em conta a orbe de distância, em termos de longitude, dos planetas entre si e, que, como já referimos, nas conjunções e aspetos próximos varia de 0º a 5º  para ambos os lados da colocação de um planeta.  Para os casos em que o período principal  de um planeta só ocorre tarde na vida ou em que ,provavelmente, não será vivenciado pois implica  que  a nossa vida ultrapasse um século, estas considerações são essenciais porque, em qualquer período dasha, temos oportunidade de experienciar o subperíodo do planeta cujos significados são essenciais para uma determinada área da nossa vida. Isto é assim porque cada período dasha se divide em subperíodos de todos os outros planetas, cuja ordem é sempre a mesma mas que começa com o subperíodo do próprio planeta que rege o dasha. Toda esta informação pode ser encontrada facilmente através do software  grátis que recomendámos e tal como explicámos.
 
Para cada grau  de distância   entre os planetas consideramos  que os significados desse aspeto se manifestam na vida da pessoa no intervalo de uma década. Assim, a conjunção exata de dois planetas ou aspeto exato indica que os significados  associados a esses planetas ocorre em eventos que ocorrem na primeira década de vida; uma diferença de 2 graus  indica a ocorrência desses significados na 2ª década de vida; uma diferença de 3º indica  que esses significados ocorrerão na 3ª década de vida , etc., até aos 5º de distância. Para os planetas que se encontram em aspeto amplo,  ocupando o mesmo signo mas com uma distância  de longitude de mais de 5º, é de esperar que só se manifestem na vida da pessoa depois dos 60 anos ou mais.
Para além deste aspeto geral  é preciso ter em conta que os resultados dos trânsitos são afetados por diversos fatores  como a existência de múltiplas influências em trânsito ,  pela natureza  funcional e pela força dos planetas envolvidos.
Continuaremos a  desenvolver esta questão.

O Que dizem os Mestres- Natureza funcional dos Planetas #2

book

Continuamos  a apresentar a descrição feita no livro «Brihat Hora Sastra»  de Parashara, sobre  a natureza dos planetas para os últimos signos do Zodíaco no Ascendente:

Ascendente Balança (Libra)- Júpiter, o Sol e Marte são maléficos. Saturno e Mercúrio são benéficos. A Lua e Mercúrio associados  formam Rajyoga.   Comentemos: o Sol  rege a 11ª casa, Marte rege a 2ª e a 7ª e Júpiter  rege a 3ª e a 6ª. A classificação  do Sol  como maléfico deve-se às razões já explicadas e que  têm  a ver com os efeitos reais que o Sol pode dar , quando é forte. Relativamente a Marte, a  razão desta classificação prende-se com o seu estatuto de planeta  maraka poderoso para este Ascendente. Quanto a Júpiter, segundo a regra definida, há coerência na sua classificação. Saturno rege a 4ª e a 5ª casa, sendo por isso um yogakaraka e o planeta mais benéfico para este Ascendente. Porém, a classificação de Mercúrio como benéfico deixa-nos muitas dúvidas: é verdade que ele rege a 9ª casa mas também rege a 12ª. E, mais importante do que isso, o seu signo Mooltrikona, que é o predominante, ocupa a 12ª casa e não a 9ª. Assim, não se compreende nem que o planeta seja descrito como benéfico nem  o que se diz no texto de que, se estiver associado à Lua, forma Raja yoga. (porque a Lua rege a 10ª casa e Mercúrio rege a 9ª). Se é uma exceção, a fundamentação devia ser apresentada. Vénus, regente do Ascendente, e também da 8ª casa, é considerado neutro. adicionalmente atesta-se o caráter maraka de Marte e a possibilidade de Júpiter, regente da casa da doença, também  ter essa ação.
Ascendente Escorpião- Vénus, Mercúrio e Saturno são maléficos. A Lua e Júpiter são auspiciosos. O Sol, regente da 9ª casa  e a Lua, regente da 10ª, são considerados yogakarakas. Marte , o regente do Ascendente  e também da 6ª casa, é considerado neutro. Também não percebemos bem porquê uma vez que o signo Moltrikona de Marte ocupa a 6ª casa do Horóscopo, sendo predominante.Mas tem coerência uma vez que se definiu previamente que o regente do Ascendente é auspicioso.  Vénus tem o signo Mooltrikona na 12ª casa, sendo pacífica a sua classificação como maléfico; Mercúrio rege a 8ª casa e a 11ª; segundo as regras definidas, é pacífico ser considerado maléfico; Já a classificação de Saturno como maléfico, deixa dúvidas: trata-se de um planeta naturalmente maléfico a reger uma casa Kendra e, embora a regência da 3ª casa seja considerada má, pelas regras previamente definidas, a verdade é que, nos casos concretos, Saturno pode dar bons resultados com esta regência, desde que esteja forte e não aflito. A classificação de Júpiter como benéfico passa ao lado das regras definidas pois ele tem o seu signo Mooltrikona na  2ª casa do horóscopo. Assim, mais uma vez  se contradiz a regra prévia de que o regente da 2ª casa é maléfico. A conclusão de que não é má está certa mas a regra não faz sentido. Vénus é ainda referido como planeta Maraka, pois rege a 7ª e a 12ª casas.
Ascendente Sagitário-  O texto refere que só Vénus é inauspicioso. O Sol e Marte são benéficos, O Sol, regente da 9ª casa e Mercúrio, regente da 10ª,  podem formar Rajyoga ( a expressão no condicional compreende-se pelo facto de que,  muitas vezes, devido a estar sempre relativamente próximo do Sol, Mercúrio está combusto. Nesse caso, o yoga não tem efeitos.) Saturno, como regente da 2ª e da 3ª, é um planeta maraka. De acordo com as regras definidas antes não seria de esperar que fosse considerado maléfico?  Acrescenta-se que Vénus, regente da 6ª e da 11ª casas, também «adquire o poder de matar» o nativo.  E a última referência é para Júpiter, regente do Ascendente e da 4ª casa, que é apresentado como neutro. Apesar de reger duas casas boas, Júpiter é um planeta naturalmente benéfico e estas são duas casas kendra.  E a Lua está ausente, não se faz nenhuma referência à sua ação. Reportando-nos às regras  prévias podemos ler que a Lua como regente da 8ª «não é prejudicial». Mas então é o quê? Neutra? a experiência , no entanto, mostra que a Lua, durante o seu dasha ou nos seus subperíodos em outros dashas pode trazer muitos obstáculos e perdas, que são frequentes embora de curta duração habitualmente, exceto durante o seu dasha que dura 10 anos.
Ascendente Capricórnio- Marte, Júpiter e a Lua são maléficos. Vénus e Mercúrio são benéficos. Saturno, regente do Ascendente e  da 2ª casa, é referido como, por si só, não ser um planeta maraka. Então como se classifica? Como neutro, uma vez que não foi incluído no grupo inicial dos benéficos? O texto é omisso e tradicionalmente é comum considerá-lo como benéfico para este Ascendente. O Sol, regente da 8ª casa, é considerado neutro. Não é nada clara  esta exceção pois  se o Sol é o indicador  da vida , o seu período e subperíodos podem trazer muitas obstruções, problemas de saúde e perdas. O texto termina referindo que, para este Ascendente, só Vénus «é capaz de produzir um yoga superior». Isto deve-se ao facto de este planeta reger uma kendra e uma trina, a 5ª e a 10ª casas, sendo por isso um yogakaraka. A classificação da Lua como maléfica espanta-nos pois ela rege a 7ª casa. E, se o Sol , regente da 8ª, é considerado neutro, por maior razão a Lua também o deveria ser.  Com a regência da 4ª e da 11ª casas, também se compreende mal  a classifcação de Marte como maléfico. Já a classificação de Júpiter parece-nos pacífica.
Ascendente Aquário– A Lua, Marte e Júpiter são maléficos. Vénus e Saturno são benéficos. Vénus é o único planeta capaz de formar Rajyoga. O Sol, Marte  e Júpiter são planetas maraka.  Mercúrio dá resultados de acordo com as suas associações.A Lua rege a 6ª casa e é considerada maléfica. Concordamos mas porque não acontece o mesmo com a 8ª casa, igualmente maléfica?  Não se compreende a razão . Júpiter rege a 2ª casa e a 11ª  e é por essa razão considerado maléfico apesar de, se estiver forte e não aflito produzir um poderoso dhana yoga, atraindo muita riqueza e status para a vida do nativo. O facto de ser um planeta Maraka, pela regência da 2ª casa, parece-nos demasiado fraco como argumento e, sobre a 11ª casa já dissemos o que pensamos.  Outra classificação que não tem apoio na experiência é  a classificação de Marte: rege a 3ª casa, dos irmãos mas também da coragem, da capacidade de iniciativa, etc, e a 10ª, da carreira e da profissão. Marte forte pode  indicar um empreendedor que constrói a sua carreira com sucesso pela iniciativa própria. Concordamos com a classificação de Vénus, um planeta yogakaraka, que pode trazer muitos bens, sorte etc para a vida do nativo. Quanto à classificação de Saturno, é considerado benéfico porque tem o seu signo Mooltrikona na 1ª casa e estamos de acordo, pois segue as regras gerais definidas previamente. Mercúrio, regente da 5ª e da 8ª casa sendo que esta última  corresponde ao seu signo Mooltrikona, já nos coloca mais dúvidas, pois a 8ª casa é predominante em relação à 5ª.

Ascendente Peixes– O Sol, Mercúrio, Vénus e Saturno são maléficos. A Lua e Marte são benéficos. O texto acrescenta que Marte  e Júpiter formam yoga e que Saturno e Mercúrio são planetas maraka. Marte também é mas, por si só, não mata o nativo. A classificação do Sol como maléfico suscita-nos perplexidade: o Sol como regente da 8ª casa «não é prejudicial» pelo que não deve ser classificado como maléfico nessa circunstância e deve sê-lo  quando rege a 6ª casa porquê? Não existe justificação mas há, a nosso ver, contradição. Mercúrio, regente da 4ª e da 7ª, é considerado maléfico. É  verdade que  rege duas kendra  mas o seu estatuto natural é de neutralidade, não é um benéfico «claro». E, se ao reger a 1ª e a 4ª, como no Ascendente Gémeos, é considerado benéfico, neste caso seria de esperar uma classificação de neutro ,mas não é isso que sucede. Rege uma casa maraka ,a 7ª, e é a única razão que encontramos para esta classificação. Vénus, por outro lado, rege a 3ª e a 8ª e tem o seu signo Mooltrikona na 8ª casa pelo que nos parece muito clara a sua classificação como maléfica. A classificação de Saturno, regente da 11ª e da 12ª casas, com o seu signo Mooltrikona a ocupar a 12ª, também é pacífica. Mas a afirmação de que Marte, regente da 2ª casa e da 9ª forma um Rajyoga com Júpiter, regente do Ascendente e da 10ª casa, só é aceitável se simultaneamente descartarmos a classificação da 2ª casa como maléfica. A Lua é o planeta mais benéfico, pela regência da 5ª casa do horóscopo.

E deste modo concluímos a apresentação da natureza funcional dos planetas de acordo com o Brihat Hora Sastra, um livro base dos fundamentos da Jyotish mas, como o(a) leitor(a) pode comprovar, trata-se de uma obra fragmentária que contém algumas contradições, resultantes de se tratar de um testemunho indireto dos ensinamentos do Mestre Parashara.  Essas contradições têm que ser corrigidas para se poder fazer previsões rigorosas sustentadas pelos resultados práticos, mais do que por crenças ou conceitos não testados. Por isso adotámos a abordagem de V. K. Choudhry por ser consistente com os princípios e com os resultados.

O Que dizem os Mestres- A Natureza Funcional dos Planetas #1

madcv

Iniciamos a caracterização dos planetas para cada signo Ascendente,  de acordo com Parashara e o cap. 34 de «Brihat Hora Sastra».

Ascendente Carneiro (Aries)– Saturno, Mercúrio e  Vénus  são considerados maléficos. O Sol , Marte e Júpiter são considerados benéficos. Parashara acrescenta que, se houver um aspeto entre Júpiter e Saturno, este não produz resultados benéficos, embora Saturno seja o regente de uma casa kendra (10ª) e Júpiter tenha a regência de uma casa trikona (9ª). Esta consideração está em conformidade com a regra de que, quando um planeta rege uma kendra ou trikona e uma casa maléfica, não forma Rajyoga  quando está em aspeto com o regente de outra casa kendra/Trikona. Porém, o texto é completamente omisso em relação à Lua, regente da 4ª casa. Teremos pois que considerar que esta descrição está incompleta e não temos a totalidade do texto pois o papel da Lua ficou por caracterizar. Vénus, como regente da 2ª e da 7ª casas é considerado um poderoso maraka, podendo infligir a morte no seu período/subperíodos. Saturno também é considerado como capaz de infligir a  morte, se associado com um planeta maléfico.
Ascendente Touro- A Lua, Vénus e Júpiter são considerados maléficos. Saturno e o Sol são considerados benéficos. Saturno, regente da 9ª e da 10ª casas é um yogakaraka, atraindo poder e riqueza para o nativo. A caracterização de Mercúrio é curiosa: diz que «Mercúrio é de algum modo inauspicioso». Significa isto que ele é considerado neutro? Ora, Mercúrio rege  a 5ª casa, uma casa muito boa, mas também  tem a regência da 2ªcasa, uma casa maraka. Por outro lado, a única referência a Marte é para dizer que ele «é capaz de infligir a morte». Ora, sendo regente da 7ªcasa e da 12ª, isso é verdade. Mas, porque não foi ele referido no mesmo grupo dos planetas maléficos? Porque se parte do princípio de que os maléficos são os regentes da 3ª, 6ª e 11ª casas?  Marte é um planeta maléfico natural que rege uma casa kendra e, por essa razão, poderia dar bons resultados. Porém,  também rege  uma casa maléfica, a 12ª, ocupada pelo seu signo Mooltrikona. A sua classificação lógica será como maléfico. Júpiter, a Lua e Vénus são considerados planetas maraka. Pelas regras dadas, Júpiter é considerado um poderoso maléfico.
Ascendente Gémeos– O Sol, Marte e Júpiter são considerados maléficos. E acrescenta-se que Vénus é o único planeta auspicioso. Diz-se também que a Lua  é o principal planeta maraka, pela regência da 2ª casa. O texto é completamente omisso em relação a Mercúrio e a Saturno, embora em relação a este último haja uam referência de que, se ele formar aspeto com Júpiter não dará bons resultados: como rege a 8ª e 9ª casas, que são respetivamente uma casa maléfica e uma casa trina, não forma Rajyoga. Mas é neutro ou maléfico? do mesmo modo, a Lua, embora seja considerada um planeta maraka, os seus resultados dependem da associação, isto é, dos aspetos que recebe de outros planetas. Por outras palavras, é neutra. Mas e Mercúrio , que é o regente do Ascendente? Nem uma palavra sobre ele, mais uma vez o texto aparece fragmentado. De acordo com as regras estabelecidas, no entanto, Mercúrio é um benéfico natural que rege duas casas kendra ( uma delas, a 1ª é simultaneamente trina)  e  os seus resultados podem por isso ser duvidosos mas é também o regente do Ascendente. No entanto, os seus resultados podem ser flutuantes se ele for fraco no horóscopo. A tradição classificou-o como benéfico.
Ascendente Caranguejo– Vénus e Mercúrio são considerados maléficos. A Lua, Marte e Júpiter são auspiciosos. Saturno e o Sol são planetas maraka e dão resultados de acordo com as suas associações.  Ora, há algumas coisas interessantes aqui. Por ex., a caracterização de Saturno parece apontar para uma classificação de «neutro», o mesmo acontecendo com o Sol, pela regência da 2ª casa, uma casa maraka. Mas reparemos nas regências de Saturno: a 7ª e a 8ª casas. É  um poderoso maraka e, se pela regência da 7ª casa podia dar bons resultados, uma vez que é um planeta maléfico natural a  reger uma casa kendra, a regência da 8ª casa arruína completamente essa possibilidade. É por isso difícil de compreender esta afirmação de que Saturno «dá efeitos de acordo com as suas associações». A caracterização de Júpiter como benéfico  só pode ser encarada como uma exceção que também não é explicada pois o signo Mooltrikona do planeta ocupa a maléfica 6ª casa. Ficamos sem perceber a que se deve  a referida exceção se a casa predominante neste caso é a 6ª.  Por sua vez, reconhece-se o estatuto de Marte como planeta yogakaraka pela regência da 5ª e da 10ª casas.
Ascendente Leão- Mercúrio, Vénus e Saturno são maléficos. Marte, Júpiter e o Sol «dão bons resultados», isto é, são benéficos. Tendo em conta a regra segundo a qual quando um Planeta rege uma kendra ou uma trikona e uma casa maléfica não forma Rajyoga, a associação de Vénus e Júpiter não produz bons resultados.Saturno e a Lua são planetas maraka (Saturno rege a 6ª e a 7ª e a Lua rege  a 12ª) e produzem «efeitos de acordo com as suas associações». Ora, se esta afirmação é  consentânea com a classificação da Lua como planeta neutro para este Ascendente, o mesmo já não acontece com Saturno, que é um poderoso maléfico para este Ascendente podendo produzir muitas obstruções e doença ou acidentes que colocam em perigo a vida do nativo. Mercúrio é considerado maléfico porque rege a 2ª casa que é uma casa maraka, e a 11ª, considerada maléfica pelas razões que explicámos e que a nosso ver, é uma classificação que não faz sentido pois os resultados deste planeta, quando está forte, são muito positivos; o mesmo acontece com Vénus, que rege a 3ª e a 10ª casas. Quanto à classificação de Saturno como maléfico ela não nos suscita dúvidas, antes estranhamos  a referência final do texto a respeito deste planeta, sugerindo que existe texto omisso na afirmação, que é contraditória com o que se afirma no início quanto ao caráter maléfico de Saturno.
Ascendente Virgem- A Lua, Marte e Júpiter são maléficos. Mercúrio e Vénus são auspiciosos. Se houver associação entre Mercúrio e Vénus há um yoga pois Vénus rege a 2ª e a 9ª casas e Mercúrio rege a 1ª e a 10ª  e, de acordo com as regras, a associação entre o regente da 9ª e da 10ª casas é um importante Rajyoga. Porém,  a regra secundária segundo a qual se um planeta rege uma kendra ou trikona e também uma casa maléfica não produz Rajyoga ao associar-se, não se aplica neste caso. Perguntamos porquê? Porque, de facto, não se reconhece a 2ª como má. Então, como se vê, há contradição com a afirmação prévia de que o regente da 2ª é um planeta maléfico ou faltam referências que permitam compreender quando e em que condições é que o regente dessa casa se torna maléfico e a afirmação de que «é sempre maléfico» é obviamente incorreta e não expressa o ensinamento real de Parashara. Vénus é considerado um planeta maraka , apesar de reger a 9ª casa, pois o seu signo Mooltrikona ocupa a 2ª casa. O texto refere ainda que o Sol produz efeitos «dependendo das suas associações», isto é, tem natureza neutra, como regente da 12ª casa. E Saturno está ausente desta caracterização, não há qualquer referância e ele, apesar de ser regente da 5ª e da 6ª casas. Mais uma vez, temos o texto incompleto. A tradição costuma classificá-lo como neutro, devido à regência da 5ª casa que é uma casa muito auspiciosa. No entanto, Saturno pode produzir muitos efeitos adversos na vida destes nativos, como a experiência tem comprovado.
 (continua)
Nota: Ao apresentarmos os fundamentos da classificação da natureza funcional dos planetas para cada Ascendente segundo a maior autoridade reconhecida na Jyotish, que é o sábio Parashara, queremos que os leitores compreendam a nossa opção pela abordagem desenvolvida pelo investigador V. K. Choudhry que é logicamente decorrente das regras desenvolvidas por Parashara, ultrapassadas as contradições e com apoio em muitos anos de experimentação concreta em que as previsões coincidiram com as experiências reais na vida das pessoas. No próximo artigo apresentaremos a natureza funcional para os restantes Ascendentes. 

O Brihat Hora Sastra e a Classificação das Casas Maléficas do Horóscopo

bruhat
Antes de  iniciarmos a apresentação da natureza funcional dos planetas de acordo com o estabelecido na obra «Brihat Hora Sastra» , para que os nossos leitores não fiquem baralhados, vamos primeiro analisar a descrição  que é feita nesta obra de algumas casas do horóscopo e vamos comentando e acrescentando as nossas conclusões.
Assim, tendo em conta as regras definidas nesta obra e referidas no artigo anterior  vamos começar por uma breve referência ao que se diz na obra mencionada acerca das casas do horóscopo cujos regentes o cap. 34 do livro referido considera que «são sempre maléficos». Usaremos as próprias palavras atribuídas a Parashara:
Características Gerais da 2ª, 3ª, 7ª e 11ª casas do Horóscopo Segundo «Brihat Hora Sastra» *
* Não consideramos aqui a 6ª pois estamos de acordo com a sua caracterização como casa maléfica.
 
2ª casa do horóscopo- Efeitos da 2ª casa: «combinações para riqueza. Se o regente da 2ª casa estiver aí colocado ou numa casa kendra ou trina, promove a riqueza financeira. A pessoa será pobre se o regente da 2ª estiver colocado numa casa maléfica ao mesmo tempo que o regente da 11ª também está mal colocado e a 2ª está ocupada por um planeta maléfico.» Esta descrição dá-nos a  saber que a 2ª casa tem uma importância extraordinária na vida de todos nós e que tem resultados muito positivos na nossa vida pois sem os recursos necessários para nos sustentarmos, a existência torna-se impossível. A conclusão que se tira é que não é lógico considerar que o regente da 2ª casa é sempre maléfico. Sabendo que Parashara foi um grande mestre  cuja sabedoria é incontestável, temos que admitir que falta acrescentar mais  informação que nos permita concluir porquê e em que condições o regente da 2ª casa se torna mau. E aqui lembramos outro significado desta casa , que é  uma casa maraka , isto é, o seu regente é capaz de causar a morte  do nativo, no seu período dasha ou subperíodos em outros dashas. Mas, como Parashara nos diz a propósito de todos os planetas, é preciso que o regente da 2ª casa esteja fraco/aflito para ter esse poder fora do tempo devido pois a morte, tal como o nascimento, é uma circunstância pela qual todos teremos que passar e é um acontecimento natural, a menos que a vida nos seja roubada por causas não naturais. Um regente forte e não aflito no horóscopo não produz a morte fora de tempo, como  as investigações empíricas dos astrólogos védicos desde há milhares de anos têm confirmado. E hoje isto é ainda mais verdade porque , se há milhares de anos e ao longo de muitos séculos, a vida humana foi sempre muito  frágil, levando os estudiosos a temer todos os indicadores da sua ocorrência pois a esperança de vida não era comparável à dos dias de hoje, atualmente, com os progressos da ciência e com a proteção  da vida de que dispomos, não faz qualquer sentido encarar a 2ª casa como uma casa maléfica por estas razões. Apenas se torna maléfica quando o seu regente é fraco pois aí torna-se incapaz de proteger os seus significados positivos.
 
3ª casa do horóscopo- Esta casa teve uma importância considerável nos tempos antigos, tempos em que  «o número de braços» disponíveis para contribuir para a economia familiar baseada no trabalho do campo e  no desempenho dos vários ofícios o número de irmãos era muito importante- quando maior o número de irmãos, mais fácil seria a vida do nativo pois o trabalho seria distribuído por mais pessoas, libertando-o um pouco mais para viver a sua vida sem  excesso de trabalho. A 3ª casa é a casa dos irmãos e este é o significado que sobressai na análise do «Brihat Hora Sastra». Mas a 3ª casa é também a casa da coragem e da bravura, das iniciativas e da motivação que nos leva a fazer coisas no mundo. Vejamos o que nos diz o texto: «se o regente da 3ªcasa estiver associado com Marte (significador da casa) ou em aspeto com a 3ª casa, o nativo gozará de bons resultados». «Se o regente da 3ª ou Marte, está numa casa angular ou trina ou no signo de exaltação ou em boas divisões (navamsa, etc) terá irmãos e receberá felicidade deles». Ora, estes são bons resultados, tanto no tempo em que Parashara viveu como nos dias de hoje. Para além disto, a 3ª casa simboliza também todos os processos de comunicação, de escrita, os talentos artísticos, etc. e estes são também bons resultados. É claro que, quando o seu regente é fraco e /ou a casa recebe aspetos de planetas maléficos, torna-se negativa. Mas isso também sucede com todas as outras casas do horóscopo. 
 
7ª casa do horóscopo- As considerações que fizemos na 2ª casa acerca do facto de essa ser uma casa maraka aplicam-se também a esta, pois a 7ª também é considerada uma casa maraka. Pedimos ao leitor  que reveja o que escrevemos a este propósito na descrição  da 2ª casa. 
Mas no «Brihat Hora Sastra» as referências fundamentais que descrevem a 7ª casa são muito positivas: «Se o seu regente está no próprio signo ou no signo de exaltação, o nativo será completamente feliz no casamento e com o cônjuge». «Se o regente da 7ªcasa for forte, se receber  aspeto de um planeta benéfico, o nativo será rico, honrado, feliz e afortunado.» Ora, ao lermos esta descrição, ficamos perplexos quando somos confrontados,  no cap. 34 , com a afirmação de que o regente desta casa deve ser considerado maléfico. Isto só faz sentido quando  pensamos no caráter maraka desta casa mas, a este respeito, voltamos a referir que é preciso que o regente da 7ª casa seja fraco e esteja aflito para adquirir o poder de causar a morte fora de tempo ao nativo. Por isso, dado que os significados positivos desta casa prevalecem , a classificação do seu regente como maléfico é destituída de fundamento. O texto atribuído a Parashara  sobre esta questão não pode ser aceite sem sentido crítico.
 
11ª casa do horóscopo-  E, finalmente, temos a 11ª casa do horóscopo. Esta é a casa dos ganhos e Parashara não se cansa de o mencionar: «quando o seu regente está colocado na própria casa, ou numa casa angular ou trina,  o nativo obtém muitos ganhos. De modo semelhante, se estiver exaltado, mesmo que esteja combusto, trará muitos ganhos». Agora, o que leva muitos astrólogos a acreditarem que o regente da 11ª casa «é o mais maléfico de todos?» Para o compreendermos, temos que nos lembrar de que a Astrologia Jyotish surgiu como parte integrante da Filosofia Védica que tinha por objetivo promover o desenvolvimento espiritual dos seus estudantes. A 11ª casa, ao mostrar os ganhos materiais, pode indicar uma inclinação para a ganância e para o desejo excessivo de obter posses no mundo material. Em termos morais,  portanto, é uma casa «potencialmente má.» Porém, ela também significa a realização dos nossos desejos e muitos destes não têm necessariamente a ver com dinheiro; também significa o prestígio que podemos obter  como resultado da nossa vida em comunidade e do nosso esforço pessoal  no trabalho e na carreira, e os amigos  e o círculo social que conquistamos  nesse percurso. Por isso ela refere-se também  às nossas posses no plano social , que são de caráter valorativo e não material. Ora, quem pode descrever estes significados , que são a própria razão  de ser da vida em sociedade, como maléficos? Parece-nos por isso  não fazer qualquer sentido a caracterização desta casa como maléfica,  respeitando a própria caracterização que Parashara faz dela.
E depois deste esclarecimento, necessário para ultrapassar dúvidas na nossa terminologia e conceções, passaremos no próximo artigo à natureza funcional dos planetas de acordo com as regras já mencionadas do «Brihat Hora Sastra».

O que Dizem os Mestres da Jyotish: Os Pressupostos para Julgar a Natureza Funcional dos Planetas

mara
A natureza funcional dos planetas é a chave principal para fazer previsões corretas dos eventos. Assim, este é um assunto fundamental para todos os que desejam compreender os fundamentos da Astrologia Jyotish e querem aprender a fazer análises e previsões astrológicas rigorosas. Por isso hoje vamos aos fundamentos e apresentamos o que diz o grande Mestre da Jyotish, Parashara, no livro onde foram registados os seus ensinamentos orais, o  «Brihat Hora Sastra» no cap. 34 que fala da natureza funcional dos planetas para cada Ascendente.
Neste capítulo há algumas omissões, porventura fruto do facto de a passagem para a escrita dos ensinamentos deste mestre ter sido tardia em relação aos seus ensinamentos orais, resultando por isso da expressão indireta desses ensinamentos. Milhares de anos separam-nos deste texto, que foi no entanto reverenciado ao longo do tempo como a «Bíblia» da Jyotish.
Na determinação dos planetas que são funcionalmente benéficos ou maléficos, Parashara define algumas regras simples:
a) os planetas benéficos naturais produzem maus resultados quando regem casas kendra ( a 1ª, a 4ª, a 7ª e a 10ª); por sua vez, os planetas maléficos, quando regem as mesmas casas, perdem o caráter maléfico e produzem bons resultados;
b) O regente do Ascendente produz bons resultados porque  a 1ª casa é simultaneamente kendra e trikona (as trikonas são a 1ª, a 5ª e a 9ª);
c) Observamos as casas kendra para analisar a felicidade e as 5ª e 9ª  para a riqueza;
d) Qualquer planeta com a regência da 3ª, 6ª e 11ª é sempre maléfico nos resultados. Os resultados dos regentes da 8ª e da 12ª casas dependem da associação (isto é, da regência, pelo planeta, de outras casas, que podem ser maléficas ou benéficas).Se o regente da 8ª casa também reger a 3ª, a 7ª ou a 11ª, será muito negativo; mas, se reger uma trikona dará resultados auspiciosos. A razão é porque a casa predominante prevalece e o planeta produz, desse modo, os resultados mais positivos. Falta acrescentar, porque está omisso nesta passagem, que os signos de que se fala só se tornam predominantes quando são  o signo Mooltrikona do planeta.
e) Quando a 8ª casa  tem a regência do Sol ou da Lua (como sucede para os Ascendentes Sagitário e Capricórnio) não é prejudicial. Porém, nada se diz sobre a sua natureza: é neutra? O texto é omisso.
f) Parashara define ainda quais são os planetas naturais benéficos : Vénus e Júpiter; acrescenta que a Lua, como benéfico, é «medíocre», sendo o mais fraco dos benéficos e que Mercúrio é neutro. A força dos benéficos para produzir resultados é, em ordem crescente: Lua cheia, Mercúrio, Júpiter e Vénus. Mercúrio aparece tratado como benéfico apesar de a sua natureza poder tornar-se maléfica por associação com planetas maléficos funcionais.
g) Os planetas maléficos naturais, por ordem crescente de força são: Lua minguante, Sol, Saturno e Marte. Quando regem casas kendra, a sua força para produzirem bons resultados segue a mesma ordem.
h) Quando os planetas  benéficos naturais regem casas kendra, a  sua força para produzirem maus resultados é, por ordem crescente : Lua minguante, Mercúrio, Júpiter, Vénus.
i) Rahu ou Ketu dão resultados principalmente a partir a casa onde se encontram ou da associação por aspeto com outros planetas. Se estiverem colocados numa casa kendra e receberem um aspeto de  um regente de uma casa kendra ou trikona, tornam-se num yogakaraka.
 j) Finalmente, e  muito importante,  as exceções: 1. um planeta maléfico só produz bons resultados quando rege uma casa kendra e também uma casa trikona, isto é, apenas quando é um yogakaraka. 2. Se o planeta que rege uma casa kendra ou uma casa trikona também rege uma das casas maléficas, não forma Rajayoga quando se associa com um outro regente de casa kendra ou casa trikona.
No nosso próximo artigo vamos ver como são aplicadas estas regras, por Parashara, na definição da natureza funcional dos planetas, para cada Ascendente.

Casas do Horóscopo e Planetas que Funcionam como o Sol

bril
O investigador da Jyotish V. K. Choudhry desenvolveu, com base em estudos empíricos, o conceito de «casas como o Sol»  e «Planetas como o Sol». Estas casas são a 2ª,   a 3ª e 9ª casas do horóscopo quando ocupadas por signos Mooltrikona e os seus regentes, seja qual for a sua colocação por signo, atuam como o Sol. 
Este conceito é importante para ajuizar sobre os efeitos dos planetas que regem estas casas do horóscopo ou estão nelas colocados, recebendo, por isso, um relevo e uma força adicionais.
Para os diversos signos Ascendentes, são os seguintes os planetas que atuam como o Sol:

Planetas que Agem como o Sol para Cada Signo Ascendente

CarneiroJúpiter
Touro- Lua
Gémeos- Lua, Saturno
CaranguejoSol , Mercúrio
Leão-  Mercúrio, Vénus e Marte
Virgem- Vénus
Balança- Júpiter
Escorpião- Lua, Júpiter
Sagitário- Saturno
Capricórnio- Mercúrio, Saturno
Aquário- Marte, Vénus
Peixes- Marte
Esta classificação das casas do horóscopo deve-se ao facto de estas casas terem um papel determinante no desenvolvimento individual da existência: a 2ª casa representa os recursos e as competências básicas de que precisamos para podermos garantir a subsistência no plano terreno. Significa também o status, a nossa origem familiar, etc., A 3ª casa significa a aprendizagem e o desenvolvimento das competências intelectuais e comunicacionais que definem a nossa expressão como seres humanos e sem a qual não é possível uma vida humana completa; a 9ª casa representa a «sorte» que nos cabe nesta vida, bem como a orientação que nos guia para a compreensão do nosso próprio destino e que permite  o desenvolvimento da sabedoria de vida que nos permitirá ligar a vida terrena com o plano espiritual. 
Finalmente, porquê a analogia com o Sol? bem, porque o Sol simboliza o nosso self mais profundo, é a centelha de vida que anima o nosso corpo físico e, por isso, ele tem uma importância acrescida na nossa vida, incluindo o comando  da vitalidade do corpo físico.
A análise destas casas do horóscopo deve por isso merecer toda a nossa atenção, particularmente se houver uma relação direta entre as «casas como o Sol»  e o próprio Sol ou o signo que ele rege.  Deste modo, a força de um planeta pode aumentar :
a) Qualquer planeta colocado no signo de Leão obtém 25% de força adicional. Quando esse planeta é regente da 2ª, da 3ª ou da  9ª casas, isto é ainda mais relevante. Destes  regentes, o mais forte é o da 2ª casa, seguindo-se o da 3ª e depois o da 9ª casa.
b)  Quando o Sol está colocado numa «casa como o Sol», ganha 25% de força adicional, desde que não seja funcionalmente maléfico. Se for funcionalmente maléfico não pode estar em conjunção ou aspeto próximo com o ponto mais efetivo da casa, para obter essa força adicional;
c) Quando o signo Leão ocupa uma das casas maléficas  e o Sol está aí colocado, mantém a sua força para produzir bons resultados desde que não esteja no avastha da «infância»/«velhice» nem debilitado na Navamsa.
d) O planeta regente de uma casa «como o Sol» colocado noutra «casa como o Sol » (por ex., o regente da 3ª casa colocado na 2ª) , se não estiver nos primeiros nem nos últimos 5 graus do signo (infância e velhice, respetivamente), pode mesmo ter 100% de força.
Finalmente, convém esclarecer que os «planetas que atuam como o Sol» não causam combustão a outros planetas.
Sugerimos que, como exercício, observe o seu horóscopo e  anote quais são os regentes das casas como o Sol no seu horóscopo. Tenha em mente que essas casas, para serem assim consideradas, devem ser ocupadas por signos Mooltrikona. Em caso de dúvida, siga a informação dada acima para cada Ascendente. Veja quais os planetas que ocupam essas casas e/ou estão colocados no signo Leão. Anote os aspetos que lançam para outros planetas e para outras casas. Que conclusões é capaz de tirar, tendo em conta os significados das casas e dos planetas em causa e conhecendo os eventos da sua vida?

As Casas Maléficas Também Têm Significados Positivos

bad

A Astrologia Jyotish é o resultado de milhares de anos de estudo e  de prática dos ensinamentos de sábios que escreveram nos Textos Védicos, considerados como a expressão da sabedoria dos mestres antigos. E, entre os antigos sábios, nenhum tem maior autoridade do que Parashara, que ensinou as bases da Jyotish  que podemos encontrar hoje no livro Brihat Hora Sastra. Porém, há que ter em conta que este livro, no qual  se baseiam principalmente  os ensinamentos e práticas atuais da Jyotish, incluindo os programas de software utilizados para efetuar os cálculos necessários, foi escrito posteriormente em relação a esses ensinamentos, que eram orais e, como acontece em todos os casos  em que passam por vezes muitos anos entre o tempo atual dos ensinamentos e a sua passagem para a escrita, perdem-se alguns ensinamentos, e o resultado são omissões que podem dar lugar a contradições quando não temos em conta que os textos escritos de que dispomos não são tudo o que aquele mestre ensinou e que alguns desses ensinamentos são fragmentários, exigindo por isso uma atitude crítica para podermos interpretá-los e completá-los.

Vêm estas considerações a propósito dos ensinamentos de Parashara acerca da natureza funcional dos planetas e de quais são as casas maléficas no sistema astrológico da Jyotish.  Estes dois aspetos têm que ser muito claros e não encerrar contradições porque todo o sistema de previsões se baseia neles. E, das duas, uma: ou os fundamentos são sólidos e coerentes e as previsões são confirmadas pelos casos reais ou encerram contradições porque nós insistimos em lê-los à luz de fundamentos pouco claros e erramos nas previsões , porque nos habituámos a considerar  o texto clássico, tal como o conhecemos hoje, com as suas omissões,  como se tais contradições não existissem  e por isso não obtemos uma visão lógica e coerente destes ensinamentos.
Ora, é por essa  razão  que consideramos tão importante o trabalho que o investigador e astrólogo Hindu V. K. Choudhry tem feito  na sistematização dos princípios da Astrologia Jyotish porque ele é um estudioso dos princípios clássicos da Jyotish  mas tem efetuado um trabalho de teste dos seus fundamentos a partir de uma abordagem sistemática  e experimental e, desse modo, permite-nos  uma compreensão mais clara dos fundamentos da Jyotish e também a realização de previsões mais corretas , confirmadas pela experiência das pessoas  no plano empírico.
E, de acordo com esta abordagem,  é preciso esclarecer o seguinte:

As casas do horóscopo têm todas significados positivos e negativos, embora em algumas delas os significados negativos prevaleçam e, por isso, são chamadas de «maléficas» porque estão associadas a experiências que podem ser difíceis e desafiadoras;  do mesmo modo, as casas benéficas também têm aspetos negativos, muito embora os que são positivos prevaleçam. E, num caso como no outro, a força dos planetas e a sua natureza funcional são determinantes para decidir os seus efeitos na vida concreta dos nativos.

Significados Positivos das Casas Maléficas- 6ª, 8ª, 12ª

6 ª- Para além dos aspetos negativos , esta casa também significa a vitória sobre os inimigos, uma situação financeira confortável,a  salvaguarda em relação à perda de bens através do roubo ou do fogo.
8 ª-  Vida longa, ganhos por herança, ganhos financeiros do pai, continuidade dos laços conjugais, mudança súbita que atrai dinheiro/riqueza.
12ª- Sono tranquilo,  ganhos a partir de terras estrangeiras, vida de luxo e de conforto, usufruir da companhia do cônjuge, proteção em relação a aprisionamento e estadia em hospitais. 
Para que estes significados positivos das casas maléficas se concretizem, no entanto, é preciso que elas estejam ocupadas por signos Mooltrikona  e que os seus regentes estejam fortes, bem colocados e sem sofrer por  aspetos maléficos de outros planetas.
Quanto à consideração seguida por muitos astrólogos védicos de que o regente da 3ª, da 6ª e da 11ª casas é  sempre  um planeta funcional maléfico, tal regra parece-nos que não tem apoio na realidade, pois os significados da 3ª e da 11ª casas são fundamentais para qualquer ser humano vencer no mundo através da coragem, da motivação, das capacidades mentais de comunicação e de aprendizagem (3ª casa) e  a realização dos desejos pessoais enquanto capacidade para ver os frutos do esforço e das iniciativas pessoais no mundo são um aspeto igualmente essencial para a realização  pessoal: é a 11ª casa que nos assegura o preenchimento das ambições e dos desejos pessoais e, sem os ter, nenhum de nós é capaz de realizar alguma coisa que mereça ser notada, nesta vida, nem boa nem má. Consideramos por isso, seguindo a proposta de V. K. Choudhry, que as únicas casas maléficas são a 6ª, a 8ª e a 12ª, quando ocupadas por signos Mooltrikona e quando os seus regentes estão fracos /aflitos.

Os Períodos Dasha e os Seus Efeitos no Horóscopo

dash
A Astrologia Jyotish conta com um instrumento de análise exclusivo e que não existe na Astrologia Ocidental para fazer previsões sobre as principais tendências nos eventos da nossa vida. Este instrumento são os períodos dasha e respetivos períodos, que são estudados em conjunto com as  «cartas divisionais» (que exigem o conhecimento exato da hora de nascimento, para serem eficazes) e com o estudo dos trânsitos.
No momento em  que nascemos, a nossa Lua ocupava um determinado grau de um signo que também corresponde a um  «pada» ou parte dos 27 Nakshatras. E é essa posição da Lua que define o período dasha de nascimento, a partir do Nakshstra que ela ocupava nesse momento. Hoje em dia , felizmente, já não precisamos  de saber Matemática para aprender Astrologia Jyotish porque o software faz os cálculos para nós e tudo o que temos que fazer é analisá-los.  A posição da Lua no nascimento é decisiva para definir a matriz de eventos possíveis da nossa vida porque é ela que estabelece a nossa ligação com o «destino» que nos cabe. Já tivemos oportunidade de explicar este papel da Lua na Astrologia Jyotish e você poderá aprofundar os seus conhecimentos sobre este assunto lendo esses artigos *. Por agora, vamos focar-nos nos períodos dasha e explicar como eles se desenrolam.
Cada planeta tem um número determinado de anos em que tem um papel central no desenrolar dos eventos que constituirão a nossa vida. A sequência entre eles é sempre a mesma, embora  o nosso primeiro dasha possa ser qualquer um deles. Mas, comecemos onde começarmos, a partir daí os períodos seguem sempre a mesma sequência. Se, por exemplo, nascermos no último período da sequência, Vénus, o período seguinte é o do Sol, etc. Seja  qual  for o primeiro dasha da nossa vida, provavelmente nunca os experienciaremos todos pois, para isso teríamos que viver 120 anos.

Duração dos Períodos Dasha dos Planetas

Sol-  6 anos
Lua- 10 anos
Marte- 7 anos
Rahu-18 anos
Júpiter- 16 anos
Saturno- 19 anos
Mercúrio- 17 anos
Ketu- 7 anos
Vénus-  20 anos
Cada período dasha tem um conjunto de subperíodos  que seguem a mesma sequência apresentada e que começa sempre com  subperíodo do próprio planeta. 
Assim, vamos usar o último horóscopo  que analisámos no artigo anterior para observar os períodos dasha . Aproveitamos para informar que existem muitas formas de considerar estes períodos , relacionadas com análises específicas mas o que habitualmente é considerado mais importante, porque tem caráter geral, é o Vimsottari Dasha.  Usando o software recomendado, depois de introduzir os dados para obter o horóscopo , clicamos, no menu superior, no separador «dasas». Por defeito, o programa apresenta-nos o que pretendemos, o sistema vimsottari.  Observamos uma lista com todos os dashas e respetivas datas , desde o nascimento, contendo o período de vigência de cada um:  
No exemplo que analisamos, esta pessoa nasceu em 1982 mas o período dasha em que  ele nasceu tinha começado em 1980. Trata-se do dasha de Mercúrio que começou a 22 de julho de 1980 e terminou em 23 de julho de 1997; seguiu-se o dasha de Ketu de 23 de julho de 1997 até 23 de julho de 2004; seguidamente começou o dasha de Vénus , em 23 de julho de 2004 e que terminará em 23 de julho de 2024. Etc. 
 
Agora, clicando no primeiro dasha que aparece, surge uma nova lista , dos subperíodos dentro de cada dasha: por ex.,  quando esta pessoa nasceu, experienciou uma parte do primeiro subperíodo do dasha de Mercúrio, até 19 de dezembro de 1982; após esse subperíodo, surgiu o subperíodo de Ketu, que vigorou desde 19 de dezembro de 1982 até 16 de dezembro de 1983. E assim sucessivamente, até acabar o período dasha, fazendo-se sentir a influência dos dois planetas – regente do período e regente do subperíodo-na vida da pessoa. 
 
Agora, a informação que nos interessa saber é a que se refere ao modo como estes períodos afetam a nossa vida e ajudam a produzir os  eventos mais felizes ou os mais  infelizes. E, a este respeito,  e porque  nós podemos não experienciar em tempo útil o período dasha de um planeta que tem importância especial para nós num certo momento da vida: por ex., escolher uma profissão, um curso adequado, casar, etc, torna-se mais importante estudar o impacto dos subperíodos dos planetas na nossa vida. A razão é muito simples: experienciamos um período dasha uma única vez na vida;  mas experienciamos muitas vezes o subperíodo  de um planeta, pois ele repete-se em cada período dasha. Embora o período principal dê a «tónica geral» das nossas experiências de vida durante um certo número de anos, o planeta que rege o subperíodo, pelas razões apontadas, acaba por ser mais importante nas previsões de eventos. 
E, para prever  quais as áreas da nossa vida que estarão em foco durante um período ou subperíodo de um planeta, período cuja duração varia de planeta para planeta, temos em conta:
a) as significações gerais  do planeta  que rege o período ou o subperíodo;
b) As significações da casa que é ocupada  pelo seu signo Mooltrikona. 
c) As significações da casa onde está colocado o planeta que rege o período ou o subperíodo.
Todos estes significados  vêm à tona nas experiências vividas em cada período ou subperíodo. Agora, para determinar se serão experiências felizes ou, pelo contrário, desafiadoras e problemáticas, teremos que ter em conta:
1. A força  natal do planeta que rege o período ou o subperíodo;  o caráter funcional do planeta (se é  funcionalmente benéfico; ou funcionalmente maléfico); os aspetos que recebe, sobretudo por conjunção próxima ou exata de outros planetas;  e a natureza funcional dos planetas com quem forma aspeto; 
2. Temos ainda que ter em conta que todos os significados relacionados com o signo Mooltrikona  do planeta que rege o período estarão muito evidentes e serão muito visíveis.
3. Se um planeta funcional  benéfico forte estiver em aspeto no horóscopo de nascimento, com o ponto mais efetivo da casa ocupada pelo signo Mooltrikona do planeta, mesmo que este seja fraco, dará muito bons resultados no seu período; pelo contrário, se é um planeta funcional maléfico forte a formar aspeto com o ponto mais efetivo da casa ocupada pelo signo Mooltrokona do planeta que rege o período, este pode não ser capaz de dar bons resultados, mesmo que seja forte no horóscopo de nascimento. 
 
Como exercício, sugerimos-lhe  que use o software que recomendámos e copie todos os períodos dasha da sua vida. Para cada período já vivido e para o atual, copie também os subperíodos e as respetivas datas. Faça um esforço de introspeção  e veja para  cada  um desses períodos e subperíodos quais foram as experiências mais marcantes de que se lembra: que áreas da sua vida foram afetadas? e foram experiências felizes ou infelizes? Seguidamente, associe o planeta regente do dasha e do subperíodo a essas experiências e veja qual é a natureza funcional dos planetas para o Ascendente.
Esse feedback da sua própria experiência vivida  é um importante fator de integração das informações que estamos a dar.
* Pode ler mais sobre a Lua na Astrologia Jyotish:

Analisar os Aspetos dos Planetas no Horóscopo- Exemplo Prático

asbn
Para os nossos leitores poderem  compreender melhor o que dissemos no último artigo acerca dos aspetos dos planetas, procedemos à análise prática de um horóscopo:
Usando o software que recomendámos aos leitores, introduzimos  os elementos necessários para o cálculo do horóscopo. Trata-se de um  horóscopo masculino.
O Ascendente está colocado a 13º 39′ de Caranguejo. Anotamos este grau, que é fundamental para sabermos qual o ponto mais efetivo de cada casa do horóscopo. Se houver planetas que estejam colocados numa orbe de 5º antes e depois da longitude do Ascendente em qualquer das casas do horóscopo,  esse por si só é um fator que contribui para a força do planeta em causa.
Neste caso temos:
Sol –  6º47´Capr
Lua 17º 50′ Escorp
Marte- 20º31′ Virg
Mercúrio-24º 29′ Capr
Júpiter 14º 56’Libr
Vénus- 7º 21′ Capr
Saturno- 28º 33′ Virg
Rahu- 28º33 Gem
Ketu- 28º33′ Sag
Seguidamente, olhamos para o horóscopo para posicionarmos os planetas e observamos quais as relações que estabelecem entre si :
rob
rob
Observamos que o Sol está colocado na 7ª casa, o mesmo sucedendo com Vénus e com Mercúrio. Porém, olhando para a longitude dos planetas acima, verificamos que nenhum destes planetas está em conjunção com o ponto mais efetivo da casa pois a sua longitude é superior a 5º. Observamos também que o Sol e Vénus estão em conjunção exata, pois a longitude de ambos está na orbe de 1º de distância. Ora, convém, neste momento, fazer uma pausa para falar de um dos fatores que mais contribuem para a fraqueza de um planeta: a combustão. Esta ocorre quando um planeta está  próximo do Sol . A distância em relação ao Sol varia conforme o planeta em causa, para produzir combustão:

Tabela da combustão dos Planetas

Planeta
Distância  em Graus em relação ao Sol
Lua
12
Marte
17
Mercúrio
14
Vénus
10
Júpiter
11
Saturno
15
Mas a combustão dos planetas  produz    efetiva perda de força  apenas  quando o Sol  é um  planeta funcional maléfico, o que não acontece neste ccaso, uma vez que o Sol rege a 2ª casa do horóscopo. Assim, a proximidade de Vénus em relação ao Sol não produz perda de força e Vénus salvaguarda todos os seus significados, tanto mais que rege a 4ª casa do horóscopo, que está ocupada pelo seu signo Mooltrikona  Balança e, por esse facto, Vénus é a influência mais benéfica deste horóscopo. Porém, durante os trânsitos dos planetas funcionais maléficos pela  colocação natal ou pelo seu signo Mooltrikona, Vénus perde 50% da sua força.
Continuamos a observar os planetas e as suas posições  e vemos que Saturno e Marte estão na mesma casa, a, mas não estão em aspeto exato nem próximo, estão apenas em aspeto amplo.  Ora, isso significa que os efeitos deste aspeto só se farão sentir mais para o final da vida, uma vez que a orbe do aspeto ultrapassa os 5º. Notamos ainda que Saturno está fraco por estar no avastha de velhice e que é a influência mais maléfica deste horóscopo pois rege a 8ª casa, onde se encontra  o seu signo Mooltrikona, Aquário. Porém, neste caso a sua fraqueza ajuda  a diminuir os efeitos do seu caráter maléfico pois a  força de um planeta tanto serve para ele produzir efeitos benéficos como maléficos. Marte, por outro lado, é um yogakaraka, isto é, pela regência da 5ª e da 10ª casas, forma um Rajayoga, ou uma assinatura de poder. Mas é preciso analisar todos os fatores de força de um planeta, antes de decidir os seus efeitos. Para já, e de imediato, constatamos que ele lança aspeto para o seu próprio signo Mooltrikona, Carneiro, na 10ª casa, ainda que não para o ponto mais efetivo da casa. De qualquer modo, este  é um elemento positivo que favorece a carreira do nativo através da comunicação e de atividades empreendedoras, pois o planeta ocupa a 3ª casa. Mas, para determinar os seus efeitos, também precisamos de ter em conta o seu planeta dispositor. Este é o planeta que rege o signo Moltrikona onde um determinado planeta está colocado. Só existe dispositor de um planeta quando este está colocado num signo Mooltrikona. A força de um planeta não pode ser superior à do seu  dispositor. Este é o «dono» da casa onde o planeta está localizado e limita a ação do planeta em causa. Neste caso, o signo é Virgem e o dispositor é Mercúrio. Saturno lança aspeto para a 5ª casa, para a 9ª e para a 12ª casas.  Forma um aspeto amplo com  a Lua e uma conjunção exata com Rahu.  Marte, por sua vez, lança aspeto para a 6ª casa, onde se encontra Ketu, para a 9ª e para a 11ª, não formando outros aspetos.
Olhamos de seguida para a 4ª casa e encontramos  Júpiter aí colocado. Júpiter rege a 6ª casa do horóscopo, uma casa maléfica e, porque é ocupada pelo signo Mooltrikona de Júpiter, dizemos que este é um planeta funcional maléfico para este Ascendente, não obstante também reger a 9ª casa da sorte. Isto não significa que Júpiter não dê a este nativo sucesso nesta vida , porém, no período dasha do planeta e nos subperíodos do planeta em outros dashas, Júpiter traz obstruções, dívidas, conflitos, etc. o mesmo acontece  durante os seus trânsitos pelos pontos sensíveis das casas e outros planetas do horóscopo.Júpiter está em conjunção exata com o ponto mais efetivo da 4ª casa, lançando também um aspeto exato para a 8ª casa das heranças  , para a 10ª casa da carreira e para a 12ª casa. O seu período só ocorrerá tarde na vida, em 2065 em estado de velhice adiantado, pelo que os seus efeitos não serão dramáticos na vida desta pessoa. Mas, durante os seus subperíodos em outros dashas, poderá haver obstruções, dificuldades na carreira e gastos/ despesas em excesso.
Na 5ª casa do horóscopo encontra-se a Lua. Esta  forma conjunção próxima com o ponto mais efetivo da casa, que sofre deste modo uma forte influência dos significados da Lua.  A Lua está também aflita por Saturno pois recebe um aspeto de 3ª casa deste planeta. Recebe ainda o aspeto de Rahu, colocado na 12ª casa, num bom signo mas numa casa em que produz despesas, perdas, etc.  Neste horóscopo, a Lua não é  um planeta qualquer, é o regente do Ascendente. Observando a sua posição na varga Navamsa, constatamos que também se encontra em Escorpião, num estado que é designado por Vargottama e é considerado auspicioso. A Lua está debilitada mas está colocada na casa dos «créditos por ações passadas, numa casa que é regida pelo planeta yogakaraka do horóscopo pelo que poderá estar ao serviço do nativo para o ajudar a alcançar o sucesso nesta vida. A Lua também está em aspeto exato com a 11ª casa, gerando flutuações nos rendimentos, quando, por trânsito, fica conjunta com o ponto mais efetivo do signo Touro. Mas os efeitos da Lua são transitórios, fazendo-se sentir apenas durante  algumas horas.
Finalmente, observamos o Sol, Mercúrio e Vénus na 7ª casa do horóscopo.  Mercúrio rege a 12ª casa mas, como esta não é  ocupada por um signo Mooltrikona, prevalece o seu significado como regente da 3ª casa, uma casa forte. Ora, o regente da 3ª casa, uma  «casa como o Sol», está em aspeto amplo com o  Sol e com Vénus, que rege a popularidade, os bens imóveis e móveis, os ganhos e a realização dos desejos e ambições do nativo(4ª e 11ª casas). O Sol , regente da 2ª casa, está em conjunção exata com o regente da 11ª casa, formando um Dhana yoga, o que significa que esta pessoa poderá ganhar bastante e realizar os seus desejos,utilizando as parcerias tanto  nos negócios como no plano pessoal (7ª casa) para alcançar os seus objetivos na vida. Os três planetas estão em aspeto com  o Ascendente, fortalecendo a vitalidade, as capacidades de comunicação e de iniciativa e o gosto pelo conforto e pelo prazer.
Muito mais ainda haveria que dizer sobre este horóscopo, sobretudo no que se refere à força dos planetas mas por hoje ficamos por aqui. Sugerimos-lhe que faça um exercício semelhante no sentido de anotar os aspetos dos planetas no seu horóscopo, para ir acompanhando, de forma significativa, as explicações que vamos dando.